![]() |
![]() |
Tem livros que não chegam até nós com barulho, mas que, uma vez lidos, não nos deixam mais. A Face Mais Doce do Azar, de Vera Saad, foi uma dessas descobertas silenciosas e arrebatadoras. Para quem está cansado de tramas previsíveis e finais felizes embalados para presente, Vera oferece algo muito mais precioso: a verdade da incerteza.
A narrativa nos conduz por uma atmosfera densa, quase cinematográfica. O “azar” aqui não é apenas a falta de sorte, mas aquela força invisível que molda os encontros e desencontros da vida urbana. Vera Saad tem uma escrita que parece uma lâmina: é fina, precisa e corta onde a gente menos espera.
O que mais me fascinou foi a construção psicológica. Não estamos diante de personagens chapados, mas de seres humanos cheios de sombras, dilemas e uma solidão que a gente reconhece quando caminha pelas ruas de uma metrópole. É uma literatura que exige que o leitor esteja inteiro, que aceite o desconforto e que saiba ler nas entrelinhas.
É um livro que fala sobre a busca por sentido em meio ao caos. Ao terminar a leitura, fica a sensação de que a face do azar pode ser doce, não porque o destino seja bom, mas porque é na vulnerabilidade que a gente finalmente se encontra.
Minhas impressões: Vera Saad é uma voz necessária na nossa literatura. Ler este livro foi um exercício de oxigenação mental. É denso, é inteligente e, acima de tudo, é autêntico. Se você busca uma obra que respeite a sua capacidade de refletir sobre as ironias da vida, “A Face Mais Doce do Azar” precisa estar na sua estante.
Quis ser muitas coisas nesta vida. Entre elas, ser cantora e líder de uma banda de rock. Como desafino cantando até "Parabéns a você", tentei escrever boas letras, as quais admito serem melhores do que muita coisa que toca nos top 50 dos aplicativos de streaming musical, mas isso é conversa para outro dia.
Nunca consegui reunir pessoas suficientes para formar um grupo musical, como também nunca fundei um clubinho lá na tenra infância, porém, a inteligência artificial me permitiu realizar esse desejo de ver minhas letras transformadas em canções.
Hoje o post é diferente. Neste 8 de março, decidi trazer uma obra que não apenas se lê, mas se sente como um ato de justiça. Se você, assim como eu, acredita que a história é feita de muitas vozes (e que muitas delas foram caladas), a recomendação de hoje é obrigatória: Nós, Mulheres, da brilhante Rosa Montero.
![]() |
| Joe Cool leu de óculos escuros porque os olhos dele suaram (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
Há 13 anos, 6 de março carrega consigo uma nuvem de dor, não é uma data que gostemos de lembrar… a propósito, queríamos que ela nunca tivesse existido. Infelizmente, Chorão se foi, deixando saudades, sonhos inacabados e sua obra que ainda hoje nos consola nos dias de luta e nos de glória também.
A edição do Mary Recomenda de hoje presta um tributo mais do que merecido a Alexandre Magno Abrão, nosso querido e inesquecível Chorão, por isso escolheu indicar a obra Se não eu, quem vai fazer você feliz?, da autoria de Graziela Gonçalves, a querida e inesquecível Grazon, leitura indispensável.
Reler (ou comentar) Anne Frank é sempre um exercício de humildade. Em um mundo onde as pessoas gritam por atenção nas redes sociais, o diário de uma menina escondida em um anexo secreto em Amsterdã continua sendo uma das vozes mais potentes da história. Mas não se engane: o valor deste livro não está apenas na tragédia que o encerra, mas na vida que transborda de cada página.
O que mais me impressiona em Anne não é a sua condição de perseguida, mas a sua qualidade como escritora. Ela não estava apenas relatando fatos; ela estava fazendo literatura de si mesma. Anne era perspicaz, muitas vezes ácida ao descrever os outros moradores do anexo, e tinha uma honestidade cortante sobre as próprias falhas e desejos.
Ao ler Anne, a gente percebe que a maior resistência dela não foi apenas se esconder, mas se recusar a deixar que o medo apagasse sua identidade. Ela escreve sobre o desabrochar do corpo, sobre o conflito com a mãe, sobre as descobertas do amor e, acima de tudo, sobre a sua ambição de ser jornalista e escritora.
É devastador pensar que o mundo perdeu a mulher que Anne se tornaria, mas é reconfortante saber que ela conseguiu o que mais queria: “continuar vivendo depois da morte”. Seu diário é a prova de que a sensibilidade e a verdade são as únicas coisas que o autoritarismo não consegue enterrar.
Minhas impressões: Muitas vezes evitamos o Diário por medo da dor que ele causa, mas a leitura nos entrega algo muito diferente: uma vontade imensa de viver. Anne nos ensina que, mesmo no lugar mais apertado e escuro do mundo, o pensamento pode ser livre. É um livro que exige escuta, entrega, empatia.
Existe um tipo de dor que só quem já se sentiu “fora do lugar” consegue entender. Em “O terno tanto faz, como tanto fez”, um conto curto, mas cirúrgico de Sylvia Plath, somos apresentados a uma peça de roupa que é, na verdade, uma herança de silêncios.
O Mary Recomenda de hoje vem com o pé na porta, mas por uma boa razão: a indicação de hoje, definitivamente, não é para os fracos.
Primeiramente, quero deixar meus votos de feliz ano-novo a todos! Em segundo lugar, agradecer imensamente pela companhia ao longo de 2025. O OCDM teve um ano maravilhoso e cresceu muito mais do que eu poderia imaginar há um ano. Isso tudo só foi possível porque vocês, leitores e amigos, existem. Espero que continuemos juntos em 2026.
Para começar muito bem as atividades, a nova temporada do Mary Recomenda vem com tudo. A obra escolhida foi Stuart Little, de E. B. White, mas não se enganem com a fofura. Quem também já leu A Teia de Charlotte (Charlotte's Web) sabe que essas obras podem até ser dirigidas ao público infantil num primeiro momento, mas dialogam muito mais com as crianças que hoje são “gente grande”.
Alguns livros nos arrebatam de maneira silenciosa, mas profunda. A voz que ninguém escutou é um desses casos. Trata-se de uma narrativa densa e pungente, que atravessa décadas de história brasileira — do Estado Novo à Ditadura Militar — com coragem e sensibilidade. Mais do que uma ficção, é uma memória coletiva transfigurada em arte.
Carolina é uma empresária bem-sucedida, determinada e, à primeira vista, parece ter tudo sob controle. No entanto, a narrativa de Milla Souza nos mostra que o sucesso profissional, por si só, não garante a plenitude da vida.
Alô, alô, torcida do Flamengo — aquele abraço. 🎵
Hoje o Mary Recomenda entra em campo de uniforme completo, microfone em punho, e coração acelerado feito Maracanã lotado aos 45 do segundo tempo.
Se os cachorros falassem, talvez eles somente abanassem o rabo. Mas o cão de Peter Mayle faz muito mais: ele observa, critica e ironiza a sociedade humana com uma sagacidade que falta em muitos bípedes.
O Mary Recomenda de hoje traz uma sugestão especial para o feriado…
Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...