19 de agosto | Dia da Fotografia

O tempo que cabe num clique

Outro dia, achei uma fotografia dentro de um livro antigo. Era uma foto esquecida, dessas que se escondem entre as páginas como se dormissem ali há décadas. Estava amarelada, com as bordas arredondadas pelo tempo, e o que mais me chamou atenção não foi a imagem em si, mas o instante que ela guardava. Um instante que não volta, mas que também não se perdeu — porque estava ali, no papel, imóvel e eterno.

A fotografia tem esse dom: ela segura o tempo pela gola e sussurra fica mais um pouco. É o que a gente não sabe dizer, mas quer manter. O olhar do pai, ainda moço. O bolo de aniversário torto, feito com carinho. A menina com dentes faltando e sonhos demais. A presença de quem já foi, e mesmo assim ainda é.

Não importa se foi tirada com uma câmera profissional ou com o celular tremido no fim de uma tarde qualquer. O valor de uma foto nunca esteve na nitidez, mas no sentimento. E há fotos que doem de saudade, outras que curam. Fotos que denunciam, fotos que celebram. Fotos que viram oração.

É curioso pensar que, enquanto vivemos, não percebemos a grandiosidade do agora. Mas, depois, quando ele vira imagem, entendemos: aquele almoço em família, aquela viagem de ônibus, aquele sorriso tímido... eram eternos sem saber.

Hoje é 19 de agosto. Dia Mundial da Fotografia. E talvez você não tenha tempo para sair por aí tirando fotos. Tudo bem. Mas, se puder, olhe para algo como se estivesse registrando com os olhos. Olhe com atenção. Como quem sabe que cada momento carrega uma despedida silenciosa — e, mesmo assim, insiste em permanecer.

Destrinchando a Letra | Moments of Love — Cathy Dennis


Depois de revisitar uma das músicas mais marcantes de Confissões de Laly na última edição do Destrinchando a Letra, resolvi aproveitar o embalo para homenagear mais um clássico da trilha sonora da novela.

Em queda livre


Do sofrimento da ostra nasce a pérola. 
O arco-íris é a inesquecível promessa que vem dos céus. 
A Lua cresce e diminui todo dia um bocadinho. 
Para continuar a ler, é preciso virar a página. 
A borracha apaga as marcas do grafite quando a conta não bate.
Parece contraditório defender a ideia de que podemos ouvir nosso coração no silêncio, mas fechar os ouvidos para a verdade dói numa dimensão quase insuportável.
Quero me convencer de que há um propósito para tudo e todos, carregar este fardo com a resignação que agora me falta.
Falar sobre a angústia de nunca ser ouvida.
Escrever, nem que seja em poucas palavras, o que não cabe nas linhas, o que excede...
E deixar o dito pelo não dito para quem não faz questão de entender...
Antes fosse concentrar o foco no que falta, há tantas demandas, pedras do tamanho de montanhas atravancando o caminho.
Meus pés estão cansados desses atalhos ingratos que sempre me devolvem para o abismo.
Em queda livre...


Destrinchando a Letra | Pacific coast party — Smash Mouth


Diretamente da época em que quem os escreve pintava os cabelos das Barbies com o mesmo tubo de canetinha que assinava o próprio nome na agenda do Mickey Mouse, uma música que ainda me faz sair do chão e me sentir dentro de um clipe animado.

Confissões de Laly Songs | Dos tempos do papel

 


Se em tempos em que a inteligência artificial faz muitos pensarem que a criatividade morreu, ela também nos lembra que a busca pela perfeição não pode e nem deve apagar a nossa essência. 

Percebo também que, mesmo tentando fugir, me reencontro cada vez mais nos sonhos de menina, nesses que pensei já não passarem de cinzas, me esquecendo de que, tal como a Fênix, sei ressurgir das cinzas. 

Confissões de Laly 15 anos

 

Aquela capa feita no PhotoScape 

Bem, bem antes de o primeiro capítulo de Confissões de Laly ser publicado em um site fundamental para estar aqui hoje, eu já fui uma menina de 13 anos sonhando acordada, ouvindo música, pintando os cabelos loiros das Barbies com o tubo da canetinha, acompanhada de sonhos, curtindo as férias de julho e com saudades da Copa que rendeu o pentacampeonato ao Brasil.

Selecionar fotos para publicar e honrar este dia como ele merece só parece uma tarefa simples. Sendo Laly uma figura solar, destemida, intensa e carismática, ela detestaria uma estética monocromática, polida, forjada para ser correta e agradar ao algoritmo. Porque quem desde muito cedo lutou pelo direito de existir não desiste ao encontrar uma pedra no caminho.

19 de agosto | Dia da Fotografia

O tempo que cabe num clique Outro dia, achei uma fotografia dentro de um livro antigo. Era uma foto esquecida, dessas que se escondem entre ...