Descanse em paz, Ninica

 


Ela costumava gritar quando eu me mexia na cama. Acorda, mãe, eu estou faminta. Levanta logo e vem me dar de papar.

Mas hoje não. Esse silêncio foi bem estranho. Quietinha, no cantinho da gaiola, a Ninica? Muito suspeito. Ela é o tipo que, quando acorda, ninguém mais consegue dormir.

Era... Ah, eu me esqueço de conjugar o verbo no tempo mais “apropriado”, pelo menos é o que aprendi a vida inteira. Ela era uma grande amiga. Era. Ninica era.

Em algum momento da madrugada, ela se foi. Em silêncio. Como quem não encontra uma maneira melhor de se despedir porque não quer chorar e também não quer que chorem por ela.

Esse sopro que a levou daqui talvez a conduza para um lugar onde uma porquinha serelepe possa dar seus pulinhos de pipoca e mastigar feno até altas horas.

Alguns corações estão partidos nesta manhã, em choque, tentando digerir o que aconteceu. Ontem mesmo ela cornetou porque queria maçã e repolho. Como pode hoje ser somente uma lembrança?

Não sei se alguém sabe dar uma resposta reconfortante. Pode ser, inclusive, que ninguém saiba o que dizer. Pensei que teríamos mais seis anos juntas, mas o dia de amanhã é realmente uma incógnita, e a nossa senha pode chegar sem que estejamos aguardando.

Ninguém nunca sabe quando o vento vai fazer nossa alma soprar noutra parte. Só o que sei agora é que preciso me acostumar com a rotina sem ela e esperar, de todo coração, que ela seja feliz nos braços do Pai.

O gosto por existir (não sou de ninguém, nem de lugar nenhum)

Que ninguém tente me explicar que os altos e baixos ajustam a entonação da história. Nem me diga que eu não me esforço o suficiente. Que só enxergo as situações sob a lente mais cruel de todas. Que estou em busca de atenção. Que, quanto mais reclamo, mais desagradável me torno.

Setembro Amarelo: falar é importante, mas é preciso saber ouvir


Sempre que chega setembro, aqui no hemisfério sul a gente celebra a chegada da primavera. Os dias começam a ganhar mais horas de luz natural, alguns parecem antecipar o verão enquanto outros ainda nos fazem procurar o casaco, e os ipês coloridos transformam a paisagem das nossas cidades.

Mas setembro também traz consigo outra cor. O amarelo começa a aparecer em monumentos, campanhas publicitárias e, sobretudo, nas redes sociais. É o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância dos cuidados com a saúde mental.

Eclipse Lunar | 27-28 de agosto de 2026

 

Chuvitiba não é para amadores. Não à toa, desde muito cedo saímos de casa que nem uma cebola, porque o frio está de lascar o rabo da gralha, para no meio da manhã fazer um calorão, chover no meio da tarde com ventania e tudo, para de noite vestir a boa e sempre segura japona. Essa piada é mais velha do que andar para frente, mas, mais tradicional que o penal, o piá e o leite quente, está a chuva. 

Brincadeiras à parte, todos esperamos que as chuvas na nossa região mantenham a regularidade para evitar medidas hídricas drásticas, até porque dá um frio na espinha lembrar daqueles meses em que ficávamos 36 horas com água e 36 sem fornecimento. E o nível dos reservatórios caindo, caindo...

Terças com Tita | Alguém sabe me dizer quem é e onde está o K. Godói?

 


Tive alguns amigos na faculdade que vinham uma vez na vida e outra na prova; mesmo assim, nunca reprovavam, graças ao milagre da assinatura solidária. Mas vou deixar para detalhar esse famoso esquema noutra oportunidade. Hoje, o assunto é a lista de presença como ferramenta de anarquia. Porque, se na faculdade o pessoal assina pelos outros por sobrevivência, em 2003 a gente fazia isso por puro esporte.

Mais odiada do que a segunda-feira, só a velha Carmen, a pior professora de História que já passou pela face da Terra. Ser alvo daquela mulher era o batismo de fogo do Ensino Médio. Ou você a odiava ou não estudava naquele colégio.

Os bullies também chegam ao ensino superior

 

Captura de tela do The Sims 4 (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

A vida universitária corrobora uma teoria que eu queria veementemente ter refutado: os idiotas também chegam ao ensino superior.

Descanse em paz, Ninica

  Ela costumava gritar quando eu me mexia na cama. Acorda, mãe, eu estou faminta. Levanta logo e vem me dar de papar. Mas hoje não. Esse sil...