Cinco anos sem você, vó



Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ao lugar. 

Foi a partir daquele dia que você começou a morrer um pouquinho. 

Teve um domingo muito estranho algum tempo depois. Cinzento, frio, longo e suspenso. As paredes frias testemunharam os seus últimos momentos, mas esse trecho da história sofreu diversas alterações, a depender de que o narrava. Porque o desfecho era óbvio, não haveria um último milagre para fazê-la levantar daquela cama e testemunhar uma cura que faria a medicina duvidar das próprias convicções.

Dizem que seu último suspiro foi perto da meia-noite. Suas mãos soltaram a corda esgarçada pela luta desleal contra um inimigo que devorou as páginas em branco restantes no livro da vida e se apresentou num estágio avançado demais para uma remissão. Chegava a hora de dar os primeiros passos rumo a um lugar muito melhor do que aqui, distante da nossa visão, do entendimento e do toque.

Naquela manhã de segunda-feira eu não mensurava a dimensão da sua partida. No fundo, eu ainda esperava por um telefonema que desmentiria a realidade e devolveria aos dias um senso de normalidade.

Foi algum tempo depois que olhei para as fotos que tirei da última vez que a visitei e ficou muito claro o ensaio improvisado de uma despedida não tão anunciada.

A casa ainda era a mesma, mas havia um silêncio dolorido naquele relógio parado às sete horas, no piso frio que cobria os cômodos, no amarelo desbotado das paredes. O último café não parecia o último, a mesa posta tinha gosto de reencontro. Álbuns de fotografias espalhados pelo chão, a voz embargada com uma lembrança que veio de repente, droga de pandemia.

Você acenou para nós até o carro dobrar a esquina, costumava ser o nosso "até sempre". Foi numa madrugada insone que escrevi sobre o assunto pela primeira vez, com um nó na garganta, porque resumiram seu funeral a lavação de roupa suja de quem deixou a mágoa e o rancor falarem mais alto do que a dor que nos igualava a todos.

O inventário mais importante não eram os eletrodomésticos, nem o carro, nem a propriedade, era a sua bondade de ajudar a quem precisasse, a determinação de uma mulher que ficou sozinha no mundo e lutou por tudo que quis, as histórias que cada um viveu ao seu lado e poderá guardar para sempre.

Esse lar ainda existe no mundo dos sonhos. Não tem tumor nenhum, nem joelho estourado, nem coração quebrado, nem protocolos sanitários a impedir visitas e abraços. A saudade acaba assim que avisto o canteiro de flores perto do portão e a rampa que dava na garagem porque sempre tem um abraço cheiroso pedindo desculpas pela bagunça — inexistente — e agradecendo a visita.

Tiraram a plaquinha dos geladinhos que ficava no poste, mudaram a cor do portão, tem outro veículo estacionado na garagem, parece que tantos anos passaram mais rápido do que um suspiro. Tem uma pessoa a menos orando por mim e pelos meus, nunca mais apareceu seu telefone no identificador de chamadas nos aniversários e no Natal.

Reconheço ser tarde para lamentar tudo que não fiz por você, pelas visitas que ficaram na promessa, pelo ponto final que mudou tudo para sempre. Remoer arrependimentos por não ter aproveitado certos momentos ciente da brevidade de nossas existências não acalma meu coração, porque por um bom tempo eu te tinha como uma mulher forte e longeva, que veria meus filhos crescerem, reunindo novamente quatro gerações no mesmo aposento, que nem naquele dia em que estávamos a bisa, você, a minha mãe, a minha irmã e eu.

São cinco anos de muitos outros que ainda virão. O mundo seguiu em frente, nós também seguimos para algum lugar. Com um vazio impossível de preencher com nada que não seja a sua memória e a certeza de que quando eu publicar aquele livro o qual você queria tanto ter lido, o mundo haverá de conhecer o seu nome. 

Infelizmente, nem todos os contratos são respeitados e uma editora pegou aquele dinheiro que você com tanto carinho deu para ver o livro ser publicado. Nunca consegui te contar que pessoas inescrupulosas agiram de má-fé, deixando de cumprir o que prometeram até reconhecendo firma, porém a lembrança mais bonita tem a ver com a sua generosidade em acreditar em mim mais do que eu mesma já acreditei. 

Talvez você olhe por mim aí do plano superior e a gente se encontre um dia desses, quando a primavera voltar. Enquanto isso, eu escrevo.


Insurgente





Não quero pensar no que será de mim daqui para frente. Os batimentos cardíacos estão voltando ao ritmo habitual. Encontro-me distante do labirinto cinzento e gradeado, o uniforme da despersonalização descansa numa mureta, onde aposento também esse personagem que consente com a própria degradação.
Até nunca mais.
Se pensasse duas vezes, estaria escondida numa cabine qualquer do banheiro feminino, apenas adiando o intolerável. O balde é imenso, mas nunca é bom subestimar a intensidade com que a última gota arrasa o que estiver pela frente. 
Se não havia saída, acabei de encontrar a porta entreaberta, o frio na barriga compensa o "não saber" do meu dia de amanhã. Vi tantos anos se passarem sem sequer me sentir gente, preciso me lembrar que existe algo muito pior do que não realizar um sonho: deixar de lutar por ele em razão do medo ou por acreditar naquela lorota de "não merecer".

Joaninhas e piscinas 🐞

 

Não era uma tarde comum de outono, nem tão quente, mas a piscina da estância estava cheia de gente. Mergulhar de cabeça é parte da aventura para quem escolhe dar as mãos ao medo e descer o tobogã azul em espiral. Passar vergonha encabeça a lista de coisas que deixo de fazer para não ser assunto pelos motivos "errados".

espelho quebrado | o manifesto da dismorfia (2020)

 

Publicado originalmente em 7 de março de 2020, no blog Perguntas, prerrogativas e provocações.

ele nunca foi o algoz

refletiu a representação
sobre a minha pessoa
sem omitir os detalhes
sem filtros de disfarces
por inteiro a me ver

Terças com Tita | A farsa dos 500 anos

 



Isso vai entregar a minha idade, mas não estou nem aí. Parece que foi ontem que eu passava pelo centro da cidade e via aquele relógio de rua que fazia a contagem regressiva para os 500 anos do descobrimento do Brasil. Para quem nasceu depois disso, essas narrativas parecem meio estranhas, pertencentes a outro mundo.

O otimismo quase ingênuo que aquela vibe do ano 2000 trazia era palpável no ar, nos gestos, no sentimento comunitário. Algo muito grandioso estava para acontecer, muito além do nosso modesto entendimento. Essa expectativa só precisava existir para hoje ser palavra — ou muito mais do que palavras.

Coração de leão e sábados preguiçosos



"A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser" — Homer Simpson 

Tudo começou num dia qualquer, de frente para a televisão de tubo, sem nenhum prenúncio especialmente memorável. Primeiros parágrafos me intimidam, preciso sacudir a cartola de cabeça para baixo na esperança de encontrar algumas ideias razoáveis para não abandonar o texto. Porque é o que acontece quando o medo se torna uma estufa de acrílico e desencoraja riscos, mesmo os calculados. 
Eu teria de reencarnar dezenas de vezes para ser tão inteligente e articulada como a Lisa Simpson é no alto dos seus oito anos, mas a sede de conhecimento é uma constante. Só é sufocante tentar caber em definições tão obtusas; a caixinha não é um lugar legal para se morar. 

Feliz aniversário, Ezi! ✨🎂

 


Que alegria imensa poder comemorar mais um aniversário seu, querida amiga! É sério, parece que foi ontem o seu aniversário passado, que caiu num domingo de Páscoa, e até o retrasado, aquele em que você, a Carolzinha e eu fomos àquela exposição do Monet lá no Mueller, mas cá estamos, um ano de muitos mais que esperamos vê-la celebrar.

A vida adulta pesa consigo. São tantos compromissos, afazeres e prazos que o cansaço responde antes do corpo, porém as verdadeiras amizades não são taças de material frágil, a fortaleza delas é comparável aos troncos dos carvalhos e resistem àquelas fases em que a rotina parece sufocar a criatividade, desbotar as cores e ser cumprida de forma mecânica.

Nossos amigos são esses faróis que nos lembram de quem somos quando a tristeza tenta confundir os sentidos, mesmo quando pensamos estar sós. Cada reunião serve de bálsamo para acalmar o coração a respeito daquilo que não depende somente de nós, recarregar as energias e agradecer pelos momentos em que simplesmente deixamos a seriedade de lado e rir, brincar, sem ouvir as groselhas que a pressa se antecipa em dizer para pesar o clima.

Nunca terminamos um ano do mesmo jeito que começamos. Suas mudanças de visual delimitaram as várias fases de 2025. O resultado fica em segundo plano quando você para e reflete que ao menos você se permitiu mudar, arriscar, não deixou tudo só na promessa, esperando um dia perfeito que pode nunca vir.

Talvez você não sinta isso agora, mas se você olhar para trás, não deixe de sentir orgulho de si pelas inúmeras conquistas. Não abra mão da sua independência por nada, nem por ninguém. Você merece ser feliz e guardar espaço na alma para carregar os seus sonhos, não as críticas alheias, nem os pré-conceitos de ninguém.

Você não é um “tanto faz”, você merece ser amada por alguém que deseje estar ao seu lado, sem desculpas, sem joguinhos. Você merece um brinde no alto de uma cobertura, com alguém que segure na sua mão e veja o fulgor das estrelas no seu olhar, alguém que, ao te abraçar, sinta a responsabilidade de cuidar do seu mundo inteiro. Não aceite menos, nem quando a carência vier com conversinha mole.

Mas hoje o choro só está liberado se for de alegria e emoção. Lute com unhas e dentes pelos seus sonhos, seja uma leoa determinada, seja por você antes de qualquer outra pessoa. Sofrer na vida faz parte, porém, não se torture pelo que não depende de você e tenha a certeza de que o mesmo vento que arrasa tudo que vê pela frente também é aquele abraço gostoso num dia abafado.

Perdoa o textão e se eu viajei muito na maionese tentando “falar bonito”. Não sei me limitar às frases feitas, gosto de não colocar amor em tudo que faço, em cada palavra escolhida e pensada para fazer sentido daqui a muitos anos ou diversas outras versões suas — e não somente neles.

Saúde, alegria, paz, realizações, prosperidade, amor, coragem, determinação… ah, são tantos os pedidos. Que a luz do seu sobrenome te guie a cada escolha e essa mensagem te abrace caso eu não esteja por perto. Obrigada por existir.

Com carinho,

Mary =)

A vida continua injusta, mas o riso é livre



Tenho um pé atrás com continuações ou reencontros porque quase sempre eles não correspondem às expectativas. Se seu desejo é ler uma resenha acadêmica, técnica, detalhada e repleta de palavras difíceis, esse post não é para você. Quero conversar com aquela jovem que um dia eu fui, sem "higienizar" minha história porque fulana pode ficar chocada com as anedotas de alguns anos atrás, sem me envergonhar das páginas zoadas, dos tombos e até das referências que solidificaram a personalidade.

Depois dos 25 | O oásis não passa de outra ilusão



Ninguém conta o quão devastador é ser gatilhada por estímulos que me querem adestrada, encolhida na caixinha, consentindo com as falácias vendidas num belo embrulho. O medo de ficar de fora coloca todas as convicções em prova. 
Padeço às pedras de granizo atravessadas no peito, consequência de todos aqueles "tudo bem" que venho dizendo há muito tempo. Deito para esquecer, acostumada a ser compreensiva, a tantas portas fechadas, a abdicar em nome dessa tal resiliência.
Sou muito consciente da realidade, estou e sempre estive sozinha. E esse peso testa a resistência aos mais árduos trechos nesse solo árido e pedregoso. Caminho devagarinho, prefiro assim. O oásis não passa de outra ilusão. 

Terças com Tita | O refresco do algoritmo

 

Sabe por que o mundo se tornou tão careta?

Porque foi o preço a ser pago para entrar na caixinha, apesar de sempre termos escutado aquela máxima sobre pensar fora dela, ousar, abraçar a coragem, celebrar as diferenças e saber quando e como discordar. Uma leitura maniqueísta e tendenciosa poderia incorrer numa captura de tela distorcida e replicada à exaustão, colocando na minha boca palavras que eu nunca falei, ignorando o contexto e o chamado à autocrítica que tanto faz bem à sociedade e nunca cai de moda.

Depois dos 25 | Ponto de não-retorno

 


Se já escrevi, não lembro quando, mas não é a primeira vez que me questiono o porquê de a nostalgia Y2K resgatar e reciclar o que tinha de mais abjeto naquela longa década. Permaneci alguns segundos dramáticos fitando a tela, tentada a apagar essas ideias ridículas e pelo menos tentar seguir o tal fluxo, abraçar a nostalgia e ignorar a podridão varrida para debaixo do tapete.

13 de abril | Dia do Jovem


🌱 A Energia do Amanhã: Celebrando o Dia do Jovem

13 de abril — Dia do Jovem

Juventude é mais do que uma fase da vida: é potência. É inquietação, brilho nos olhos, coragem para tentar e a teimosia bonita de quem ainda acredita que pode mudar o mundo — e muitas vezes muda. O Dia do Jovem, celebrado em 13 de abril, é um convite para ouvir quem vive o presente com um pé no futuro.


✨ Por que celebrar o jovem?

Porque são eles que:

  • carregam ideias novas nas mochilas;

  • levantam cartazes nas ruas e hashtags nas redes;

  • enfrentam o cinismo do mundo com um fone de ouvido no ouvido e uma esperança no peito;

  • acreditam, sonham e recomeçam, mesmo sem apoio.


🧠 Como os jovens podem transformar ideias em ações?

🔹 Sonhe com os pés no chão — Trace metas e se organize, mesmo que aos poucos.
🔹 Se informe — Conhecimento é poder. Leia, ouça, converse.
🔹 Conecte-se com causas — Participe de grupos, projetos ou crie o seu.
🔹 Não subestime sua voz — Jovens mudaram regimes, criaram tecnologias e escreveram livros que ainda lemos.
🔹 Permita-se mudar de ideia — Evoluir é parte do caminho.


🪴 Como apoiar os jovens de verdade?

🌻 Escute sem desdenhar.
🌻 Incentive sem impor.
🌻 Corrija sem ridicularizar.
🌻 Esteja por perto sem sufocar.
🌻 Acredite — porque eles já lidam com muitos que duvidam.


🧑🏽‍🎓 Jovens que fizeram história

📘 Anne Frank, que escreveu um diário em meio ao horror nazista.
🎤 Billie Eilish, que ressignificou a arte e saúde mental no pop mundial.
📚 Malala Yousafzai, que sobreviveu a um atentado e virou Nobel da Paz aos 17.
🪪 Heitor Villa-Lobos, que compôs aos 12 e se tornou o maior nome da música clássica brasileira.
📸 Jovens brasileiros anônimos, que fazem vaquinha para estudar, criam ONGs e resistem com arte, afeto e criatividade mesmo sem protagonismo.

11 de abril | Dia do Fondue de Queijo 🫕


Na última sexta-feira (11 de abril), foi celebrado o Dia do Fondue de Queijo, uma data que pode parecer só mais uma curiosidade gastronômica, mas que, na verdade, carrega história, tradição e afeto. Uma data para aquecer os dias mais frios, reunir as pessoas queridas em volta da panelinha e transformar o simples ato de comer em ritual.


📜 Um pouco de história… e uma pitada de charme

A palavra “fondue” vem do francês fondre, que significa derreter. E foi justamente essa necessidade que originou a receita: nas montanhas da Suíça, durante os invernos rigorosos, camponeses aqueciam os restos de queijo duro com vinho branco e mergulhavam pedaços de pão velho para criar uma refeição nutritiva e compartilhável.

Mas o fondue não foi sempre “coisa de gente simples”. Historiadores apontam que, durante o século XVIII, os queijos usados (como o Gruyère) eram caros e inacessíveis aos mais pobres. Com isso, o prato também foi apreciado por famílias abastadas, sobretudo nas regiões de Jura e Savoie, na fronteira entre Suíça e França.

A primeira menção escrita ao fondue aparece em um livro publicado em 1699, na cidade de Zurique.


🌍 Do frio suíço para o mundo

A internacionalização do fondue aconteceu na década de 1950, quando o chef suíço Conrad Egli apresentou o prato em seu restaurante Chalet Suisse, em Nova York. Ele também foi responsável por criar a versão doce com chocolate derretido, que virou sinônimo de romance e finais de jantar com gosto de “quero mais”.


🗓 Por que 11 de abril?

O Dia do Fondue de Queijo é celebrado em 11 de abril como um marco simbólico do início da temporada de fondue em muitos países com clima frio. Uma homenagem à cultura suíça — mas, mais que isso, uma celebração do aconchego que só um prato coletivo é capaz de proporcionar.


💡 Curiosidades que aquecem o papo

  • 🧾 O fondue aparece pela primeira vez por escrito em Zurique, em 1699.

  • 🎶 Na Suíça, quem deixar cair o pão na panela deve pagar prenda: cantar, contar piada ou até dançar.

  • 👨‍🍳 Por lá, é tradição o homem da casa preparar o fondue, como um gesto de hospitalidade e cuidado.

  • 🏠 A cidade de La Chaux-de-Fonds, famosa pela relojoaria, também disputa o título de berço da receita.


🍷 Harmonizações e variações deliciosas

Um bom fondue pede uma boa companhia — e um bom vinho!
O tradicional acompanha bem vinhos brancos secos, como o Sauvignon Blanc, ou até um espumante geladinho. Para os criativos, vale testar versões com queijos azuis, gorgonzola ou até receitas veganas feitas com castanhas, azeite e levedura nutricional.

💡 Dica dos Cadernos de Marisol: mantenha a chama da panelinha baixa e mexa sempre com colher de pau para evitar que o queijo queime no fundo.


🤍 Mais que comida: convivência

O fondue é mais do que uma refeição: é um ritual coletivo. Não se come fondue com pressa. Ele exige tempo, cuidado e partilha. Cada pessoa espera sua vez, mergulha o pão no queijo, ri, derruba, paga prenda… e no fim, tudo vira memória.

Na correria do dia a dia, talvez a gente precise mesmo de mais fondue — no prato e na vida. Que tal resgatar essa tradição? Nem que seja com pão francês, queijo derretido no fogão e muito carinho à mesa.

cada um por si e o tempo contra todos nós

somos as peças que ficam de fora 
no limiar da invisibilidade 
nós sempre damos conta do recado 
precisamos olhar para o lado
tanto egoísmo não leva a nada

corra uma maratona com a perna engessada
você pode ir mais depressa
desculpas não justificam derrotas
você nem sequer se esforça 
a vida é difícil para todo mundo 

cada um por si e o tempo contra todos nós 

eles vêem o sorriso resignado,
palavras trancadas no alto da garganta 
concessões feitas sem resistência 
o lobo rasga a pele do cordeiro 
quando o sim não vem de primeira 

o cansaço crônico parece ócio
de quem vive um não-lugar no mundo 
pensado para suprimir divergências

corporais 
mentais 
comportamentais 

lugar de fala, qual deles?

porque quem tenta falar por nós 
se esquece de nos consultar.




Mary Recomenda | A face mais doce do azar - Vera Saad

 

Tem livros que não chegam até nós com barulho, mas que, uma vez lidos, não nos deixam mais. A Face Mais Doce do Azar, de Vera Saad, foi uma dessas descobertas silenciosas e arrebatadoras. Para quem está cansado de tramas previsíveis e finais felizes embalados para presente, Vera oferece algo muito mais precioso: a verdade da incerteza.

A narrativa nos conduz por uma atmosfera densa, quase cinematográfica. O “azar” aqui não é apenas a falta de sorte, mas aquela força invisível que molda os encontros e desencontros da vida urbana. Vera Saad tem uma escrita que parece uma lâmina: é fina, precisa e corta onde a gente menos espera.

O que mais me fascinou foi a construção psicológica. Não estamos diante de personagens chapados, mas de seres humanos cheios de sombras, dilemas e uma solidão que a gente reconhece quando caminha pelas ruas de uma metrópole. É uma literatura que exige que o leitor esteja inteiro, que aceite o desconforto e que saiba ler nas entrelinhas.

É um livro que fala sobre a busca por sentido em meio ao caos. Ao terminar a leitura, fica a sensação de que a face do azar pode ser doce, não porque o destino seja bom, mas porque é na vulnerabilidade que a gente finalmente se encontra.

Minhas impressões: Vera Saad é uma voz necessária na nossa literatura. Ler este livro foi um exercício de oxigenação mental. É denso, é inteligente e, acima de tudo, é autêntico. Se você busca uma obra que respeite a sua capacidade de refletir sobre as ironias da vida, “A Face Mais Doce do Azar” precisa estar na sua estante.

refluxo urbano

os ventos sopravam ao sul
ondas revoltas inundavam as cercanias dos castelos
erguidos na firmeza de uma promessa vazia 
apesar da escuridão, ainda era dia 
e o lugar seguro dispensava a tradicional rigidez
nem perto do mar, nem na capital 

pombos encharcados no telhado 
a sacola plástica, marionete de mãos invisíveis, voava sem freios
da janela, a imagem embaçada
ondas se formando no asfalto 
impacientes faróis amarelados preenchiam a avenida
um por um a entrar nessa dança funesta
no sentido antihorário 
contabilizados nas estatísticas 
bueiros regurgitavam as velhas queixas de verões passados 
transbordando o que sempre foi ignorado.



A ressaca da maturidade

 


Tenho pensado nesse assunto com uma frequência assustadora. Aprendi a fingir sem nenhum tutorial; nunca pareci estar tão bem. Eles elogiam a postura serena e resignada porque eu já não brigo mais com os fatos. Vivo cada dia na esperança de ser o último.

anatomia de um coração quebrado



não sei mais como se chora. 
a vontade existe, 
mas a fonte do pranto deve ter secado. 

chuva no deserto, carente de lógica, 
feito o relógio que marcou as horas pela última vez
 e segue pendurado na parede, 
emoldurando um lar desfeito, 
sobrevivente da própria indiferença. 

quanto de mim há nessa estranha 
que tenta brincar de escrever? 

a alma ainda é feita de poeira estelar.
o corpo é um objeto desconexo —,
porque pesam nele os sonhos de outrora,
varridos nas temporadas de furacões 
que arrastaram com elas 
a curvatura daquele sorriso 
que começava nos olhos 
e terminava na prece. 

4 de abril | Dia Mundial do Rato 🐁


Boa parte das pessoas não é muito simpática aos ratos. No entanto, para outra parcela significativa, eles são mascotes da família. Hoje, no Dia Mundial do Rato, você terá uma oportunidade de ver esses animaizinhos de um jeito bem único e diferente, então, não precisa ter receio porque a ratazana que habita aqui no OCDM é super de boa.

Terças com Tita | Simplesmente Tita, simplesmente emo

 

Quis ser muitas coisas nesta vida. Entre elas, ser cantora e líder de uma banda de rock. Como desafino cantando até "Parabéns a você", tentei escrever boas letras, as quais admito serem melhores do que muita coisa que toca nos top 50 dos aplicativos de streaming musical, mas isso é conversa para outro dia. 

Nunca consegui reunir pessoas suficientes para formar um grupo musical, como também nunca fundei um clubinho lá na tenra infância, porém, a inteligência artificial me permitiu realizar esse desejo de ver minhas letras transformadas em canções. 

Domingo de Ramos 🌿

 

Representação de Jesus Cristo entrando em Jerusalém (imagem produzida por Inteligência Artificial)

Neste domingo (29), é Domingo de Ramos. Esta data muito emblemática no calendário cristão porque marca a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, onde foi recebido com ramos de palmeiras e aclamações de “Hosana ao Filho de Davi”. Esse evento é narrado nos quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, do Novo Testamento.

Mary Recomenda | A Metamorfose - Frank Kafka

 

Se você já se sentiu deslocado ou como se sua utilidade fosse o único critério para ser amado, a resenha de hoje vai mexer com as suas estruturas. Hoje vamos abrir a porta do quarto de um homem que acordou transformado no que mais tememos: o incompreensível. Com vocês, A Metamorfose, de Franz Kafka.

1000 cartas de amor | Dona do meu coração (março de 2017)

 


Era tão estranho pensar no primeiro parágrafo, ele era a base para os demais, mesmo porque não houve uma data estipulada para se desdobrar uma reflexão (conclusões me atordoam por demais), são pequenas constatações que me levam a falar de amor depois de tanto tempo. Desconfortável, por assim dizer. Não estava nos meus planos. As palavras não foram idealizadas, apenas se encaixam em prol da necessidade de dividir com mais alguém que já não sou mais a mesma e meu coração está cheio de desejo, alegria, paixão (no sentido de destemor, não de destempero).
A vontade crescente me arrebatou aos pouquinhos, sem escândalos, tencionava não passar de inspiração no meio da noite, a ânsia constante e inquieta por desaguar tantas ideias reprimidas num lugar onde elas não se voltassem contra mim. As teclas se moveram num gesto espontâneo, deixando tão claro que pela primeira vez na vida sinto-me em paz, feliz por estar onde estou; concentrada no presente e não mais olhando para trás a lamentar aquilo que não estava destinado a ser meu, ora por não me fazer bem, ora por não ser o “momento”. Cada época com o seu propósito.

22 de março | Dia Mundial da Água 🌧️💧

 

Você já reparou que o cheiro de terra molhada parece despertar algo muito antigo dentro de nós? Não é por acaso. Antes de ser um gráfico na previsão do tempo, a chuva é o cronômetro da vida. Ela dita quem planta, quem colhe e quem precisa partir. Hoje, o OCDM te convida a olhar para as nuvens de um jeito diferente: entre a ciência das massas de ar e a poesia de quem espera pelo primeiro pingo no sertão.

Oficialmente, não existe um “Dia Mundial da Chuva” no calendário da ONU ou da UNESCO. No entanto, 22 de março, também Dia Mundial da Água, foi estabelecido para conscientizar sobre a importância da água doce, incluindo a chuva, para a sustentabilidade do planeta.

Ausente por motivo de virose



Peço desculpas pela ausência, mas ela deu-se contra minha vontade. A virose derrubou a família inteira e eu não pude escapar desses dias de quarentena forçada. Estou melhor do que no início da semana, já consigo permanecer de pé e ingerir alimentos sólidos, mas a gastroenterite sacaneou legal com o meu estômago e o corpo todo padeceu.
Para evitar atrasos ou rascunhos inacabados indo ao ar, adiei a programação prevista e pretendo normalizar assim que me sentir totalmente recuperada. Se pelo menos um ponto positivo tem nisso tudo, é que reli Éramos Seis, da minha sempre eterna autora preferida, tomando conhecimento de Dona Lola, uma continuação da obra-prima. Acredito que as adaptações audiovisuais também bebem dessa fonte para compor uma trama com argumento para passar 6 meses no ar. 
Ao ler Os Caminhos, o romance autobiográfico da Maria José Dupré, fiquei impressionada com a história de toda a família dela e com a conexão ímpar que ela tinha com a natureza e os animais, elementos sempre presentes nas obras publicadas. 
O Cachorrinho Samba existiu... mas, calma
A família Dupré teve um cachorrinho Samba e ele de fato foi a inspiração para o nosso herói canino, primeiro contato de muitos pequenos com a literatura. Imagina só quem teve o privilégio de conhecer a escritora e ver o Samba real brincando... 🩷
O Samba da vida real viveu por 16 longos e belos anos e se eternizou também nas páginas dos livros que contam suas aventuras.
Outros livros da autora, digamos assim, mais raros, que não foram republicados, são bem mais difíceis de encontrar, mas o que temos disponível já é suficiente. 
Espero voltar em breve com boas notícias. Muito obrigada pela atenção! 

Qual a diferença entre equinócio e solstício?

 

Se você sempre trava na hora de explicar por que as estações mudam, não se sinta mal. Os nomes são parecidos, mas os fenômenos são opostos! Como hoje é 20 de março, data de uma dessas mudanças, vamos aprender a diferença de um jeito que você nunca mais vai esquecer.

Terças com Tita | Quem roubou pão na casa do João?

"O Miguel roubou pão na casa do João (2x)
Se não foi você, então quem foi?

O Bernardo roubou pão na casa do João (2x)
Se não foi você, então quem foi?

(e os versos são repetidos por 44 vezes — ou até o fim da excursão ou, em último caso, até o motorista abandonar o posto)" 

Exageros à parte, quem já participou de uma excursão escolar lembra que reunir a criançada é sinônimo de cantoria, batucada e adultos irritados até chegar ao destino. 

Mudam os celulares, os ônibus e as mochilas, mas a cantoria continua a mesma. Criança é uma espécie que atravessa gerações intacta.

Ouvi uma cantoria dentro de casa e, por desencargo de consciência, fui dar uma olhadinha na janela. Dei de cara com aquele ônibus da prefeitura apinhado de criança fazendo fervo com aquela musiquinha que a galera cantava na minha época.

Miguel disse não ter roubado o pão na casa do João; o Bernardo também não. O sinal ficou verde, o ônibus dobrou a esquina e eu fiquei sem saber se essa parte da musiquinha também foi cantada:

Não sabe, não sabe,
vai ter que aprender.
Orelha de burro,
cabeça de ET…

Quando eu digo ‘na minha época’, já me imagino virando o Abe Simpson sentado debaixo do limoeiro, contando histórias para as crianças... ou muitos leitores podem pensar que eu nasci "dez mil anos atrás". Brincadeiras à parte, "o tempo passou e eu sofri calado, não deu pra tirar ela do pensamento"... Vai falar sério ou não vai, Tita? 

Quando relembro minha vida de menina, pareço viajar para outro mundo, onde volto a me ver sentada em algum canto pertinho da janela, só observando os colegas cantarem e a inspetora Jane, colérica, intervir de cinco em cinco minutos, iludida de que sua gritaria surtiria algum efeito.

Ou o motorista tinha uma paciência de longe tibetana, ou já havia desenvolvido certa tolerância à algazarra porque a Jane, ah, aquela lá não via a hora de que a gente crescesse, muito embora todo ano viesse uma turma novinha em folha e disposta a honrar esse legado passado de geração para geração como que instintivamente.

Um belo dia (ou não tão belo assim, culpa da enxaqueca), a gente também experimenta o papel da Jane. A gente refuta tudo que soa "infantil" para sustentar um simulacro de maturidade, enterrando a autenticidade em troca de uma máscara social "aceitável".

Esse dia chega para todos, mas, depois de certa idade, a gente se cansa de carregar o peso dessas máscaras e precisa fazer as pazes com aquela criança sapeca cantando alto na excursão. A vida pede um pouco dessa leveza.

Alguns de nós deixam a amargura tomar as rédeas e refutam as próprias raízes. Querem que crianças sejam "miniadultos" e criam uma versão idealizada do próprio passado, mas sentir medo do bicho-papão, cantarolar no ônibus e fazer um milhão de perguntas está no roteiro. Criança tem que brincar, voar com as asas emprestadas pela imaginação, só se preocupando mesmo em não pegar recuperação nem tirar nota vermelha.

A gente vai ter muito tempo (e muitos motivos) para reclamar...



13 de março | Descoberta do planeta Urano

 


13 de março é uma data histórica e de extrema importância para a astronomia. Há 245 anos, o horizonte da humanidade dobrou de tamanho. Até então, acreditava-se que o Sistema Solar terminava em Saturno. No entanto, o músico e astrônomo William Herschel, munido de um telescópio que ele mesmo poliu com precisão obsessiva, encontrou algo que mudaria a ciência para sempre.

Urano foi o primeiro planeta descoberto por meio de um telescópio e também aquele que nos ensinou que o universo é muito mais extenso, complexo, estranho e maravilhoso do que supõe a nossa vã filosofia. 

12 de março | Dia do Bibliotecário 📚✨💼

Nada como homenagear nossa lendária Biblioteca Pública do Paraná (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)


Muitas vezes, as melhores histórias não são aquelas que criamos do zero, mas as que descobrimos ao navegar pelo caos organizado da informação. Confesso que, nas minhas próprias jornadas — seja tentando decifrar o mistério do universo ou buscando a precisão histórica para as crônicas da Malacubaca —, foram os bibliotecários que seguraram a minha lanterna. Eles são os GPSs humanos de um mundo que insiste em se perder no excesso de dados.

Por isso, neste 12 de março, deixo aqui uma reflexão sobre a importância desses profissionais e um pouco da história que envolve esta data no Brasil. Afinal, se o escritor é quem semeia as histórias, o bibliotecário é quem garante que o solo esteja sempre fértil para quem deseja colher conhecimento.

11 de março | Dia da Pipoca

 

Hoje, 11 de março, o ar ganha um perfume inconfundível. Celebramos o Dia da Pipoca. Antes de ser o acompanhamento oficial do cinema ou o lanche que salva o bloqueio criativo, a pipoca é uma anciã.

Enquanto seu balde de pipoca não fica pronto, sente-se e conheça a história da nossa querida e sempre tão bem-vinda pipoquinha!

Terças com Tita | O dia em que achei que tinha escrito um clássico

 

Ah, a pretensão juvenil. Mudar o mundo, uma missão quase messiânica. Sou a mensageira da sociedade. Pare e preste atenção na minha arte. 




Tenho mais fases do que a Lua. Era uma das inúmeras comunidades nas quais eu participava no tempo do Orkut. Sinto já ter escrito algo nessa mesma linha, mas precisava de um ponto de partida. No fundo, escrever é um método mais sofisticado de viajar na maionese e cai como uma luva para recordar aquela época da vida em que mudar o mundo é o sacerdócio da jovem e soberba alma.

Senta que lá vem a história, mas não é aquela do Rá Tim Bum. Seria melhor se fosse, insisto. Os leitores mais jovens provavelmente não entenderão a referência — e não tem problema; eu também não manjo das gírias dos tempos dos meus pais e está tudo bem. Porque o que vai sair daqui é um arremedo de escrevinhadora da mais reles estirpe, inclinada a encher linguiça porque não gosto de poupar palavras, a menos que o dever me obrigue.

Escrever diários sempre foi um hábito essencial e inquebrável desde a infância, mesmo precisando armar um esquema de guerra para proteger a integridade dos cacarecos dos olhos de coruja que mantinham o DOPS familiar mais vivo do que nunca.

Com 16 primaveras e milhares de registros, tive uma epifania durante uma sessão de terapia. O psicólogo fez as perguntas de um milhão de dólares e eu só na defensiva, tentando mudar de assunto, porque não queria tocar em certas feridas. Ele não se intimidou nem com meu ataque de choro, que não demorou a vir.

Eu não precisava falar nada se não quisesse. O silêncio também tinha seu simbolismo, tanto quanto aquelas lágrimas que os lenços de papel não deram conta de estancar. Parecia patético chorar por “dó de mim mesma”, mas eu já falava como se estivesse no corredor da morte, com as oportunidades zeradas, esgotadas, apenas no aguardo da execução.

Por muitos anos, palavras foram munições nas bocas daqueles que sentiam prazer em me causar dor. Os rastros permaneceram no ar, na alma, reverberando ainda hoje naquele pensamento grudento sobre incapacidade. A psicologia chama esse comportamento de síndrome da impostora.

O psicólogo me deu uma "lição de casa" e eu quase pensei em não fazer, muito embora essa mentira fosse só uma cortina de fumaça para encobrir aquele anseio juvenil de ser ouvida. Abrir o documento em branco deveria contar como tentativa, mas não bastaria. Arrisquei algumas palavras e apaguei tudo com a rapidez de um temporal.

Levantei-me da cadeira, fui olhar pela janela, coloquei uma música para tocar, voltei e pensei em perguntar se todos os escritores do passado tinham problemas para começar a joça do texto. Havia horas que eu estava naquela lenga-lenga e não saía uma só frase, nem um parágrafo todo truncado e desconexo para eu rir de mim mesma na posteridade. Eles faziam parecer tudo tão fácil.

Cricri dormia todo esparramado em cima da cama, barriguinha para cima, tão lindinho. Aquele sono pesado e despreocupado era de quem não se ocupava de pensar no passado nem no futuro. Choramingava quando tinha um pesadelo, abanava o rabinho quando tinha um sonho bom. Não se importava se os pinschers eram mais esguios, nem por que um labrador tinha o dobro do tamanho dele, nem se algum yorkshire de madame ostentava um guarda-roupa cheio de roupinhas e uma extensa coleção de brinquedos. Sentia prazer com coisinhas tão simples como furtar pão da mesa, morder calçados, latir nas horas mais inapropriadas e praticamente me enxotar da minha própria cama para ficar com o maior espaço.

Meu sonho sempre foi ter um cachorrinho. E eu realizei. Agora, que outros sonhos tenho para colocar no lugar?



Eu também sonhei em ter uma melhor amiga, ser mocinha do tempo e passar as férias em outro planeta. Fiquei por um triz de ser levada pela morte, mas escolhi a vida e ela me escolheu também. Estando naquela fase de querer mudar o mundo, uma coisa levou à outra... e o que era para ser só um "dever de casa" para o psicólogo se tornou questão de honra.

O mundo precisava conhecer a minha história.

Fonte Comic Sans, tamanho 14, cor fúcsia e muitas boas intenções. A joça não tinha nome e eu ia contando a história da minha vida até o presente momento. Parecia vida pra caramba e o tempo para contar tudo, quase insuficiente. Essa dedicação ostensiva rendeu frutos, ou melhor, mais de 400 páginas.

Era de madrugada e não dava para eu abrir a janela e sair gritando que terminei um livro…

Não um livro qualquer… era o livro da minha vida.

Foi inevitável não rir de nervoso quando vi aquele meme do Derp rabiscando aleatoriedades no Paint e olhando orgulhoso para a tela como se fosse o próprio Picasso contemporâneo. Gastei uma nota imprimindo aquele calhamaço cujo texto nem sequer estava justificado, imaginando que a Academia Brasileira de Letras ainda me coroaria com uma cadeira.

Júlia disse que eu escrevia melhor do que o Machado de Assis, mas foi só para me motivar. Ele sempre foi o "cara" para mim. Se algum dia eu escrevesse sobre a natureza humana com tanta riqueza de detalhes e criasse personagens memoráveis que ultrapassassem gerações, seria uma honra.

— Como vai ser o nome do livro? — Quis saber a Júlia.
— Eu… não sei.
— Você não pensou em nenhum nome?
Tita. Por mim mesma.
— Você está tirando onda? — Júlia me encarou, séria.
— Não gostou?
— Não...
— Esse negócio de inventar título é um problema. Já pensei em vários, mas não gosto de nenhum.

Simplesmente Tita, dentre todos os títulos pensados, foi o que mais agradou. Parecia até nome de novela mexicana antiga, daquelas que a gente ama e revê milhões de vezes: com uma protagonista sofredora, que se lasca do primeiro ao último capítulo, e a promessa de um final feliz.

Concluir o primeiro livro deveria ser o final da história, certo?

Errado, muito errado.

A primeira versão difere do rascunho por deixar o anonimato. E tão somente. Ela foi o primeiro passo de uma jornada interminável de releituras, revisões, reedições, reescritas e polimento.

O perfeccionismo também pesa a mão de vez em quando, mas um dia eu hei de driblar essa tal impostora que habita em mim e publicar essa história, nem que seja para meu eu da terceira idade cair na gargalhada.

O sentimento de ter dado com o pé na porta do sistema, chocado a sociedade e abalado as estruturas da família tradicional brasileira (atenção: contém ironia!) me levava às nuvens. Como a menina prodigiosa que, no meu íntimo, eu queria ser conhecida e validada.

Querer nem sempre é poder, sussurrou o bom senso. Bem menos, Tita

Parece até um esquete do Joselito: você está de braços abertos, dando bobeira, e o fanfarrão te surpreende com um balde de água gelada que desmancha o sorriso, o penteado e até o rebolado. Sem noção, Joselito. Nesse caso, a realidade assume a bronca. 

Que jovem escritor nunca se sentiu vivendo na época errada e amargou incompreensão em algum momento da vida?
 
Faz parte do processo. Uma crítica enviesada dói tanto quanto um tiro à queima-roupa. Não morri de tuberculose, embora tenha amargado umas desilusões bem indigestas. Ninguém cria uma boa casquinha de proteção sem sair da redoma, primeiro a gente quebra a cara para depois rir da cacetada.
 
Na prática, isso quer dizer que, quando a gente tropeça nas nuvens e para no chão, o desalento é o advogado do diabo, todo cheio de vir com aquela história de "jogar pérolas aos porcos" e criticar a tendência do momento, procurando alguma desculpa esfarrapada para fugir da autocrítica.

Quem lia aquele pergaminho de cores berrantes e pretensões astronômicas dizia "gostar", isso quando eu tinha resposta. Porque quando cheguei à fase adulta, com o rei na barriga, não entendi o motivo de levar um balde de água gelada atrás do outro; não sei como não morri de pneumonia moral.

É inevitável não recordar aquela cena de A Governanta em que a Rosália aparece na casa da D. Marisa, com uma travessa cheia de bolinhos de chuva chamuscados, e a vó da Raquel, diplomática, enrola a vilã para não precisar comer bolinho nenhum feito por quem amava a cozinha na mesma proporção da caridade.

A verdade é que fui pretensiosa como a Rosália. Apresentei meu trabalho para o mundo como se fosse a reencarnação da Clarice Lispector, a promessa da literatura brasileira, indiferente num primeiro momento aos sorrisos amarelos de quem elogiava a intenção e, discretamente, empurrava o prato para o lado. Nesse ponto, já não há mais volta: os pés estão grudados no piche. 

Eu era boa o suficiente para ser estimulada, só não para ser reconhecida pelas porcarias que escrevia.

Tá, você escreve, mas qual é o seu trabalho? Escritor nesse país não ganha nem para o sabão!

Não se sabe quando o juízo chega, mas um dia ele dá com o pé na porta e toca o terror. O primeiro impulso foi querer deletar todas aquelas abobrinhas que chamava de livro e aceitar o inferno da vida de CLT, trabalhar para ganhar uma miséria e ver a vida passar como se fosse só uma observadora da própria história, sem forças para redigir uma reviravolta… e sem vontade também!

Os professores da universidade diziam (e ainda dizem) que "tudo já foi escrito". Desconstruir a arrogância juvenil e não meter o louco, chegar a cogitar mudar de área, de ares, de ideia. Se não fosse esse cenário lastimável do cabresto acadêmico que esmurrava a criatividade, ainda teria de lidar com haters.

Haters gonna hate — disse Júlia, lembrando até dos axiomas de Lulu. — Ninguém odeia o feio nem inveja o fraco. Se a sua arte incomoda, você já chegou mais longe do que muita gente. Quem xinga por trás de uma tela não teria coragem de falar nem duas frases se estivesse olhando para você.
 
Recorrendo ao bolinho chamuscado em Comic Sans, os melhores feedbacks reconheciam os aspectos positivos e mostravam os pontos que poderiam (e deveriam) ser trabalhados; ignorá-los implica assinar o atestado de mediocridade. Quem odeia gratuitamente nunca jogou limpo; sempre apelou para a baixaria. Narcisismo literário não disfarça a inexistência do talento.
 
O destino de livros ruins e mal escritos é o esquecimento. Não adianta depositar entulho no quintal alheio porque ele não é aterro. Fica a dica. Seria o bolinho de chuva envenenado a última esperança de uma Rosália já sem paciência de esperar a D. Marisa morrer para passar a mão na grana. Vai falhar miseravelmente; subestimar o faro aguçado da Raquel nunca termina bem.

Para quem não calça as sandálias da humildade e não se dispõe a se reconstruir e viver também o lado B do ofício, o destino é a sombra. Pode culpar a concorrência, o mercado, as sabotagens de inimigos imaginários, o mau-olhado; vai correr em círculos e perder para meus hamsters, que correm por diversão. Vai dar de cara com a parede, Dom Quixote da Shopee. O pior inimigo do progresso é seu próprio orgulho ferido, não sou eu, nem a autora que vende milhões de exemplares.
 
Após o banho de água gelada e a digestão das verdades amargas, sobra o que realmente importa. Menos "chocar a sociedade" e mais "fazer sentido para alguém". Nem que seja meia dúzia. De Comic Sans para Arial, de fúcsia para preto. Podar assusta um bocadinho no começo; depois, acostuma.
 
Escrever é, no fundo, a arte de saber o que jogar fora. E às vezes é preciso sacrificar o próprio ego inflado para se livrar de fardos que só servem para retardar o progresso. E fechar os ouvidos para o que não convém, às vezes é só barulho tentando desconcentrar; não vale a pena.

E daí se eu nunca viver dos royalties da escrita?

Eu já vivo dela.

Desde que me dispus a aprender a contar histórias e combinar versos para estampar sentimentos, ser a desagradável que não segue a manada, a escrita corre pelas minhas veias. Vivo de registrar acontecimentos, observar o mundo, viajar na maionese e sonhar alto, mas agora os passos nas nuvens são mais cautelosos, contados, até um pouco hesitantes, eu me atreveria a dizer.
 
Às vezes, esse pensar demais, a tal mão pesada do perfeccionismo, é uma empata foda literária. Meu eu da terceira idade precisa ter alguma diversão. Preciso de motivação para comprar meu próprio carro e ficar livre de aturar música de qualidade duvidosa quando pego carona.
 
Não sou prato de brigadeiro, nem litrão, tampouco uma porção de batata-frita para lutar pela unanimidade. Atura ou surta, honey. Não nasci para agradar ninguém, só para botar os pingos nos is e fazer as perguntas inconvenientes varridas para debaixo dos tapetes dessa vida.
 
Sinto muito… Não, eu não sinto muito por quebrar as expectativas de ninguém… Assuma a responsabilidade por elas.

Transbordar em piscina rasa é encrenca; preciso desaguar nesse oceano de possibilidades infinitas e lembrar da minha condição de "peixinho" que busca incansavelmente o caminho de casa e não tem saída senão mergulhar.

Insisto que minha versão da terceira idade merece se divertir. E minha versão atual necessita de colo, um copo de café e umas férias.

É possível viver sem AMIGOS? (nova versão)

Dizem ser impossível viver sem amigos. Numa fase de profunda descrença, escrevi um desabafo até um pouco amargurado para defender meu ponto de vista. Hoje, entretanto, o revisito para constatar que mudei de ideia. Mesmo assim, não posso mentir que não me sinto abandonada pelas pessoas que disseram que eu sempre poderia contar com elas, mas pode ser que eu não esteja enxergando algo na situação, nada além do meu desamparo, então, não me coloco como "dona da razão"; muito pelo contrário, me disponho inteiramente a escrever quantas versões forem necessárias se em cada uma delas eu puder me redimir.

Mary Recomenda | Nós, Mulheres - Rosa Montero

 


Hoje o post é diferente. Neste 8 de março, decidi trazer uma obra que não apenas se lê, mas se sente como um ato de justiça. Se você, assim como eu, acredita que a história é feita de muitas vozes (e que muitas delas foram caladas), a recomendação de hoje é obrigatória: Nós, Mulheres, da brilhante Rosa Montero.

Mary Recomenda | Se não eu, quem vai fazer você feliz? - Graziela Gonçalves

 

Joe Cool leu de óculos escuros porque os olhos dele suaram (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Há 13 anos, 6 de março carrega consigo uma nuvem de dor, não é uma data que gostemos de lembrar… a propósito, queríamos que ela nunca tivesse existido. Infelizmente, Chorão se foi, deixando saudades, sonhos inacabados e sua obra que ainda hoje nos consola nos dias de luta e nos de glória também. 

A edição do Mary Recomenda de hoje presta um tributo mais do que merecido a Alexandre Magno Abrão, nosso querido e inesquecível Chorão, por isso escolheu indicar a obra Se não eu, quem vai fazer você feliz?, da autoria de Graziela Gonçalves, a querida e inesquecível Grazon, leitura indispensável.

🌎 Onde o dia começa (e termina): o mistério da Linha Internacional da Data

 

Você já imaginou cruzar uma linha invisível no oceano e, num piscar de olhos, “viajar no tempo”? Não é ficção científica; isso acontece todos os dias no Oceano Pacífico, na Linha Internacional da Data
Se você também tem um fascínio enorme por curiosidades aleatórias, embarque nessa aventura aqui no OCDM porque o post de hoje é para você!

Malacubaca | Em time que está ganhando não se mexe?

 

Ilustração autoral do Zecão, o mascote futebolístico da Malacubaca (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

A quem interessar possa, este texto foi avaliado com rigor técnico pela equipe da Malacubaca/OCDM. Não foram encontrados indícios de Inteligência Artificial. Edu Meirelles também afirma não ter um ghostwriter. Enquanto isso, divirtam-se... ou revoltem-se!

Deveria ser uma verdade autoevidente e possível de ser comprovada mediante retrospecto. Entretanto, na calada da noite, não só os gatos são pardos, como também existe uma teimosia em subverter o axioma por certo deleite na própria estupidez.

Pallas: a rebelde que "quebrou" o Sistema Solar


Se a descoberta de Ceres foi um triunfo da matemática, a chegada de Pallas, em 28 de março de 1802, foi um verdadeiro choque de realidade. Ela foi o segundo objeto do Cinturão a ser encontrado, mas sua existência trouxe mais perguntas do que respostas.

O OCDM te convida a entender por que essa “batata gigante” é a responsável por uma das principais crises de identidade do nosso sistema. Aperte os cintos, mas não ouse abrir esse pacote de batatas-fritas enquanto estivermos a bordo.

Homer Simpson Astronauta (Reprodução/Matt Groening/21st Century Fox/Disney)

Sob o pano branco: um relato sobre o que ninguém gostaria de ver

Triste registro do incidente ocorrido por volta do meio-dia (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Bastidores do eclipse... que eu não pude ver

Infelizmente, nem meu hercúleo esforço para acordar muito cedo para acompanhar o eclipse foi páreo para a realidade: empolgada, esqueci-me de verificar que a Lua se poria em Curitiba por volta das 6h da manhã. Não deu ruim porque a vista compensou tudo, mas vou precisar aguardar uma combinação de estar no lugar certo e com as condições climáticas apropriadas.

3 de março | Dia Mundial da Vida Selvagem

 


O Dia Mundial da Vida Selvagem, celebrado em 3 de março, é uma data criada para lembrar algo essencial — e muitas vezes esquecido: a vida humana não existe separada da natureza.

Instituída pela ONU, a data chama atenção para a importância da fauna e da flora silvestres e para a necessidade urgente de proteger os ecossistemas que garantem o equilíbrio do planeta.

Eclipse Lunar Total | 16 de maio de 2022

Esperei a “oportunidade perfeita” para publicar, mas o perfeccionismo foi o carrasco da intenção. Conto com recursos limitados para produzir o blog, mantendo o hábito por amor e necessidade de falar, nem que seja sozinha. Entretanto, apesar dos registros bastante simplórios para um evento da dimensão de um grande eclipse, eternizar esses momentos especiais faz parte da minha própria história.

Você se lembra de onde estava em 16 de maio de 2022?

🌒 Eclipse Lunar Total | 3 de março de 2026



A temporada de eclipses de 2026 começou em 17 de fevereiro, porém o fenômeno só pôde ser visto na Antártida e partes da Oceania. Entretanto, nesta terça-feira (3), se as condições climáticas colaborarem, o Eclipse Lunar Total será visível em todo lugar onde a Lua estiver acima do horizonte

Diferente do eclipse solar de duas semanas atrás, onde a Lua bloqueou o Sol, aqui é a Terra que se coloca entre os dois. A Lua entra na sombra do nosso planeta (Umbra).

Terças com Tita (sim, na segunda!) | O farol dos sonhos loucos e uma página rasgada no livro da vida

 



A maioria dos meus dias é comum. Sigo a rotina no “piloto automático”, às vezes nem paro para prestar atenção no céu, na constante batalha para não ser engolida pelos compromissos. E à meia-noite a contagem regressiva é zerada… e por consideráveis décadas o que muda é a disposição, que vai diminuindo quando o peso da idade é mais do que uma piadinha para quebrar silêncios.

Mesmo que eu já não saiba mais sonhar

 


Sonhadora era um adjetivo bem comum para as pessoas se referirem a mim no passado. Eu era aquela pessoa que sabia o que queria e conhecia os caminhos para “chegar lá”. Tudo parecia estar escrito. No entanto, essa “certeza” me acomodou e eu não soube encarar as intempéries com a serenidade exigida para padecer, para não me tornar a personificação ambulante da amargura.

Ceres: o gigante discreto do cinturão

 



Você sabia que, por quase 50 anos, os livros escolares ensinavam que Ceres era o oitavo planeta do Sistema Solar? 

Muito antes da descoberta de Netuno e da polêmica de Plutão, o “Rei do Cinturão” já brilhava nos almanaques e o OCDM te convida para uma viagem pelo tempo (e pelo universo também) para mergulhar numa história repleta de reviravoltas de deixar o sol de queixo caído.

Mary Recomenda | O diário de Anne Frank - Anne Frank

 

Reler (ou comentar) Anne Frank é sempre um exercício de humildade. Em um mundo onde as pessoas gritam por atenção nas redes sociais, o diário de uma menina escondida em um anexo secreto em Amsterdã continua sendo uma das vozes mais potentes da história. Mas não se engane: o valor deste livro não está apenas na tragédia que o encerra, mas na vida que transborda de cada página.

O que mais me impressiona em Anne não é a sua condição de perseguida, mas a sua qualidade como escritora. Ela não estava apenas relatando fatos; ela estava fazendo literatura de si mesma. Anne era perspicaz, muitas vezes ácida ao descrever os outros moradores do anexo, e tinha uma honestidade cortante sobre as próprias falhas e desejos.

Ao ler Anne, a gente percebe que a maior resistência dela não foi apenas se esconder, mas se recusar a deixar que o medo apagasse sua identidade. Ela escreve sobre o desabrochar do corpo, sobre o conflito com a mãe, sobre as descobertas do amor e, acima de tudo, sobre a sua ambição de ser jornalista e escritora.

É devastador pensar que o mundo perdeu a mulher que Anne se tornaria, mas é reconfortante saber que ela conseguiu o que mais queria: “continuar vivendo depois da morte”. Seu diário é a prova de que a sensibilidade e a verdade são as únicas coisas que o autoritarismo não consegue enterrar.

Minhas impressões: Muitas vezes evitamos o Diário por medo da dor que ele causa, mas a leitura nos entrega algo muito diferente: uma vontade imensa de viver. Anne nos ensina que, mesmo no lugar mais apertado e escuro do mundo, o pensamento pode ser livre. É um livro que exige escuta, entrega, empatia.

Como surgiram os calendários: da antiguidade à atualidade 📆


Você já parou para pensar que, antes mesmo de inventarmos o alfabeto, nós já olhávamos para o céu para contar os dias? Os calendários são, talvez, a ferramenta mais poderosa que já criamos. Eles não servem apenas para marcar reuniões; são o mapa da nossa sobrevivência, das colheitas e da nossa conexão com o cosmos. É uma história fascinante que a equipe do OCDM trouxe com muito carinho para você.

20 de fevereiro | Dia Nacional de Combate às Drogas e Alcoolismo

 

É uma data instituída para conscientizar a população sobre os riscos do uso de substâncias psicotrópicas e para reforçar que a dependência química é uma questão de saúde pública, e não apenas um problema de comportamento ou “falta de vontade”.

Falar sobre esse tema não é sobre proibicionismo ou moralismo, mas sobre a virtude que os gregos chamavam de Temperança. Na nossa jornada de busca por conhecimento e bem-estar, entender os limites do nosso corpo é o ato mais profundo de autodomínio.

O que você precisa saber hoje:

  • Dependência é questão neurobiológica: A ciência moderna entende o alcoolismo e a dependência química como doenças crônicas que afetam o sistema de recompensa do cérebro. Não é "falta de força de vontade", é uma questão neurobiológica que exige acolhimento e tratamento especializado.

  • Prazer vs. hábito: O combate ao alcoolismo começa na percepção de quando o "brinde" deixa de ser uma celebração e passa a ser uma muleta para lidar com o estresse ou a ansiedade.

  • Saúde Pública: Esta data existe para lembrar que o suporte deve ser acessível e que o diálogo sobre o tema deve ser livre de estigmas.

Se o vinho é a celebração do tempo e o Memento Mori é a consciência da nossa finitude, cuidar da nossa saúde mental e física é o que nos permite desfrutar de ambos com dignidade.

O equilíbrio é o nosso verdadeiro escudo. 🛡️✨

Cinco anos sem você, vó

Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...