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Mary Recomenda | Fechado por motivos de futebol — Eduardo Galeano


Para quem ama futebol e fortes emoções, a temporada promete. Hoje começa a Copa do Mundo na América do Norte, com 48 seleções, uma partida a mais e a expectativa para conhecer a próxima campeã. Se o hexa virá ou não, o desfecho dessa história será conhecido nos gramados. 
Teremos animais videntes? Um hit que supere o impacto emocional e cultural do Waka Waka (difícil)? Um favorito caindo cedo e um azarão surpreendendo por chegar a uma semifinal?
Estamos diante do prólogo de mais um mundial e nós poderemos testemunhar cada parágrafo em tempo real, por isso o Mary Recomenda Edição Extraordinária tinha de estar à altura.
Se você gosta de Eduardo Galeano, a indicação de hoje não será nenhuma surpresa, porém, para quem ainda não conhece o legado deste grande escritor uruguaio, Fechado por motivo de futebol pode te deixar ainda mais no clima da Copa. 

Às vezes, o problema não é o livro

Há uma grande probabilidade de você já ter vivido essa situação de encontrar um livro que te arrebata porque a capa é muito chamativa, a sinopse desperta curiosidade e a própria narrativa te prende de um jeito tão intenso que você hesita entre devorar as páginas de uma vez ou ir devagar para prolongar aquela companhia. 
A combinação harmônica desses elementos geralmente prenuncia uma ressaca literária das bravas, cinco estrelas (talvez), concordâncias, discordâncias, dúvidas sobre continuações ou a coerência do final. Entretanto, nem todo encontro deixa aquela saudade boa e a promessa de um reencontro. 

Mary Recomenda | A vida mentirosa dos adultos - Elena Ferrante

 

Existem frases que mudam o curso de uma vida. Para Giovanna, essa frase foi ouvida por acaso: "Ela está ficando com a cara da tia Vittoria". Ainda mais quando ela estava entrando na adolescência. Em um ambiente de classe média intelectualizada de Nápoles, onde a beleza e a cultura são moedas de troca, ser comparada à tia "feia, pobre e maldita" é como receber uma sentença de morte social.

É esse o ponto de partida do Mary Recomenda de hoje.

Mary Recomenda | Minha amiga Anne Frank — Hannah Pick-Goslar

Capa da edição brasileira de Minha amiga Anne Frank, publicado pela Buzz Editora 


Livros necessários nem sempre são fáceis de serem digeridos, sobretudo quando eles nos mostram uma realidade dura, penosa e inimaginável para nós, uma história que não devemos nos esquecer para não repeti-la. O Mary Recomenda de hoje é dedicado a discorrer sobre Minha amiga Anne Frank, de Hanna Pick-Goslar, a querida Hanneli, mencionada no diário de Anne Frank.

Terças com Tita | A farsa dos 500 anos

 



Isso vai entregar a minha idade, mas não estou nem aí. Parece que foi ontem que eu passava pelo centro da cidade e via aquele relógio de rua que fazia a contagem regressiva para os 500 anos do descobrimento do Brasil. Para quem nasceu depois disso, essas narrativas parecem meio estranhas, pertencentes a outro mundo.

O otimismo quase ingênuo que aquela vibe do ano 2000 trazia era palpável no ar, nos gestos, no sentimento comunitário. Algo muito grandioso estava para acontecer, muito além do nosso modesto entendimento. Essa expectativa só precisava existir para hoje ser palavra — ou muito mais do que palavras.

Mary Recomenda | A face mais doce do azar - Vera Saad

 

Capa de A face mais doce do azar, publicado pela Editora Palimpsesto.

Tem livros que não chegam até nós com barulho, mas que, uma vez lidos, não nos deixam mais. A Face Mais Doce do Azar, de Vera Saad, foi uma dessas descobertas silenciosas e arrebatadoras.

Terças com Tita | Simplesmente Tita, simplesmente emo

 


Quis ser muitas coisas nesta vida. Entre elas, ser cantora e líder de uma banda de rock. Como desafino cantando até "Parabéns a você", tentei escrever boas letras, as quais admito serem melhores do que muita coisa que toca nos top 50 dos aplicativos de streaming musical, mas isso é conversa para outro dia. 

Nunca consegui reunir pessoas suficientes para formar um grupo musical, como também nunca fundei um clubinho lá na tenra infância; porém, a inteligência artificial me permitiu realizar esse desejo de ver minhas letras transformadas em canções. 

Mary Recomenda | A Metamorfose - Frank Kafka

 

Capa da edição distribuída pela Ephemera Livros

Se você já se sentiu deslocado ou como se sua utilidade fosse o único critério para ser amado, a resenha de hoje vai mexer com as suas estruturas. Hoje vamos abrir a porta do quarto de um homem que acordou transformado no que mais tememos: o incompreensível. Com vocês, A Metamorfose, de Franz Kafka.

Mary Recomenda | Nós, Mulheres - Rosa Montero

 


Hoje o post é diferente. Neste 8 de março, decidi trazer uma obra que não apenas se lê, mas se sente como um ato de justiça. Se você, assim como eu, acredita que a história é feita de muitas vozes (e que muitas delas foram caladas), a recomendação de hoje é obrigatória: Nós, Mulheres, da brilhante Rosa Montero.

Mary Recomenda | Se não eu, quem vai fazer você feliz? - Graziela Gonçalves

 

Joe Cool leu de óculos escuros porque os olhos dele suaram (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Há 13 anos, 6 de março carrega consigo uma nuvem de dor, não é uma data que gostemos de lembrar… a propósito, queríamos que ela nunca tivesse existido. Infelizmente, Chorão se foi, deixando saudades, sonhos inacabados e sua obra que ainda hoje nos consola nos dias de luta e nos de glória também. 

A edição do Mary Recomenda de hoje presta um tributo mais do que merecido a Alexandre Magno Abrão, nosso querido e inesquecível Chorão, por isso escolheu indicar a obra Se não eu, quem vai fazer você feliz?, da autoria de Graziela Gonçalves, a querida e inesquecível Grazon, leitura indispensável.

Mary Recomenda | O diário de Anne Frank - Anne Frank

 

Reler (ou comentar) Anne Frank é sempre um exercício de humildade. Em um mundo onde as pessoas gritam por atenção nas redes sociais, o diário de uma menina escondida em um anexo secreto em Amsterdã continua sendo uma das vozes mais potentes da história. Mas não se engane: o valor deste livro não está apenas na tragédia que o encerra, mas na vida que transborda de cada página.

O que mais me impressiona em Anne não é a sua condição de perseguida, mas a sua qualidade como escritora. Ela não estava apenas relatando fatos; ela estava fazendo literatura de si mesma. Anne era perspicaz, muitas vezes ácida ao descrever os outros moradores do anexo, e tinha uma honestidade cortante sobre as próprias falhas e desejos.

Ao ler Anne, a gente percebe que a maior resistência dela não foi apenas se esconder, mas se recusar a deixar que o medo apagasse sua identidade. Ela escreve sobre o desabrochar do corpo, sobre o conflito com a mãe, sobre as descobertas do amor e, acima de tudo, sobre a sua ambição de ser jornalista e escritora.

É devastador pensar que o mundo perdeu a mulher que Anne se tornaria, mas é reconfortante saber que ela conseguiu o que mais queria: “continuar vivendo depois da morte”. Seu diário é a prova de que a sensibilidade e a verdade são as únicas coisas que o autoritarismo não consegue enterrar.

Minhas impressões: Muitas vezes evitamos o Diário por medo da dor que ele causa, mas a leitura nos entrega algo muito diferente: uma vontade imensa de viver. Anne nos ensina que, mesmo no lugar mais apertado e escuro do mundo, o pensamento pode ser livre. É um livro que exige escuta, entrega, empatia.

Mary Recomenda | Todo mundo tem mãe, Catarina — Carla Guerson

A recomendação de hoje expõe as distintas nuances da maternidade, sem romantizar nada, entrelaçando três gerações tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. Se você busca uma leitura que mergulhe nas complexidades do "ser filha" e do "ser mãe", prepare o coração: vamos falar de Todo mundo tem mãe, Catarina, de Carla Guerson.

Simplesmente Tita 15 anos | O baú de memórias (e o Bonde das Groselhas)

 


No finalzinho do mês completam-se 15 anos da primeira versão de Simplesmente Tita, tal como a conhecemos hoje. Entre fevereiro e março de 2008, escrevi uma versão da novela dela, mas totalmente diferente do que é hoje. Tenho o rascunho guardado no Word em algum lugar.

Muitas páginas, revisões e aventuras depois, venho agradecer a participação de todas as pessoas que colaboraram, seja lendo, comentando, divulgando, que já fizeram capas e desenhos para a Tita, para leitores que se converteram em amigos. 

Mesmo aqueles que em algum momento abandonaram a leitura, não tem problema; venham quando estiverem se sentindo bem e se a leitura tocar o coração. Ninguém aqui é obrigado a nada.

Demonstrações de carinho recebi muitas, mas como nada nessa vida é perfeito, vou listar algumas groselhas de haters que até tentaram me desmotivar ao longo desses anos e vão virar o que sempre foram, piadas, muito embora sem graça…

Mary Recomenda | O terno tanto faz como tanto fez — Sylvia Plath


Existe um tipo de dor que só quem já se sentiu “fora do lugar” consegue entender. Em “O terno tanto faz, como tanto fez”, um conto curto, mas cirúrgico de Sylvia Plath, somos apresentados a uma peça de roupa que é, na verdade, uma herança de silêncios.

Mary Recomenda | Vidas Secas — Graciliano Ramos


Se você busca uma leitura que seja um espelho da alma brasileira mais bruta e resistente, reserve um lugar na sua estante (e no seu coração) para o Mary Recomenda de hoje. Vamos atravessar o sertão na companhia de um clássico que não fala apenas de seca e migração, mas explora a animalização do homem e a luta desesperada pela dignidade. Com vocês, Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Mary Recomenda | Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar


O Mary Recomenda de hoje vem com o pé na porta, mas por uma boa razão: a indicação de hoje, definitivamente, não é para os fracos.

Mary Recomenda | Stuart Little - E. B. White 🐭🛶

 


Primeiramente, quero deixar meus votos de feliz ano-novo a todos! Em segundo lugar, agradecer imensamente pela companhia ao longo de 2025. O OCDM teve um ano maravilhoso e cresceu muito mais do que eu poderia imaginar há um ano. Isso tudo só foi possível porque vocês, leitores e amigos, existem. Espero que continuemos juntos em 2026.

Para começar muito bem as atividades, a nova temporada do Mary Recomenda vem com tudo. A obra escolhida foi Stuart Little, de E. B. White, mas não se enganem com a fofura. Quem também já leu A Teia de Charlotte (Charlotte's Web) sabe que essas obras podem até ser dirigidas ao público infantil num primeiro momento, mas dialogam muito mais com as crianças que hoje são “gente grande”.

Mary Recomenda | A voz que ninguém escutou - Renan Silva

 

Alguns livros nos arrebatam de maneira silenciosa, mas profunda. A voz que ninguém escutou é um desses casos. Trata-se de uma narrativa densa e pungente, que atravessa décadas de história brasileira — do Estado Novo à Ditadura Militar — com coragem e sensibilidade. Mais do que uma ficção, é uma memória coletiva transfigurada em arte.

Mary Recomenda | O Natal Mágico de Carolina — Milla Souza

 


Carolina é uma empresária bem-sucedida, determinada e, à primeira vista, parece ter tudo sob controle. No entanto, a narrativa de Milla Souza nos mostra que o sucesso profissional, por si só, não garante a plenitude da vida.

Mary Recomenda | Escritores nascidos em 17 de novembro

Se datas carregam simbolismos, o dia 17 de novembro é quase um portal secreto da literatura. Nele nasceram escritores de alma inquieta, inventores de mundos e cronistas do invisível. É por esse motivo que o Mary Recomenda de hoje tem um brilho todo especial. 

Manifesto de uma nefelibata #2

Nem todas as boas histórias começam com "era uma vez", suspeito que as primeiras páginas contem sobre paredes rabiscad...