Quando Pedro Bial se referia aos participantes do BBB como “nossos heróis”, a pergunta que surgia sempre era: heróis de quê? Eles estavam confinados em uma casa, vivendo suas experiências privadas, enquanto o mundo lá fora precisava de heróis reais: médicos, voluntários, pessoas que enfrentam guerras e desastres naturais. O heroísmo verdadeiro não aparece em reality shows, mas no trabalho invisível de auxiliar o próximo.
Eu não estou dizendo que ninguém pode assistir ao BBB. As escolhas de entretenimento são pessoais, e cada um tem o direito de se engajar no que escolher. Porém, o que me incomoda profundamente é a maneira como o programa se torna um espetáculo, sendo elevado a algo que não é, em detrimento de discussões mais importantes. Pessoalmente, gostaria que esta fosse a última edição, contudo, infelizmente, ele continua a atrair publicidade e a prender a atenção de milhões.
Com o tempo, muitos começaram a refletir sobre essa glamorização da mediocridade e de como a mídia nos vende uma imagem distorcida de valor. Em 2020, as críticas ao programa começaram a ser distorcidas e rotuladas de maneira política, como se quem não fosse fã do programa estivesse ligado a uma ideologia específica. A ironia é que, ao criticar o BBB, a primeira coisa que você ouve é “você é bolsonarista”, como se gostar ou não de um programa de TV fosse um indicativo de ideologia política.
O preconceito de não seguir a onda: como as redes sociais se tornam tóxicas
Já percebeu como, se você não entra na onda do BBB ou de outras modas populares, é rapidamente rotulado como “arrogante” ou “desconectado”? Esse é o preconceito silencioso que muitos enfrentam ao optar por não participar do debate coletivo imposto pelas redes sociais.
O pior é que, quando você se recusa a seguir o mainstream e expõe seu senso crítico, é quase como se você estivesse desqualificando o que milhões de pessoas consideram como importante. O algoritmo das plataformas sociais, com sua tendência a amplificar opiniões populares, acaba criando uma pressão sutil para que todos pensem igual, compartilhem as mesmas ideias e, claro, assinem embaixo do entretenimento global.
E não é só isso! O que mais me incomoda é ver como muitos se apropriam do BBB como se fosse o único espaço para debates profundos sobre política, filosofia, antropologia, cultura, literatura e psicologia. Não bastasse a atração ser um reality show de entretenimento, algumas pessoas querem transformar isso em uma arena de disputas ideológicas, como se o foco fosse refletir sobre os rumos da sociedade, quando, na verdade, é mais sobre quem vai ganhar o prêmio milionário e conquistou a simpatia do público.
Com isso, as redes sociais se tornam insuportáveis, não pelos debates sinceros, mas pela imposição da ideia de que todos precisam se envolver de uma maneira tão intensa, transformando a crítica ao programa em uma opinião “fora de lugar” ou até antipática.
As redes sociais deveriam ser um espaço de troca saudável, porém, se tornaram um campo de guerra de egos, onde qualquer discordância se torna um ato de rebeldia. Não assistir ao BBB ou não aderir a algumas modas populares não significa desprezar a cultura, ou se fechar para a sociedade. Ao contrário, é o direito de manter o senso crítico intacto, sem ser engolido pelo mainstream, forçado a consumir conteúdo por pressão. O real problema é que, com a imposição feroz dos algoritmos e a gritaria de filósofos de plantão tentando transformar o programa em debates sobre a humanidade, acabamos perdendo a capacidade de desfrutar do que é popular de maneira leve e sem cobranças.
Quem se incomoda em criticar o programa, quando há um bando de “plantas” prontas para agradar, falar o que o Twitter/X quer ouvir e, no final, o objetivo é o prêmio milionário? Essas pessoas não estão realmente ali para fazer a diferença ou causar alguma reflexão. O que elas buscam é construir uma imagem que, na verdade, não tem profundidade e está mais interessada em se vender do que em ser realmente autênticas.
A verdade é que, seja você “pró-BBB” ou “anti-BBB”, o problema não é o programa em si, mas a manipulação da atenção coletiva. Heróis deveriam ser as pessoas que fazem a diferença no mundo real, como bombeiros, professores, médicos, cientistas e voluntários. Não aqueles que decidem se expor — muitas vezes ao ridículo — para servir de entretenimento ou viver de publipost.
Você pode, sim, ser uma pessoa engajada em causas sociais e assistir BBB, novelas, futebol; tais hábitos não diminuem o intelecto de ninguém. Alienado de verdade é quem almeja impor suas ideologias à força na base do extremismo. No entanto, quero ter o direito de me expressar e dizer que aqui no OCDM não engajaremos esse produto e outros similares.
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