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Quando o desamor vem antes do amor


Como reconhecer carinho, respeito e interesse genuíno depois de uma experiência que nos ensinou a ter medo?

Quando a gente experimenta um desamor antes de um amor, nossa percepção fica toda distorcida. Depois de um abuso, a gente tenta internalizar a culpa porque parece bem mais "fácil" do que aceitar que uma pessoa escolheu machucar a gente.

No fundo, aquela alegria de viver vai desaparecendo, até que a gente se pega só sobrevivendo, escondendo partes da gente para não ser machucada de novo, talvez escondendo a feminilidade, se protegendo sempre de qualquer investida.

A gente fica pensando se existe homem apaixonado capaz de aceitar a gente ou se não passa de uma lenda... mesmo já sendo grande demais para acreditar em Papai Noel.

Mesmo que um est#pr0 tenha acontecido há onze anos, as marcas no corpo e na alma foram profundas e reais porque afetaram minha forma de enxergar o amor e o mundo. 

Não é vitimismo, é a minha realidade. Eu não quero acreditar que só existe Jurandir escroto e que os possíveis caras legais já estão comprometidos, então escrevi essa lista idiota para tentar internalizar que, sim, um homem pode gostar de uma mulher e, talvez, só talvez, exista uma chance de gostar de mim... sem me estuprar e me jogar no lixo.

Às mulheres que nunca precisaram ser a que sobra

 


Você já parou para pensar na mulher que está sentada ao seu lado enquanto conta, pela enésima vez, suas histórias de amor? Naquela que escuta seus romances, suas conquistas, seus encontros, os homens que se apaixonaram, os que supostamente seriam apaixonados e aqueles que continuam tentando chamar sua atenção?

Já se perguntou se ela também tem histórias para contar? Se algum dia teve a oportunidade de viver experiências semelhantes? Se esse assunto, aparentemente tão corriqueiro para você, não representa uma ferida que ela carrega há anos?

Talvez não.

Às vezes, o problema não é o livro

Há uma grande probabilidade de você já ter vivido essa situação de encontrar um livro que te arrebata porque a capa é muito chamativa, a sinopse desperta curiosidade e a própria narrativa te prende de um jeito tão intenso que você hesita entre devorar as páginas de uma vez ou ir devagar para prolongar aquela companhia. 
A combinação harmônica desses elementos geralmente prenuncia uma ressaca literária das bravas, cinco estrelas (talvez), concordâncias, discordâncias, dúvidas sobre continuações ou a coerência do final. Entretanto, nem todo encontro deixa aquela saudade boa e a promessa de um reencontro. 

Mary Recomenda | A Amiga Maldita - Beatrice Salvioni

 📖 A Amiga Maldita, de Beatrice Salvioni

Quando o título engana e a verdade emociona

Autora: Beatrice Salvioni
Gênero: Ficção histórica, drama psicológico
Páginas: 336
Publicação: 2023
Ambientação: Itália fascista sob o regime de Mussolini

Laços esgarçados

Por desconhecer meu próprio valor, me contentava com as migalhas de atenção.


Aquele gelo no estômago seguido de um estado de torpor era familiar, uma porta escancarada para outra crise; crescendo dentro do peito a vontade de sumir sem dar notícias a ninguém; dormir para não ser atormentada pelo tsunami de pensamentos intrusivos. Meu castelinho de cartas ruía com certa facilidade, após tanto esforço para erguê-lo, reconheço a fragilidade estrutural e a teimosia que me acorrentou a um ciclo de carência e profunda vulnerabilidade.

Tudo pela ideia de alguém gostar de mim


 

Estou a léguas de ser a maior simpatizante ao Dia dos Namorados. De fato, nunca foi minha data favorita no calendário, pelas mais diversas razões, que não vêm ao caso, embora se relacionem à hipocrisia e ao péssimo estigma da condição de “solteira” como sendo alguém que supostamente falhou no cumprimento das expectativas da sociedade e ainda não se realizou.

Uma ingrata espera

 

A presunção tenciona uma ideia bastante perigosa: a de agir com o entendimento de hoje se porventura me fosse concedida a dádiva de voltar ao exato ponto onde tudo se perdeu. Divagações expostas em parágrafos polidos não consolam uma alma em frangalhos, no entanto, a projeção mais benquista de caminhos refeitos aponta para um desfecho mais agradável: nunca o ter conhecido.
O bolo na garganta acumula todas as sentenças jamais proferidas, tolhendo a livre expressão, abrindo caminho para a angústia fazer morada no peito. Pensamentos intrusivos sussurram que não passo de um erro, um acidente, sem propósito algum no livro da vida, a conjunção adversativa largamente utilizada pelos covardes para desconversarem.
Os juros cobrados pela omissão foram altos.

Um passo de cada vez

 O que foi bom ou não segue no passado. O verbo esclarece. Uma parede ergueu-se para que o retorno não me seduza com promessas falaciosas. Tenho o que preciso. 

O dom de recordar e descrever, de sentir sem me perder.

os sinais estavam claros desde antes da explosão

  Sempre prometo não me envolver, mas quebro meu próprio juramento quando o preço do silêncio me chama à realidade. Injustiças me tiram do s...