As palavras já estiveram em lugares onde jamais sonhei em estar
Às vezes, o problema não é o livro
Terças com Tita | O dia em que achei que tinha escrito um clássico
Ah, a pretensão juvenil. Mudar o mundo, uma missão quase messiânica. Sou a mensageira da sociedade. Pare e preste atenção na minha arte.
Meu sonho sempre foi ter um cachorrinho. E eu realizei. Agora, que outros sonhos tenho para colocar no lugar?
O mundo precisava conhecer a minha história.
Fonte Comic Sans, tamanho 14, cor fúcsia e muitas boas intenções. A joça não tinha nome e eu ia contando a história da minha vida até o presente momento. Parecia vida pra caramba e o tempo para contar tudo, quase insuficiente. Essa dedicação ostensiva rendeu frutos, ou melhor, mais de 400 páginas.
Era de madrugada e não dava para eu abrir a janela e sair gritando que terminei um livro…
Não um livro qualquer… era o livro da minha vida.
Júlia disse que eu escrevia melhor do que o Machado de Assis, mas foi só para me motivar. Ele sempre foi o "cara" para mim. Se algum dia eu escrevesse sobre a natureza humana com tanta riqueza de detalhes e criasse personagens memoráveis que ultrapassassem gerações, seria uma honra.
— Como vai ser o nome do livro? — Quis saber a Júlia.
— Eu… não sei.
— Você não pensou em nenhum nome?
— Tita. Por mim mesma.
— Você está tirando onda? — Júlia me encarou, séria.
— Não gostou?
— Não...
— Esse negócio de inventar título é um problema. Já pensei em vários, mas não gosto de nenhum.
Concluir o primeiro livro deveria ser o final da história, certo?
Errado, muito errado.
Tá, você escreve, mas qual é o seu trabalho? Escritor nesse país não ganha nem para o sabão!
Eu já vivo dela.
Mesmo que eu já não saiba mais sonhar
Sonhadora era um adjetivo bem comum para as pessoas se referirem a mim no passado. Eu era aquela pessoa que sabia o que queria e conhecia os caminhos para “chegar lá”. Tudo parecia estar escrito. No entanto, essa “certeza” me acomodou e eu não soube encarar as intempéries com a serenidade exigida para padecer, para não me tornar a personificação ambulante da amargura.
a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros
Ao longo da vida, aprendi que não devemos viver com o peso de provar quem somos a quem não está disposto a ouvir. Gostos, crenças e preferências são escolhas profundamente pessoais, que não precisam ser validadas ou justificadas. Seja gostar de Chaves, fofurices, usar allstar, preferir rock ao sertanejo, ou mesmo não gostar de algumas coisas. Seja acreditar em Deus sem seguir uma religião ou apreciar a literatura com a liberdade que ela propõe, tudo isso faz parte da autenticidade de cada um.
É curioso como, em tempos de tanta informação, ainda haja indivíduos incomodados com personagens fictícios, submetendo-os a rigorosos julgamentos como se fossem reais, condenando-os segundo os critérios do moralismo de fachada. Segundo Roland Barthes, a literatura nos atribui o privilégio da licença poética, aquele espaço onde os personagens existem além do moralismo da realidade, como espelhos de nossas complexidades. Criticar ou sentir inveja de uma personagem literária é um reflexo de quem observa, não de quem escreve.
Por que, então, continuamos presos à necessidade de agradar ou convencer? A resposta, talvez, esteja no valor que damos à opinião alheia, quando, na verdade, a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros.
Aos que ainda gastam energia tentando colocar etiquetas na vida dos outros, um lembrete: viver com autenticidade é um ato revolucionário. E para aqueles que insistem em condenar o que nem existe, talvez seja hora de refletir — não sobre quem apontam o dedo, mas o incômodo projetado no reflexo da ficção.
A vida é curta demais para dar palco ao que não agrega. Que possamos seguir caminhando com nossos próprios sapatos, sem nos preocupar com os calçados dos outros.
Minha joaninha (seu casco não é uma prisão)
“Minha joaninha, o seu casco não é uma prisão, é a sua casa. Suas pintinhas são o seu mapa estelar. Escreva mesmo que ninguém leia, porque o papel é a única terra firme que nunca afunda sob os nossos pés.”
Manifesto de uma nefelibata
"Eu não sou uma fraude por não saber tudo porque tenho a humildade de buscar aprender o que não sei. Minha força não está na perfeição da regra, mas na precisão da minha observação, de rir dos meus erros."
Mary Recomenda | Escritores nascidos em 17 de novembro
Novidades literárias da Mary | Considerações sobre a participação no projeto Literatura na Escola 🖋️
Há alguns meses sem escrever poesia, foi no meio de uma crise que finquei em palavras o que queria escrever na pele. Eu não precisava sangrar no sentido literal, mas poderia muito bem resgatar o velho hábito de externar no papel todo o peso que a mente carrega por pensar e sentir demais, num nível quase insuportável.
Crítica ou insulto? A linha tênue entre a análise e o ataque
💌 Para quem um dia me leu e talvez ainda lembre de mim
💌 Carta a quem acha que não é bom o bastante
Já ouvi que sim. Outros tentaram e ainda tentam me convencer do contrário. Entretanto, o que me move é a vontade de externar tudo que o silêncio não consegue nem faz questão de segurar.
🌸 Até a última gota de esperança
Subtítulo: Um texto inédito de 2012 que reafirma a força de sonhar e escrever com o coração
Introdução:
mesmo quando se duvida
O fogo cruzado das palavras
O ofício de permanecer
Por trás das pausas
Do lado de dentro do silêncio 🔇
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| Joaninha no fim de tarde (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
Um vagalume no breu
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| Obrigada pelo carinho, pessoinha de alma linda *-* |
Essa captura de tela vem como um doce lembrete de que, sim, existem boas pessoas no mundo, que semeiam carinho e inspiram com boas atitudes. A intenção não é me gabar deste pequeno momento de alegria, mas compartilhar um sentimento positivo que me abraça num momento onde me pergunto se num mundo tão podre e intolerante, ainda vale a pena escrever.
Terças com Tita | Quando eu era só semente, ninguém me regou
Manifesto de uma nefelibata #2
Nem todas as boas histórias começam com "era uma vez", suspeito que as primeiras páginas contem sobre paredes rabiscad...
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