E não é sempre por maldade — às vezes é por imaturidade, desatenção ou medo.
Mas machucam.
Passei por esses.
E, por muito tempo, achei que era tudo o que havia para mim.
Me acostumei a pedir pouco, a aceitar restos, a justificar ausências com frases que eu mesma inventava.
Fui me apagando aos poucos, torcendo para que alguém, um dia, me enxergasse inteira.
E então, sem aviso, chegou alguém que não sabia das minhas dores.
Não me prometeu curas, nem jurou finais felizes.
Mas ficou.
Ficou com paciência.
Ficou quando eu mesma não sabia se queria ficar.
Não tentou consertar meus pedaços — só os respeitou.
E foi assim que descobri haver amores que chegam depois da tempestade e não perguntam o que houve.
Apenas estendem um cobertor, servem um café e dizem, com os olhos:
“Você não precisa mais lutar sozinha.”
Ele não foi o herói da minha história.
Nem precisava ser.
Foi apenas alguém que soube não ferir o que já estava doendo.
E isso — só isso — já foi cura.
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