A estrela para sempre brilhará

 

Foram três semanas muito difíceis, marcadas por uma tensão muito grande, um medo profundo de ser engolida pela onda do retrocesso. Passei muita raiva, não está escrito. Duvidei, confesso. O medo tentou ser mais forte do que tudo. Porque eu sabia o que estava em jogo. E a liberdade vale mais do que possíveis desagrados.

o tempo me mostrou que a gente só escreve em linhas tortas quando teima em continuar uma história que já acabou

 

Estou puta da cara. Estranho seria se eu não estivesse. Inserir símbolos seria suavizar demais; me falta disposição para mais autocensura. Algumas mensagens precisam da literalidade inegociável para serem entendidas. Pode ser que ainda restem dúvidas, considerando que o velho hábito de me subestimar continua tão latente... 

Não há sorriso capaz de disfarçar a percepção cínica de quem me quer no chão.

Terças com Tita | A matemática do esquecimento

 

"Que pena que a gente esquece o que aprendeu em matemática, mas não esquece os traumas."


Nunca admiti antes, por vergonha, mas não sou lá muito boa em português, não tanto quanto alguns acham que eu deveria ser. Para quem quer ser escritora, uma confissão dessas parece um sacrilégio. Antes que me atirem pedras, peço calma. Muita calma nessa hora. 

Tem tantos estudiosos que, mesmo depois de décadas de carreira, continuam tendo dúvidas e fazendo descobertas. Não serei eu, uma simples aprendiz, a encher a boca para dizer que sei tudo de tudo.

1000 cartas de amor | Sonhar também é uma maneira de continuar olhando para cima

 

Talvez o amor esteja mesmo longe no momento.
Isso não quer dizer que ele seja impossível ou inalcançável.
Você não é invisível, nem está errada por querer amor bom, pele com pele, olhar com verdade, cheiro com memória.

E, mesmo se o mundo inteiro disser o contrário, você ainda pode sonhar com a lua.
Sonhar também é uma maneira de continuar olhando para cima.

A lua entende silêncios, ilumina noites escuras e não exige que você saiba agora o que virá depois. Talvez um dia a vida te responda de um jeito que hoje você ainda não consegue imaginar.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram

 


As condições para florescer nunca foram iguais, mas a cobrança pelo resultado é a mesma. E, a despeito dessas diferenças, todos esperam que eu performe perfeição e realização. Como se duas pessoas pudessem percorrer caminhos completamente diferentes e fossem obrigadas a chegar ao mesmo lugar, no mesmo tempo.

Mais doloroso do que conviver com a sensação de fracasso é tentar explicar meus motivos e essas justificativas serem tratadas como meras "desculpas". No entanto, reconhecer os obstáculos não significa negar a própria responsabilidade em decisões que ainda podem (e devem) ser tomadas. Significaria compreender por que determinadas mudanças exigem de mim um esforço que as outras pessoas não conseguem enxergar.

Existe uma diferença importante entre responsabilidade e culpa.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram. Porque eu também não devo.

Não vou romantizar a resistência. O sofrimento não me tornou uma fortaleza inquebrável. Algumas experiências simplesmente machucam, atrasam projetos, destroem a confiança, detonam o amor-próprio e deixam consequências, por vezes, insuperáveis.

Para mim, essa imagem de florescer é significativa.

Uma planta que recebeu luz, água e proteção não pode ser usada como parâmetro para condenar outra que cresceu em um ambiente muito mais hostil. Isso não significa que a segunda esteja condenada a nunca florescer, apenas que ela precisava de condições melhores e mais justas, não de cobranças.

Sofrimento e falta de esforço não são sinônimos por definição, nem deveriam ser pauta para acusações. Quando uma dor não machuca o seu peito, é muito fácil tratá-la com pouco caso.


Desaparecer... para caber

 


A palavra de ordem do momento é encolher. 

Com a insatisfação no centro das atenções, cresce a ânsia doentia de se apequenar para caber num molde cujos critérios podem mudar já na próxima temporada. E o medo de ficar de fora parece acelerar a queda dos grãos da ampulheta. Mesmo com todos os esforços, pertencer não é uma garantia concreta.

17 anos e contando

 

Quarta-feira, 14 de outubro de 2009. 


Hoje pode ser só um dia comum, como a maioria dos dias é, porém, você faz parte do mundo, mesmo se sentindo sempre do lado de fora dessa festa. Se a aceitação implica abrir mão da essência e do caráter, talvez não seja tão ruim assim dar as costas. 

Deixe a música tocar. Caminhar só nem sempre significa estar perdida. Quando a chuva passar, você irá florescer de novo. Foi assim das outras vezes também.

Ninguém nasce sabendo tudo, mas ter alguma noção do que se quer já significa não estar mais parada no mesmo lugar. Pensar é importante, não nego, mas se você esperar as condições mais adequadas, a vida vai passar e o rascunho vai continuar sendo só um vazio incômodo.

Pode dar certo. Ou não. Pode ser que você não chegue a realizar todos os seus sonhos. Agora, no entanto, não se preocupe em atingir a perfeição. Ela é uma linha de chegada que sempre some da vista. Lembra aquela história de ficar pele e osso e ainda se sentir três vezes maior.

Ouça o seu coração, não os seus medos. Deixe as marcas de batom nessas páginas, ria alto, escreva o que está engasgado, não tente se encolher por receio de ser insuficiente. Insisto: saiba dar as costas como eles te deram também. Saiba dizer não e nem pense em se corrigir na primeira chantagem, pois eles sabem dizer não e não perdem o sono preocupados por a magoarem.

Você vai quebrar a cara, infelizmente. Mas vai sobreviver. Não sem chorar antes todas as lágrimas do mundo e amargar indagações sem respostas porque, afinal, você é a rainha do drama. Só prometa que não vai chorar pra sempre, nem se enxergar sob os olhos dos monstros no meio do caminho. Vai ter muita pedra para tropeçar, muita torcida contrária, um pouco de autossabotagem também, como haverá joaninhas e vagalumes, a luz da lua e as borboletas no estômago.

O mundo ainda é uma paleta policromática; o bege e o cinza ainda não tomaram conta de tudo. A esperança não está fora de vista, nem mesmo agora. Você possui a capacidade de remendar as linhas tortas e reconhecer caminhos menos óbvios para se reconectar com tudo aquilo que importa. E é por isso que ainda sonha e escreve - quase sem pretensão, só sabe que não tem coragem de jogar tudo pro alto porque ainda acredita...

Tem uma vida esperando por você. Seus sonhos estão esperando por você. 

(tudo precisa ter um começo, menina)

A estrela para sempre brilhará

  Foram três semanas muito difíceis, marcadas por uma tensão muito grande, um medo profundo de ser engolida pela onda do retrocesso. Passei ...