Malacubaca na Copa 2026 | Secador às avessas


— Por que você está ouvindo Mick Jagger? — pergunta Renata ao entrar na sala e encontrar Edu batucando animado no tampo da mesa dele.
— Estou aquecendo os tamborins para o Dia do Rock — responde Eduardo. — Acabando o São João, tem o Dia do Rock. Eu quero é rock, bebê!
A explicação é bem simples: hoje Portugal está entrando em campo contra o Uzbequistão. Considerando que a fama do astro do rock é de pé-frio no futebol, Edu Meirelles decidiu hoje curtir um rock'n roll no talo.
— O que tem a ver os Rolling Stones com o jogo de Portugal? — Renata pergunta mais a si mesma do que para Edu.
A ficha cai.
Sim, parece uma expressão do tempo dos dinossauros — ou nem tanto assim —, mas o processo de associação entre rock e futebol custa uma fila atrás de Renata desse orelhão público imaginário.
— Então você quer que Portugal perca?
— Eu só quero que o Uzbequistão reaja.
— Sinto muito ser a portadora das más notícias, mas sua macumba futebolística reversa acabou de tomar o mesmo carrinho que interrompeu sua carreira de quase craque.
Na tela, Cristiano Ronaldo comemora o gol que o consagra como o primeiro jogador da história a marcar gol em seis copas diferentes.
— Meh! Isso aí qualquer um consegue — Edu dá de ombros, enciumado.
— Qualquer um, quem? Você, por acaso, conseguiu?
— Não consegui por falta de oportunidades porque, como o meu documentário mostra, forças superiores boicotaram...
— Tem certeza de que entre você e a Noviça é só amizade? — especula Renata, zombeteira. — Já pegou até os bordões dela!
— Não tente mudar de assunto!
— Forças superiores... Agradeça que esse narizinho aí não cresce a cada migué que você conta.
— Em minha defesa, digo que em 2030 você verá a redenção das Copas. Sente e aguarde!
— Quando terminar a fanfic, me avise para eu dar uma revisada!
— Não é fanfic!
— Tem Ronaldo, Romário, Ronaldinho e você no mesmo time. 
— Faltou o Vivaldo.
— Mais fanfic, impossível! 
— Ei, tenha mais respeito com o meu legado! 
Seu legado?
— Sim.
— Você está falando do legado que acabou de incluir Ronaldo, Romário, Ronaldinho e Vivaldo na mesma frase?
— Estou.
— O legado de um homem que nunca jogou uma Copa?
Quase joguei.
— O legado do documentário "Os segredos de um quase craque"?
— Exatamente.
Portugal amplia o placar, mas Eduardo Meirelles argumenta que "contra o Uzbequistão qualquer um consegue", o despeito transbordando a cada sílaba pronunciada.
— Eu desconfio de que toda essa marra se dá devido ao fato de você nem sequer conseguir esconder a sua admiração pelo Cristiano Ronaldo. Você é um dos maiores fãs dele e não quer admitir.
Sai o segundo gol de Cristiano Ronaldo. 
— Mas será possível? — Edu Meirelles corre as mãos pela cabeça, como se em vez de um gol, a grande estrela lusitana tivesse cometido uma falta grave.
— Na dúvida, veja o replay! 
— Massacrar o pobre Uzbequistão desse jeito?
— Desde quando você passou a torcer pelo Uzbequistão?
— Desde hoje.
— Pensei que você estivesse torcendo pela República Democrática do Congo. 
— Por Curaçao, Cabo Verde, Senegal, Iraque... eu sou o patriarca dos injustiçados. Não que eu deva considerar qualquer coisa que aqueles dois charlatões falem, mas vai que a gente vê uma surpresa no mata-mata? Seria bom pra mostrar que no futebol tudo pode acontecer.

Haumea: o elipsoide frenético além de Plutão

Captura de tela do planeta-anão Haumea (Reprodução/Stellarium)


No vasto e gelado Cinturão de Kuiper, muito além da órbita de Netuno, reside um dos objetos mais exóticos do nosso sistema: o planeta-anão Haumea. Se a maioria dos corpos celestes se assemelha a esferas perfeitas, Haumea desafia essa estética, apresentando-se como um elipsoide alongado — um formato que lembra mais um charuto ou uma massa de pizza esticada do que um planeta tradicional.

🌀 A Física da velocidade extrema

O formato bizarro não é um acidente geológico, mas uma consequência direta de sua dinâmica orbital. Haumea possui uma das rotações mais rápidas do Sistema Solar: um dia completo ali dura apenas quatro horas.

Essa velocidade é tão extrema que a força centrífuga impede que a gravidade molde o corpo em uma esfera. Haumea é, literalmente, uma lição de física sobre a resistência dos materiais; ele gira tão rápido que se alongou para aliviar a tensão de sua própria rotação. É o contraste perfeito entre a agitação frenética e o silêncio gélido das profundezas do espaço.

🔴 A mancha e o passado violento

Observações detalhadas revelaram uma característica intrigante na superfície cristalina de Haumea: uma mancha escura e avermelhada. Cientistas sugerem que essa marca pode ser o registro de uma colisão catastrófica ocorrida há bilhões de anos — o mesmo evento que provavelmente acelerou sua rotação e deu origem às suas duas luas, Hi'iaka e Namaka. O que vemos hoje é a cicatriz de um "esbarrão" intergaláctico que alterou permanentemente o destino deste mundo.

🔭 Perspectiva no Stellarium

Para localizar Haumea no simulador, é necessário um "zoom" agressivo e persistente. Localizado em uma região de luz escassa, ele aparece como uma "batata esticada" que gira em alta velocidade. No Stellarium, essa visualização ajuda a compreender como a distância e a escala transformam um planeta anão em um pequeno prodígio da mecânica celeste.

Malacubaca na Copa 2026 | O retorno dos que nunca foram

 

Uma partida foi suspensa devido às fortes chuvas na Filadélfia. Com isso, a Malacubaca trabalha dobrado para responder às indagações dos espectadores sobre a carreira de Vivaldo, o tetracampeão. 

Figurinha carimbada nos jogos da Seleção, imortalizou o bordão "Pra ganhar tem que fazer gol. Sem gol não tem vitória. Sem vitória não tem taça. Sem taça não tem festa." Ninguém sabe muito bem como ele foi parar na Malacubaca, mas esse agregado — diga-se de passagem — foi ficando, ficando... Parece que sempre esteve ali.

Malacubaca na Copa 2026 | Os segredos de um quase craque


Eduardo Meirelles pode até não ser o mascote da Copa, mas está sempre na boca do povo. Que ele é o artilheiro do time dos jornalistas da emissora, ninguém contesta. O ego, no entanto, ultrapassa o tamanho do Maracanã. Se duvidar, não está conformado até agora de não ter sido convocado para defender a Seleção.

Malacubaca na Copa 2026 | Teorias da conspiração na calada da noite


A televisão falava sozinha na sala escura. Na poltrona, Luís Carlos roncava, alheio aos comentários de Rubão na mesa-redonda pós-jogo. Lilly cochilava refestelada no sofá... até o celular vibrar ruidosamente.
Apavorados, os irmãos videntes charlatões tropeçaram na escuridão tentando identificar de onde vinha o som, se não estavam delirando ou dentro de um sonho daqueles bem esquisitos.
— Você ativou o despertador pra assistir ao jogo do Paraguai? — ralhou Lilly. — Quase me matou do coração, hein?

Malacubaca na Copa 2026 | Enquanto você lia essas desventuras, eles erraram mais uma previsão


Quando ela chega, não tem jeito. A gente se envolve. Uns mais, outros menos. Quem não gosta não entende que o significado vai além de 22 homens atrás de uma bola... 
É o frio na barriga, a tradição em campo, a televisão sintonizada na Malacubaca, o bolão da família, o animal vidente, as promessas, o ressoar das vuvuzelas, o cheirinho de pipoca com manteiga, do churrasco na brasa, o grito de gol que vem lá do fundo da garganta, do fundo da alma, que grita tudo que está engasgado, que até esquece um pouco dos problemas e das mágoas. 
Num abraço apertado, pula-se e festeja-se como se a torcida estivesse ali pertinho, vibrando a vitória, o entusiasmo e a bem-vinda injeção de ânimo que não vem em melhor hora.
Mas a festa não se faz sozinha...

Que alerta foi esse?



Tomei um susto daqueles agora há pouco. Receber alerta da Defesa Civil é assustador, mas a mensagem foi meio estranha, como indica a captura de tela. Minha irmã recebeu esse alerta e agora estamos querendo saber se mais gente recebeu e quem pode nos explicar o que aconteceu.

Malacubaca na Copa 2026 | Secador às avessas

— Por que você está ouvindo Mick Jagger? — pergunta Renata ao entrar na sala e encontrar Edu batucando animado no tampo da mesa dele. — Esto...