Eclipse Lunar Total | 16 de maio de 2022

Esperei a “oportunidade perfeita” para publicar, mas o perfeccionismo foi o carrasco da intenção. Conto com recursos limitados para produzir o blog, mantendo o hábito por amor e necessidade de falar, nem que seja sozinha. Entretanto, apesar dos registros bastante simplórios para um evento da dimensão de um grande eclipse, eternizar esses momentos especiais faz parte da minha própria história.

Você se lembra de onde estava em 16 de maio de 2022?

Provavelmente, pelo horário do eclipse, você devia estar dormindo ou talvez procurando um lugar para assistir à Lua de Sangue. Seja por “sorte” ou localização estratégica, posto que a janela do meu quarto tem uma vista considerável para o oeste, consegui acompanhar tudo pela janela, só não me arrisquei a abri-la porque fazia um frio daqueles.


Registro fotográfico feito à 1h51 da manhã na hora de Brasília (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Se você não se recorda desse eclipse, não tem problema. Precisei dar uma pesquisada para relembrar e organizar as informações, o que também me ajuda a fixar os conceitos sobre a Lua de Sangue e do ciclo metônico, além de compartilhar conhecimento, mesmo sem ser astrônoma.

📍 O espetáculo em 7 atos

Se em outras noites o céu é apenas um cenário, naquela madrugada ele foi o protagonista absoluto. Ver a Lua sangrar no alto do céu, sem pressa de ir embora, foi o lembrete de que a perfeição exige tempo e alinhamento.


🌖 Início da penumbra:
22h32 (dia 15) — Onde o brilho começou a perder a força.
🌗 Início da parcial: 23h27 (dia 15) — A sombra da Terra começou a “morder” o disco lunar.
🌕 Início da totalidade: 0h29 (dia 16) — O momento em que a Lua mergulhou por completo na umbra.
🔴 Máximo da totalidade: 1h11 (dia 16) — O ápice do carisma celeste; o tom de sangue mais profundo.
🌕 Fim da totalidade: 1h53 (dia 16) — A Lua começou a se despedir do manto avermelhado.
🌗 Fim da parcial: 2h55 (dia 16) — A sombra deixou a superfície lunar.
🌖 Fim do eclipse (penumbral): 3h50 (dia 16) — O encerramento oficial do baile.

👉 A “Lua de Sangue” brilhou intensamente por 1 hora e 25 minutos de totalidade. Foi uma das mais longas e nítidas da década para quem estava no Brasil.

📍 Como foi interpretar isso no céu

Se no eclipse de 3 de março de 2026 precisaremos acordar cedo e olhar para o horizonte, em 2022 a Lua encontrava-se no topo do céu (próximo ao zênite). Isso significou que, no meu caso, por ter uma vista para o oeste, tive o ângulo perfeito: a Lua estava alta, fugindo da poluição visual e das luzes da rua, permitindo que cada nuance do espetáculo fosse captada, mesmo através do vidro que me protegia do frio.

Aqui em Curitiba, as nuvens entraram em cena, porém não atrapalharam em nada a visualização. O processador da câmera do celular não fez justiça em relação à beleza da Lua e à importância de viver aquele momento, apenas me permitiu ter registro para um dia tirar esse post do baú. 


🚀 E o que nos reserva o futuro?

Enquanto pesquisava para tirar este post do baú e anotar a data da próxima Lua de Sangue, lembrei-me do Ciclo Metônico. No entanto, o eclipse de 16 de maio de 2041 será diferente porque, em 2022, a Lua mergulhou na parte mais escura da sombra da Terra (Umbra), em 2041, ela passará apenas pela Penumbra (a sombra externa e clarinha). 

O efeito visual é quase imperceptível, pois a Lua apenas perde um pouquinho do brilho, como se tivesse uma névoa fina diante dela. Mesmo se tratando de um eclipse penumbral, ele poderá ser visto na Oceania, Ásia e parte da Europa. Aqui na América do Sul, nosso satélite já terá se posto ou estará em uma posição onde o fenômeno não será visível.

No entanto, descobri que, se ainda estiver aqui nesse mundão, 30 de abril de 2041 promete ser um dia histórico para a astronomia, com a ocorrência de um Eclipse Solar Total. 

A Lua passará exatamente entre a Terra e o Sol. Em uma faixa que cruza a África, o dia virará noite por alguns minutos. Aqui no Brasil, contudo, veremos um Eclipse Solar Parcial em partes do leste e do sul. Teremos a impressão de ver a Lua “mordendo” uma parte generosa do Sol logo ao amanhecer.

O “Anel de Fogo”

Se você pensou que o eclipse de 30 de abril era tudo, prepare-se para incluir na agenda o Eclipse Solar Anular que atravessará o Brasil. A faixa de anularidade (onde se vê o anel perfeito) passará pelo Norte e Nordeste do Brasil. Já aqui em Curitiba (e no Sul de modo geral) veremos como um Eclipse Parcial

A Lua vai cobrir uma parte do Sol, criando aquele efeito de “Sol mordido”, mas não teremos o anel perfeito e nem a escuridão total de 1994. Eu tinha 5 aninhos, não lembro muito, só sei que até hoje nunca vi nada igual se repetir.

Por que falar disso agora?

Porque a astronomia tem esse poder: ela nos faz olhar para o passado com saudade (como essa madrugada fria de 2022, a memória de 1994) e para o futuro com expectativa.

Seja com uma câmera de celular limitada ou com a tecnologia que existir em 2041, o importante é não deixar o perfeccionismo nos impedir de registrar o agora. Daqui a 15 ou 20 anos, não vou me lembrar se a foto estava nítida, mas vou me lembrar exatamente da sensação de ver a Lua mudar de cor enquanto Curitiba gelava lá fora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Muito obrigada pela visita ao OCDM, espero que você tenha gostado do conteúdo e ele tenha sido útil, agradável, edificante, inspirador. Obrigada por compartilhar comigo o que de mais precioso você poderia me oferecer: seu tempo. Um forte abraço. Volte sempre, pois as páginas deste caderno estão abertas para te receber. ♥

Malacubaca | Em time que está ganhando não se mexe?

  Ilustração autoral do Zecão, o mascote futebolístico da Malacubaca (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) A quem interessar possa, este text...