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🎥 LIVE DO TINO: DIREITO DE RESPOSTA


⚠️ AVISO IMPORTANTE

Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das obras “O Falastrão” e “Memórias de uma Greve”. Qualquer semelhança com apresentadores reais, MBAs de procedência duvidosa ou berrantes desafinados é mera (e deliciosa) coincidência literária. O OCDM e a Mary Luz não se responsabilizam por egos feridos na vida real. É tudo ficção, galera! Mas que o sinal da ZYB 171 é instável, isso é. 😉🚩🎭

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 8: Fim de festa? (2013)

 

Parte 8: Fim de festa? 

— Minha amiga oculta — anunciou Edu, segurando um embrulho cor-de-rosa com detalhes de patinhas: — É... Ela é... Bom… Ela é... Ela gosta de cachorrinhos…
 
Jaqueline sorriu e levantou-se do sofá para receber o presente.

— Eu não vim com discurso pronto, sabe como é… não sou muito bom em discursar como o nosso amigo Luís Carlos, mas quem sabe faz ao vivo. — Edu brincou com a amiga oculta: — Eu havia pensado em comprar o cd da Anitta, mas… acho que disso você fará mais proveito.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 7: Amigo oculto ou amigo da onça? (2013)

 

Parte 7: Amigo oculto ou amigo da onça?



Narrador: E voltamos! Voltamos com o Especial de Natal da Mão de Vaca… ops… da Malacubaca… ( resmungou baixinho) Estagiário folgado. Não, não, não quis dizer isso, quis dizer: o estagiário é o meu aliado. Tem alguém aqui que não seja eu? Se estiver, por favor, levanta a hashtag #amigoocultoMalacubaca…

William, com cara de poucos amigos, ensaboava os talheres de má vontade e Edu, ao lado dele, tomava conta dos copos. A pia ainda estava atulhada de louças sujas.

— Eu disse… Eu disse… O pior papel sempre é o meu! — choramingou William.
— Agradeça por não ser o anfitrião. — Edu deu uma piscadela marota para o melhor amigo: — Eu disse que minha casa estava em reforma. — deu de ombros. — Jogo de cintura, meu caro.
— Você, hein? Só me fala disso agora, pilantra?
— Vê lá, Will. Pilantra, não. O mundo é dos espertos, Will.
— O castigo vem a cavalo, malandro. Quer dar uma de esperto, mas vai se dar mal. Curioso isso, né? Desde que te conheci, sua casa está sempre em reformas, sua tia-avó já morreu umas duzentas vezes, seu sósia não se cansa de te colocar em encrencas e agora vem com esse caô de ser finalista do Prêmio Ratatouille.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 6: Quem cozinha não lava (2013)

 

Parte 6: Quem cozinha não lava

 



Mais nenhum convidado deu o ar da graça. Noviça, negando até o fim a vontade de cear, olhou as horas e solicitou a atenção de todos:

— Espero que tenham guardado lugar no estômago porque a ceia foi preparada para contemplar todos os gostos.

Todos comemoraram.

— Se houver mais alguém aqui que por costume não consuma carne animal, preparei alternativas vegetarianas… — anunciou a diva.
— Filipo agradece a consideração — manifestou-se Jaqueline.
— De novo esse troço de Filipo? — ralhou Noviça.
Quem é Filipo? É namoradinho? — perguntou Edu Meirelles.
— É um porco! — explicou Jaqueline.
— Mais que o Luís Carlos? — provocou Edu. — Porque para superar o Vacão tem que ser porco ao nível executivo.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 5: É pavê ou é pacumê? (2013)

 


Parte 5: É pavê ou é pacumê? 


Narrador da Malacubaca: Voltamos com esse Especial de Natal… Se é que do outro lado existe alguma pessoa nos vendo. Marcianos, alô. Se estiverem nos assistindo, deem um sinal, qualquer que seja ele… Ok, OK. Falando sozinho ou não, o Natal continua… E os convidados aos poucos estão chegando. Vocês sabem, festa em família tem as figuras lendárias: você, ao centro, aquela pessoa que se descabelou, pechinchou, suou em frente ao forno e mal tem tempo de se arrumar porque já tem que recepcionar a todos. No mais, torça para ser divertido, no fim das contas…

******

Edu Meirelles, em pessoa, desceu do carro.

— E não é que ele veio? — espantou-se Jaqueline.

Música: Oh Yeah — Yello.

— Mais cuidado com os meus presentes, se não for pedir muito! — pediu Edu a William.
— Nem pense em vir com aquelas piadinhas do tempo que se amarrava cachorro com linguiça — recomendou Gladys.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Recepção/Isso aqui é um especial de Natal? (2013)

Parte 4: Recepção/Isso aqui é um especial de Natal? 

Música: uma trilha instrumental natalina, desde que não seja depressiva.


Alternando com a mensagem do narrador, imagens de belos natais em cidades do hemisfério norte e o funcionamento da Malacubaca, a movimentação da redação, dos funcionários…

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 3: Habemus Grinch (2013)

 


Parte 3: Habemus Grinch



Para receber as visitas na casa, a diva teve muito trabalho para deixar tudo limpo e não esteve sozinha. Gravou de antemão as edições referentes ao Natal e ao ano-novo do programa e desde manhã cedo ocupava-se em faxinar, contando com a ajuda de Lilly, Luís Carlos e Jaqueline, embora nosso querido “energúmeno” não gostasse muito de varrer debaixo das camas, contornos, quinas e fosse estabanado por natureza.

— Nem. Pense. — advertiu Noviça, entredentes. Não por menos, Luís Carlos quase varreu os pés dela. — Ouse fazer isso e será expulso para sempre de qualquer celebração da Malacubaca.
— Foi mal.
— Foi mal — arremedou Noviça.

******


Nada animado para ir, Eduardo Meirelles precisou apelar para o Google a fim de descobrir alguma desculpa esfarrapada o bastante para Noviça acreditar. Listou algumas “simpatias infalíveis” para praticar, mas não sem antes recorrer à Renata, ainda se recuperando de uma complexa cirurgia nas costas.

— Vou tentar colocar azeite no umbigo. Dizem que isso afasta compromissos indesejados.
— Onde você leu isso?
— No site dos videntes L&L.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 2: Popstar do Hortifrúti (2013)

 


Parte 2: Popstar do hortifrúti 



Convidado por livre e espontânea pressão, Edu Meirelles prometeu comparecer. Não fazia questão da ceia, mas praga de diva pega, é um mau negócio e recomenda-se não pagar para ver.

Chegou a hora de fazer as compras para a ceia de Natal. Noviça já estabeleceu os pratos a serem servidos, contemplando os gostos de cada um. Aconselharia de antemão a tirar o escorpião do bolso porque, como de praxe em todos os anos, o preço do peru subiu 20,15%.

— Que cara amarrada é essa, Jaqueline? Estamos nos preparando para o Natal, não para um velório! Anime-se, filhota. Entre neste mercado e dê uma olhadinha para a câmera com aquele olhar 43, para mostrar quem manda.
— Mostrar quem manda?
— Ora, vamos alegrar aqueles que trabalham o dia todo com câmeras de vigilância.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 1: Ilustre convidado (2013)

 


Parte 1: Ilustre convidado 


Anfitriã das festas de fim de ano na Malacubaca, Carmen Angélica Esteves decretou que as gravações do amigo oculto deste ano seriam realizadas na casa dela. Atarefada com os preparativos do jantar natalino mais icônico da televisão, a primeira-dama da emissora fazia mistério sobre o que poderíamos esperar na grande noite.

No Natal de 2012, a festa foi marcada por alguns imprevistos: piriri, calorão, briga devido à uva-passa no pudim, e até barraco na troca de presentes, já que o evento contou com mais convidados do que o habitual. Determinada a evitar qualquer caos neste ano, a diva planejava um evento mais classudo, sem brigas e sem muito formalismo, mas repleto de calor humano.

Mary Entrevista | A mais influente do ano: quem é a mulher por trás da lenda? (2012)

 


NOTA DA AUTORA: Esta entrevista possui caráter fictício. Quaisquer semelhanças com a realidade são mera coincidência. No mais, divirtam-se.

Ela não passa despercebida. Mais estabanada, só um clone. Supersticiosa, dramática e fã confessa de sonhos de goiaba, Carmen Angélica Esteves — para o grande público, simplesmente Noviça — transformou tropeços em marca registrada e carisma em patrimônio cultural. Diva das viradas de ano, foi eleita pela revista Forguis uma das 100 mulheres mais influentes de 2012.

Com mais de 20 milhões de seguidores somente no Twitter, onde compartilha rotina, dramas, bastidores, opiniões polêmicas e premonições questionáveis, tornou-se um fenômeno midiático incontornável.

📜 DEU A LOUCA NA COPA | PROFECIAS FUTEBOLÍSTICAS DOS VIDENTES L & L PARA A COPA DE 2026

(Registrado entre 5 e 6 de dezembro de 2025, para fins de comprovação histórica caso a FIFA não esteja preparada para o que vem aí.)




Todas as atenções da Malacubaca se concentraram no sorteio da fase de grupos da próxima Copa do Mundo, porém, a princípio, não teremos “feriado” em dia de jogo da seleção, considerando que as três primeiras partidas da nossa seleção ocorrerão na parte da noite e uma delas no fim de semana. Entretanto, se o Brasil avançar para os dezesseis-avos-de-final, o jogo está marcado para acontecer em 29 de junho, uma segunda-feira… já podemos sonhar ou ainda está cedo?

Dos três adversários que enfrentaremos na primeira fase, o Marrocos tem potencial para “incomodar”. Não podemos nos esquecer de que na edição passada essa equipe fez uma campanha surpreendente. A Escócia voltará a disputar um mundial após 28 anos e o Haiti, que desde 1974 não marcava presença, terá a chance de enfrentar nossa seleção. 

A postura de um verdadeiro campeão consiste em respeitar os adversários e não menosprezar os méritos técnicos deles, então, que tenhamos o privilégio de acompanhar grandes partidas e, claro, não perder o costume de fazer nossas piadas e apostas. 

Arquivo Malacubaca | Noviça e o ET de Varginha (1996)



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Assim que a notícia sobre o ET de Varginha chegou aos ouvidos da imprensa, Noviça foi designada a cobrir o fato, deslocando-se para a referida cidade no interior mineiro. 
A fofoqueira enxergou naquela oportunidade a chance de não apenas provar a existência de seres extraterrestres entre nós, bem como realizar a primeira entrevista interplanetária na televisão brasileira.

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Estamos no município de Varginha, localizado ao sul mineiro. Uma cidade bonita, pacata, pitoresca... uma cidade que hoje está no centro das atenções do Brasil, que também se faz perguntas que não querem calar, perguntas que têm deixado até os mais tarimbados ufólogos sem respostas. Nas últimas semanas não se fala sobre outro assunto. As autoridades negam quaisquer indícios de ÓVNIs, no entanto, não oferecem provas de que o caso do ET de Varginha é uma farsa... — narrou Noviça.

👾 👾 👾

🛑 ADVERTÊNCIA DA MALACUBACA

Atenção, pais e responsáveis: tirem as crianças do sofá. A Malacubaca não se responsabiliza por vindouros casos de hilaridade fatal. O conteúdo a seguir contém traços de jornalismo gonzo, magnetismo duvidoso e verdades que o sistema tentou desmagnetizar.

Prossiga por sua conta e risco (ou pelo brilho das luvas amarelas).

BOLETIM EXTRAORDINÁRIO | ROUBO AO MUSEU DO LOUVRE

📝 Nota da redação 
Esta obra é uma criação fictícia do universo Malacubaca. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência. A emissora reafirma seu compromisso com o humor crítico, a liberdade artística e o respeito à história e à cultura.

[Interrompemos nossa programação...]

🎙️ com Carmen Angélica Esteves, Noviça
📍 Direto de Paris, França (com frio, fome e um croissant confiscado pela polícia)

Arquivo Malacubaca | Guarda essa tralha (2019)

 Apesar de 2019 estar sendo marcado por grandes tragédias, a Malacubaca acertou precisamente ao estrear Os Versos Calados de Soraya logo após os festejos de Carnaval. A novela está repercutindo intensamente na web e na audiência, colocando o nome de Luciana Andrade no centro das atenções. E era exatamente isso que ela queria: ser o foco de todos os holofotes.

Não é que Soraya não esteja conquistando o público, mas a vilã Isaura, interpretada por Luciana, é a prova viva de que a atriz ainda tem muito fôlego para surpreender e encantar.

Hoje, um dos vídeos mais assistidos no canal da Lulu é o icônico protesto de 2017 contra o ex-presidente Michel Temer. Fazia tempo que ela não atualizava seu canal no YouTube, principalmente devido aos inúmeros compromissos e à polêmica participação no reality show Puxadinho do Rubão.




Luciana, trajando um biquíni fio dental verde e amarelo que reluzia sob a luz da manhã fria, ajustava a bandeira do Brasil sobre os ombros como se fosse uma capa de heroína. Ela estava determinada a transformar a rua de seu bairro em um cenário épico para sua live ao vivo no YouTube. A bandeira tremulava com o vento gelado, enquanto os gritos dela ecoavam pelas casas vizinhas, que estavam adornadas com roupas secando nos varais e cachorros espiando curiosamente pelos portões de ferro. Era um cenário típico de subúrbio, mas, para Lulu, parecia o palco de sua revolução.

— FORA TEMEEEEEEEERRRRRRRR! — berrou Luciana, erguendo os braços e girando dramaticamente, como se estivesse discursando para uma multidão imaginária. Atrás dela, o namorado Epaminondas — ou somente Papá, como ela o chamava com afeto — assistia à cena com um olhar dividido entre resignação e incredulidade. Ele usava um moletom cinza e pantufas, simbolizando perfeitamente sua vibe caseira e tranquila. 

Ao fundo, a porta da casa estava entreaberta, revelando um corredor decorado com pôsteres vintages de novelas antigas e uma cômoda entulhada de miniaturas de prêmios que Lulu dizia merecer.

— Lulu, minha querida… — começou Papá, cruzando os braços e encostando-se à porta. — Você precisa mesmo fazer isso agora? Está frio e você nem terminou o café da manhã…

Luciana virou-se para encará-lo, com as mãos na cintura e o semblante inflamado de indignação teatral.

— Meu amor, o Brasil precisa de mim! Sou a Joana D'Arc dos caminhoneiros, a voz da resistência! Como você pode querer que eu fique quieta diante de tanta injustiça?

Papá coçou a cabeça e olhou para os vizinhos, claramente se divertindo com a atuação dela. Uma senhora de casaco grosso e bobs no cabelo observava tudo da calçada, segurando um cachorro no colo, enquanto tentava conter uma risada.

— Lulu, você não acha que está exagerando um pouquinho? — insistiu Papá, ainda tentando manter a paciência.

— Exagerando? — Ela colocou a mão no peito, ofendida. — Sou uma atriz engajada, estou cumprindo minha missão de fazer a diferença no mundo! E hoje é um dia histórico, Mozão, a prisão do Temer é um marco!

Papá suspirou, percebendo que qualquer tentativa de argumentar seria inútil. Ele apontou para a câmera equilibrada em um tripé instável, cercada por sacolas plásticas dançando ao vento.

— Pelo menos termina logo a sua live… e coloca um casaco, pelo amor de Deus.

— Eu não preciso de casaco! — retrucou Luciana, jogando os cabelos para trás. — O calor da revolução me aquece!

— Não usei para o hexa, mas na vida a gente sempre arranja uma serventia para as coisas… — garantiu a atriz, animadíssima. — Deixa eu pegar minha bandeira do Brasil, minha peruca verde e amarela, porque a make já tá feita, aliás, eu tô sempre pronta para festejar e hoje é um dia especial…  

 O namorado de Luciana, que acompanhava a transmissão da Malacubaca News sentado no sofá da sala, discordou: 

 — Lulu, minha querida, não tem motivo nenhum para comemorar. 

 — Votou nele e agora não admite nem sob tortura? 

 — Eu não votei em ninguém, não voto desde 1994, desacreditei desse nosso sistema e ponto. O fato é que eu não quero ver você passando vergonha. 

 — A gente está ao vivo, eu vim pedir sua força, Mozão. Vou exercitar minha cidadania…  

 — Desliga isso… — implorou o homem, irritado. 

 — Ninguém manda em mim, não. Melhora essa cara de bunda, isso está passando ao vivo no meu canal… 

 — Que canal? 

 O homem franziu o cenho, incrédulo, pegando no controle remoto. Luciana revirou os olhos e suspirou profundamente: 

 — Eu não posso acreditar numa coisa dessas, é o fim do mundo! Você não sabe quem eu sou? 

 — Sei, você é a Lulu, meu denguinho, mas isso não está passando na Malacubaca, está? 

 — Até que deveria, mas nos tempos de hoje, quem precisa na Malacubaca quando se tem um ótimo celular e uma cuca fresquinha? Se eu não tenho meu próprio canal de televisão, eu crio. Assim é que funciona. Tenho um canal. E isso é o futuro. Lulu pensa muito à frente de seu tempo. 

 — E você grava essas coisas absurdas para jogar na internet? 

 O namorado de Luciana ficou chocado, não para menos.

Mais tarde, neste mesmo dia

Luciana, com a bandeira ainda firme nas costas e o cabelo impecavelmente preso em um coque alto, posicionou-se no centro da rua, criando seu palco particular. O vento frio balançava as sacolas que rodeavam o tripé da câmera, enquanto ela se preparava para apresentar sua obra-prima musical: Pagodão do Sarcófago

Segurando uma colher de pau como microfone, Lulu começou a cantar, intercalando passos desajeitados de samba com movimentos de pura expressão dramática.

— A polícia invadiu o sarcófago
O Drácula saiu da tumba
E recebeu voz de prisão
Despenteado e sem capa
Foi parar no camburão!

O ritmo pegava, e Lulu dava o seu melhor nos passos. Papá, agora usando uma manta para se proteger do frio, observava de longe, com as mãos nos bolsos e um sorriso quase resignado.

— Esperei o hexa,
ele não chegou
 Mas hoje meus fogos vou soltar
 Laiá laiá
 Animação por aqui não vai faltar
 Laiá laiá

A cada “laiá laiá”, Lulu gesticulava com fervor, apontando para os vizinhos que ainda observavam atônitos e divertidos. Os comentários no seu canal explodiam com emojis e frases como “Lulu 2026 é realidade!” e “Rainha do pagode e da revolução!”

— O GIGANTE ACORDOU, O GIGANTE ACORDOU! — gritava Lulu entre os versos, batendo palmas com intensidade teatral. Ela gesticulava como se estivesse convocando a audiência digital para uma marcha patriótica ao som do pagode.

Papá, finalmente se aproximando, tentou intervir: — Lulu, por favor… você já marcou sua presença, mas está muito frio… vamos para dentro, meu bem.

— Eu não posso parar agora, Mozão! — retrucou ela, com olhos brilhando de emoção. — O Brasil precisa de mim, e o meu público está esperando o gran finale!

Papá, agora visivelmente incomodado com os gritos e gestos dramáticos de Lulu, cruzou os braços e tentou mais uma vez chamar sua atenção: 

 — Lulu, meu bem, não faz sentido continuar… Está frio e você já está ao vivo há horas!

Luciana girou em direção ao namorado, com uma expressão exageradamente ferida, como se ele tivesse acabado de insultar todo o seu legado artístico. 

 — Não faz sentido? Você está dizendo que a minha luta patriótica não faz sentido? Papá, eu não posso acreditar nisso!

— Eu só estou tentando dizer que… — Papá começou, mas foi interrompido por Luciana, que jogou os braços ao céu em puro drama.

— Sabe de uma coisa? Você não me apoia! Você devia ser meu maior fã, mas nem isso você consegue fazer direito!

A bandeira tremulou atrás dela enquanto Lulu entrava na casa a passos largos, suas sandálias batendo ruidosamente no chão de madeira. Papá, exasperado, seguiu atrás, tentando acalmar a situação: 

 — Lulu, não é isso! Você sabe que eu te amo e que quero o melhor para você, mas…

— Ah, então agora quer me dar lição de moral? — disse ela, parando na porta do closet e se virando dramaticamente para encará-lo. — Muito obrigada, mas eu não preciso disso!

E assim começou o clássico “vai e vem” do casal, onde Lulu disparava declarações inflamadas e Papá tentava manter a calma, claramente sem conseguir acompanhar o ritmo da estrela em ascensão. No final, ela trancou a porta do closet e gritou: 

 — Vou dormir aqui hoje! E pode esquecer de pedir desculpas, porque eu não quero ouvir!


Dentro do closet, Lulu montava sua “fortaleza de revolução”. As roupas penduradas viraram cortinas simbólicas, enquanto uma pilha de almofadas e um tapete fofo se tornavam seu “trono”. Com a câmera do celular estrategicamente posicionada sobre uma pilha de caixas de sapato, ela iniciou outro discurso fervoroso para sua audiência: 

 — Pessoal, eu estou aqui, no meu bunker patriótico, porque as pessoas às vezes não entendem o meu propósito! Mas eu não desisto! Vou seguir lutando pelo Brasil, mesmo que incompreendida até em minha própria casa.

Do lado de fora, Papá estava encostado na parede do corredor, massageando as têmporas enquanto conversava com a empregada que segurava o celular e fazia comentários baixinho: 

 — O senhor é muito paciente, viu, seu Papá? Parece até santo…  

 — Isso porque você não viu como ela estava ontem. — Papá balançou a cabeça com um meio sorriso.

Finalmente, ele decidiu intervir. 

 — Lulu… Vamos resolver isso como adultos? Abre a porta, por favor.

— Papá! — ecoou de dentro, abafado pelas roupas. — Não adianta bater! Aqui só entra quem acredita na revolução!

Papá suspirou e se abaixou para falar com mais clareza: 

 — Lulu, minha revolução é te convencer de que esse closet não é um palácio presidencial, e que sua saúde é mais importante. Vamos tomar um chá e conversar.

A porta rangeu lentamente, revelando Lulu com uma tiara de brilhantes que pegara de uma de suas caixas. 

 — Chá? — Ela fez uma pausa, refletindo com drama. — Só se for com torradas e geleia.

Papá sorriu, percebendo haver vencido dessa vez. Ele estendeu a mão, ajudando Lulu a sair de sua “fortaleza”. 

 — Torradas e geleia, com certeza. E uma pausa para você respirar, minha Joana D'Arc do closet.

🌙 Madrugada Animada na Malacubaca AM 🌙 | Conto das Tâmaras: O Lado Doce da Vingança (1985)


🌙 Madrugada Animada 🌙 Edição de 1985 — Conto das Tâmaras: O Lado Doce da Vingança

NOVIÇA: Boa madrugada, meus ouvintes corajosos! Se você está aqui comigo agora, já posso garantir que está prestes a embarcar em uma das histórias mais surreais que já contei neste programa. Então segurem suas canecas de café (ou aquele velho chá que vocês insistem em chamar de calmante) e fiquem bem atentos, porque hoje vamos falar sobre vingança, tâmaras e um casamento que não era exatamente o que parecia ser. A história de hoje é para os fortes. Aviso desde já: nada aqui é suave. Vamos lá?

A história começa em uma rua tranquila de um bairro sem graça, onde a Bonitona vivia. Mas não se deixe enganar pelo nome! Bonitona era muito mais do que um rostinho encantador — ela escondia um lado sombrio que os vizinhos jamais poderiam imaginar. Casada com o ‘brutamontes do quarteirão’, o Velho Chico, sua vida parecia saída de um manual de pesadelos: gritos ecoando pela casa, hematomas escondidos debaixo de vestidos de manga comprida e um marido com um bafo capaz de derrubar um boi. Mas como tudo nesta vida tem limite, Bonitona estava prestes a quebrar o ciclo de opressão da maneira mais… incomum possível.

Tudo começou com as tâmaras. Ah, as benditas tâmaras. Quem diria que frutas tão pequenas poderiam carregar segredos tão letais? Bonitona descobriu, em um daqueles programas de rádio de receitas (claro, não o meu), que as sementes da fruta, se preparadas da maneira “correta”, poderiam se transformar em pequenas bombas de cianureto. Não sabemos se essa informação era confiável, mas como a própria Bonitona dizia: 'não custa tentar.'

(Ao fundo, trilha sonora macabra com violinos tensos e um leve chiado, porque estamos nos anos 80, afinal.)

Noviça: “E foi assim que, certa tarde, depois de mais uma surra de cinto, Bonitona decidiu que seria a última. Ela arregaçou as mangas (literalmente) e passou a madrugada inteira triturando as sementes em um pequeno pilão emprestado de uma vizinha que achava que ela só estava tentando fazer um tempero novo. Mal sabia a vizinha que Bonitona estava cozinhando algo muito mais mortal do que um ensopado.

A vítima? Velho Chico, claro. E a arma escolhida? A sopa de fubá. Ah, essa sopa era a favorita dele, um verdadeiro ritual noturno. Enquanto ele assistia à novela com o bafo de pinga habitual, Bonitona mexia a panela com uma concentração de dar inveja a qualquer chef. No dia seguinte, o Velho Chico nem teve tempo de reclamar do tempero.

(Trilha sonora interrompida por uma risada maléfica da própria Noviça ao microfone)

NOVIÇA: Mas vocês acham que a história acaba aqui? Não, meus queridos ouvintes! A Bonitona não parou por aí. Ah, o gosto da liberdade, misturado com o sucesso do plano, era doce demais para que ela resistisse. Um amante ciumento, um vizinho fofoqueiro, até mesmo a mulher do mercado que insistia em dar fiado… ninguém estava a salvo. A Bonitona tornou-se, em poucos meses, uma figura temida. Seu sorriso doce escondia uma mente fria e calculista, e as tâmaras nunca estiveram tão populares no mercado local.

Certa noite, enquanto dançava em um bailão com um bonitão que acabara de conhecer, Bonitona pensou estar finalmente pronta para viver um novo capítulo. Mas o destino tinha outros planos. Uma garrafa quebrada, uma briga de bar digna de filme e, claro, outra sopa suspeita selaram o que muitos chamam de A Tragédia do Bailão das Tâmaras. Querem saber o resto? Ah, meus queridos, isso eu conto… no próximo bloco!”

(Música dramática de encerramento ao som de Wando — porque é anos 80, e Wando domina!)

Bloco 2

(Após o intervalo, a trilha sonora volta ao ar, com um toque ainda mais tenso. O som de passos ao fundo e um trovão ecoam, porque drama nunca é demais.)

NOVIÇA: Pois muito bem, meus queridos ouvintes, se vocês acharam que tinham visto tudo, preparem-se, porque o desfecho dessa história é tão inacreditável quanto… bem, quanto qualquer coisa que eu já contei aqui!

Bonitona estava saboreando sua liberdade, certa de que todos os seus problemas haviam ficado para trás. O Velho Chico já tinha ido desta para melhor, e o bailão agora era seu novo lar: um lugar de olhares furtivos, danças apaixonadas e, claro, novos alvos. Contudo, como todo mundo sabe, o destino adora pregar peças naqueles que brincam com fogo.

Uma noite, enquanto Bonitona ria alto e dançava como se estivesse na Broadway (afinal, ela era a rainha do salão), um novo problema surgiu. Lembram-se das tâmaras? Pois bem… uma das sementes, por descuido, acabou caindo do bolso do vestido dela e foi parar nos olhos atentos de uma vizinha fuxiqueira. Essa mulher, conhecida apenas como 'Dona Esmeralda', era famosa por suas investigações de sofá, sempre atenta a cada movimento suspeito. Dizem que ela era um tipo de detetive amador, que vivia com um caderninho anotando fofocas e teorias mirabolantes.

Quando Dona Esmeralda juntou as peças — tâmaras, mortes misteriosas e o tempero especial da Bonitona —, ela soube que precisava agir. Armou um plano elaborado, envolvendo bilhetes anônimos, reuniões secretas com os vizinhos e até um teatrinho no mercado. Finalmente, uma noite, Bonitona foi confrontada no salão de baile, bem no meio da pista de dança, enquanto Wando cantava ao fundo: 'Você é luz… É raio, estrela e luar…'

Ao som da música, a confusão se instalou. Gritos, acusações e... bem, outra garrafa quebrada, porque um bom conto trash precisa de muitos vidros estilhaçados. Bonitona tentou se defender, mas Dona Esmeralda trouxe um cacho de tâmaras como evidência. Não se sabe exatamente como a cena se desenrolou, mas dizem que a frase final de Bonitona foi algo como: ‘Se vou cair, que seja dançando!’

E assim, meus queridos, Bonitona foi levada pelas autoridades locais direto da pista de dança. O salão nunca mais foi o mesmo, e dizem que Dona Esmeralda escreveu um livro chamado As Tâmaras da Justiça. Moral da história? Bom, nunca subestimem as vizinhas investigativas ou o poder de um cacho de tâmaras. Essa foi a maior lição desta madrugada.

(A trilha termina com aplausos fictícios e risadas dos faxineiros no fundo do estúdio.)

NOVIÇA: Agora, meus queridos ouvintes, vamos encerrar essa madrugada com chave de ouro. Segurem suas xícaras de café, fiquem longe das tâmaras e lembrem-se: na vida, sempre há espaço para uma boa história — desde que vocês nunca mexam com uma Bonitona vingativa. Boa noite, e até a próxima madrugada!

PÔ PAI | O PRIMEIRO PEDAÇO É TEU/COM MEU MENINO NINGUÉM MEXE/DETONANDO NO PARQUINHO

 

Não dava pra dizer ao certo que dia era, tampouco o mês, mas uma coisa era certa: a data mais temida por Augusto havia chegado. Era aniversário de Beto. Como sempre, listinhas de presentes pregadas pela geladeira e indiretas espalhadas pela casa, disparadas na mesma velocidade com que Beto abria a boca.

— Como esse ano tá passando rápido, meu bem... — dizia Marcela, suspirando. — Daqui a pouco já é aniversário do Betinho de novo. Fico tão emocionada em pensar que meu bebezinho tá crescendo...

— Roberto já cresceu faz tempo. Só você não percebeu — retrucou Augusto, no seu tom irônico habitual.

— Lá vem você com isso de novo, Augusto. Sempre ranzinza e mal-humorado. Ainda bem que Beto não herdou esse seu gene rabugento.

— Se tivesse herdado, pelo menos seria útil à sociedade.

— Um dia você vai se arrepender de ser tão duro com nosso garoto...

Augusto bufou e lançou um olhar impaciente.

— Espero que ele não venha com exigência nenhuma. Não tenho um pingo de paciência pra comemorar aniversário de parasita. O que é que o Roberto faz pra merecer comida na mesa, hein, Marcela? E esse monte de listas? Até quando vou carregar essa cruz? Onde foi que eu errei?

— Quanta frieza, Augusto... Betinho é um vencedor... — Marcela tentou argumentar.

Augusto a encarou com um canto do olho.

— É tão difícil decidir o futuro na adolescência... Você acha mesmo justo depositar todas as esperanças num vestibular e, quando o nome não aparece no edital, aguentar piadinha de parente, a pressão do pai e tudo mais? Ele comemora porque sobreviveu a mais um ano turbulento...

— TURBULENTO? — Augusto explodiu. — Isso é uma pouca vergonha! Desde quando acordar ao meio-dia pra ver desenho e passar a tarde brisando no computador virou batalha?

📺 Pô, Pai | Episódio piloto não-oficial (2012)



É uma manhã qualquer na casa dos Prado Mendes.

O sol ainda nem esquentou direito e a cozinha já cheira a achocolatado. Não porque o leite ferveu, mas porque Marcela Prado Mendes, fiel ao hábito, despejou três colheres generosas de pó no copo e esqueceu do leite. Para ela, a mistura perfeita era mais chocolate do que qualquer outra coisa. Aliás, leite era só um detalhe.

Na mesa, entre o pote de margarina aberto e a bolacha recheada meio úmida, repousava o notebook dela. Um guerreiro cansado, que tremia só de ser ligado. Com o som das ventoinhas zunindo e o MSN há muito esquecido, era pelo Facebook que Marcela se expressava em grupos que se multiplicavam feito praga de primavera.

Arquivo Malacubaca | PÔ PAI - CASOS DE FAMÍLIA: EU SÓ POSSO TER FUNDADO A TERRA DO NUNCA (2012)

 (um oferecimento do Arquivo Malacubaca)

Beto colocava o despertador para tocar pouco antes de começar Bob Esponja na TV. Era sagrado. Mas mal pisava fora do quarto, dava de cara com o pai, Augusto, que não escondia a decepção ao vê-lo em casa em plena manhã de dia útil.

— O senhor não devia estar na aula, Roberto? — perguntou o médico, com a sobrancelha arqueada.

— Pô, pai... Que é isso? Hoje eu não tive as duas últimas aulas...

— Ontem você também não teve.

— Cheguei atrasado porque choveu forte.

— Se não fosse eu te cutucar, você nem saía daquela cama.

— Pô, pai. Eu não ia à aula com chuva.

— Hoje não está chovendo. Por que não está na aula?

— Porque eu já disse... O ‘fessor’ de Física faltou.

Augusto cruzou os braços, desconfiado.

— Que raio de cursinho é esse em que os professores vivem faltando? O que dirá dos alunos? Se não é professor que falta, é porque a matéria não cai no vestibular, ou é semana do saco cheio... Uma beleza. E assim nosso país vai pra frente.

Nas Lentes da Malacubaca Especial | Missão Mengão – Perdido em Orlando



⏱️ 0h46 — Hora de Brasília

Deu ruim para o Mengão, apesar da brava luta até o último segundo. O Bayern de Munich avançou para as quartas-de-final da Copa do Mundo de Clubes e enfrentará o PSG, porém não foi por esse motivo que interrompemos a nossa programação normal.
Porra mermão, cê interrompeu a programação para dar notícia velha, cara? — reclama algum bebum tateando o brinquedo do gato achando que é o controle remoto. Ele parece um personagem aleatório do Hermes e Renato, com uma regata do Flamengo do tempo em que o clube era patrocinado pela Lubrax.
Fontes oficiais garantem que nem Noviça, nem Mick Jagger encontravam-se no estádio, tampouco os videntes L & L, que previram uma vitória acachapante do rubro-negro contra a equipe alemã. Inclusive, na última atualização de nossa redação, o perfil oficial deles no Instagram foi desativado.

Mary Recomenda | A Pindonga Azarada

Quem gosta de festa junina tem grandes chances de amar a edição extraordinária do Mary Recomenda, em clima de São João. Não vou pular a fogueira, mas proponho um brinde com quentão e um punhado de paçocas.

Era para ela ser a personificação do capiroto com passos de dragão preguiçoso, honrando a piadinha “quando morrer, essa aí vai precisar de dois caixões: um para o corpo e outro só para a língua”. Se os olhos não veem, o copo na parede conta, sabe até do que nem aconteceu; aumenta, inventa e cria versões alternativas.

No entanto, meses depois, ao ganhar vida no The Sims (salvando quem os escreve), está célebre figura roubou literalmente a cena e não só entrou no coração dos leitores como ganhou a própria história.

Com vocês, Graça Cavicholo.

🎥 LIVE DO TINO: DIREITO DE RESPOSTA

⚠️ AVISO IMPORTANTE Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das ob...