Mostrando postagens com marcador relíquia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relíquia. Mostrar todas as postagens

Simplesmente Tita | Teasers de músicas

Decidi compartilhar com vocês alguns testes que fiz com o novo recurso do Gemini,que permite criar músicas. Na versão grátis, os créditos são poucos e o tempo de duração também é curtinho, 30 segundos. Na versão pró talvez seja possível explorar melhor a sonoridade, porém esses vídeos são algumas das tentativas de versos que são de minha autoria, mas ganharam uma sonoridade toda especial.


SiMpLeSmEnTe TiTa 15 anos | A fuga

 26 de abril de 2002.

As costas estão em carne viva, nem maquiagem disfarça esse olho roxo, mas para colocar em prática meu plano de última hora, precisei ter sangue-frio (quase congelado) para aturar as provocações da minha mãe. Meus amigos ficaram em choque ao me verem com a cara de quem chorou a noite toda.

Que foi isso no seu olho, Tita?”, quis saber Rodrigo. “Até parece que levou um soco!

Júlia deu um puxão no capuz da jaqueta dele, que se calou de imediato.

Poxa, Tita. Cadê o seu pai nessas horas?

SiMpLeSmEnTe TiTa 15 anos | Com ela não tem conversa, só cotovelada no olho

25 de abril de 2002. 

Tudo que poderia dar errado na apresentação, deu. Andréa foi repreendida várias vezes por falar baixo, eu gaguejei olhando para o sargentão de saias, Rodrigo usou gírias para explicar o conteúdo e emitiu juízos de valor, descendo a lenha na Igreja Católica — ainda bem que a D. Arlete não estava lá para ouvir, Júlia se empolgou com o assunto e Priscila não segurou a crise de riso. Resultado: fomos esculachados pela velha coroca e ficamos de castigo até às 13h, que nem naquelas detenções de filmes norte-americanos.

Arquivo Malacubaca | A estréia de Noviça (1984)

Boletim Extraordinário - Estreia da Noviça (1984)

Boletim Extraordinário

Direto do Túnel do Tempo - 21 de Abril de 1984

"Três mortes. Um só endereço. E um feriado que entraria para a história da Malacubaca."

Foi nesse dia estranho que a jovem repórter Carmen Angélica Esteves, recém-contratada da Malacubaca, entrou no ar pela primeira vez. Conhecida como Noviça — apelido que ainda era motivo de cochichos nos bastidores da redação —, ela foi escalada para cobrir o expediente do feriado de Tiradentes enquanto os colegas mais experientes descansavam nas praias do litoral sul.

O plantão, que prometia ser monótono, virou um turbilhão: três óbitos consecutivos no mesmo endereço, uma velha pensão do centro de Balneário dos Anjos , abalaram o noticiário e colocaram a cidade em estado de alerta.

As vítimas

  • 01h32: O senhor Isaías Porto, relojoeiro aposentado, foi encontrado sem vida em seu quarto. Suspeita inicial: ataque cardíaco.
  • 04h15: A jovem Mirtes Maria, datilógrafa de 24 anos, apareceu morta na lavanderia da pensão. Suspeita: queda acidental.
  • 07h00: A dona da pensão, Raimunda das Dores, 63 anos, foi encontrada sem sinais vitais na sala de estar. Suspeita: envenenamento.

"Coincidência demais?" — indagou Noviça

Em sua cobertura dramática, a repórter não se contentou com os laudos iniciais e lançou hipóteses ao vivo sobre a existência de uma possível maldição na casa, ou mesmo de um assassino silencioso agindo na madrugada. Seus trechos narrados com voz embargada e olhos arregalados marcariam o estilo da jornalista dali em diante.

“Quem se beneficia com a morte da proprietária da pensão?” — perguntou, em tom conspiratório. “E o que une essas três vítimas? Seria um caso de vingança antiga, ou apenas o destino zombando de nós?”

O principal suspeito

A Noviça apontou o inquilino do quarto 8, o misterioso Seu Reinaldo, como possível elo entre as três vítimas. Ele havia discutido com Isaías dias antes, era ex-namorado de Mirtes e devia dinheiro a Dona Raimunda. Fugiu da cidade naquela manhã e nunca foi encontrado.

O desfecho do caso

As autoridades arquivaram o inquérito como coincidência trágica, mas a cobertura de Carmen Angélica virou lenda interna na Malacubaca. Com três enterros cobertos em menos de 12 horas, ela ganhou fama de "repórter do além" e passou a cobrir casos cada vez mais macabros.

Anos depois, transformaria sua voz e sua verve mórbida no programa Madrugada Animada, onde contava contos da cripta, histórias de amor fadadas ao fracasso e especulações cósmicas envolvendo OVNIs e perfumes vencidos.

Do papel para o digital — mas com o coração no mesmo lugar

 Do papel para o digital — mas com o coração no mesmo lugar

Ilustração baseada em agenda de 2005 com frase sobre o valor do meio da história.
Ilustração da minha agenda de 2005 

Por Mary Luz

Ah, as agendas. A liberdade de escrever nelas tudo que dava vontade. A letra de uma música. Um poema tocante. Frases, sempre elas. Um lampejo de lucidez. Inspiração inesperada. Idéias que jorraram do tubo de caneta para o papel, pedindo licença pela intensidade do fluxo, jamais pelo posicionamento. 

Porque pedir desculpas por ser real é um negócio que não tem fundamento.

Terças com Tita | Quando o Aurélio voou: a vingança ortográfica de Arlete


📎 Nota da narradora:
Desde a publicação do post sobre a famigerada "AUTORIZASSÃO" — que rodou o CEPEM mais rápido que bilhete de sala para sala — fui cobrada a contar o que aconteceu depois.
Afinal, bilhete mal escrito é uma coisa…
Agora, dicionário voando?
Isso foi história.

E como diria D. Arlete: “o castigo vem antes da aula de reforço”.
A seguir, os fatos que abalaram a honra linguística de uma mãe-professora.

Terças com Tita | O dia em que ‘AUTORIZASSÃO’ quase virou caso de polícia


 

O dia em que ‘AUTORIZASSÃO’ quase virou caso de polícia 

Por Tita


O ano era 2003, o segundo do Ensino Médio. Fevereiro, o pior mês para uma roqueira no auge da adolescência (ou aborrecência para os pais) viver em solos tupiniquins, mesmo que Curitiba nunca tenha sido um dos points para quem curte folia. Todo ano a lesma lerda, enquanto no Dia Mundial do Rock, nada de atenção. Eu não aguentava mais.

Quando o Carnaval cai em março, o primeiro feriado para valer fica para abril, cujos nativos talvez vivam o mesmo dilema da galera nascida em dezembro, ganhar um presente de aniversário + [data comemorativa da vez], no caso, Páscoa e Natal, respectivamente.

Com 15 intragáveis anos nas costas e uma licença poética silenciosa para fazer cagadas, meu mau-humor afugentava até o capiroto. Eu já acordava soltando os cachorros e queria trucidar o primeiro que me aparecesse com um sorrisinho no rosto às sete e tantas da manhã.

Tudo bem que ninguém tinha culpa se minha vida era uma sucessão de provações (leia-se provocações), mas eu estava para o crime naquele dia. Guilherme, meu então namorado, deve ter percebido. Como diz o ditado: uma coisa leva à outra.

Arquivo Malacubaca | O feriado dos Boletins Extraordinários (1998)


Por: Carmen Angélica Esteves – Noviça, em carne, osso, formosura e muito café na causa 

Para quem gosta de feriados prolongados, abril de 1998 foi um baita mês. Páscoa e Tiradentes. Metade da redação folga, a outra metade opera na capacidade máxima, não contei nenhuma novidade. Não foi diferente naquela ocasião.
Na Páscoa eu comi tanto chocolate que nem podia mais ver na frente, assistindo a todos os filmes que peguei na locadora. Combinei que “pagaria" a troca no feriado seguinte, subestimando a lógica universal dos plantões especiais na redação.
O plantão de Tiradentes começou na sexta-feira (17) e terminou na quarta-feira (22), porém aqueles foram dias intensos que pareceram semanas, mas o clima soube enganar bem. E como enganou.
 

Arquivo Malacubaca | 100 anos em 10, por Lulu

Lulu preparando os slides para apresentar seu governo


Lulu surge como um raio de extravagância. O escritório improvisado é pura confusão organizada: papéis espalhados pela mesa (não lidos e estrategicamente posicionados para parecerem importantes), uma caneca de café (provavelmente gelado, claro) e uma bandeira do Brasil pendurada de forma dramática no fundo, quase como se fosse um altar. A trilha sonora de O Guarani eleva o momento, fazendo parecer que ela está prestes a declarar guerra ao caos. 
A atriz está impecável no conjunto de saia e blazer marrons — com a saia tão justa que parece desafiar as leis da física. Os óculos são ajustados no rosto com toda a seriedade do mundo, enquanto a faixa presidencial do 1,99 brilha como se tivesse sido banhada em ouro. Ela sorri, confiante, e começa seu discurso em tom quase cerimonial:
— Boa noite, Brasil! Hoje é um dia histórico, porque eu, Lulu, vim apresentar o plano de governo que vai mudar a sua vida. Eu, Luciana Andrade, me autodeclaro candidata à Presidência da República, porque ninguém representa melhor a nação do que eu. A propósito, eu nunca nem ouvi A Voz do Brasil, sempre desligava o rádio antes. Hoje convoco todos os brasileiros a acompanharem essa live ao vivo onde apresentarei os projetos que transformarão o Brasil. Acompanhem os slides!
No primeiro slide, surge em letras gigantes com efeitos de glitter: crescer 100 anos em 10.  
— Tá aí! O slogan que vai ficar na memória de todos vocês. Crescimento rápido, sem enrolação, porque eu sou prática e faço acontecer!
Lulu compartilha a tela e os espectadores veem uma apresentação de slides. O primeiro, inclusive, contém os 100 anos em 10 com fontes exageradas e glitter digital.
— Brasileiros e brasileiras, hoje estou aqui para trazer a verdade que ninguém tem coragem de contar. Porque eu sou a Lulu, a voz do povo, e no meu governo, o Brasil vai avançar 100 anos em 10, igual o FHC fez com Brasília e os 50 anos em 5… recolocar o Brasil nos trilhos do progresso!
Podemos presumir que Luciana fará alterações na Constituição para aumentar o mandato presidencial para 5 anos, manter a reeleição e até permitir um terceiro mandato, caso o presidente seja “tão bom que ninguém quer que ele saia”, pelo menos é o que ela imagina sobre sua gestão no Palácio da Alvorada.
E enquanto os internautas tentam processar a confusão histórica, Lulu avança para o próximo slide, que exibe um gráfico colorido e completamente sem sentido. Lulu, sem perder o rebolado, explica:
— Aqui está a solução que os políticos não querem que você saiba: imprimir mais dinheiro! Isso mesmo, gente, é simples. Se falta dinheiro, a gente imprime mais. É matemática básica, tá bom? — explica Lulu, com a pompa de um economista tarimbado. — E eu sou a voz da coragem, da política feita do povo para o povo. Quem discordar, é porque não entende de economia!
Ela ainda faz uma pausa dramática, ajusta os óculos e conclui com um sorriso confiante:  
— No meu governo, ninguém vai passar aperto. Porque eu sou a Lulu, e eu faço acontecer!
A repercussão seria instantânea, com hashtags como #LuluSemNoção e #TiremAInternetdaLulu dominando os trending topics. 
O terceiro slide é hilário: uma montagem de Lulu com a faixa presidencial e usando uma tiara com as orelhas do Mickey Mouse lá na Disney.
— Gente, no meu governo, o dólar vai valer 1 real. Isso mesmo! Porque eu sou a Lulu, e eu faço acontecer. Com o dólar a 1 real, qualquer pessoa poderá ir à Disney, realizar seus sonhos e ainda voltar com dinheiro sobrando. É a política feita do povo para o povo, tá bom?
E claro, ela ainda reforça o tom dramático:  
— Os políticos não contam isso para vocês, mas eu sou a voz da coragem. No meu governo, o Brasil vai ser o país dos sonhos, e a Disney vai ser o quintal do brasileiro!
Não é uma proposta ruim, muito pelo contrário, está muito bem-intencionada e teria forte apoio popular, mas a presidenta maluquete não detalha as medidas que fariam a cotação do dólar despencar.
O slide seguinte exibe uma montagem de Lulu segurando um troféu brilhante com a inscrição “Maior Embuste do Ano”. Ela explica com entusiasmo:  
— Gente, todo ano teremos o Dia Nacional do Exposed, onde vamos expor e debater os maiores escândalos políticos do país. Eu mesma vou apresentar o evento, com direito a faixa presidencial e muito encanto. E os corruptos? Ah, esses vão receber o Troféu Óleo de Peroba, para nunca mais esquecerem que aqui a verdade reina!
Ela faz uma pausa dramática, ajusta a faixa e conclui:  
— Porque no meu governo, quem apronta, dança. Literalmente!
O próximo slide mostra uma caricatura de Lulu com uma lupa, investigando um “hater”.
— Agora, para quem gosta de criticar, eu dou um conselho: cuidado! No meu governo, quem fala, assume. Vamos investigar qualquer pessoa que criticar o governo, para garantir que não tem rabo preso. Porque aqui, a verdade é transparente, e eu não tolero hipocrisia, tá bom?
Ela encara a câmera com seriedade e solta:  
— Se você não tem nada a esconder, não tem nada a temer. Beijo para os haters!
A hashtag #TiremAInternetdaLulu explode nos trending topics mundiais, enquanto memes inundam a web.
O slide exibe uma imagem de cidadãos sambando em uma aula, com Lulu no centro, segurando um pandeiro.  
 Para educar o povo, vamos lançar a campanha educativa Roubou, Dançou. No meu governo, vou ensinar a identificar e denunciar casos de corrupção, e, de quebra, arriscar uns passos de samba. Afinal, quem roubou, dançou! Sou uma presidenta linha dura, mas com ritmo. Além disso, teremos projetos para todo mundo manter a forma. Igôr Marombba, meu futuro Ministro do Esporte, e eu pensamos em uma solução para acabar com o sedentarismo na nossa pátria. Com o projeto Academia para Todos, construiremos mais de 500 academias gratuitas, garantindo que quem quer se exercitar, mas não tem tempo ou dinheiro para pagar mensalidades, tenha acesso a um espaço de qualidade.
Ela dá uma sambadinha na sala, ajusta os óculos e conclui:  
— Aqui, a justiça tem ritmo, e o Brasil vai sambar na cara da corrupção!
Agora vem a melhor parte: Lulu promete mudar o formato de A Voz do Brasil.
— Gente, no meu governo, A Voz do Brasil vai ser animada, divertida e cheia de novidades. Porque ninguém merece aquele programa sério e sem graça, tá bom? Vamos dar as dezenas do jogo do bicho, tocar música e contar fofocas de famosos. Aliás, isso ainda não é tudo! Toda sexta-feira, teremos sorteios incríveis, incluindo as bonecas da Lulu com faixa presidencial, viagens para a Disney com o dólar a 1 real, e até brindes surpresa. Porque informação também pode ser diversão, tá bom? No meu governo, a alegria irá imperar!
Outra proposta fora da caixinha é o Projeto Reconciliação. 
— Como ele funcionará, você deve estar se perguntando. E eu, com muita satisfação, te conto tudo. Quem disse que reality show é só na Malacubaca? Agora é na nossa tevê estatal, reformulada e pronta para competir com as gigantes comerciais. Vamos reunir 10 duplas com opiniões políticas opostas e confiná-las numa casa. A dupla vencedora será aquela que resistir mais tempo sem resolver tudo com os punhos. Porque aqui, no meu governo, até a reconciliação vira entretenimento de qualidade!
Lulu faz uma pausa dramática, ajusta os óculos e prossegue o discurso:
— Brasileiros e brasileiras, eu estou aqui hoje para dizer que a polarização é uma perda de tempo. Enquanto os outros brigam, eu trabalho. Porque eu sou a Lulu, e eu sou diferente. Tenho propostas populares, eu sou conhecida do público, e eu tenho muito tempo de televisão! Sim, gente, muito tempo de televisão. Afinal, de televisão eu entendo. Quem tem mais tempo de tela do que eu? Ninguém!
Café Presidencial será o programa mais aguardado das manhãs… ou quase manhãs. Lulu fará lives surpresa para compartilhar as fofocas mais quentes do governo, com aquele toque irreverente que só ela tem. Apesar do nome, o programa dificilmente começará cedo — afinal, Lulu não é exatamente uma madrugadora (mas isso, claro, ela não admite). Entre um gole de café e outro, os espectadores poderão acompanhar bastidores, debates e até algumas confissões inusitadas, tudo com o carisma que só uma presidenta linha dura e cheia de personalidade pode oferecer.
A atriz assume o papel de mártir e até chora com toda a pompa. A presidenta também chora e tem maus dias, mas, acima de tudo, honra seu compromisso de acabar com a corrupção até o fim.
— Sei que vão me criticar. Vão dizer que eu sou ousada, estou sonhando alto, mas eu digo que, sim, tudo é possível! Porque estou aqui para salvar o Brasil. Mesmo que isso signifique carregar o peso da nação nos meus ombros. Porque eu sou forte, corajosa, e eu sou do povo!
O público (ou os internautas) ficaria dividido entre gargalhadas e aplausos, enquanto hashtags como #LuluMártirDaNação e #TiremAInternetdaLulu rendendo memes e risadas.
— Brasileiros e brasileiras, hoje vocês testemunharam o início de uma nova era. Porque eu, Lulu, estou aqui para transformar o Brasil. Com propostas populares, coragem e muito glitter, eu vou fazer este país avançar 100 anos em 10. E quem duvidar, vai ter que me assistir fazer acontecer! Obrigada pela atenção, e lembrem-se, gente: no meu governo, o Brasil vai brilhar mais que glitter no carnaval. Beijo, Brasil!
Ela finaliza com um sorriso confiante e uma sambadinha, enquanto a trilha sonora de O Guarani toca ao fundo e o último slide exibe a frase: Lulu Presidente: 100 Anos em 10!

Arquivo Malacubaca | A Revolta das Tarântulas 🎥🕷️📺



Relembrar é viver!  Por isso, o Arquivo Malacubaca de hoje revive uma cena que marcou os bastidores da Malacubaca em 25 de agosto de 2017. 
Eduardo Meirelles e Bilu discutem corrupção de uma maneira única: com malas, tarântulas e, claro, muito humor ácido. 
Prepare-se para uma viagem no tempo até o universo da Malacubaca, onde até os bastidores guardam momentos icônicos!

🎥🎬📺🎤

O relógio marcava 19h50, e a redação da Malacubaca estava um misto de correria e descontração. A equipe de produção ajustava os últimos detalhes freneticamente, enquanto Eduardo Meirelles e Bilu estavam sentados na bancada, à espera do início do jornal. A conversa entre eles, como de costume, era uma mistura de humor e críticas afiadas, sem perceber estarem sendo transmitidos ao vivo.
Eduardo assistia ao vídeo sobre malas de propina pela enésima vez, tamborilando os dedos na bancada. Com uma expressão pensativa, ele desabafou:
— Será que se dentro daquela mala tivesse uma aranha-marrom, eles pegariam o dinheiro?
Bilu, ao lado, ajeitava o batom com calma e respondeu sem hesitar:
— Do jeito que são, morrem com a picada, mas da bufunfa não abrem mão!  
Eduardo balançou a cabeça em concordância, mas parecia absorto. Ele insistia:
— Tinha que ter uma tarântula dentro dessas malas… Para meter aquele medo.
— Você é vingativo, Meirelles! — provocou Bilu, arqueando as sobrancelhas e passando pó compacto.
Eduardo, sem se intimidar, continuou:
— Queria ver quem aguenta o tranco… Quer a bufunfa? Tá bom! Abre a mala e, puf! Dá de cara com a grana, a tarântula e com a Polícia Federal à espreita na portaria.
Bilu soltou uma gargalhada, respondendo com um tom teatral:
— Talvez as tarântulas façam os meliantes confessarem até o que não foi perguntado! Mas isso não se caracteriza como método de tortura?
Eduardo riu e sacudiu os papéis à sua frente:
— As aranhas podem morrer intoxicadas pelo óleo de peroba desses caras…
Nesse instante, o técnico do switcher, completamente distraído com um jogo de paciência no computador, soltou acidentalmente o sinal de bastidor ao vivo. A redação ficou em choque ao ver a conversa transmitida na tela para os telespectadores, enquanto Eduardo e Bilu seguiam despreocupados.
Para aumentar o caos, o técnico murmurou alto:
— Ah, meu jogo de paciência vai salvar… O quê? Estamos ao vivo? Corta o sinal antes que o chefe descubra!
Os produtores correram para resolver o problema, enquanto Eduardo e Bilu finalmente se davam conta da situação. A sempre séria âncora soltou uma gargalhada ao perceber o erro, enquanto o colega, visivelmente desconcertado, tentava compor-se. Ele deu um tapa rápido nos papéis à frente, fingindo que estava revendo notas.
— Relaxa, gente. Vocês ganharam a atenção do público antes mesmo do jornal começar, parabéns! — disse o diretor, colocando a mão na cabeça, num misto de exasperação e resignação.
Ela, com um brilho de diversão nos olhos, ergueu as mãos teatralmente:
— Olha, Edu, a Polícia Federal pode estar atrás de você.
Eduardo, apressado para se defender, protestou:
— Nem estou envolvido nesses escândalos de dólar na cueca, na meia, nem em fundo falso de mala nenhuma. Isso é coisa de outros!  
Bilu não deixou passar:
— Vai ver, eles anotaram sua sugestão das tarântulas… Boa sorte, Meirelles.  
Eduardo tentou disfarçar, mas só conseguiu deixar a redação em gargalhadas. Finalmente, o diretor irrompeu na sala, esbaforido:
— Genial, pessoal, genial. Agora alguém explica isso para a audiência porque o jornal começa em cinco minutos!

Cinco anos sem você, vó

Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...