Sabe aquele tipo de livro que você termina e sente que viveu uma vida inteira com os personagens? É exatamente o que acontece em Três, da Valérie Perrin. Não é apenas uma história sobre amizade; é um mergulho profundo no que o tempo faz conosco — com as promessas que fazemos aos dez anos e com as cicatrizes que acumulamos até os quarenta.
A trama gira em torno de Nina, Étienne e Adrien. Eles eram o trio inseparável nos anos 80 e 90, com aquele sonho clássico de banda de rock e de fugir da cidade pequena. No entanto, a vida não é gentil com os sonhos da juventude.
Vinte anos depois, o que resta é um silêncio pesado entre eles, interrompido pela descoberta de um veículo submerso com um corpo. É esse mistério que serve de fio condutor para desenterrar segredos que deveriam ter ficado no passado.
O que mais me tocou foi a humanidade de cada um:
Nina é a força que esconde fragilidades invisíveis;
Adrien carrega uma sensibilidade sufocada por anos;
Étienne, o rebelde aparente, é quem talvez esconda a fratura mais profunda de todas.
A música aqui não é só enfeite. Ouvir as referências de Indochine, The Cure ou Madonna enquanto lê é como abrir um álbum de fotos empoeirado. A trilha sonora dá voz ao que eles não conseguem dizer, transformando a nostalgia em algo quase tátil.
A narrativa vai e volta no tempo com uma elegância rara. A Valérie Perrin não tem pressa; ela nos deixa especular sobre o que separou esses três amigos enquanto nos entrega uma história intensa sobre abandono, identidade e recomeços. É uma leitura que dói porque toca em temas pesados como relações abusivas e perdas, mas também oferece uma delicadeza absurda no final.
Três é um lembrete de que algumas amizades resistem ao silêncio, e que algumas dores levam décadas para cicatrizar, mas que a redenção sempre é possível.
Prepare os lenços, mas não deixe de passar aqui no OCDM para a próxima edição do Mary Recomenda. Um forte abraço e até lá!

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