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Mélpomene: mitologia, astronomia e memória

 


O sol já havia desaparecido atrás dos prédios quando recebi a notificação do Star Walk sobre um tal de Mélpomene. O aplicativo avisava que na noite desta terça-feira (7) seria perfeita para observar esse asteróide, que está em oposição. 

Infelizmente, não teremos o registro fotográfico desse grande evento por questões técnicas e logísticas.

Como seria a Terra sem a Lua?

 

Há uma sensação de perenidade quando olhamos para o céu noturno; o conforto de acreditar que a Lua sempre esteve e sempre estará lá, como uma testemunha silenciosa da nossa história. No entanto, a astronomia moderna nos revela um cenário menos estático. Em alguns bilhões de anos, o Sol esgotará seu combustível, expandindo-se antes de colapsar em uma densa anã branca — um evento que alterará irremediavelmente a arquitetura de todo o Sistema Solar e o destino dos mundos que o orbitam.

Haumea: o elipsoide frenético além de Plutão

Captura de tela do planeta-anão Haumea (Reprodução/Stellarium)


No vasto e gelado Cinturão de Kuiper, muito além da órbita de Netuno, reside um dos objetos mais exóticos do nosso sistema: o planeta-anão Haumea. Se a maioria dos corpos celestes se assemelha a esferas perfeitas, Haumea desafia essa estética, apresentando-se como um elipsoide alongado — um formato que lembra mais um charuto ou uma massa de pizza esticada do que um planeta tradicional.

🌀 A Física da velocidade extrema

O formato bizarro não é um acidente geológico, mas uma consequência direta de sua dinâmica orbital. Haumea possui uma das rotações mais rápidas do Sistema Solar: um dia completo ali dura apenas quatro horas.

Essa velocidade é tão extrema que a força centrífuga impede que a gravidade molde o corpo em uma esfera. Haumea é, literalmente, uma lição de física sobre a resistência dos materiais; ele gira tão rápido que se alongou para aliviar a tensão de sua própria rotação. É o contraste perfeito entre a agitação frenética e o silêncio gélido das profundezas do espaço.

🔴 A mancha e o passado violento

Observações detalhadas revelaram uma característica intrigante na superfície cristalina de Haumea: uma mancha escura e avermelhada. Cientistas sugerem que essa marca pode ser o registro de uma colisão catastrófica ocorrida há bilhões de anos — o mesmo evento que provavelmente acelerou sua rotação e deu origem às suas duas luas, Hi'iaka e Namaka. O que vemos hoje é a cicatriz de um "esbarrão" intergaláctico que alterou permanentemente o destino deste mundo.

🔭 Perspectiva no Stellarium

Para localizar Haumea no simulador, é necessário um "zoom" agressivo e persistente. Localizado em uma região de luz escassa, ele aparece como uma "batata esticada" que gira em alta velocidade. No Stellarium, essa visualização ajuda a compreender como a distância e a escala transformam um planeta anão em um pequeno prodígio da mecânica celeste.

Observações astronômicas (16/6/2026)

 

No domingo (14) e na segunda-feira (15), as condições climáticas estiveram desfavoráveis para acompanhar o céu, mas hoje o Sol saiu e tive a alegria de registrar momentos do céu que mais pareciam uma pintura em movimento.

Precisava compartilhar 💕

Observações astronômicas (12/6/2026)

Na quarta-feira (10) e na quinta-feira (11), a chuva roubou a cena, mas nesta sexta-feira (12), contrariando as expectativas, o solzinho apareceu. Tudo bem, de manhã o céu estava carrancudo e meio choroso, ah, e as rajadas de vento cortaram o barato de quem está sentindo saudades do verão.

Júpiter e Vênus continuam visíveis no céu ao anoitecer, como mostra essa captura de tela do Stellarium, exatamente no momento em que fiz os primeiros registros da noite. 

Observações astronômicas (9/6/2026)

Retrato do céu de hoje à noite 

Ontem não foi possível compartilhar nenhuma observação astronômica porque o céu estava nublado no início da noite. No entanto, comparando os registros recentes com alguns mais antigos e apurações em fontes confiáveis, suspeito ter registrado Procyon e Sirius. Comecei a escrever sobre o Triângulo de Inverno e deixei no rascunho, caso me encoraje de publicar em breve.

Observações astronômicas (7/6/2026)

Faltam 4 dias para começar a Copa do Mundo e 14, se não me engano, para o início do inverno astronômico (e o ingresso do Sol no signo de Câncer/Caranguejo). Júpiter parece ser só um pontinho minúsculo do céu que até nos esquecemos de que caberiam umas 1300 Terras nele.

Júpiter e Vênus em conjunção (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Vênus e Júpiter em conjunção

Hoje é dia de registrar Vênus e Júpiter a olho nu. Se o céu estiver limpo na região onde você mora, vale a pena dar uma olhadinha.

Fobos e Deimos: o futuro anel do planeta vermelho



Na mitologia, Fobos (Medo) e Deimos (Terror) acompanhavam Marte, o deus da guerra, em suas batalhas. Na astronomia, essa relação é igualmente intensa e peculiar. Diferentemente da nossa Lua, que é um corpo esférico e solitário, as luas marcianas assemelham-se a asteroides capturados pela gravidade do planeta vermelho, mantendo formas irregulares e órbitas fascinantes.

Luz cinérea 🌙



A luz cinérea (ou Earthshine) é um fenômeno óptico que ocorre quando a porção obscurecida da Lua torna-se visível a olho nu, exibindo um brilho acinzentado e sutil. É o momento em que o disco lunar deixa de ser um recorte bidimensional no céu e revela sua volumetria completa, envolto em uma penumbra fantasmagórica.

Ou seja:

☀️ Sol → 🌍 Terra → 🌙 Lua → 👁️ nós

Vesta: a caçula do Cinturão


Quando comecei a planejar essa série dos quatro planetas do Cinturão, lá no comecinho do ano, não previ que adoeceria no meio do percurso e acabaria atrasando em dois meses os dois últimos posts. Não era minha intenção abandonar o blog, nem o projeto, mas antes tarde do que nunca, aqui está o último episódio dessa série especial que começou lá com Pallas e Ceres.

Se Juno abriu a porteira do cinturão, Vesta, descoberta em 1807 por Heinrich Olbers, chegou para fechar o quarteto original com chave de ouro. Ela é a "caçula" das quatro primeiras descobertas, mas, para a geologia, é o verdadeiro tesouro do Sistema Solar.

Juno: a espiã do Sistema Solar

Captura de Humo feita com o Stellarium.


Houve um tempo em que o Sistema Solar tinha onze planetas e a imponente Juno ostentava sua coroa. Descoberta em 1804 por Karl Harding, ela ocupava a oitava posição nessa lista, logo após Ceres e Pallas. Ostentando um símbolo próprio e o status de divindade, Juno foi a terceira peça de um quebra-cabeça que acabaria por desmoronar a estrutura clássica do cosmos. 

Foi a sua presença — e o brilho intenso que refletia — que forçou os cientistas a admitirem que o espaço entre Marte e Júpiter não era um vazio, mas uma vizinhança congestionada. Após viajarmos para desvendar os mistérios de Ceres e Pallas, chegou a vez de conhecer Juno. Aperte os cintos e boa viagem!

13 de março | Descoberta do planeta Urano

 


13 de março é uma data histórica e de extrema importância para a astronomia. Há 245 anos, o horizonte da humanidade dobrou de tamanho. Até então, acreditava-se que o Sistema Solar terminava em Saturno. No entanto, o músico e astrônomo William Herschel, munido de um telescópio que ele mesmo poliu com precisão obsessiva, encontrou algo que mudaria a ciência para sempre.

Urano foi o primeiro planeta descoberto por meio de um telescópio e também aquele que nos ensinou que o universo é muito mais extenso, complexo, estranho e maravilhoso do que supõe a nossa vã filosofia. 

Pallas: a rebelde que "quebrou" o Sistema Solar


Se a descoberta de Ceres foi um triunfo da matemática, a chegada de Pallas, em 28 de março de 1802, foi um verdadeiro choque de realidade. Ela foi o segundo objeto do Cinturão a ser encontrado, mas sua existência trouxe mais perguntas do que respostas.

O OCDM te convida a entender por que essa “batata gigante” é a responsável por uma das principais crises de identidade do nosso sistema. Aperte os cintos, mas não ouse abrir esse pacote de batatas-fritas enquanto estivermos a bordo.

Homer Simpson Astronauta (Reprodução/Matt Groening/21st Century Fox/Disney)

Bastidores do eclipse... que eu não pude ver

Infelizmente, nem meu hercúleo esforço para acordar muito cedo para acompanhar o eclipse foi páreo para a realidade: empolgada, esqueci-me de verificar que a Lua se poria em Curitiba por volta das 6h da manhã. Não deu ruim porque a vista compensou tudo, mas vou precisar aguardar uma combinação de estar no lugar certo e com as condições climáticas apropriadas.

Eclipse Lunar Total | 16 de maio de 2022

Esperei a “oportunidade perfeita” para publicar, mas o perfeccionismo foi o carrasco da intenção. Conto com recursos limitados para produzir o blog, mantendo o hábito por amor e necessidade de falar, nem que seja sozinha. Entretanto, apesar dos registros bastante simplórios para um evento da dimensão de um grande eclipse, eternizar esses momentos especiais faz parte da minha própria história.

Você se lembra de onde estava em 16 de maio de 2022?

🌒 Eclipse Lunar Total | 3 de março de 2026



A temporada de eclipses de 2026 começou em 17 de fevereiro, porém o fenômeno só pôde ser visto na Antártida e partes da Oceania. Entretanto, nesta terça-feira (3), se as condições climáticas colaborarem, o Eclipse Lunar Total será visível em todo lugar onde a Lua estiver acima do horizonte

Diferente do eclipse solar de duas semanas atrás, onde a Lua bloqueou o Sol, aqui é a Terra que se coloca entre os dois. A Lua entra na sombra do nosso planeta (Umbra).

Ceres: o gigante discreto do cinturão

 



Você sabia que, por quase 50 anos, os livros escolares ensinavam que Ceres era o oitavo planeta do Sistema Solar? 

Muito antes da descoberta de Netuno e da polêmica de Plutão, o “Rei do Cinturão” já brilhava nos almanaques e o OCDM te convida para uma viagem pelo tempo (e pelo universo também) para mergulhar numa história repleta de reviravoltas de deixar o sol de queixo caído.

18 de fevereiro | Descoberta do planeta Plutão

 

Captura de tela de Plutão (Reprodução/Stellarium)

Dizer isso entrega a minha idade, mas sou do tempo em que Plutão era considerado o nono planeta do Sistema Solar. Cresci com essa configuração na cabeça e recordo até hoje da musiquinha que a professora da terceira série inventou para nossa turma gravar a sequência planetária. Entretanto, em 2006, a ciência resolveu mudar as regras do jogo e rotulá-lo como “planeta anão”.

Se você gosta de histórias com reviravoltas e descobertas intrigantes, ajuste os cintos e respire fundo porque o ônibus espacial do OCDM te conduzirá por uma viagem muito especial pelo tempo e pelo Cosmos.

🌒 Eclipse Solar Anular | 17 de Fevereiro de 2026



Nesta terça-feira (17), o céu reserva um espetáculo geométrico raríssimo: um Eclipse Solar Anular. O fenômeno ocorre quando a Lua Nova se alinha entre a Terra e o Sol, mas, por estar em seu apogeu (mais distante de nós), não cobre o disco solar por inteiro, criando o deslumbrante “Anel de Fogo”.

Destaques do Fenômeno:

  • Magnitude — 0.963 (quase 97% do diâmetro solar será ocultado).

  • Duração — O ápice da anularidade durará apenas 2 minutos e 20 segundos.

  • Onde ocorre? — É um evento exclusivo. O caminho da sombra atravessará a Antártida (Terra de Wilkes).

  • Visibilidade — Partes do sul da África e Austrália verão o sol “mordido” (eclipse parcial). No Brasil, infelizmente, não teremos visibilidade.

🛡️ Significado Astrológico: o despertar da individualidade

  • A Sombra na Identidade — O Sol representa o ego, a nossa “luz” externa. Quando a Lua (as emoções) passa na frente dele, mas deixa as bordas brilhando (o anel), isso significa que você está sendo convidada a olhar para o que brilha em você, mesmo quando tudo ao redor parece escuro.

  • Aquário e a Liberdade — Esse eclipse fala sobre libertação de padrões antigos. Isso ressoa muito com Aquário, que é o signo da independência e do futuro. O eclipse está dizendo: “O que não te serve mais precisa ser deixado para trás para o novo poder entrar”.

  • O “Anel de Fogo” — Representa um foco intenso. Não é uma escuridão total, é um círculo de luz. Na astrologia, isso sugere que você precisa focar na sua essência, naquilo que é imutável em você, enquanto o caos externo tenta te apagar. 🌌

Mesmo distante e invisível para nós, eventos como este reforçam a precisão matemática do nosso sistema solar. No entanto, para quem é fã de eclipses, o próximo ocorrerá daqui a duas semanas, na terça-feira (3), quando o fenômeno será visível aqui no Brasil, caso o tempo colabore.

Destrinchando a Letra | Moments of Love — Cathy Dennis

Depois de revisitar uma das músicas mais marcantes de Confissões de Laly na última edição do Destrinchando a Letra , resolvi aproveitar o e...