Os Cadernos de Marisol
O gosto por existir (não sou de ninguém, nem de lugar nenhum)
Setembro Amarelo: falar é importante, mas é preciso saber ouvir
Sempre que chega setembro, aqui no hemisfério sul a gente celebra a chegada da primavera. Os dias começam a ganhar mais horas de luz natural, alguns parecem antecipar o verão enquanto outros ainda nos fazem procurar o casaco, e os ipês coloridos transformam a paisagem das nossas cidades.
Mas setembro também traz consigo outra cor. O amarelo começa a aparecer em monumentos, campanhas publicitárias e, sobretudo, nas redes sociais. É o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância dos cuidados com a saúde mental.
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Tive alguns amigos na faculdade que vinham uma vez na vida e outra na prova; mesmo assim, nunca reprovavam, graças ao milagre da assinatura solidária. Mas vou deixar para detalhar esse famoso esquema noutra oportunidade. Hoje, o assunto é a lista de presença como ferramenta de anarquia. Porque, se na faculdade o pessoal assina pelos outros por sobrevivência, em 2003 a gente fazia isso por puro esporte.
Mais odiada do que a segunda-feira, só a velha Carmen, a pior professora de História que já passou pela face da Terra. Ser alvo daquela mulher era o batismo de fogo do Ensino Médio. Ou você a odiava ou não estudava naquele colégio.
Naquele dia, o sargentão de saias faltou, mas deixou tarefa e uma lista de presença. Assinei meu nome direitinho. Não queria mais problemas, nem visitar a sala da Raimunda tantas vezes. Os meninos, por outro lado, foram ligeiros e avacalharam legal, preencheram a folha de caderno frente e verso.
Quando a gente pegava embalagem velha de desodorante e enchia de água na torneira, o fervo começava. Era jato para tudo quanto é lado. A gente se molhava, mas se divertia pra caramba e ninguém escapava das emboscadas no corredor. Aula vaga, nossa turma solta no quintal, um dia mais quente... Ah, era a combinação perfeita!
Os metaleiros estavam coroando o ogro do grupo e uma galera se amontoou para ver os fortões tomando refrigerante no gargalo para disputar quem tinha o arroto mais estrondoso. Não pensem que o concurso era território estritamente masculino. Júlia, com aquela carinha de anjo que parecia viver à base de luz e orvalho, revelou-se uma competidora de peso, mas o prêmio Barney Gumble ficou com o Leitão.
Teve escalada das grades da cancha. Concurso da careta mais medonha. E outras modalidades igualmente sem noção, como os meninos correrem pela fileira para pegar impulso e chutar a parede. Uma, duas, três vezes... e os tontos continuavam fazendo aquele tum-tum-tum como se as estruturas fossem de isopor.
A última aula da sexta-feira era vaga, mas, quando já fazíamos fila para sair da sala, a Raimunda entrou, fechou a porta e declarou:
Alguns dos nomes escritos na lousa:
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