não sei mais como se chora.
a vontade existe,
mas a fonte do pranto deve ter secado.
chuva no deserto, carente de lógica,
feito o relógio que marcou as horas pela última vez
e segue pendurado na parede,
emoldurando um lar desfeito,
sobrevivente da própria indiferença.
quanto de mim há nessa estranha
que tenta brincar de escrever?
a alma ainda é feita de poeira estelar.
o corpo é um objeto desconexo —,
porque pesam nele os sonhos de outrora,
varridos nas temporadas de furacões
que arrastaram com elas
a curvatura daquele sorriso
que começava nos olhos
e terminava na prece.