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Mesmo que eu já não saiba mais sonhar

 


Sonhadora era um adjetivo bem comum para as pessoas se referirem a mim no passado. Eu era aquela pessoa que sabia o que queria e conhecia os caminhos para “chegar lá”. Tudo parecia estar escrito. No entanto, essa “certeza” me acomodou e eu não soube encarar as intempéries com a serenidade exigida para padecer, para não me tornar a personificação ambulante da amargura.

a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros


Ao longo da vida, aprendi que não devemos viver com o peso de provar quem somos a quem não está disposto a ouvir. Gostos, crenças e preferências são escolhas profundamente pessoais, que não precisam ser validadas ou justificadas. Seja gostar de Chaves, fofurices, usar allstar, preferir rock ao sertanejo, ou mesmo não gostar de algumas coisas. Seja acreditar em Deus sem seguir uma religião ou apreciar a literatura com a liberdade que ela propõe, tudo isso faz parte da autenticidade de cada um.

É curioso como, em tempos de tanta informação, ainda haja indivíduos incomodados com personagens fictícios, submetendo-os a rigorosos julgamentos como se fossem reais, condenando-os segundo os critérios do moralismo de fachada. Segundo Roland Barthes, a literatura nos atribui o privilégio da licença poética, aquele espaço onde os personagens existem além do moralismo da realidade, como espelhos de nossas complexidades. Criticar ou sentir inveja de uma personagem literária é um reflexo de quem observa, não de quem escreve.

Por que, então, continuamos presos à necessidade de agradar ou convencer? A resposta, talvez, esteja no valor que damos à opinião alheia, quando, na verdade, a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros.

Aos que ainda gastam energia tentando colocar etiquetas na vida dos outros, um lembrete: viver com autenticidade é um ato revolucionário. E para aqueles que insistem em condenar o que nem existe, talvez seja hora de refletir — não sobre quem apontam o dedo, mas o incômodo projetado no reflexo da ficção.

A vida é curta demais para dar palco ao que não agrega. Que possamos seguir caminhando com nossos próprios sapatos, sem nos preocupar com os calçados dos outros.

Manifesto de uma nefelibata

 


"Eu não sou uma fraude por não saber tudo porque tenho a humildade de buscar aprender o que não sei. Minha força não está na perfeição da regra, mas na precisão da minha observação, de rir dos meus erros."

Mary Recomenda | Escritores nascidos em 17 de novembro

Se datas carregam simbolismos, o dia 17 de novembro é quase um portal secreto da literatura. Nele nasceram escritores de alma inquieta, inventores de mundos e cronistas do invisível. É por esse motivo que o Mary Recomenda de hoje tem um brilho todo especial. 

Novidades literárias da Mary | Considerações sobre a participação no projeto Literatura na Escola 🖋️

Há alguns meses sem escrever poesia, foi no meio de uma crise que finquei em palavras o que queria escrever na pele. Eu não precisava sangrar no sentido literal, mas poderia muito bem resgatar o velho hábito de externar no papel todo o peso que a mente carrega por pensar e sentir demais, num nível quase insuportável. 

💌 Para quem um dia me leu e talvez ainda lembre de mim

Às vezes me pego pensando se alguém, em algum canto da internet, ainda lembra dos meus textos.
Das novelas, das personagens, das histórias que nasceram quando o mundo parecia mais leve.
Se alguém ainda lembra da Tita, da Governanta, da Noviça… ou de mim, escrevendo tudo isso com o coração nas mãos.

Os anos passaram, a vida mudou, e por um tempo eu me escondi. Entretanto, nunca deixei de escrever. Nem quando doía, nem quando parecia não haver ninguém do outro lado da tela.

Talvez você tenha crescido, mudado de cidade, esquecido os endereços antigos…
Mas se por acaso cruzar este texto, saiba que eu continuo aqui.
Ainda acredito na força das palavras, na beleza da saudade e naqueles laços invisíveis que o tempo não desfaz.

Se você um dia me leu — se riu ou chorou comigo, se comentou ou só leu em silêncio — obrigada.
De verdade.
Você foi parte de uma fase que me formou e, de algum modo, ainda vive em mim.

💌 Carta a quem acha que não é bom o bastante


Às vezes, eu me sento diante da tela e penso: para que escrever, se há tanta gente melhor?
Tanta gente com mais técnica, mais vocabulário, mais confiança, mais seguidores. Sou assaltada por aquele velho pensamento que sussurra que nada do que eu diga tocará ninguém, ou que seja algo além de bobagens jogadas num limbo qualquer da internet (e mesmo fora dela).
Ainda assim, escrevo. Porque preciso. Porque é meu respirar, mesmo quando as mãos do mundo tentam empurrar minha cabeça para debaixo d'água.
Não quero ser genial nem inventar roda nenhuma, só quero ser sincera, que se algum dia alguém me ler, sinta haver uma pessoa real por trás das palavras, alguém que tem dúvida, teme e se levanta mesmo com a voz hesitante e o choro preso na garganta. 
Se escrevo bem?
Já ouvi que sim. Outros tentaram e ainda tentam me convencer do contrário. Entretanto, o que me move é a vontade de externar tudo que o silêncio não consegue nem faz questão de segurar. 
No fundo, não almejo ser a melhor, nem a mais popular, nem desbancar ninguém, só ser sentida… é por isso que mesmo com todas as mordaças invisíveis, o peso do grafite sobrevive e desenha aquele amanhã que ainda vive só no plano das ideias, mas vívido o suficiente para me manter de pé.
Se eu não arriscar, como vou querer dar meu salto de fé, evoluir, algum dia ser o farol de alguém?
Lógico que hoje eu ainda estou a mil anos-luz da perfeição, de escrever com a maestria desejada, mas desistir só prolonga o processo. E ninguém tem tanta certeza assim, a eternidade não está em jogo.
Talvez a perfeição seja um fantasma que me impede de abraçar a verdadeira essência e aceitar que o feito é perfeito não pela ausência de erros, mas sim porque se permitiu existir. Foi o suficiente, mesmo quando tentem dizer que não.


— Mary Luz ✨

🌸 Até a última gota de esperança

 Subtítulo: Um texto inédito de 2012 que reafirma a força de sonhar e escrever com o coração

Introdução:

Nem sempre conseguimos nomear a força que nos move. Às vezes, ela escorre pela ponta da caneta sem pedir licença, vestida de esperança, de saudade ou de coragem. Esse texto foi escrito em 16 de outubro de 2012, numa época em que eu não tinha todas as respostas — mas já carregava comigo a certeza de que a escrita seria meu refúgio e minha salvação. Guardei esse desabafo com carinho, e agora ele encontra seu lugar no tempo: para florescer, enfim, em forma de post.

mesmo quando se duvida

nem sempre quem escreve acredita no que carrega.
há dias em que a palavra pesa,
o cansaço cala,
e a inspiração parece ter mudado de endereço.

mas o dom não some,
ele se recolhe.
espera o coração respirar de novo,
espera o corpo lembrar que ainda pulsa.

ser escritora não é viver em êxtase —
é persistir na escuta do invisível.
é escrever mesmo sem certezas,
mesmo quando o texto parece menor do que a dor.

quem nasceu pra sentir o mundo em palavras
não desaprende,
apenas silencia por um tempo
até reencontrar o próprio fôlego.

e quando volta,
volta mais inteira,
mais densa,
mais você. 

O ofício de permanecer

Nem sempre uma editora grande vai apostar em quem está começando. Não porque falte talento, mas porque publicar também é um negócio, e negócios vivem de previsões seguras.

Por trás das pausas


Sinto as pontas dos dedos entrando em contato com as teclas, a melodia escondida entre uma palavra e outra, nos espaços para o indizível, nos arranjos que permitem a iniciativa tantas vezes reprimida.

Um vagalume no breu

 

Obrigada pelo carinho, pessoinha de alma linda *-*

Essa captura de tela vem como um doce lembrete de que, sim, existem boas pessoas no mundo, que semeiam carinho e inspiram com boas atitudes. A intenção não é me gabar deste pequeno momento de alegria, mas compartilhar um sentimento positivo que me abraça num momento onde me pergunto se num mundo tão podre e intolerante, ainda vale a pena escrever.

Reflexões sobre autenticidade: protegendo meu espaço criativo



Ao longo dos anos, meu blog tem sido mais do que um simples lugar para escrever. Ele é meu espaço de expressão criativa, onde ideias ganham vida e sentimentos encontram palavras. Não é um muro das lamentações, nem um palco para alimentar dramas alheios, mas sim um refúgio para quem deseja refletir e encontrar inspiração. Afinal, o que realmente importa é a liberdade de criar sem amarras.

O veneno também cura (manifesto de quem cansou de agradar) 🐍 🕷️ 🖋️

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
— Clarice Lispector 


Essa história não é sobre perdão e superação, tampouco terá frases genéricas para entulhar as redes sociais de falsas pílulas de autoajuda. É sobre uma pessoa disposta a abraçar as próprias sombras, recolher as cinzas das asas quebradas e lembrar de cada pessoa que me empurrou nesse abismo — porque quero ver a queda de um por um, no alto do meu camarote.

Não tenho vocação pra ser boba alegre. Gratiluz é o caralho. Tenho ódio, raiva e mágoa pulsando na mesma frequência do amor. São apenas as duas faces da moeda tomando as rédeas da minha vida, enfim.

O mundo não evoluiu com o silêncio autoimposto. Só ficou carente de uma voz sensata e lúcida, capaz de representar os que ficam à margem da hipocrisia — onde as luzes dos holofotes nunca chegam de verdade, na incômoda penumbra dos desvalidos de popularidade.

A Insubmissa que cria mundos (essa sou eu, mesmo que não vejam)


Você escreve com o coração na ponta dos dedos,
cria mundos com o que os outros descartam,
não vive para agradar, mas para dizer o que precisa ser dito
e isso é tão raro que assusta mesmo quem vive no raso.

Você não nasceu para ser padrão, nasceu para ser lenda.

Não desista, não se disfarce para servir no encaixe.
Não deixe o mundo te convencer de que ser autêntica é um defeito.
O que você cria não é ostentação vazia para um story e nada mais…
é arte, resistência, poesia… legado.

Quem cria mundos, mesmo sendo invisível no seu tempo,
planta raízes para que outras como você floresçam depois.

Terças com Tita | Quando eu era só semente, ninguém me regou




Não é só tristeza, nem mágoa gratuita, nem vontade de arrumar treta ou fazer acusações. Tem ares daquele cansaço que se instala devagarinho, preenchendo o corredor vazio com um silêncio insuportável, onde consigo ouvir as batidas do meu coração agitado e inquieto.

🐞 O jardim de Buba e as estações do silêncio




🐞 O Jardim de Buba e as Estações do Silêncio

(Uma fábula sobre florir apesar das pragas invisíveis)

Por Mary Luz | Os Cadernos de Marisol


Havia um jardim escondido atrás da neblina, onde nem todo mundo conseguia chegar. Era lá onde as flores nasciam de palavras e as árvores escutavam antes de responder. Nesse pedacinho de mundo vivia Buba, a joaninha dona de um coração que escrevia antes mesmo de bater.

Mary Recomenda | Minha vida de menina - Helena Morley

Segunda versão da identidade visual do Mary Recomenda

Sexta-feira combina com Mary Recomenda e hoje decidi trazer uma obra que conheci meio ao acaso, anos atrás, e que se tornou um divisor de águas para mim. Já aviso: já sofri hate por defender esse livro, mas não me importo. O ódio alheio geralmente é apenas um espelhamento; a pessoa projeta em nós o que ela não suporta em si.

Jedicon: meu passeio por uma galáxia que eu mal conheço (mas já considero pacas) 🌌⭐

 



⭐ Jedicon: meu passeio por uma galáxia que eu mal conheço (mas já considero pacas)

🗡️ Por Mary Luz — infiltrada no Império, mas só nas pausas do trabalho


No último sábado (31), a Jedicon aterrissou por aqui — um evento voltado a fãs de Star Wars, cultura geek, cosplay e mundos fantásticos. Todos os ingressos foram esgotados e o primeiro piso da Linha Arena se transformou em outro planeta.

Cinco anos sem você, vó

Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...