Ele me esperava deitado, de lado, com os olhos ternos de quem esqueceu a pressa em um canto qualquer e não fazia questão de encontrá-la, estendendo a mão naquele gesto silencioso que dizia tudo e entendia o medo escondido atrás do sorriso.
Deitei-me de frente para ele, encurtando a última fronteira que restava do embaraço. As mãos dele acolhiam as minhas, que tremiam um pouco e iam também relaxando, se encaixando na penumbra, desenhando estrelas na pele.
Beijei-o. Bem lentamente, decorando cada fragmento dessa declaração, selando sem reservas a ternura de um afeto maduro, correspondendo a intenção. Sou sua.
Acordei com uma vontade intensa de ter a noite inteira de volta. E o resto da vida para descobrir que, às vezes, o porto seguro não é um lugar, é um encontro.