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| Após a chuva de verão (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
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| Após a chuva de verão (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
"Eu não sou uma fraude por não saber tudo porque tenho a humildade de buscar aprender o que não sei. Minha força não está na perfeição da regra, mas na precisão da minha observação, de rir dos meus erros."
Existem dias em que o mundo tenta nos reduzir a uma função, a um número, a uma fila. Ele já me venceu algumas vezes, mas a verdade é que ninguém pode confinar uma mente que cria. Hoje recebi afeto puro, senti o sol e decidi minhas metas. Amanhã, posso estar em qualquer lugar, mas meu coração permanece aqui, nesta clareza.
Envelheci 20 anos nas duas últimas semanas ou sem os óculos de sol que as ondas arrastaram, a realidade ganhou contornos de uma nitidez inquestionável? Olha eu tentando falar bonito e me pagar de cronista extraordinária, quando não passo de uma reles escrevinhadora, a apelar sem muita firmeza para a falsa modéstia, quando o que não tenho mais é tempo para depreciações.
Toda essa comoção sobre “2006 já fazer 20 anos” não é só papo de rede social. A Copa na Alemanha, de tão decepcionante desfecho, completa duas décadas. Era o primeiro passo de uma longa e insegura travessia, ninguém de nós sairia ileso dessas porradas que a vida dá, às vezes na surdina, sem motivo, só porque estar na chuva significa se molhar e arriscar perder tudo, até mesmo aquilo que nem se tem.
Sandy Leah muito bem cantou sobre ter grandes sonhos, as costas doerem, ser jovem demais para ser velha e velha demais para ser jovem. Há anos vivemos nesse limbo paradoxal, mesmo porque cada geração vivencia uma época da vida em um contexto bem diferente dos nossos pais e avós.
Com a mesma idade, minha avó tinha uma casa própria. Mamãe tinha uma filha adolescente e um veículo velho na garagem, eu mal tenho uma casa para chamar de própria. Quanto aos filhos, só os de quatro patas e olhe lá, não está fácil mimar a cambada.
Há alguns meses sem escrever poesia, foi no meio de uma crise que finquei em palavras o que queria escrever na pele. Eu não precisava sangrar no sentido literal, mas poderia muito bem resgatar o velho hábito de externar no papel todo o peso que a mente carrega por pensar e sentir demais, num nível quase insuportável.
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| Joaninha no fim de tarde (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
📚 Os Cadernos de Marisol
🌳 Toda árvore começa pequena. Algumas crescem sozinhas, outras em meio a roçados, quintais, calçadas rachadas ou matas esquecidas. Todas carregam história. A nossa também.
O Dia da Árvore é celebrado no Brasil desde os anos 1970, mas ganhou mais atenção com a expansão da educação ambiental na década de 1990. A escolha do 21 de setembro, próxima ao início da primavera no hemisfério sul, tem valor simbólico: é o tempo do florescer, do renascer, do verde que insiste mesmo depois do cinza.
Escutam segredos.
Guardam risos de infância.
Amparam balanços de pneu, festinhas de aniversário, tardes de tédio.
E são as primeiras a sentir quando a rua muda, quando a cidade se apressa, quando a vida corre demais.
🌿 Toda árvore é também um diário que não responde, mas sempre está ali.
Ipê-amarelo, símbolo nacional da resistência
Pau-brasil, cuja exploração marcou nossa história
Castanheira, que guarda sementes imensas e histórias maiores ainda
Jacarandá, cedro, peroba, seringueira, aroeira, jequitibá
📖 “O meu pé de laranja-lima era o meu segredo. A única criatura do mundo que sabia que eu estava triste.”
Zezé encontrou numa árvore o que faltava nos braços da própria casa.
Em Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos plantou uma amizade que chorava, sonhava e partia — como tantas infâncias marcadas pela dureza do mundo. E talvez por isso esse livro tenha marcado tanta gente: porque lembrar de uma árvore é também lembrar de como a gente sobreviveu.
🌼 Já Rubem Alves via nos ipês-amarelos uma forma de resistência da beleza.
Amava observar quando floresciam em setembro, mesmo depois do frio, mesmo com a cidade indiferente.
Dizia que os ipês ensinavam o valor da surpresa, da gratuidade, do encanto que não serve para nada — e por isso mesmo é essencial.
“As flores dos ipês são inúteis. E talvez por isso mesmo sejam tão importantes.”
🌳 Zezé se despediu da sua árvore com lágrimas.
Rubem abraçava as suas com palavras.
E nós seguimos — lembrando, plantando, florindo… à nossa maneira.
⚠️ AVISO IMPORTANTE Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das ob...