Malacubaca na Copa 2026 | Uma quase análise com quase craques (é o que nosso orçamento permite)


Com o adiamento de México e Inglaterra por uma hora devido às tempestades na Cidade do México, o pós-jogo da Malacubaca continuou repercutindo a vexatória eliminação do Brasil diante da Noruega.
De pé em frente ao imponente telão onde uma arte mostrava a longa sequência de derrotas brasileiras para times europeus em mata-mata de Copas do Mundo, Vivaldo desabafava:
— O que a gente viu em campo hoje é a morte do futebol, é a vergonha nacional. É esse vexame. Sim, sim... um vexame. V-E-C-H-A-M-E. E podem me xingar porque eu não tenho medo, eu fui tetracampeão, tenho moral pra mandar a real.
Uma das câmeras focou na expressão confusa de Rubão, ao centro, entre ele e Edu Meirelles, ainda tentando assimilar a soletração do amigo e colega de transmissão.
— O episódio de hoje evidenciou a nossa insistência nos mesmos erros — opinou Edu. — Ficou muito claro que esse ciclo infrutífero pede uma reestruturação completa das nossas instituições futebolísticas. Vivemos momentos bonitos no passado, mas os tempos são outros. 
— É o que eu sempre digo, Meirelles. Eu sempre digo nas minhas palestras, pros meus alunos, se não fizer gol, vai levar. É a máxima do futebol.
— Se a gente não se submeter a uma autocrítica verdadeira e profunda, daqui a quatro anos estaremos lamentando outra eliminação.
— O Brasil perdeu porque não fez gol. 
— Até fez um, mas marmelada na hora da morte não adianta nada...
Exatamente, Meirelles! — gesticulou o tetracampeão. — Fazer um gol não resolveu o problema, era pra ter feito antes.
— Eu mudaria meu nome se perdesse um gol feito daqueles... — gabou-se Edu. — Põe na tela esse pênalti perdido. Observem bem a categoria... até uma tartaruga faria esse gol!
— Faltou malandragem...
Rubão tentava uma brecha para falar, mas o pingue-pongue entre Edu e Vivaldo frustrava todas as suas tentativas. Quando finalmente conseguiu abrir a boca, Vivaldo retomou o raciocínio:
— Perdeu várias oportunidades de resolver o jogo. Quem não faz gol, não ganha. Quem não ganha, não levanta taça... E quem não levanta taça vai embora mais cedo. Não estou inventando nada, só falando o que todo mundo em casa está pensando. 
— O sonho do hexa fica pra 2030 — Rubão tentou tomar a palavra.
— Você ainda é otimista, Rubão. Se continuar do jeito que está, nem nossos netos vão ver o Brasil campeão — ironizou Edu.
— Agora não tem quem não esteja procurando um algoz para a eliminação precoce. As redes sociais estão fervendo de críticas e memes... porque se tem uma coisa que o brasileiro sabe fazer até quando o navio afunda, é piada. E se a gente já está na chuva, não tem jeito, vai se molhar, mas também vai rir como nunca... Produção, mostra aí alguns memes que estão repercutindo agora.
Eis que algum internauta ligeiro reparou na soletração do Vivaldo e não perdeu tempo.
— Vexame não é com CH? — Vivaldo engoliu em seco. — Deve ter sido o nervosismo. Embolei as palavras na hora de falar, mas peço desculpas. Ao vivo é assim mesmo, a gente fala o que está pensando e sentindo numa hora dessas. O Brasil todo triste e indignado com o que aconteceu... devo ter confundido uma coisa com outra, mas o vexame continua sendo vexame e foi o que a gente viu hoje. 
— O importante é reconhecer o erro, Vivaldo. — alfinetou Edu.
— É o que eu sempre digo, Meirelles. Errar é humano... quem nunca errou? Mas o que está acontecendo é a insistência no erro. Errar uma ou duas vezes a gente até perdoa, até os melhores do mundo erram, mas errar uma vez não é desculpa pra viver errando e pedindo desculpas... tem que mudar essa mentalidade aí! 
— Não por nada, longe de mim querer levantar polêmica... 
— Mas já levantando... — disparou Rubão.
— Eu sou um ferrenho defensor do bom futebol, do futebol arte, por isso estou tão decepcionado com o que testemunhamos mais cedo. Na verdade, o jogo de hoje foi apenas um exemplo, mas os sinais estavam claros desde a primeira partida. Eu quis, quis de verdade acreditar, quis estar errado, mas o fato é que eu nunca me engano.
Rubão engoliu em seco. O olhar era do tipo "a humildade mandou lembranças, mermão".
— Eu sou do time do Vivaldo... a gente perdeu o amor à camisa. Nelson Rodrigues morreria de desgosto se estivesse vivo, Galeano não escreveria mais uma só linha. Mas eles estariam rendidos se eu, Eduardo Meirelles, tivesse encerrado minha carreira de craque levantando o tricampeonato consecutivo do Brasil. Eu veria até meus adversários e críticos obrigados a me aplaudirem! 
— Eu, como um tetracampeão de respeito, nunca vendi meu rosto para ser garoto-propaganda de site de apostas...
Não que ele tenha recebido alguma proposta, diga-se de passagem...
— Aceitaria algum contrato?
Vivaldo pareceu hesitar, mas logo ajeitou a postura confiante de sempre:
— A Malacubaca me paga bem, estou dando minhas aulas, ruim não está, não... 
— E você, Meirelles?
— Com esse corpo monumental, fazendo comercial de cerveja, carro, shampoo e cueca, eu lá iria precisar fazer anúncio de bets? — respondeu Edu, o bastião do quase. — Na condição de craque mundial, respeitado nos quatro cantos do mundo, não posso nem devo envolver meu nome nesses esquemas de apostas que tantos malefícios têm trazido à nossa sociedade. O único bolão que eu faço é no bom e velho caderninho... e o do Rubão.
— Por falar no Bobão do Rubão — empolgou-se o próprio comunicador.
Edu e Vivaldo se olharam e caíram no riso.
— ... bolão! Eu quis dizer Robão do Bulão! — Rubão corou, mas não perdeu a pose. — Bolão do Rubão! Agora sim deu certo! É como diz o nosso amigo Vivaldo: ao vivo a gente se embola todo... e por falar no bolão mais animado da televisão, vamos conhecer os ganhadores de hoje...
A eliminação do Brasil continuará repercutindo dentro e fora da internet, porém na Malacubaca a diversão nunca sai de campo. 

Coladinho com a transmissão do jogo entre México e Inglaterra, teremos o sorteio do Bolão do Rubão.

Logo após o Bolão do Rubão, fiquem com mais um jogaço das oitavas de final, México e Inglaterra.

Como seria a Terra sem a Lua?

 

Há uma sensação de perenidade quando olhamos para o céu noturno; o conforto de acreditar que a Lua sempre esteve e sempre estará lá, como uma testemunha silenciosa da nossa história. No entanto, a astronomia moderna nos revela um cenário menos estático. Em alguns bilhões de anos, o Sol esgotará seu combustível, expandindo-se antes de colapsar em uma densa anã branca — um evento que alterará irremediavelmente a arquitetura de todo o Sistema Solar e o destino dos mundos que o orbitam.

Malacubaca na Copa 2026 | Deu a louca no bolão


Nada como um dia após o outro e uma cobrança de pênaltis para dar aquela calibrada nas expectativas
Os videntes L & L quase não dão conta das mensagens que chegam pelas redes sociais, tudo porque Senegal realmente avançou para a segunda fase do torneio e o Brasil venceu o Japão no sufoco, mas sem levar para os pênaltis. 
Sem a maldição do alfabeto, o Brasil tem chances reais de levantar a taça e quebrar esse jejum de duas décadas sem um título mundial. Vencidos os Samurais Azuis, a depender de uma combinação de resultados, pode dar Brasil e Argentina numa semifinal com cara de final, prova de resistência para cardíacos, para enfrentar a pedreira do outro lado do chaveamento.
De acordo com os videntes, a final será a vez do Brasil comer esse prato frio, com a elegância de quem ri por último. Pois, sim, após enfrentar a Argentina de Messi, a Seleção chega em 19 de julho para fazer história.
Agora vamos comemorar mais uma eliminação da Alemanha. A Maldição do 7 a 1 está on e não é lorota dos videntes. A tabela abaixo está pronta para quem quiser voltar aqui em 2042 (se essa página ainda existir até lá) e confirmar.

2018 — eliminado na fase de grupos pela Coreia do Sul
2022 — eliminado na fase de grupos depois de perder pro Japão 
2026 — eliminado nos 16 avos de final pelo Paraguai (e nos pênaltis)
2030 — eliminado pela China na fase de grupos
2034 — eliminado pela Turquia nas oitavas de final
2038 — eliminado pelo Japão nas quartas de final
2042 — cai na fase de grupos e nem pontua 

Se por acaso eles errarem alguma previsão, vocês já sabem: foi culpa da IA. Algum sacana usou os videntes para fazer deepfakes e não se fala mais sobre isso. Caso acertem, melhor ainda.
Mary transcreveu no papel os palpites dos videntes, mas não se responsabiliza por eventuais crises de riso do outro lado da tela. 

Os videntes querem lembrar que em 2002 eles previram Brasil e México na final... ao menos o Brasil eles acertaram... hihihi 

⛪ Dia de São Pedro | 29 de junho

⛪ Dia de São Pedro | 29 de junho

Entre a fé, a pescaria e as fogueiras de junho

Hoje, 29 de junho, celebramos o Dia de São Pedro, uma data tradicional no calendário cristão e muito presente nas festas populares brasileiras. Por aqui, o OCDM acende a fogueira simbólica, pendura as bandeirinhas no varal da memória e te convida pra conhecer quem foi esse santo tão importante para o catolicismo — e por que ele é tão querido nos arraiais pelo Brasil afora.

Quem foi São Pedro?

São Pedro foi um dos doze apóstolos de Jesus e é considerado o primeiro papa da Igreja Católica. Seu nome original era Simão, mas Jesus o rebatizou como Pedro, que significa "pedra" ou "rocha", simbolizando que ele seria o alicerce da Igreja.

Homem simples, pescador de profissão, Pedro é descrito nos evangelhos como impulsivo, corajoso e de fé intensa — embora também tenha negado Jesus três vezes antes do canto do galo, o que o humaniza profundamente na narrativa cristã.

Segundo a tradição, Pedro foi martirizado em Roma no ano de 64 d.C., crucificado de cabeça para baixo por não se julgar digno de morrer como Cristo.

Protetor dos pescadores, porteiros e viúvas

No Brasil, São Pedro é amplamente cultuado como padroeiro dos pescadores e das viúvas, além de ser o "chaveiro do céu" — aquele que, segundo a crença, guarda as chaves do paraíso.

Sua imagem com as chaves nas mãos aparece em muitas igrejas, e seu nome batiza inúmeras cidades, portos, paróquias e festas tradicionais. No imaginário popular, é São Pedro quem “abre as torneiras do céu”, sendo também associado à chuva.

São Pedro nas festas juninas

Se Santo Antônio é o santo casamenteiro e São João é o mais animado das festas juninas, São Pedro costuma ser o santo do encerramento.

Em várias regiões do Brasil, o dia 29 de junho marca o fim do ciclo de festas de junho. É comum ver procissões marítimas, especialmente em cidades litorâneas, como homenagem dos pescadores ao seu padroeiro. Fogueiras, quadrilhas e comidas típicas continuam firmes — mas com um tom mais solene, de agradecimento e fé.

🪕 E claro: em algumas tradições, se você não casou com Santo Antônio nem com São João… ainda dá tempo de apelar pra São Pedro!

Crenças populares ligadas ao santo

🌧️ Dizem que se chover no dia de São Pedro, é sinal de que ele "deixou a torneira aberta lá no céu".

🔑 Também há quem diga que, se você pedir algo com fé a São Pedro, ele destranca até as portas mais difíceis.

⚓ Em cidades como Salvador, Belém e Paraty, a festa de São Pedro é celebrada com procissões marítimas que encantam moradores e turistas.


Tradição que resiste

Mesmo com o tempo passando e as festas juninas mudando de formato, as homenagens a São Pedro continuam vivas. Seja na fé do pescador que entra no mar, no portão decorado de bandeirinhas ou no milho verde assando no fogão, há um pedacinho de São Pedro nas memórias de muitos brasileiros.

Malacubaca na Copa 2026 | Muito suco de maracujá na causa


Um gole de suco de maracujá, Rubão. A noite mal começou. 
Se o Neymar entrará em campo, ninguém sabe ao certo, mas o rei da televisão correria para as colinas se pudesse. Nem preciso recapitular todas as pérolas da dupla Edu Meirelles e Vivaldo para o respeitável público, elas falam por si. 
— Em que posição o Brasil vai se classificar? 
— Campeão que é campeão não escolhe adversário, então, que venha a Holanda! — declara Edu Meirelles. 
— Desde que o Brasil faça gol, não importa quem venha pela frente... — concorda Vivaldo.
— E se os alienígenas aparecerem durante a partida? — pergunta Rubão, sem qualquer esperança na resposta.
— Se vierem em paz, podem assistir ao jogo conosco — responde Edu Meirelles.
— Desde que façam gol... — acrescenta Vivaldo.
— ALIENÍGENAS NÃO JOGAM FUTEBOL, VIVALDO!
— Vocês estão botando fé nessa previsão de invasão alienígena no campo? — pressiona Rubão, tudo para evitar o gatilho do "gol", senão Vivaldo não para mais de falar.
— Deixei de acreditar em previsões falaciosas no início deste mundial — dissimula Edu. 
— Pois a nossa produção conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa dos videntes L & L. Após semanas dedicadas a una peregrinação en local não divulgado, eles estão de volta.
A câmera mostra a cara de decepção de Eduardo Meirelles.
— Queiram entrar, videntes L & L! — convida Rubão. — A casa é de vocês!

Os videntes surgem lentamente pelo corredor do estúdio e, claro, sempre tem câmeras exclusivas da Malacubaca para mostrar a cena de todos os ângulos. Apesar dos trajes extravagantes de seus alter egos místicos, ambos usam a camisa jeans oficial da Malacubaca, com o cachorro mascote bordado à mão sobre o peito. Um deles carrega uma pasta repleta de anotações indecifráveis; o outro segura um cristal que parece ter sido comprado numa loja de R$ 1,99.
Rubão respira fundo. Eduardo Meirelles desvia o olhar para o teto. Vivaldo sorri como se estivesse reencontrando velhos amigos.
— Quem é vivo sempre aparece! — Rubão se dirige aos videntes para cumprimentá-los. — A gente já estava com saudades de vocês por aqui. Quantos anos de peregrinação? Quinze?
— Pensei que vocês tivessem se aposentado depois de tanta bola fora — debocha Edu.
— A gente vai se aposentar no mesmo dia em que você ganhar a Bola de Ouro honorária — reage Lilly (a vidente L), mordaz.
— Essa doeu até em mim, mana! — diz Luís Carlos, o vidente L. 
— Eu ri, mas com respeito. — Vivaldo se manifesta.
Respeito é algo que ninguém tem por um homem que poderia ter revolucionado o futebol... — desabafa Edu.
— Ah, Lilly, não acredito que interrompi minhas férias pra isso — reclama Luís Carlos. 
— Até que uma invasão alienígena não seria de todo uma tragédia — murmura Rubão, esvaziando o jarro de suco de maracujá e bebendo como se fosse energético.
— O Meirelles já é caso perdido, já começou a acreditar nas próprias fanfics — caçoa Lilly.
— Olha quem fala, a vidente que só dá bola fora e prevê o que já aconteceu.
— Sabe quando você vai ser titular da seleção? Eu digo quando: quando você for dormir. Sonha que é de graça, vacilão.
— Se vocês começarem de picuinha, corto os microfones de todo mundo e acabo com essa palhaçada! — Rubão bronqueia com todos os presentes. — Essa é uma transmissão de respeito! A família brasileira está reunida para acompanhar o futebol e não um bando de palhaços com delírios de grandeza querendo aparecer mais do que a bola no pé. Estou falando: se vocês começarem de picuinha, do próximo jogo ninguém participa! Vou dar cartão vermelho pra todo mundo!
— Tecnicamente eu nem falei tanto assim — Luis Carlos cochicha com Lilly.
A câmera fecha no Rubão enquanto ele aponta o dedo para todos:
— Estou falando sério! Fui bem claro ou vou precisar desenhar?
Silêncio. O suco de maracujá acabou e a paciência do patrão também. 
Não à toa o comunicador se sente o motorista de uma excursão repleta de crianças travessas batendo pratos, cantando alto, correndo, desafiando todas as leis do bom senso. É um fala-fala danado, um querendo falar por cima do outro...
— Sobre a possibilidade de invasão alienígena — Lilly pede a palavra —, nunca ouvi tanta abobrinha.
— Não tem previsão de invasão alienígena?
— Então não tem nave-mãe? Não tem estádio sobrevoado? Não tem Neymar sendo levado para outro planeta?
Lilly suspira.
— Rubão, isso é o equivalente esotérico de corrente de WhatsApp. Além disso, o vidente L e eu decidimos em comum acordo interromper nossas férias... nossa peregrinação porque estavam fazendo deepfakes com previsões fajutas e alarmistas utilizando nossos nomes, inclusive, palpites da Copa.
— Essas previsões aí usando nosso nome são todas falsas — confirma o vidente L, olhando compenetrado para a bola de cristal.
— Muitos videntes sem credenciamento aproveitam períodos de grande mobilização nacional para fazer profecias apocalípticas e implantarem a semente do terror coletivo, mas essa bola de cristal que já viu o passado e o futuro prevê vitória do Haiti contra o Marrocos.
— E hoje? Vai dar Brasil? — pergunta Rubão.
— Ah patrão, você acredita em Papai Noel? Porque acreditar nesses dois aí dá no mesmo que acreditar em Papai Noel.
— Você arrisca um palpite de quem será o adversário do Brasil na próxima fase? — Rubão ignora os protestos de Eduardo.
— Agora é fácil culpar as deepfakes — reclama o bonitão.
— Quer eu transforme esse aí em sapo? — propõe Lilly.
— Vou dar mais uma colher de chá — sentencia Rubão para Eduardo. — Na próxima é cartão vermelho!
— Mal acerta o placar de uma partida, vai me transformar em sapo... 
— 

 

Malacubaca na Copa 2026 | Secador às avessas


— Por que você está ouvindo Mick Jagger? — pergunta Renata ao entrar na sala e encontrar Edu batucando animado no tampo da mesa dele.
— Estou aquecendo os tamborins para o Dia do Rock — responde Eduardo. — Acabando o São João, tem o Dia do Rock. Eu quero é rock, bebê!
A explicação é bem simples: hoje Portugal está entrando em campo contra o Uzbequistão. Considerando que a fama do astro do rock é de pé-frio no futebol, Edu Meirelles decidiu hoje curtir um rock'n roll no talo.
— O que tem a ver os Rolling Stones com o jogo de Portugal? — Renata pergunta mais a si mesma do que para Edu.
A ficha cai.
Sim, parece uma expressão do tempo dos dinossauros — ou nem tanto assim —, mas o processo de associação entre rock e futebol custa uma fila atrás de Renata desse orelhão público imaginário.
— Então você quer que Portugal perca?
— Eu só quero que o Uzbequistão reaja.
— Sinto muito ser a portadora das más notícias, mas sua macumba futebolística reversa acabou de tomar o mesmo carrinho que interrompeu sua carreira de quase craque.
Na tela, Cristiano Ronaldo comemora o gol que o consagra como o primeiro jogador da história a marcar gol em seis copas diferentes.
— Meh! Isso aí qualquer um consegue — Edu dá de ombros, enciumado.
— Qualquer um, quem? Você, por acaso, conseguiu?
— Não consegui por falta de oportunidades porque, como o meu documentário mostra, forças superiores boicotaram...
— Tem certeza de que entre você e a Noviça é só amizade? — especula Renata, zombeteira. — Já pegou até os bordões dela!
— Não tente mudar de assunto!
— Forças superiores... Agradeça que esse narizinho aí não cresce a cada migué que você conta.
— Em minha defesa, digo que em 2030 você verá a redenção das Copas. Sente e aguarde!
— Quando terminar a fanfic, me avise para eu dar uma revisada!
— Não é fanfic!
— Tem Ronaldo, Romário, Ronaldinho e você no mesmo time. 
— Faltou o Vivaldo.
— Mais fanfic, impossível! 
— Ei, tenha mais respeito com o meu legado! 
Seu legado?
— Sim.
— Você está falando do legado que acabou de incluir Ronaldo, Romário, Ronaldinho e Vivaldo na mesma frase?
— Estou.
— O legado de um homem que nunca jogou uma Copa?
Quase joguei.
— O legado do documentário "Os segredos de um quase craque"?
— Exatamente.
Portugal amplia o placar, mas Eduardo Meirelles argumenta que "contra o Uzbequistão qualquer um consegue", o despeito transbordando a cada sílaba pronunciada.
— Eu desconfio de que toda essa marra se dá devido ao fato de você nem sequer conseguir esconder a sua admiração pelo Cristiano Ronaldo. Você é um dos maiores fãs dele e não quer admitir.
Sai o segundo gol de Cristiano Ronaldo. 
— Mas será possível? — Edu Meirelles corre as mãos pela cabeça, como se em vez de um gol, a grande estrela lusitana tivesse cometido uma falta grave.
— Na dúvida, veja o replay! 
— Massacrar o pobre Uzbequistão desse jeito?
— Desde quando você passou a torcer pelo Uzbequistão?
— Desde hoje.
— Pensei que você estivesse torcendo pela República Democrática do Congo. 
— Por Curaçao, Cabo Verde, Senegal, Iraque... eu sou o patriarca dos injustiçados. Não que eu deva considerar qualquer coisa que aqueles dois charlatões falem, mas vai que a gente vê uma surpresa no mata-mata? Seria bom pra mostrar que no futebol tudo pode acontecer.

Malacubaca na Copa 2026 | Uma quase análise com quase craques (é o que nosso orçamento permite)

Com o adiamento de México e Inglaterra por uma hora devido às tempestades na Cidade do México, o pós-jogo da Malacubaca continuou repercutin...