Feliz aniversário, irmã!



Seu aniversário coincide com a cerimônia de abertura da Copa do Mundo deste ano, igualzinho a 2010 e também 1998. Além disso, nós duas nascemos em quintas-feiras de anos bissextos, com a Lua na fase crescente, em dias ímpares. Só não falei sobre o frio que faz (quase) todo ano porque ainda não cheguei a essa parte. É questão de tempo.

Lembro daquele seu aniversário de céu límpido e gelado, quando o jeito foi comer de luva mesmo, do outro em que fomos assistir Madagascar 3 nos cinemas e eu peguei o brinde do vagão azul dos Pinguins, daquele ano da pandemia em que comprei uma luminária personalizada porque não dava para sair de casa, ainda faltava um tempo até a vacina chegar para a galera da nossa idade e a intenção era tornar o momento inesquecível dentro das possibilidades

Essa cartinha está indecisa se segue o caminho de um depoimento do Orkut ou de uma versão repaginada do Arquivo Confidencial, mas tento sempre derramar criatividade e afeto em tudo que faço, para que o texto não seja algo genérico, sem emoção, sem alma. 

Acompanhar a sua trajetória é compreender o porquê de cada conquista ser uma luzinha acesa no painel de sonhos realizados. Quem vê o prédio praticamente pronto costuma desconsiderar todas as etapas do processo, sem mensurar o esforço empenhado, a dedicação, as renúncias, as crises de confiança, o frio na barriga por desbravar um território desconhecido e aceitar a própria vocação, reconhecer o próprio merecimento. A impostora vai querer contar umas lorotas no seu ouvido; não a ouça. Ela é só um ruído desagradável tentando te desconectar do que te faz bem, te limitando de acordo com a visão obtusa de quem nem sequer arrisca.

Quando uma mulher conquista esse espaço, está pavimentando caminho para outras, e não fechando as portas, como é comum pensar. Você me ensinou que acreditar é muito importante; no entanto, sem agir, os planos continuam fadados ao rascunho. Ninguém vai fazer o trabalho duro no meu lugar. Só o que vai acontecer é o tempo passar, a vida perder o sentido, se resumir a uma rotina opaca, sem graça, sem propósito. Quando o medo de fracassar fala mais alto do que a sede de vencer, não adianta culpar pessoas e circunstâncias. A resposta é indigesta, mas libertadora.

Você me ensinou que devemos deixar o passado no passado, usar a tesoura com parcimônia para desatar nós que só servem para atrasar a evolução; isso serve para uma porção de coisas. A qualidade das amizades supera a quantidade. Quem não faz questão, não merece textão, não merece nada. Poucos aplicam o minimalismo com verdade como você aplica, diminuindo a bagagem, conscientes de carregar somente o necessário e sabendo desapegar quando a vida pede.

Me desculpa se minha escrita estiver enferrujada; passei uns bons anos sob liberdade vigiada, tentando fugir dos meus sonhos para evitar me destacar e "incomodar" algumas pessoas. Se não fosse a sua intervenção lá no comecinho deste ano, talvez eu estivesse ainda medindo as palavras e respirando o medo que me paralisou por muitos anos. Senti-me na época da escola, quando uma amiga mais forte e corajosa dava uma prensa no valentão ou na valentona da vez e o alecrim mofado me dava uma trégua.

Aquele instante foi um divisor de águas e me recolocou nos trilhos; contudo, a raiva de mim mesma só complica e retarda o processo de cura — ainda não me perdoo por ter acreditado em mentiras tão ridículas, pelos anos perdidos, por tudo que deixei de fazer em razão do medo — e me sinto encurralada. 

Quando você diz acreditar no meu potencial, algo que você já demonstrou além das palavras, penso se realmente mereço todo amor e suporte que você me oferece. Você comprou as primeiras versões das minhas primeiras (tentativas de) autopublicações, sempre foi a incentivadora na primeira poltrona da primeira fileira do auditório, pronta para aplaudir. Hoje sou eu a ocupar esse espaço, o que é muito bom; ovacionar o seu florescer é ver a vida continuar e confirmar na prática que nossos sonhos se realizam quando chega o momento; nem antes, nem depois.

Quero que seu novo ciclo seja tão doce quanto o recheio do bolo, mais leve que o voo de uma joaninha, mais iluminado do que um amanhecer na praia, mais divertido do que brincar com o cachorro, mais disposto do que alguém que acorda às 5h da manhã para treinar. 

Que a saúde seja abundante para que você possa sonhar ainda mais alto, para que seus pés tenham a honra de caminhar sob as calçadas de Paris, Barcelona, Praga, Tóquio; para que, por meio da sua vocação, você possa auxiliar muitas pessoas que precisam do seu trabalho e serão gratas por ele eternamente. 

Que a prosperidade seja uma companheira constante nos seus dias, preenchendo todos os potinhos relevantes. Quem a conhece pessoalmente sabe da sua generosidade para com todos, sem olhar a quem, do seu altruísmo e da sua empatia enorme, do seu senso de justiça e da maturidade dos seus conselhos.

Às vezes, esqueço de dizer o quanto é incrível poder conversar com você todos os dias, até quando você me dá uns puxões de orelha e me recorda de que há muitas formas de enxergar uma mesma situação. Quero comemorar muitos aniversários seus e — com alguma sorte — tentar escrever uma cartinha especial, que te abrace nas noites mais frias e seja um farol em meio à escuridão.

Obrigada por existir. Obrigada por tudo. Obrigada, acima de tudo, por você ser quem é. Te amo muito.

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Feliz aniversário, irmã!

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