| Registro fotográfico feito à 1h51 da manhã na hora de Brasília (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
📍 O espetáculo em 7 atos
Se em outras noites o céu é apenas um cenário, naquela madrugada ele foi o protagonista absoluto. Ver a Lua sangrar no alto do céu, sem pressa de ir embora, foi o lembrete de que a perfeição exige tempo e alinhamento.
🌖 Início da penumbra: 22h32 (dia 15) — Onde o brilho começou a perder a força.
🌗 Início da parcial: 23h27 (dia 15) — A sombra da Terra começou a “morder” o disco lunar.
🌕 Início da totalidade: 0h29 (dia 16) — O momento em que a Lua mergulhou por completo na umbra.
🔴 Máximo da totalidade: 1h11 (dia 16) — O ápice do carisma celeste; o tom de sangue mais profundo.
🌕 Fim da totalidade: 1h53 (dia 16) — A Lua começou a se despedir do manto avermelhado.
🌗 Fim da parcial: 2h55 (dia 16) — A sombra deixou a superfície lunar.
👉 A “Lua de Sangue” brilhou intensamente por 1 hora e 25 minutos de totalidade. Foi uma das mais longas e nítidas da década para quem estava no Brasil.
📍 Como foi interpretar isso no céu
Se no eclipse de 3 de março de 2026 precisaremos acordar cedo e olhar para o horizonte, em 2022 a Lua encontrava-se no topo do céu (próximo ao zênite). Isso significou que, no meu caso, por ter uma vista para o oeste, tive o ângulo perfeito: a Lua estava alta, fugindo da poluição visual e das luzes da rua, permitindo que cada nuance do espetáculo fosse captada, mesmo através do vidro que me protegia do frio.
Aqui em Curitiba, as nuvens entraram em cena, porém não atrapalharam em nada a visualização. O processador da câmera do celular não fez justiça em relação à beleza da Lua e à importância de viver aquele momento, apenas me permitiu ter registro para um dia tirar esse post do baú.
🚀 E o que nos reserva o futuro?
Enquanto pesquisava para tirar este post do baú e anotar a data da próxima Lua de Sangue, lembrei-me do Ciclo Metônico. No entanto, o eclipse de 16 de maio de 2041 será diferente porque, em 2022, a Lua mergulhou na parte mais escura da sombra da Terra (Umbra), em 2041, ela passará apenas pela Penumbra (a sombra externa e clarinha).
O efeito visual é quase imperceptível, pois a Lua apenas perde um pouquinho do brilho, como se tivesse uma névoa fina diante dela. Mesmo se tratando de um eclipse penumbral, ele poderá ser visto na Oceania, Ásia e parte da Europa. Aqui na América do Sul, nosso satélite já terá se posto ou estará em uma posição onde o fenômeno não será visível.
No entanto, descobri que, se ainda estiver aqui nesse mundão, 30 de abril de 2041 promete ser um dia histórico para a astronomia, com a ocorrência de um Eclipse Solar Total.
A Lua passará exatamente entre a Terra e o Sol. Em uma faixa que cruza a África, o dia virará noite por alguns minutos. Aqui no Brasil, contudo, veremos um Eclipse Solar Parcial em partes do leste e do sul. Teremos a impressão de ver a Lua “mordendo” uma parte generosa do Sol logo ao amanhecer.
O “Anel de Fogo”
Se você pensou que o eclipse de 30 de abril era tudo, prepare-se para incluir na agenda o Eclipse Solar Anular que atravessará o Brasil. A faixa de anularidade (onde se vê o anel perfeito) passará pelo Norte e Nordeste do Brasil. Já aqui em Curitiba (e no Sul de modo geral) veremos como um Eclipse Parcial.
A Lua vai cobrir uma parte do Sol, criando aquele efeito de “Sol mordido”, mas não teremos o anel perfeito e nem a escuridão total de 1994. Eu tinha 5 aninhos, não lembro muito, só sei que até hoje nunca vi nada igual se repetir.
Por que falar disso agora?
Porque a astronomia tem esse poder: ela nos faz olhar para o passado com saudade (como essa madrugada fria de 2022, a memória de 1994) e para o futuro com expectativa.
Seja com uma câmera de celular limitada ou com a tecnologia que existir em 2041, o importante é não deixar o perfeccionismo nos impedir de registrar o agora. Daqui a 15 ou 20 anos, não vou me lembrar se a foto estava nítida, mas vou me lembrar exatamente da sensação de ver a Lua mudar de cor enquanto Curitiba gelava lá fora.
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