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Sintonia

 

Após a chuva de verão (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Escrito em janeiro de 2018, “Sintonia” nasceu de reflexões sobre as nuances das conexões humanas. Esses encontros — uns superficiais, outros profundos — carregam consigo uma beleza e complexidade que permanecem tão atuais quanto naquela época. Hoje, compartilho este texto com a esperança de que ele possa inspirar você a valorizar os instantes de verdadeira sintonia que encontramos ao longo da vida.

Perto dos quarenta, longe da tomada

 


Envelheci 20 anos nas duas últimas semanas ou sem os óculos de sol que as ondas arrastaram, a realidade ganhou contornos de uma nitidez inquestionável? Olha eu tentando falar bonito e me pagar de cronista extraordinária, quando não passo de uma reles escrevinhadora, a apelar sem muita firmeza para a falsa modéstia, quando o que não tenho mais é tempo para depreciações.

Toda essa comoção sobre “2006 já fazer 20 anos” não é só papo de rede social. A Copa na Alemanha, de tão decepcionante desfecho, completa duas décadas. Era o primeiro passo de uma longa e insegura travessia, ninguém de nós sairia ileso dessas porradas que a vida dá, às vezes na surdina, sem motivo, só porque estar na chuva significa se molhar e arriscar perder tudo, até mesmo aquilo que nem se tem.

Que venham os 40

 

Ilustração de Júlia Mirella Menezes Gutierrez Carrasco criada por Inteligência Artificial

Aquele era meu primeiro dia na escola nova. Tudo que eu queria era esquecer o que aconteceu antes, tudo que você soube depois e não soltou a minha mão. Você chegava ao lado da Deh, com os cabelos pretos, longos e esvoaçantes, a bolsa lateral de barbantes balançando junto, parecendo tão animada para começar tudo de novo. Seu sorriso foi a ponte que rompeu quaisquer silêncios que pudessem formar um muro entre nós. Esse é o nosso clichê de amizade, não posso reescrever diferente disso.

A cultura pop nos “ensina” que meninas bonitas com tendência à liderança geralmente são perversas, mas você quebrou todos esses paradigmas, bem como quebrou muitos outros. O mais importante deles inspira esta homenagem. Superamos os tempos de escola, os dramas de jovem adulta, crises políticas, pandemias (desinformação também conta) e rumamos para um jubileu de prata especialíssimo, que será devidamente celebrado em fevereiro próximo.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 8: Fim de festa? (2013)

 

Parte 8: Fim de festa? 

— Minha amiga oculta — anunciou Edu, segurando um embrulho cor-de-rosa com detalhes de patinhas: — É... Ela é... Bom… Ela é... Ela gosta de cachorrinhos…
 
Jaqueline sorriu e levantou-se do sofá para receber o presente.

— Eu não vim com discurso pronto, sabe como é… não sou muito bom em discursar como o nosso amigo Luís Carlos, mas quem sabe faz ao vivo. — Edu brincou com a amiga oculta: — Eu havia pensado em comprar o cd da Anitta, mas… acho que disso você fará mais proveito.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 7: Amigo oculto ou amigo da onça? (2013)

 

Parte 7: Amigo oculto ou amigo da onça?



Narrador: E voltamos! Voltamos com o Especial de Natal da Mão de Vaca… ops… da Malacubaca… ( resmungou baixinho) Estagiário folgado. Não, não, não quis dizer isso, quis dizer: o estagiário é o meu aliado. Tem alguém aqui que não seja eu? Se estiver, por favor, levanta a hashtag #amigoocultoMalacubaca…

William, com cara de poucos amigos, ensaboava os talheres de má vontade e Edu, ao lado dele, tomava conta dos copos. A pia ainda estava atulhada de louças sujas.

— Eu disse… Eu disse… O pior papel sempre é o meu! — choramingou William.
— Agradeça por não ser o anfitrião. — Edu deu uma piscadela marota para o melhor amigo: — Eu disse que minha casa estava em reforma. — deu de ombros. — Jogo de cintura, meu caro.
— Você, hein? Só me fala disso agora, pilantra?
— Vê lá, Will. Pilantra, não. O mundo é dos espertos, Will.
— O castigo vem a cavalo, malandro. Quer dar uma de esperto, mas vai se dar mal. Curioso isso, né? Desde que te conheci, sua casa está sempre em reformas, sua tia-avó já morreu umas duzentas vezes, seu sósia não se cansa de te colocar em encrencas e agora vem com esse caô de ser finalista do Prêmio Ratatouille.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 6: Quem cozinha não lava (2013)

 

Parte 6: Quem cozinha não lava

 



Mais nenhum convidado deu o ar da graça. Noviça, negando até o fim a vontade de cear, olhou as horas e solicitou a atenção de todos:

— Espero que tenham guardado lugar no estômago porque a ceia foi preparada para contemplar todos os gostos.

Todos comemoraram.

— Se houver mais alguém aqui que por costume não consuma carne animal, preparei alternativas vegetarianas… — anunciou a diva.
— Filipo agradece a consideração — manifestou-se Jaqueline.
— De novo esse troço de Filipo? — ralhou Noviça.
Quem é Filipo? É namoradinho? — perguntou Edu Meirelles.
— É um porco! — explicou Jaqueline.
— Mais que o Luís Carlos? — provocou Edu. — Porque para superar o Vacão tem que ser porco ao nível executivo.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 5: É pavê ou é pacumê? (2013)

 


Parte 5: É pavê ou é pacumê? 


Narrador da Malacubaca: Voltamos com esse Especial de Natal… Se é que do outro lado existe alguma pessoa nos vendo. Marcianos, alô. Se estiverem nos assistindo, deem um sinal, qualquer que seja ele… Ok, OK. Falando sozinho ou não, o Natal continua… E os convidados aos poucos estão chegando. Vocês sabem, festa em família tem as figuras lendárias: você, ao centro, aquela pessoa que se descabelou, pechinchou, suou em frente ao forno e mal tem tempo de se arrumar porque já tem que recepcionar a todos. No mais, torça para ser divertido, no fim das contas…

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Edu Meirelles, em pessoa, desceu do carro.

— E não é que ele veio? — espantou-se Jaqueline.

Música: Oh Yeah — Yello.

— Mais cuidado com os meus presentes, se não for pedir muito! — pediu Edu a William.
— Nem pense em vir com aquelas piadinhas do tempo que se amarrava cachorro com linguiça — recomendou Gladys.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Recepção/Isso aqui é um especial de Natal? (2013)

Parte 4: Recepção/Isso aqui é um especial de Natal? 

Música: uma trilha instrumental natalina, desde que não seja depressiva.


Alternando com a mensagem do narrador, imagens de belos natais em cidades do hemisfério norte e o funcionamento da Malacubaca, a movimentação da redação, dos funcionários…

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 3: Habemus Grinch (2013)

 


Parte 3: Habemus Grinch



Para receber as visitas na casa, a diva teve muito trabalho para deixar tudo limpo e não esteve sozinha. Gravou de antemão as edições referentes ao Natal e ao ano-novo do programa e desde manhã cedo ocupava-se em faxinar, contando com a ajuda de Lilly, Luís Carlos e Jaqueline, embora nosso querido “energúmeno” não gostasse muito de varrer debaixo das camas, contornos, quinas e fosse estabanado por natureza.

— Nem. Pense. — advertiu Noviça, entredentes. Não por menos, Luís Carlos quase varreu os pés dela. — Ouse fazer isso e será expulso para sempre de qualquer celebração da Malacubaca.
— Foi mal.
— Foi mal — arremedou Noviça.

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Nada animado para ir, Eduardo Meirelles precisou apelar para o Google a fim de descobrir alguma desculpa esfarrapada o bastante para Noviça acreditar. Listou algumas “simpatias infalíveis” para praticar, mas não sem antes recorrer à Renata, ainda se recuperando de uma complexa cirurgia nas costas.

— Vou tentar colocar azeite no umbigo. Dizem que isso afasta compromissos indesejados.
— Onde você leu isso?
— No site dos videntes L&L.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 2: Popstar do Hortifrúti (2013)

 


Parte 2: Popstar do hortifrúti 



Convidado por livre e espontânea pressão, Edu Meirelles prometeu comparecer. Não fazia questão da ceia, mas praga de diva pega, é um mau negócio e recomenda-se não pagar para ver.

Chegou a hora de fazer as compras para a ceia de Natal. Noviça já estabeleceu os pratos a serem servidos, contemplando os gostos de cada um. Aconselharia de antemão a tirar o escorpião do bolso porque, como de praxe em todos os anos, o preço do peru subiu 20,15%.

— Que cara amarrada é essa, Jaqueline? Estamos nos preparando para o Natal, não para um velório! Anime-se, filhota. Entre neste mercado e dê uma olhadinha para a câmera com aquele olhar 43, para mostrar quem manda.
— Mostrar quem manda?
— Ora, vamos alegrar aqueles que trabalham o dia todo com câmeras de vigilância.

Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 1: Ilustre convidado (2013)

 


Parte 1: Ilustre convidado 


Anfitriã das festas de fim de ano na Malacubaca, Carmen Angélica Esteves decretou que as gravações do amigo oculto deste ano seriam realizadas na casa dela. Atarefada com os preparativos do jantar natalino mais icônico da televisão, a primeira-dama da emissora fazia mistério sobre o que poderíamos esperar na grande noite.

No Natal de 2012, a festa foi marcada por alguns imprevistos: piriri, calorão, briga devido à uva-passa no pudim, e até barraco na troca de presentes, já que o evento contou com mais convidados do que o habitual. Determinada a evitar qualquer caos neste ano, a diva planejava um evento mais classudo, sem brigas e sem muito formalismo, mas repleto de calor humano.

Bolinho

Bolinho, 8/7/2025 — 1º/12/2025 (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)


Bolinho foi pequena apenas no tamanho. No resto, ela sempre foi gigante: na coragem, na doçura, na inteligência e na capacidade quase humana de amar, ou melhor, que muitos humanos jamais desenvolvem.
Chegou à vida da família como chegam as coisas boas: discretamente, miudinha, com aquele jeito curioso de hamster que primeiro cheira, depois observa e só então se entrega. No entanto, quando se entregou, entregou tudo. Transformou prateleiras em grandes aventuras, rolinhos de papel em moradinhas especiais e o cuidado diário em rituais de afeto.

💌 Para quem um dia me leu e talvez ainda lembre de mim

Às vezes me pego pensando se alguém, em algum canto da internet, ainda lembra dos meus textos.
Das novelas, das personagens, das histórias que nasceram quando o mundo parecia mais leve.
Se alguém ainda lembra da Tita, da Governanta, da Noviça… ou de mim, escrevendo tudo isso com o coração nas mãos.

Os anos passaram, a vida mudou, e por um tempo eu me escondi. Entretanto, nunca deixei de escrever. Nem quando doía, nem quando parecia não haver ninguém do outro lado da tela.

Talvez você tenha crescido, mudado de cidade, esquecido os endereços antigos…
Mas se por acaso cruzar este texto, saiba que eu continuo aqui.
Ainda acredito na força das palavras, na beleza da saudade e naqueles laços invisíveis que o tempo não desfaz.

Se você um dia me leu — se riu ou chorou comigo, se comentou ou só leu em silêncio — obrigada.
De verdade.
Você foi parte de uma fase que me formou e, de algum modo, ainda vive em mim.

20 de julho | Dia do Amigo

 


💌 Amigo de verdade não precisa de filtro, nem de ocasião. Ele aparece nas entrelinhas da vida: num bilhete dobrado no meio do caderno, numa gargalhada que só vocês entendem, numa mensagem às 2 da manhã dizendo “só queria te ouvir”.

🌎 O Dia do Amigo é comemorado em 20 de julho porque foi nessa data, em 1969, que o homem pisou na Lua — um símbolo de que tudo é possível quando há cooperação e confiança. Desde então, a data virou uma forma de celebrar os afetos que escolhemos, os vínculos que não vêm do sangue, mas do cuidado.


🤝 Nem sempre a amizade é perfeita. Mas pode ser o mais perto que a gente chega do amor incondicional.
Amigo é quem te conhece sem legenda.
É quem te defende quando você não está.
É quem te dá bronca, mas também te dá colo.
É quem não te larga, mesmo quando o mundo parece querer fazer isso.

📎 Às vezes a amizade vem da infância. Às vezes de um curso, de uma crise, de um comentário no blog. Às vezes vem de onde a gente menos espera — mas muda tudo.


🎙️ E se você tem uma amiga que te chama de exagerada, te ajuda a terminar um texto, e ainda te apoia quando todo mundo sumiu… escreva para ela hoje. Diga que ela é um lugar seguro no mundo. Porque isso vale mais do que qualquer presente.

📌 Com gratidão, dos Cadernos de Marisol.


Mary Recomenda | Três - Valérie Perrin

 


Sabe aquele tipo de livro que você termina e sente que viveu uma vida inteira com os personagens? É exatamente o que acontece em Três, da Valérie Perrin. Não é apenas uma história sobre amizade; é um mergulho profundo no que o tempo faz conosco — com as promessas que fazemos aos dez anos e com as cicatrizes que acumulamos até os quarenta.

Crônicas (não tão) Desbocadas (hoje) | Carta à florzinha do sertão que o mundo não conseguiu matar

 

Conheci uma moça que trabalhava numa pizzaria 24 horas, só não recordo se era Paraíba ou Piauí, só sei que tem praia e que, se o mundo fosse justo, ela moraria numa casa de frente para o mar, com tempo livre para escrever poesia. Revezava entre fritar, limpar e sorrir sem vontade para os mesmos homens que pediam pizza e puxavam conversa com a boca suja de atrevimento. Ninguém ali sabia que ela escrevia. Que tinha nome de autora. Que fazia dos status do WhatsApp seu livrinho de bolso.

Ela se chama Tori. Nome de flor guerreira, dessas que brotam em pedra rachada. Nos conhecemos numa sala virtual de desabafos. A Tori tinha uma história tão forte que dava vontade de chorar no ombro dela, mesmo ela sendo a vítima.

O aniversário dela foi em março, já passou, mas a história de resistência dela é um lembrete de que nós não estamos sós e, quando nos unimos, ainda que de longe, somos bem mais fortes.


Querida Tori,

Essa noite, pensei muito em você. Faz tempo que você não dá notícias, espero que esteja tudo bem.

Pensei no quanto é injusto o mundo cobrar força de quem só aprendeu a sobreviver. Você, que foi jogada no caos desde cedo. Que teve a infância violada, a adolescência roubada, e mesmo assim, floresceu — com poesia no peito e um sorriso nos lábios.

Você me contou da sua mãe de coração, a única que te chamou de filha com verdade. E de como tudo desmoronou quando ela se foi. Do padrasto que fez da sua vida um campo de dor. Da mãe biológica que preferia te ver grávida e humilhada do que sonhando alto. Da filha da idosa que te tratava como escrava. De cada lugar que você tentou chamar de lar e só encontrou portões fechados.

Mesmo assim, você foi.

Foi vender doces na praia. Foi cuidar dos outros sem ter quem cuidasse de você. Foi tentando estudar, mesmo sabendo que o boleto não aceita sonho como moeda.

E, ainda assim, você sorri. Aconselha. Ama. Com um coração pisciano que quer curar o mundo, mesmo com a alma cheia de remendos.

Me fala: de onde vem essa luz?

Seu amigo, aquele que ria das próprias dores e fazia você rir quando nada mais dava certo, virou borboleta. E foi embora cedo demais. Coração bom demais, partido demais, gentil demais para um mundo que só valoriza quem grita. Ele era seu anjo da guarda. E agora virou saudade — dessas que não têm comparação.

Sei que te disseram que "a vida continua". Mas ninguém te disse como continuar com um buraco no peito, né? Esse tipo de luto não cabe em legenda de rede social. Ele se esconde nos silêncios. Nos olhos que perdem o brilho por uns segundos e logo depois fingem que não foi nada.

Mas eu vi.

E quem ler essa carta vai ver também.

Você é uma senhora sábia num corpo jovem e ferido. Você é flor do sertão, daquelas que a gente jura que não vingaria, mas brota linda mesmo sem chuva. Você é poesia onde o mundo só queria deixar pedra.

E se um dia tudo falhar — lembra que tem gente que viu. Que guardou. Que vai escrever sobre você, mesmo que o mundo não queira.


Com carinho e olhos marejados,

Nina

Como organizar um piquenique inesquecível

 

Piquenique no parque

Bora fazer um piquenique um dia desses?”, está aí um assunto sempre em alta entre meus amigos e eu, no entanto, o dia fica para agosto… a gosto de Deus, brincadeiras à parte

É uma missão quase impossível reunir todos no mesmo dia porque quando estou de folga, minha melhor amiga tem compromissos; quando ela tem espaço livre, tenho plantão para fazer, minha irmã vai passar o fim de semana com o namorado, outro tem semana de prova ou algum imprevisto de última hora.

Ser adulto não é fácil. Não dá mais para se jogar no chão e abrir o berreiro de raiva por ter “licença poética”, resta-nos respirar fundo e engolir uns sapos bebendo água com gás, certas coisas não valem nosso réu primário.

💌 Do fundo do baú: a vez que me prometi um amor bonito

 



Tem coisas que a gente escreve achando que é só um desabafo. Um rascunho de madrugada, uma nota no celular, uma folha de caderno esquecida no fundo da gaveta. Mas o tempo passa… e aquela frase volta como um abraço da nossa versão mais honesta.

Feliz Aniversário, Carol! 🍰🩷

 

Maninha numa ilustração estilo Studio Ghibli 

Uma das maiores satisfações da vida está em construir laços com as pessoas e celebrar as conquistas delas na mesma intensidade que faríamos com as nossas próprias realizações. Ter com quem contar nas tardes calmas olhando o mar e nas noites geladas e longas. Ser você mesma sem tolher trejeitos, piadas internas e olhares cúmplices.

🎥 LIVE DO TINO: DIREITO DE RESPOSTA

⚠️ AVISO IMPORTANTE Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das ob...