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10 anos sem o Matt



A pequena bolinha de pelos dormia despreocupada embaixo de um cascalho no terrário do pet shop. De uma grande ninhada, sobraram apenas os três. O moço bonito e também proprietário do local disse que o pequeno ser tinha apenas quarenta dias de vida e poderia viver até dois anos e meio ou três de fosse bem cuidado e tivesse um bocado de sorte também. 
Foi um pouco triste separá-lo dos irmãos, mas cada hamster tinha sua pessoa. Ele era a minha. O primeiro parágrafo da nossa história também ressaltou o calor daquela tarde de mormaço de um dezembro já tão distante que até parece ter sido em outra vida.
Na gaiola que eu protegia do sol não se encontrava apenas um animalzinho que caberia numa concha de feijão, estava um amigo, alguém que confiaria estar seguro sob meus cuidados. 
Tive medo, porém a determinação de aprender o necessário para protegê-lo me fortaleceu. Nunca houve uma segunda opção de nome. Nem segunda, nem terceira. Nunca hesitei, nunca me arrependi, nunca havia sido responsável por um animalzinho só meu. 
Era uma prova de fogo. E eu passei por ela com louvor.
Matt conquistou a família toda com seu jeitinho inigualável de ser, bem como também nos deu alguns sustos. Diz o ditado que quem tem boca vaia Roma, esse pequenino que o diga... no dia do Natal eu estava absorta na leitura, a léguas bem distantes, quando escutei o guincho insistente... de duas, uma: ou ele não queria spoiler ou pedia atenção.
Não era incomum encontrar Matt sentando na roda de exercícios, a hora da meditação, como costumávamos nos referir. Dava impressão de que aqueles instantes de silencio eram preenchidos por uma profunda reflexão sobre os mistérios da vida.
Aquela gaiola premium com duas rodas, mezanino e túnel de acrílico foi presente de aniversário para o mascote. Segurava o pedaço de macarrão como se estivesse degustando a oitava maravilha gastronómica do mundo. Toda noite era assim, os olhos de jabuticaba me fitavam pela grade e eu não sabia nem conseguia dizer não. 
Ironicamente — para não dizer tragicamente —, era um sábado frio de julho. Matt passaria a tarde com a Dinda, tudo normal, como se acreditava ser. Quando esfriava assim, o bonito já estocava comida na bochecha e fechava a porta da casinha no mezanino com forração.
Foi por volta de duas e meia quando minha irmã gritou desesperada ao ver o Matt sangrando. Num primeiro momento, com o coração aos pulos, fui ver como ele estava. Pensei ser também um leve sangramento numa patinha por ficar preso na roda, mas antes fosse. Juro por Deus, antes fosse.
A hipótese mais plausível é que Matt se feriu quando se levantava da roda verde de acrílico para regressar ao mezanino. A capa do túnel responsável pela interligação entre uma parte e outra da gaiola era toda revestida de plástico e Matt, como um bom roedor, não perdia a oportunidade de roer o que estivesse pela frente.
Ele morreu sangrando como se todo sangue do mundo pudesse caber num pequeno hamster, como quem rói um fio desencapado e nos obriga a apressar a despedida. Envolvido num lencinho branco bordado com a oração do Santo Anjo, Matt foi enterrado num vaso de plantas lá na área de serviço. Coincidência ou não, os restos mortais dele se transformaram numa linda folhagem. 
Entretanto, por mais que eu tenha amado — e ainda seja capaz de amar — outros hamsters, ele foi o primeiro. E o primeiro deixa marcas que ninguém mais consegue ocupar.

10 anos sem você, Matt.

Feliz aniversário, irmã!



Seu aniversário coincide com a cerimônia de abertura da Copa do Mundo deste ano, igualzinho a 2010 e também 1998. Além disso, nós duas nascemos em quintas-feiras de anos bissextos, com a Lua na fase crescente, em dias ímpares. Só não falei sobre o frio que faz (quase) todo ano porque ainda não cheguei a essa parte. É questão de tempo.

Donkey Kong Country 3: Dixie's Double Trouble


Meu vô paterno estava internado na Santa Casa, a saúde já bastante frágil. Meu pai, religiosamente, ia ao hospital visitá-lo todos os dias. Por ter apenas 9 anos, eu não podia entrar na UTI, então aguardava quieta em um corredor, sem muita noção da gravidade do que ocorria.

O que isso tem a ver com Donkey Kong?

Bem, perto da Santa Casa tinha uma loja dessas que vendiam de tudo, inclusive fitas de videogame. Meu pai me levou até lá e perguntou o que eu queria. Minha meta era o Donkey Kong Country 2 — que eu estava louca para jogar desde que vi alguém jogando na locadora —, mas não tinha. A vendedora, então, disse que havia um "novo".

Mary Recomenda | A vida mentirosa dos adultos - Elena Ferrante

 

Existem frases que mudam o curso de uma vida. Para Giovanna, essa frase foi ouvida por acaso: "Ela está ficando com a cara da tia Vittoria". Ainda mais quando ela estava entrando na adolescência. Em um ambiente de classe média intelectualizada de Nápoles, onde a beleza e a cultura são moedas de troca, ser comparada à tia "feia, pobre e maldita" é como receber uma sentença de morte social.

É esse o ponto de partida do Mary Recomenda de hoje.

Cinco anos sem você, vó



Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ao lugar. 

Foi a partir daquele dia que você começou a morrer um pouquinho. 

Teve um domingo muito estranho algum tempo depois. Cinzento, frio, longo e suspenso. As paredes frias testemunharam os seus últimos momentos, mas esse trecho da história sofreu diversas alterações, a depender de que o narrava. Porque o desfecho era óbvio, não haveria um último milagre para fazê-la levantar daquela cama e testemunhar uma cura que faria a medicina duvidar das próprias convicções.

Dizem que seu último suspiro foi perto da meia-noite. Suas mãos soltaram a corda esgarçada pela luta desleal contra um inimigo que devorou as páginas em branco restantes no livro da vida e se apresentou num estágio avançado demais para uma remissão. Chegava a hora de dar os primeiros passos rumo a um lugar muito melhor do que aqui, distante da nossa visão, do entendimento e do toque.

Naquela manhã de segunda-feira eu não mensurava a dimensão da sua partida. No fundo, eu ainda esperava por um telefonema que desmentiria a realidade e devolveria aos dias um senso de normalidade.

Foi algum tempo depois que olhei para as fotos que tirei da última vez que a visitei e ficou muito claro o ensaio improvisado de uma despedida não tão anunciada.

A casa ainda era a mesma, mas havia um silêncio dolorido naquele relógio parado às sete horas, no piso frio que cobria os cômodos, no amarelo desbotado das paredes. O último café não parecia o último, a mesa posta tinha gosto de reencontro. Álbuns de fotografias espalhados pelo chão, a voz embargada com uma lembrança que veio de repente, droga de pandemia.

Você acenou para nós até o carro dobrar a esquina, costumava ser o nosso "até sempre". Foi numa madrugada insone que escrevi sobre o assunto pela primeira vez, com um nó na garganta, porque resumiram seu funeral a lavação de roupa suja de quem deixou a mágoa e o rancor falarem mais alto do que a dor que nos igualava a todos.

O inventário mais importante não eram os eletrodomésticos, nem o carro, nem a propriedade, era a sua bondade de ajudar a quem precisasse, a determinação de uma mulher que ficou sozinha no mundo e lutou por tudo que quis, as histórias que cada um viveu ao seu lado e poderá guardar para sempre.

Esse lar ainda existe no mundo dos sonhos. Não tem tumor nenhum, nem joelho estourado, nem coração quebrado, nem protocolos sanitários a impedir visitas e abraços. A saudade acaba assim que avisto o canteiro de flores perto do portão e a rampa que dava na garagem porque sempre tem um abraço cheiroso pedindo desculpas pela bagunça — inexistente — e agradecendo a visita.

Tiraram a plaquinha dos geladinhos que ficava no poste, mudaram a cor do portão, tem outro veículo estacionado na garagem, parece que tantos anos passaram mais rápido do que um suspiro. Tem uma pessoa a menos orando por mim e pelos meus, nunca mais apareceu seu telefone no identificador de chamadas nos aniversários e no Natal.

Reconheço ser tarde para lamentar tudo que não fiz por você, pelas visitas que ficaram na promessa, pelo ponto final que mudou tudo para sempre. Remoer arrependimentos por não ter aproveitado certos momentos ciente da brevidade de nossas existências não acalma meu coração, porque por um bom tempo eu te tinha como uma mulher forte e longeva, que veria meus filhos crescerem, reunindo novamente quatro gerações no mesmo aposento, que nem naquele dia em que estávamos a bisa, você, a minha mãe, a minha irmã e eu.

São cinco anos de muitos outros que ainda virão. O mundo seguiu em frente, nós também seguimos para algum lugar. Com um vazio impossível de preencher com nada que não seja a sua memória e a certeza de que quando eu publicar aquele livro o qual você queria tanto ter lido, o mundo haverá de conhecer o seu nome. 

Infelizmente, nem todos os contratos são respeitados e uma editora pegou aquele dinheiro que você com tanto carinho deu para ver o livro ser publicado. Nunca consegui te contar que pessoas inescrupulosas agiram de má-fé, deixando de cumprir o que prometeram até reconhecendo firma, porém a lembrança mais bonita tem a ver com a sua generosidade em acreditar em mim mais do que eu mesma já acreditei. 

Talvez você olhe por mim aí do plano superior e a gente se encontre um dia desses, quando a primavera voltar. Enquanto isso, eu escrevo.


Mary Recomenda | A face mais doce do azar - Vera Saad

 

Capa de A face mais doce do azar, publicado pela Editora Palimpsesto.

Tem livros que não chegam até nós com barulho, mas que, uma vez lidos, não nos deixam mais. A Face Mais Doce do Azar, de Vera Saad, foi uma dessas descobertas silenciosas e arrebatadoras.

Terças com Tita (sim, na segunda!) | O farol dos sonhos loucos e uma página rasgada no livro da vida

 



A maioria dos meus dias é comum. Sigo a rotina no “piloto automático”, às vezes nem paro para prestar atenção no céu, na constante batalha para não ser engolida pelos compromissos. E à meia-noite a contagem regressiva é zerada… e por consideráveis décadas o que muda é a disposição, que vai diminuindo quando o peso da idade é mais do que uma piadinha para quebrar silêncios.

O "batismo de fogo" que ninguém pediu: você conhece a Ilha da Garganta Cortada?

 

Minha incursão no mundo dos videogames começou lá no verão de 1997. Foi quando a madrinha do meu irmão lhe presenteou com um Super Nintendo e um universo inteirinho se abriu para três crianças em idade escolar. 

Sabe aquele frenesi que os moradores da Vila do Chaves têm quando a Dona Florinda comprou a lavadora? Foi mais ou menos desse jeito. Entretanto, para a nossa frustração, em vez do Super Mario World, veio a Ilha da Garganta Cortada (Cutthroat Island).

Mary Recomenda | Todo mundo tem mãe, Catarina — Carla Guerson

A recomendação de hoje expõe as distintas nuances da maternidade, sem romantizar nada, entrelaçando três gerações tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. Se você busca uma leitura que mergulhe nas complexidades do "ser filha" e do "ser mãe", prepare o coração: vamos falar de Todo mundo tem mãe, Catarina, de Carla Guerson.

🎉 Um dia em 1995 🕹️🍌💿



Você acordou… em fevereiro de 1995. Sei, seu primeiro pensamento foi “deu ruim”. Na verdade, ninguém fala desse jeito. O vocabulário é outro: se algo é legal, dizemos que é “massa”; se alguém é chato, chamamos de “mala”.

No começo, dá um branco. Você pensa que teve um daqueles sonhos estranhos onde não consegue se mexer, no entanto, você nunca esteve tão bem, seus sentidos estão despertos e aguçados e todos os seus brinquedos estão na prateleira ou no baú, ou mesmo espalhados pelo recinto.

Perto dos quarenta, longe da tomada

 


Envelheci 20 anos nas duas últimas semanas ou, sem os óculos de sol que as ondas arrastaram, a realidade ganhou contornos de uma nitidez inquestionável? Olha eu tentando falar bonito e me pagar de cronista extraordinária, quando não passo de uma reles escrevinhadora, a apelar sem muita firmeza para a falsa modéstia, quando o que não tenho mais é tempo para depreciações.

Toda essa comoção sobre “2006 já fazer 20 anos” não é só papo de rede social. A Copa na Alemanha, de tão decepcionante desfecho, completa duas décadas. Era o primeiro passo de uma longa e insegura travessia, ninguém de nós sairia ileso dessas porradas que a vida dá, às vezes na surdina, sem motivo, só porque estar na chuva significa se molhar e arriscar perder tudo, até mesmo aquilo que nem se tem.

8 de Dezembro | Dia da Família (Brasil)

 


💌 Nos laços que a vida entrelaça, nasce o que chamamos de família.

Em muitas escolas brasileiras, o 8 de dezembro é celebrado como o Dia da Família, uma data marcada por apresentações dos alunos, cartinhas emocionadas e murais com fotos de quem cuida, protege e ama.

📅 A origem dessa comemoração está ligada ao calendário católico, que celebra no mesmo dia a Imaculada Conceição de Maria. Por isso, por muito tempo, a data esteve associada à ideia de família tradicional, com forte influência religiosa.

Mas com o tempo — e com as transformações da sociedade — o sentido de família também se ampliou. Hoje, as escolas mais sensíveis já entendem: nem toda criança vive com pai e mãe. Algumas são criadas por avós, tios, madrinhas, duas mães, dois pais, um cuidador, ou simplesmente por quem esteve ali de verdade, dia após dia, com amor e presença.


📢 Família é quem fica. Quem cuida. Quem dá colo.
Mais do que um modelo idealizado, família é a rede que impede a queda — ou nos ajuda a levantar quando já estamos no chão. E é por isso que o 8 de dezembro deve ser um dia de acolhimento e reflexão, não de exclusão ou comparação.


🎨 Sugestão de Atividade Escolar para a data:
💬 “Desenhe ou escreva sobre quem você considera sua família. Pode ser quem mora com você, quem te faz sorrir, quem te apoia… ou até um pet!”


🌸 E se a sua família não parece com as dos comerciais de margarina, saiba: você não está sozinha. Muitas famílias são feitas de recomeços, cicatrizes e amor reinventado. E isso também é beleza.

26 de Julho | Dia dos Avós 🧓👵

 

🧓👵 Avós são como raízes: firmes, silenciosas e cheias de história. Mesmo quando já não estão, seguem nos sustentando por dentro.

📜 Por que 26 de julho?

A data homenageia Santa Ana e São Joaquim, os avós de Jesus.
Segundo a tradição cristã, eles esperavam há anos por um filho quando Ana recebeu a visita de um anjo anunciando o nascimento de Maria. Com o tempo, seriam também os avós daquele menino que nasceria em uma estrebaria e mudaria o mundo com ternura e resistência.

🎗️ Em países como Portugal e Espanha, o Dia dos Avós também é celebrado nesta data. Já em outras partes do mundo, como os Estados Unidos e o Canadá, há o “Grandparents Day” em setembro, com foco no reconhecimento familiar e comunitário.

15 de Junho | Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa 🗓️

 


👵🏽👴🏼 Quando a velhice vira alvo, toda a sociedade envelhece mal.

Criado pela ONU em 2006, o 15 de junho nos lembra de uma realidade muitas vezes escondida atrás das cortinas da casa, das piadas em tom de desdém, ou da pressa que cala vozes experientes: a violência contra pessoas idosas.

Essa violência não é só física. Ela se manifesta na negligência, no abandono emocional, no desrespeito à autonomia, na violência patrimonial e até na forma como falamos, tratamos e destratamos quem já viveu tanto.


🧓 “Ela é velha, nem sabe o que fala.”
Quantas vezes frases como essa foram ditas sem culpa, como se envelhecer fosse um defeito?
Quantos avós passam dias sem visita?
Quantas senhoras são forçadas a cuidar de netos sem apoio?
Quantos idosos têm seus cartões tomados por filhos ou netos em nome de um “cuidado” que, na prática, é roubo?


📣 Envelhecer não deveria ser castigo.

Deveria ser conquista.
E conquistar uma velhice digna significa construir hoje uma cultura de respeito, de escuta, de valorização.
Uma sociedade que teme e despreza seus velhos não é moderna — é cruel.


🎗️ Sinais de violência contra idosos que não podem ser ignorados:

  • Medo ou silêncio repentino ao falar de familiares

  • Má higiene ou desnutrição

  • Feridas sem explicação

  • Isolamento forçado

  • Alterações bancárias incomuns

Feliz Aniversário, Carol! 🍰🩷

 

Maninha numa ilustração estilo Studio Ghibli 

Uma das maiores satisfações da vida está em construir laços com as pessoas e celebrar as conquistas delas na mesma intensidade que faríamos com as nossas próprias realizações. Ter com quem contar nas tardes calmas olhando o mar e nas noites geladas e longas. Ser você mesma sem tolher trejeitos, piadas internas e olhares cúmplices.

15 de maio | Dia Internacional da Família 👪🎈

 


👪 Houve um tempo em que “família” era sinônimo de retrato na estante, almoço de domingo e fita cassete com vozes antigas. Mas a verdade é que família nunca coube numa só moldura. Nem ontem, nem hoje.

Terças com Tita | Não sou um cabo-de-guerra

 

Félix e Tita (Arquivo pessoal da Mary)

Existem barreiras invisíveis que ninguém vê, mas todos sentem.


Na última sexta-feira (25), foi o Dia Internacional de Conscientização sobre a Alienação Parental. Celebramos a luta por mais justiça, bem como a necessidade de ouvir as crianças, entender seus silêncios e abraçar seus corações quebrados que, muitas vezes, são confundidos pelos adultos ao redor. Tenho local de fala porque cresci com uma dor difícil de explicar, muito além de não entender por que meu pai não estava por perto quando eu mais precisava.

“Eu só queria que ele me explicasse. Mas ela falava tantas coisas contra ele, e eu... eu ficava perdida. Eu não sabia mais o que acreditar.”
Tita, aos 8 anos

25 de Abril | Dia Internacional de Conscientização sobre Alienação Parental 🧠💔

 


Existem datas que não pedem celebração, mas sim reflexão. O Dia Internacional de Conscientização sobre Alienação Parental, lembrado em 25 de abril, é uma dessas ocasiões. Um lembrete doloroso, porém necessário, de que o amor entre pais e filhos não deveria ser vítima de disputas emocionais, jurídicas ou vaidades. Em tempos de discursos inflamados, é preciso escutar o silêncio das crianças que têm seus laços afetivos cortados — não pela vida, mas por decisões adultas.


O que é a Alienação Parental?

Alienação parental é um termo utilizado para descrever a manipulação psicológica feita por um dos responsáveis (ou ambos, em alguns casos), visando afastar a criança do outro genitor. Isso pode ocorrer por meio de falas, atitudes, mentiras ou omissões que distorcem a imagem de um dos pais, avós ou qualquer figura de afeto.

🧷 Exemplos comuns incluem:

  • Impedir ou dificultar visitas;

  • Desvalorizar ou ridicularizar o outro genitor na frente da criança;

  • Criar falsas memórias ou histórias negativas;

  • Manipular sentimentos com chantagens emocionais.

O impacto disso na saúde mental da criança pode ser devastador: insegurança, ansiedade, baixa autoestima, dificuldade de estabelecer vínculos duradouros e até depressão.


O Caso da Meire em Simplesmente Tita

Pode parecer só ficção, mas a história de Simplesmente Tita é, infelizmente, o retrato de muitas famílias. Meire, a mãe de Tita, impede o pai, Félix, de manter qualquer contato com a filha, mesmo quando a menina deseja vê-lo. Ao longo da história, a criança cresce envolta em meias-verdades, ressentimentos e dúvidas sobre o próprio valor — como se o amor tivesse sido cancelado por decreto.

A série propõe uma reflexão não somente sobre o sofrimento dos pais alienados, mas sobre o impacto disso nas crianças, que crescem com buracos na alma que nem sempre o tempo cura.


Curiosidades e informações importantes

📜 No Brasil, a alienação parental é crime. A Lei 12.318/2010 prevê punições para quem comete esse tipo de conduta.

🧠 A psicologia infantil reconhece a alienação parental como uma forma de abuso emocional. Especialistas alertam para os danos psicológicos a longo prazo.

📈 Cresce o número de processos relacionados ao tema. Muitos casos são judicializados, o que torna ainda mais difícil a solução amigável.

💬 Frases comuns da alienação parental disfarçam abuso:

  • “Seu pai te abandonou!”

  • “Sua mãe não quis saber de você.”

  • “Se você gostar do seu pai, vai me magoar.”


Como ajudar ou agir em casos de alienação parental?

🔍 Informe-se: conhecimento é a melhor forma de prevenção.
👂 Escute: Crianças não têm culpa nem devem ser escudos emocionais.
📣 Denuncie: Se você conhece um caso, acione o Conselho Tutelar ou o Ministério Público.
💜 Apoie projetos que incentivem a guarda compartilhada com respeito e diálogo.
📝 Incentive narrativas como a de Tita, que trazem esse debate de forma sensível e realista.


Conclusão

No dia 25 de abril, não se trata somente de lembrar a existência de um problema, mas de olhar para as consequências que ele deixa nas almas pequenas. A alienação parental é uma ferida invisível, mas com efeitos profundos. Que este dia nos inspire a sermos adultos melhores, mais conscientes e menos egoístas — para nenhuma criança crescer acreditando que o amor pode ser sequestrado.


Referências (ABNT)

BRASIL. Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 ago. 2010.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Alienação Parental: Uma Visão Psicológica. Brasília, 2016. Disponível em: https://site.cfp.org.br/publicacao/alienacao-parental-uma-visao-psicologica/. Acesso em: 23 abr. 2025.

22/11/2021

Quando chega novembro, além do meu aniversário, eu já começo a palpitar sobre a decoração de Natal dos shoppings e embora fique só na promessa a visita a todas, uma já é tradicional.

Destrinchando a Letra | Moments of Love — Cathy Dennis

Depois de revisitar uma das músicas mais marcantes de Confissões de Laly na última edição do Destrinchando a Letra , resolvi aproveitar o e...