Mostrando postagens com marcador autobiográfico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autobiográfico. Mostrar todas as postagens

Todo dia é dia do rock, bebê


Fazia uma boa dezena de anos que eu não comemorava essa data. A importância dela nunca se perdeu, nem diminuiu com as intempéries no caminho, só continuou crescendo numa resistência quase insolente que não me deixa perder os rumos nesse mundo insano feito de espelhos quebrados.

Manifesto de uma nefelibata #2

Nem todas as boas histórias começam com "era uma vez", suspeito que as primeiras páginas contem sobre paredes rabiscadas e bichos de pelúcia brilhando sob os holofotes imaginários de novelas improvisadas pela imaginação quase infinita de uma criança solitária e incompreendida.
Ideias pedem morada e vão florescendo até que as pétalas preencham dezenas de folhas de papel, tudo muito poético e até certo ponto romântico... ninguém descreve a angústia de segurar a caneta e a página em branco encarar de volta, um pouco impaciente, adepta da praticidade acima de tudo. O perfeccionismo ajeita o capuz na cabeça e murmura trêmulo atrás das cortinas que seria melhor nem começar. Por outro lado, as primeiras palavras vão ganhando corpo e assumindo o compromisso de reproduzir esse desabrochar de sonhos grandes demais para serem guardados junto com os brinquedos, os velhos e fiéis companheiros de aventuras. 
Os grandes um dia foram pequenos, não há nada de vergonhoso em partir de algum lugar, com o que se tem e o que se sabe. As bruxas são inofensivas diante da punhalada vinda de quem diz amar, pelas costas, para não deixar dúvidas, para não haver chance de defesa. Os mentirosos bem-intencionados inventam uma narrativa convincente e as folhas desaparecem, sentimentos não passam de arremedos e uma criança amedrontada chora até adormecer, no peso da injúria e da desmedida reação de quem sequer ouve outra versão. 
Mesmo assim, ela insiste. Ainda não sabe bem no que vai dar, o quebra-cabeça ficou todo irregular, mas existe um lugarzinho onde o ódio e a maldade não podem invadir, pelo menos não enquanto a esperança for sua sentinela. A rotina é pequena, sufocante e limitadora, porém, as palavras constroem pontes e refúgios seguros, as primeiras estruturas de histórias que ainda haverão de ser escritas. 
Cada divisória colorida desse caderno argolado do Mickey Mouse conta uma perspectiva da mesma noite — e tantas outras —, sempre em busca do aprimoramento, da versão definitiva, por mais penoso que seja reconstruir uma edificação lembrada pelas ausências. É tudo que tem. Cabe dentro da mochila, viaja por toda parte, considerando que a privacidade tem o mesmo peso de uma moeda sem valor. 
O desejo de transcrever o florescer com a mesma riqueza de detalhes da imaginação segue nesse embate passional com todos os entraves. A inocência fenece, de estilhaços sobrevive a confiança. São muitos dizendo o que fazer, poucos para entender. Todos pensam saber o que é melhor para ela, são boas as intenções descritas num tom paternal ou maternal de quem no fundo fala consigo mesmo. 
O bater das teclas tenta acompanhar o ritmo voraz dos pensamentos, aquela sintonia meio fora da caixa que parece dar muito certo. Não adianta seguir uma "receita de bolo" se o seu paladar se afina mais com uma boa macarronada ou uma pizza com camadas de queijo derretido e tomates. Muito além da boa gastronomia, é questão de lealdade aos próprios valores, vender mentiras cobra juros impagáveis.
Quem cobra perfeição não é exemplo de nada. Quem julga com rigor religioso tem um teto de vidro disfarçado. Quem despreza só escancara o despeito escorrendo pelo canto da boca. Quem escolhe o caminho do ódio não pode reclamar das tempestades no trajeto de volta, as coisas são como são. 
Ela é bombardeada diariamente com milhares de cobranças em todas as áreas da vida. Faça isso, não aquilo. Pense assim e não assado. A arte precisa de culhão. Quem não viraliza não existe.
Será que não existe uma incoerência em todos esses lugares-comuns?
A menina que rabiscava parede não pensava em ranking nenhum, só gostava da sensação de segurar uma caneta e brincar com palavras soltas. Os bichinhos de pelúcia eram as grandes estrelas das novelas faladas, não tinham fãs nem milhares de visualizações, não colecionavam medalhas, nem tampouco tinham a necessidade de validação externa ou de agradar uma cartilha de costumes cujos critérios são muito ambíguos.
Foi essa menina de coração quebrado que saiu de cena e aprendeu a gostar de passar despercebida, de não ter que dar opinião sobre tudo, nem se cobrar a perseguir um ideal que mais contribuiu para aprisionar a criatividade e roubar o prazer de escrever por escrever.
Se ela não viraliza não existe para o senso comum iludido por mentiras bem editadas e ilusões filtradas. Ademais, enquanto o amor pela arte se sobrepõe aos interesses mundanos, as palavras se amontoam, ávidas por redigir não um final feliz repleto de efeitos especiais, mas o grande momento em que o perfeccionismo é deixado de lado e arriscar é o verbo de ação que liga dedicação, intenção e satisfação. 

Amor romântico não é o único tipo de amor do mundo



Essa história de "o amor vem para os distraídos" me faz revirar os olhos. Mais distraída do que eu — e por natureza, a ponto de colecionar manchas roxas na perna e não saber por que — duvido que haja alguém.
A bem da verdade, hoje é uma sexta-feira comum, a exemplo de tantas outras sextas-feiras do ano. Passar o Dia dos Namorados sozinha é perfeitamente possível, bem como me divertir mesmo sem um namorado também é. 

Dia da Chatice aka Dia dos Namorados


Eis que chegou o Dia da Chatice, aka Dia dos Namorados. Sou do time que odeia a data e cutuco a ferida da hipocrisia comercial. Temos outros 364 dias no ano para demonstrar amor, não somente em 12 de junho e fomentado pelo exibicionismo barato em troca de algumas curtidas.

Às vezes, o problema não é o livro

Há uma grande probabilidade de você já ter vivido essa situação de encontrar um livro que te arrebata porque a capa é muito chamativa, a sinopse desperta curiosidade e a própria narrativa te prende de um jeito tão intenso que você hesita entre devorar as páginas de uma vez ou ir devagar para prolongar aquela companhia. 
A combinação harmônica desses elementos geralmente prenuncia uma ressaca literária das bravas, cinco estrelas (talvez), concordâncias, discordâncias, dúvidas sobre continuações ou a coerência do final. Entretanto, nem todo encontro deixa aquela saudade boa e a promessa de um reencontro. 

Insurgente





Não quero pensar no que será de mim daqui para frente. Os batimentos cardíacos estão voltando ao ritmo habitual. Encontro-me distante do labirinto cinzento e gradeado, o uniforme da despersonalização descansa numa mureta, onde aposento também esse personagem que consente com a própria degradação.
Até nunca mais.
Se pensasse duas vezes, estaria escondida numa cabine qualquer do banheiro feminino, apenas adiando o intolerável. O balde é imenso, mas nunca é bom subestimar a intensidade com que a última gota arrasa o que estiver pela frente. 
Se não havia saída, acabei de encontrar a porta entreaberta, o frio na barriga compensa o "não saber" do meu dia de amanhã. Vi tantos anos se passarem sem sequer me sentir gente, preciso me lembrar que existe algo muito pior do que não realizar um sonho: deixar de lutar por ele em razão do medo ou por acreditar naquela lorota de "não merecer".

Depois dos 25 | O oásis não passa de outra ilusão



Ninguém conta o quão devastador é ser gatilhada por estímulos que me querem adestrada, encolhida na caixinha, consentindo com as falácias vendidas num belo embrulho. O medo de ficar de fora coloca todas as convicções em prova. 
Padeço às pedras de granizo atravessadas no peito, consequência de todos aqueles "tudo bem" que venho dizendo há muito tempo. Deito para esquecer, acostumada a ser compreensiva, a tantas portas fechadas, a abdicar em nome dessa tal resiliência.
Sou muito consciente da realidade, estou e sempre estive sozinha. E esse peso testa a resistência aos mais árduos trechos nesse solo árido e pedregoso. Caminho devagarinho, prefiro assim. O oásis não passa de outra ilusão. 

Mesmo que eu já não saiba mais sonhar

 


Sonhadora era um adjetivo bem comum para as pessoas se referirem a mim no passado. Eu era aquela pessoa que sabia o que queria e conhecia os caminhos para “chegar lá”. Tudo parecia estar escrito. No entanto, essa “certeza” me acomodou e eu não soube encarar as intempéries com a serenidade exigida para padecer, para não me tornar a personificação ambulante da amargura.

a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros


Ao longo da vida, aprendi que não devemos viver com o peso de provar quem somos a quem não está disposto a ouvir. Gostos, crenças e preferências são escolhas profundamente pessoais, que não precisam ser validadas ou justificadas. Seja gostar de Chaves, fofurices, usar allstar, preferir rock ao sertanejo, ou mesmo não gostar de algumas coisas. Seja acreditar em Deus sem seguir uma religião ou apreciar a literatura com a liberdade que ela propõe, tudo isso faz parte da autenticidade de cada um.

É curioso como, em tempos de tanta informação, ainda haja indivíduos incomodados com personagens fictícios, submetendo-os a rigorosos julgamentos como se fossem reais, condenando-os segundo os critérios do moralismo de fachada. Segundo Roland Barthes, a literatura nos atribui o privilégio da licença poética, aquele espaço onde os personagens existem além do moralismo da realidade, como espelhos de nossas complexidades. Criticar ou sentir inveja de uma personagem literária é um reflexo de quem observa, não de quem escreve.

Por que, então, continuamos presos à necessidade de agradar ou convencer? A resposta, talvez, esteja no valor que damos à opinião alheia, quando, na verdade, a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros.

Aos que ainda gastam energia tentando colocar etiquetas na vida dos outros, um lembrete: viver com autenticidade é um ato revolucionário. E para aqueles que insistem em condenar o que nem existe, talvez seja hora de refletir — não sobre quem apontam o dedo, mas o incômodo projetado no reflexo da ficção.

A vida é curta demais para dar palco ao que não agrega. Que possamos seguir caminhando com nossos próprios sapatos, sem nos preocupar com os calçados dos outros.

A gramática do balde transbordado



O pânico ainda assombrava meus sentidos. O peso daquele olhar invasor ordenava o ritmo dos passos. Ah, como doía. De cima a baixo, aquele olhar estreitado e dissimulado tocava em uma ferida que nunca se fechou de verdade.

Minha joaninha (seu casco não é uma prisão)

 


“Minha joaninha, o seu casco não é uma prisão, é a sua casa. Suas pintinhas são o seu mapa estelar. Escreva mesmo que ninguém leia, porque o papel é a única terra firme que nunca afunda sob os nossos pés.”

Manifesto de uma nefelibata

 


"Eu não sou uma fraude por não saber tudo porque tenho a humildade de buscar aprender o que não sei. Minha força não está na perfeição da regra, mas na precisão da minha observação, de rir dos meus erros."

💌 Carta a quem acha que não é bom o bastante


Às vezes, eu me sento diante da tela e penso: para que escrever, se há tanta gente melhor?
Tanta gente com mais técnica, mais vocabulário, mais confiança, mais seguidores. Sou assaltada por aquele velho pensamento que sussurra que nada do que eu diga tocará ninguém, ou que seja algo além de bobagens jogadas num limbo qualquer da internet (e mesmo fora dela).
Ainda assim, escrevo. Porque preciso. Porque é meu respirar, mesmo quando as mãos do mundo tentam empurrar minha cabeça para debaixo d'água.
Não quero ser genial nem inventar roda nenhuma, só quero ser sincera, que se algum dia alguém me ler, sinta haver uma pessoa real por trás das palavras, alguém que tem dúvida, teme e se levanta mesmo com a voz hesitante e o choro preso na garganta. 
Se escrevo bem?
Já ouvi que sim. Outros tentaram e ainda tentam me convencer do contrário. Entretanto, o que me move é a vontade de externar tudo que o silêncio não consegue nem faz questão de segurar. 
No fundo, não almejo ser a melhor, nem a mais popular, nem desbancar ninguém, só ser sentida… é por isso que mesmo com todas as mordaças invisíveis, o peso do grafite sobrevive e desenha aquele amanhã que ainda vive só no plano das ideias, mas vívido o suficiente para me manter de pé.
Se eu não arriscar, como vou querer dar meu salto de fé, evoluir, algum dia ser o farol de alguém?
Lógico que hoje eu ainda estou a mil anos-luz da perfeição, de escrever com a maestria desejada, mas desistir só prolonga o processo. E ninguém tem tanta certeza assim, a eternidade não está em jogo.
Talvez a perfeição seja um fantasma que me impede de abraçar a verdadeira essência e aceitar que o feito é perfeito não pela ausência de erros, mas sim porque se permitiu existir. Foi o suficiente, mesmo quando tentem dizer que não.


— Mary Luz ✨

mesmo quando se duvida

nem sempre quem escreve acredita no que carrega.
há dias em que a palavra pesa,
o cansaço cala,
e a inspiração parece ter mudado de endereço.

mas o dom não some,
ele se recolhe.
espera o coração respirar de novo,
espera o corpo lembrar que ainda pulsa.

ser escritora não é viver em êxtase —
é persistir na escuta do invisível.
é escrever mesmo sem certezas,
mesmo quando o texto parece menor do que a dor.

quem nasceu pra sentir o mundo em palavras
não desaprende,
apenas silencia por um tempo
até reencontrar o próprio fôlego.

e quando volta,
volta mais inteira,
mais densa,
mais você. 

Rebelde sem causa?

  

Escrito em março de 2017, este texto nasceu de reflexões profundas sobre autoconhecimento, resiliência e a luta por autenticidade em um mundo que frequentemente impõe padrões inalcançáveis. Hoje, ao revisitar essas palavras, vejo nelas não só um desabafo do passado, mas uma mensagem poderosa e atemporal para quem busca força e liberdade interior.  

O veneno também cura (manifesto de quem cansou de agradar) 🐍 🕷️ 🖋️

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
— Clarice Lispector 


Essa história não é sobre perdão e superação, tampouco terá frases genéricas para entulhar as redes sociais de falsas pílulas de autoajuda. É sobre uma pessoa disposta a abraçar as próprias sombras, recolher as cinzas das asas quebradas e lembrar de cada pessoa que me empurrou nesse abismo — porque quero ver a queda de um por um, no alto do meu camarote.

Não tenho vocação pra ser boba alegre. Gratiluz é o caralho. Tenho ódio, raiva e mágoa pulsando na mesma frequência do amor. São apenas as duas faces da moeda tomando as rédeas da minha vida, enfim.

O mundo não evoluiu com o silêncio autoimposto. Só ficou carente de uma voz sensata e lúcida, capaz de representar os que ficam à margem da hipocrisia — onde as luzes dos holofotes nunca chegam de verdade, na incômoda penumbra dos desvalidos de popularidade.

A Insubmissa que cria mundos (essa sou eu, mesmo que não vejam)


Você escreve com o coração na ponta dos dedos,
cria mundos com o que os outros descartam,
não vive para agradar, mas para dizer o que precisa ser dito
e isso é tão raro que assusta mesmo quem vive no raso.

Você não nasceu para ser padrão, nasceu para ser lenda.

Não desista, não se disfarce para servir no encaixe.
Não deixe o mundo te convencer de que ser autêntica é um defeito.
O que você cria não é ostentação vazia para um story e nada mais…
é arte, resistência, poesia… legado.

Quem cria mundos, mesmo sendo invisível no seu tempo,
planta raízes para que outras como você floresçam depois.

Campo minado com tiaras arrancadas, pulseiras improvisadas e banhos de lama

Dizem que a infância é a fase da pureza. Que toda criança é feliz. Que bullying "faz parte", que "a gente supera". No entanto, não é bem por aí. Minha infância foi um campo minado com tiaras arrancadas, pulseiras improvisadas e humilhações cirúrgicas. E quem ousar dizer que isso ficou no passado… nunca carregou esse passado dentro do peito.

Bolo na garganta

Bolo na garganta

Reconheço estar regredindo, mas também coloco o dedo na ferida e jogo essa culpa no mundo e nos seus valores tóxicos que me atiram de volta ao precipício, medindo meu valor com uma fita métrica, pesando a dignidade para calcular o quanto há de mim aqui e ceifar com o facão. Minha parcela de culpa já está devidamente assumida, porém, não parei no inferno sozinha, nem por vontade própria.
Eles cobram produtividade, contudo, não se importam com as circunstâncias, comparam meu capítulo 3 com o 20 de alguém que largou bem mais privilegiada na maratona da vida, exigem o que nunca deram e se prendem aos protocolos estúpidos para manter as aparências.
Dizem ser pela inclusão e te mandam para a câmara fria para ver se assim os sonhos morrem logo de uma vez por todas, você é sempre estranha, esquisita, difícil de lidar, nunca faz nada direito. Esforços vistos com indiferença, portas fechadas, "não corresponde ao perfil que buscamos neste momento".
É enlouquecedor tentar buscar esse equilíbrio ou eu não perdi a mania de ser sensível demais?

Destrinchando a Letra | Moments of Love — Cathy Dennis

Depois de revisitar uma das músicas mais marcantes de Confissões de Laly na última edição do Destrinchando a Letra , resolvi aproveitar o e...