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Insurgente





Não quero pensar no que será de mim daqui para frente. Os batimentos cardíacos estão voltando ao ritmo habitual. Encontro-me distante do labirinto cinzento e gradeado, o uniforme da despersonalização descansa numa mureta, onde aposento também esse personagem que consente com a própria degradação.
Até nunca mais.
Se pensasse duas vezes, estaria escondida numa cabine qualquer do banheiro feminino, apenas adiando o intolerável. O balde é imenso, mas nunca é bom subestimar a intensidade com que a última gota arrasa o que estiver pela frente. 
Se não havia saída, acabei de encontrar a porta entreaberta, o frio na barriga compensa o "não saber" do meu dia de amanhã. Vi tantos anos se passarem sem sequer me sentir gente, preciso me lembrar que existe algo muito pior do que não realizar um sonho: deixar de lutar por ele em razão do medo ou por acreditar naquela lorota de "não merecer".

💌 Carta a quem acha que não é bom o bastante


Às vezes, eu me sento diante da tela e penso: para que escrever, se há tanta gente melhor?
Tanta gente com mais técnica, mais vocabulário, mais confiança, mais seguidores. Sou assaltada por aquele velho pensamento que sussurra que nada do que eu diga tocará ninguém, ou que seja algo além de bobagens jogadas num limbo qualquer da internet (e mesmo fora dela).
Ainda assim, escrevo. Porque preciso. Porque é meu respirar, mesmo quando as mãos do mundo tentam empurrar minha cabeça para debaixo d'água.
Não quero ser genial nem inventar roda nenhuma, só quero ser sincera, que se algum dia alguém me ler, sinta haver uma pessoa real por trás das palavras, alguém que tem dúvida, teme e se levanta mesmo com a voz hesitante e o choro preso na garganta. 
Se escrevo bem?
Já ouvi que sim. Outros tentaram e ainda tentam me convencer do contrário. Entretanto, o que me move é a vontade de externar tudo que o silêncio não consegue nem faz questão de segurar. 
No fundo, não almejo ser a melhor, nem a mais popular, nem desbancar ninguém, só ser sentida… é por isso que mesmo com todas as mordaças invisíveis, o peso do grafite sobrevive e desenha aquele amanhã que ainda vive só no plano das ideias, mas vívido o suficiente para me manter de pé.
Se eu não arriscar, como vou querer dar meu salto de fé, evoluir, algum dia ser o farol de alguém?
Lógico que hoje eu ainda estou a mil anos-luz da perfeição, de escrever com a maestria desejada, mas desistir só prolonga o processo. E ninguém tem tanta certeza assim, a eternidade não está em jogo.
Talvez a perfeição seja um fantasma que me impede de abraçar a verdadeira essência e aceitar que o feito é perfeito não pela ausência de erros, mas sim porque se permitiu existir. Foi o suficiente, mesmo quando tentem dizer que não.


— Mary Luz ✨

Sala de travessia


Não estou mais no começo, mas também não cheguei ao fim. Vivo nesse meio-termo onde nada é definitivo e tudo ainda pode mudar.

Distante de ser uma obra-prima



Antigamente, eu amava muito ficar acordada até tarde da noite, tudo para ouvir música e imaginar as aventuras dos meus personagens. De tanto sonhar acordada, nem sempre me sentia disposta a transcrever tudo que se passava na minha cabeça, pelo perfeccionismo disfarçado de medo, ah, medo de não ser boa naquilo, de não ser criativa ou "normal".

É assim que a vida é

Estou me conhecendo e dispenso interferências nesse processo. Permita-me elaborar minhas próprias perguntas. Desabrochar exige sacrifício e certos elos são sagrados. Ser quem sou é doloroso. O meu melhor lado sempre sufocado e oprimido para adequar-se aos tais conformes que sempre me desviaram por tabela. Tudo bem, é assim que a vida é. 

fantasmas 👻👻👻

 


setembro 14, 2022

fantasmas 👻👻👻

23:03 |

 

Era noite de sexta-feira quando senti uma angústia difícil de ignorar porque a princípio parecia tudo bem, levando em conta os critérios pessoais, aliás, a luta para ficar bem é o que me mantém porque Marte em Áries não me deixa esmorecer, no entanto, não se pode ser forte o tempo inteiro. 

Respirei fundo, mas a vontade de chorar permaneceu. Carrego saudades em meu coração, mas a maior ausência nessa fase da minha vida é de mim mesma, não é de um amigo ou um amor, embora não tenha nem um nem o outro. 

E eu, que sempre pirei só de pensar em uma rotina monótona, hoje, com conhecimento de causa, posso bradar que existe vida ao abdicar de um sonho, porém o preço a pagar é alto e as decisões tomadas com base na impulsividade são fantasmas em meu encalço.



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Bolinha, a cachorrinha

Bolinha, a cachorrinha 🐞

Mais um dia de aula chegava ao fim, o quarto ano também. Aquele percurso era conhecido, já o fazia desde o início das aulas. Aquela rua de barro era um ótimo atalho para cortar caminho e não passar pela avenida onde o fluxo de veículos era mais intenso.
Crescida o suficiente para não mais irromper em lágrimas no caso de meus pais atrasarem-se um pouco para me buscar no portão, no entanto, sem permissão para realizar aquele percurso sozinha. Eu lutava sobremaneira pela causa, com queixas contundentes e manifestações ardentes por “liberdade”.

Não olhe para trás!


Enquanto você chora ao rememorar um passado que já está morto faz muito tempo, o presente te estende as mãos para te dar um presente. 

Ter medo de amar já é se magoar

 


A mentira

 Curitiba, 30 de novembro de 2015. 


A mentira coloca fogo em tudo aquilo que foi semeado com confiança, mas reconheço algo pior do que isso: mentir para si mesmo se incentivando a acreditar nas palavras vazias ditas para se ter o controle do incontrolável. Não é uma perspectiva interessante de abordar, porém é comum acontecer.
Mentir para si mesmo, da ilusão se convencer.
Não se sabe ao certo os motivos, contabiliza-se, portanto, os danos, que são muitos, todavia com sinceridade afirmo que perder o amor de alguém querido já é um castigo, uma irreparável sequela para se carregar no coração. 

Você também procura dormir pra fugir um pouco desse mundo estranho?

 Curitiba, 19 de novembro de 2015. ♥

No mundo dos sonhos não existe distância, é por isso que eu amo dormir, porque eu posso sonhar e com sorte te encontrar.
Sonhar para me confortar.
Quando eu amanhecer, a luta recomeçará.
Esse ano ruim insiste em passar devagar. Dele não quero me lembrar. De tudo de ruim que me aconteceu, nada doeu mais do que quando eu soube você não vai mais voltar.
Choro desde então. Não tem remédio.
Falta-me o ar.
Chove tanto que nem posso dividir meus devaneios com a lua, então quero dormir, quero dormir enquanto puder, mesmo que nada tenha se resolvido quando eu acordar.
Você escolheu ir embora e ninguém pode te obrigar a ficar se você não quer.
Ainda que eu quisesse te ter de volta.
Sei que você está vivo e que ainda é possível que nos encontremos para eu te dar o abraço que há anos estou guardando para te dar.
Um abraço apertado e generoso.
Apertado como o meu coração que chora sem consolo.
Para essa ferida aberta quem sabe o tempo seja o senhor.
Mas nem essa ferida mata o que de bom vai ficar gravado.
Você também procura dormir pra fugir um pouco desse mundo estranho?

Eu fico na expectativa de que você diga por primeiro

 Não saber onde está você, isso acaba comigo. Todo dia um pouquinho.

Queria te prometer que não vou chorar, mas seria muito cinismo da minha parte renegar as emoções que estão se manifestando em meu peito. Não adianta chorar em outros ombros, eu queria o seu.
Eu traçaria pontilhados para diminuir a distância, desenharia um coração vermelho novinho em folha no lugar desse estabanado, seria menos orgulhosa.
De que modo eu posso dizer que estou com saudades?
Eu fico na expectativa de que você diga por primeiro.

Mary Princess

Cinco anos sem você, vó

Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...