Deveria ser uma verdade autoevidente e possível de ser comprovada mediante retrospecto. Entretanto, na calada da noite, não só os gatos são pardos, como também existe uma teimosia em subverter o axioma por certo deleite na própria estupidez.
Para chegar à disputa de uma Recopa, é de conhecimento geral que os clubes disputem e vençam a Libertadores e a Sul-Americana, dois torneios bastante consolidados. Aos que acreditam em sorte, talvez seja conveniente procurar por trevos-de-quatro-folhas nas beiradas do campo, no entanto, uma campanha bem-sucedida reflete a consistência de um planejamento laborioso. Quem quiser, pode apostar “cara” ou “coroa” e esperar sentado porque o cansaço cobra a conta.
Saltos no escuro não são perdoados. No futebol, a queda de um gigante costuma coroar outro. Errar é humano, ninguém discorda, mas persistir por teimosia é aquela pergunta que ressoa nas mentes de torcedores, adversários, dirigentes e profissionais de imprensa.
Rivalidades à parte, premia-se uma gestão que respeita a torcida sem subestimá-la. O exemplo mais claro é alviverde. Nem todas as temporadas são gloriosas e dignas de um documentário épico. Algumas são amargas, contam com eliminações dolorosas, críticas pesadas, protestos, porém, a confiança no trabalho da equipe técnica se mostra um alicerce importante para que os erros de outrora sejam lições para uma campanha vitoriosa, oportunidade para encarar os altos e baixos da vida, o vagão da montanha-russa também precisa descer.
Nunca foi mistério que parte dos torcedores vive uma Síndrome de Estocolmo esportiva, de olhos no retrovisor de uma temporada apoteótica, sim, guiados pelo fanatismo de um passado que foi glorioso e preâmbulo de uma era. No entanto, revisitar certas situações só demonstra que a memória afetiva, quando vira dogma, cega a razão administrativa.
O início da atual temporada está aquém das expectativas?
É de consenso que, sim, mas a pertinente provocação diz respeito à paralisia, à sabotagem. No caso rubro-negro, a máxima foi subvertida: mexe-se no time que está ganhando para satisfazer o ego de quem não suporta a sombra do mérito alheio. Nem o melhor time do mundo ganha todas, perder é parte do espetáculo.
A pressão por resultados rápidos culmina nesses “saltos no escuro”. Não se trata apenas de um “nome novo” e a promessa de uma trajetória bem-sucedida, mas da competência para estancar as consequências de honrar a palavra. O timing dentro de campo não espera ninguém ajeitar a meia.
Para quem esperava 2026, ver 2023 no retrovisor não é uma perspectiva animadora, mas o desejo mais sincero, além de bater três vezes de punho fechado na madeira, é para dignamente me retratar lá no fim do ano.

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