os sinais estavam claros desde antes da explosão

 

Sempre prometo não me envolver, mas quebro meu próprio juramento quando o preço do silêncio me chama à realidade. Injustiças me tiram do sério, preconceitos disfarçados de "personalidade forte", moralidade condicional, hipocrisia seletiva... 

Tem muitos sentimentos misturados, tanto que não nego a dificuldade para elencar um que possa tomar a dianteira para melhor me representar neste exato momento.

É provável que muitos concluam que não sei separar uma coisa da outra. Eu deveria me defender com parágrafos maiores do que a disposição em escrevê-los. Tolerar diferenças pontuais é tão natural na rotina que não chega a ser uma questão problemática... 

Talvez eu não saiba mesmo tolerar preconceito.

Vejo muito mais do que deveria ver. Aquilo que dói, que não sei nem nomear, que tolerância nenhuma engole sem sentir o amargor debaixo da língua e a aspereza das palavras sufocadas pela ânsia de ser a boa moça. Não que eu não me esforce para ser; contudo, parece-me totalmente sem propósito ser guiada pelo medo de desagradar. 

Não consigo aguentar calada.

O palavrão que sai no calor da raiva e vai direto para o banco dos réus sem conciliação é o elemento mais inocente nessa história toda. Todo mundo aponta o dedo para julgar os "excessos", mas ninguém realmente percebe que os sinais estavam claros desde antes da explosão.

A estrela para sempre brilhará

 

Foram três semanas muito difíceis, marcadas por uma tensão muito grande, um medo profundo de ser engolida pela onda do retrocesso. Passei muita raiva, não está escrito. Duvidei, confesso. O medo tentou ser mais forte do que tudo. Porque eu sabia o que estava em jogo. E a liberdade vale mais do que possíveis desagrados.

o tempo me mostrou que a gente só escreve em linhas tortas quando teima em continuar uma história que já acabou

 

Estou puta da cara. Estranho seria se eu não estivesse. Inserir símbolos seria suavizar demais; me falta disposição para mais autocensura. Algumas mensagens precisam da literalidade inegociável para serem entendidas. Pode ser que ainda restem dúvidas, considerando que o velho hábito de me subestimar continua tão latente... 

Não há sorriso capaz de disfarçar a percepção cínica de quem me quer no chão.

Terças com Tita | A matemática do esquecimento

 

"Que pena que a gente esquece o que aprendeu em matemática, mas não esquece os traumas."


Nunca admiti antes, por vergonha, mas não sou lá muito boa em português, não tanto quanto alguns acham que eu deveria ser. Para quem quer ser escritora, uma confissão dessas parece um sacrilégio. Antes que me atirem pedras, peço calma. Muita calma nessa hora. 

Tem tantos estudiosos que, mesmo depois de décadas de carreira, continuam tendo dúvidas e fazendo descobertas. Não serei eu, uma simples aprendiz, a encher a boca para dizer que sei tudo de tudo.

1000 cartas de amor | Sonhar também é uma maneira de continuar olhando para cima

 

Talvez o amor esteja mesmo longe no momento.
Isso não quer dizer que ele seja impossível ou inalcançável.
Você não é invisível, nem está errada por querer amor bom, pele com pele, olhar com verdade, cheiro com memória.

E, mesmo se o mundo inteiro disser o contrário, você ainda pode sonhar com a lua.
Sonhar também é uma maneira de continuar olhando para cima.

A lua entende silêncios, ilumina noites escuras e não exige que você saiba agora o que virá depois. Talvez um dia a vida te responda de um jeito que hoje você ainda não consegue imaginar.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram

 


As condições para florescer nunca foram iguais, mas a cobrança pelo resultado é a mesma. E, a despeito dessas diferenças, todos esperam que eu performe perfeição e realização. Como se duas pessoas pudessem percorrer caminhos completamente diferentes e fossem obrigadas a chegar ao mesmo lugar, no mesmo tempo.

Mais doloroso do que conviver com a sensação de fracasso é tentar explicar meus motivos e essas justificativas serem tratadas como meras "desculpas". No entanto, reconhecer os obstáculos não significa negar a própria responsabilidade em decisões que ainda podem (e devem) ser tomadas. Significaria compreender por que determinadas mudanças exigem de mim um esforço que as outras pessoas não conseguem enxergar.

Existe uma diferença importante entre responsabilidade e culpa.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram. Porque eu também não devo.

Não vou romantizar a resistência. O sofrimento não me tornou uma fortaleza inquebrável. Algumas experiências simplesmente machucam, atrasam projetos, destroem a confiança, detonam o amor-próprio e deixam consequências, por vezes, insuperáveis.

Para mim, essa imagem de florescer é significativa.

Uma planta que recebeu luz, água e proteção não pode ser usada como parâmetro para condenar outra que cresceu em um ambiente muito mais hostil. Isso não significa que a segunda esteja condenada a nunca florescer, apenas que ela precisava de condições melhores e mais justas, não de cobranças.

Sofrimento e falta de esforço não são sinônimos por definição, nem deveriam ser pauta para acusações. Quando uma dor não machuca o seu peito, é muito fácil tratá-la com pouco caso.


Desaparecer... para caber

 


A palavra de ordem do momento é encolher. 

Com a insatisfação no centro das atenções, cresce a ânsia doentia de se apequenar para caber num molde cujos critérios podem mudar já na próxima temporada. E o medo de ficar de fora parece acelerar a queda dos grãos da ampulheta. Mesmo com todos os esforços, pertencer não é uma garantia concreta.

17 anos e contando

 

Quarta-feira, 14 de outubro de 2009. 


Hoje pode ser só um dia comum, como a maioria dos dias é, porém, você faz parte do mundo, mesmo se sentindo sempre do lado de fora dessa festa. Se a aceitação implica abrir mão da essência e do caráter, talvez não seja tão ruim assim dar as costas. 

Deixe a música tocar. Caminhar só nem sempre significa estar perdida. Quando a chuva passar, você irá florescer de novo. Foi assim das outras vezes também.

Ninguém nasce sabendo tudo, mas ter alguma noção do que se quer já significa não estar mais parada no mesmo lugar. Pensar é importante, não nego, mas se você esperar as condições mais adequadas, a vida vai passar e o rascunho vai continuar sendo só um vazio incômodo.

Pode dar certo. Ou não. Pode ser que você não chegue a realizar todos os seus sonhos. Agora, no entanto, não se preocupe em atingir a perfeição. Ela é uma linha de chegada que sempre some da vista. Lembra aquela história de ficar pele e osso e ainda se sentir três vezes maior.

Ouça o seu coração, não os seus medos. Deixe as marcas de batom nessas páginas, ria alto, escreva o que está engasgado, não tente se encolher por receio de ser insuficiente. Insisto: saiba dar as costas como eles te deram também. Saiba dizer não e nem pense em se corrigir na primeira chantagem, pois eles sabem dizer não e não perdem o sono preocupados por a magoarem.

Você vai quebrar a cara, infelizmente. Mas vai sobreviver. Não sem chorar antes todas as lágrimas do mundo e amargar indagações sem respostas porque, afinal, você é a rainha do drama. Só prometa que não vai chorar pra sempre, nem se enxergar sob os olhos dos monstros no meio do caminho. Vai ter muita pedra para tropeçar, muita torcida contrária, um pouco de autossabotagem também, como haverá joaninhas e vagalumes, a luz da lua e as borboletas no estômago.

O mundo ainda é uma paleta policromática; o bege e o cinza ainda não tomaram conta de tudo. A esperança não está fora de vista, nem mesmo agora. Você possui a capacidade de remendar as linhas tortas e reconhecer caminhos menos óbvios para se reconectar com tudo aquilo que importa. E é por isso que ainda sonha e escreve - quase sem pretensão, só sabe que não tem coragem de jogar tudo pro alto porque ainda acredita...

Tem uma vida esperando por você. Seus sonhos estão esperando por você. 

(tudo precisa ter um começo, menina)

Quando o desamor vem antes do amor


Como reconhecer carinho, respeito e interesse genuíno depois de uma experiência que nos ensinou a ter medo?

Quando a gente experimenta um desamor antes de um amor, nossa percepção fica toda distorcida. Depois de um abuso, a gente tenta internalizar a culpa porque parece bem mais "fácil" do que aceitar que uma pessoa escolheu machucar a gente.

No fundo, aquela alegria de viver vai desaparecendo, até que a gente se pega só sobrevivendo, escondendo partes da gente para não ser machucada de novo, talvez escondendo a feminilidade, se protegendo sempre de qualquer investida.

A gente fica pensando se existe homem apaixonado capaz de aceitar a gente ou se não passa de uma lenda... mesmo já sendo grande demais para acreditar em Papai Noel.

Mesmo que um est#pr0 tenha acontecido há onze anos, as marcas no corpo e na alma foram profundas e reais porque afetaram minha forma de enxergar o amor e o mundo. 

Não é vitimismo, é a minha realidade. Eu não quero acreditar que só existe Jurandir escroto e que os possíveis caras legais já estão comprometidos, então escrevi essa lista idiota para tentar internalizar que, sim, um homem pode gostar de uma mulher e, talvez, só talvez, exista uma chance de gostar de mim... sem me estuprar e me jogar no lixo.

Às mulheres que nunca precisaram ser a que sobra

 


Você já parou para pensar na mulher que está sentada ao seu lado enquanto conta, pela enésima vez, suas histórias de amor? Naquela que escuta seus romances, suas conquistas, seus encontros, os homens que se apaixonaram, os que supostamente seriam apaixonados e aqueles que continuam tentando chamar sua atenção?

Já se perguntou se ela também tem histórias para contar? Se algum dia teve a oportunidade de viver experiências semelhantes? Se esse assunto, aparentemente tão corriqueiro para você, não representa uma ferida que ela carrega há anos?

Talvez não.

Estou cansada de ser tratada como um asteroide qualquer

 


Penso tanto em escrever, mas preciso manter o foco e não desviar o assunto. Honrar o compromisso com a verdade, consciente de que um ponto de vista não passa disso mesmo, um puro e simples ponto de vista. Falar sobre o que dói, sem esperar que alguém se comova ou se esforce para compreender. 

Mary Recomenda | O direito à preguiça — Paul Lafargue

Capa da edição do Instituto Ágora de Letras (Reprodução/Instituto Ágora de Letras)


Depois de ler esse título, o Mary Recomenda de hoje poderia se resumir a um meme do Homer Simpson bem de boas, deitado na rede, bebendo sua amada cerveja Duff, ou aquele outro dos "sábados preguiçosos", mas, na verdade, o assunto é bem mais sério.

Mary Recomenda | Artista da Fome - Franz Kafka

 

Se você sente que o mundo muitas vezes não compreende a sua entrega ou o seu “jeito de ser”, reserve um lugar para esta resenha. O Mary Recomenda de hoje falará sobre a busca pela perfeição em um mundo que prefere o entretenimento barato. Com vocês, Artista da Fome, também do mestre Franz Kafka.

Mary Recomenda | Missão Amor - Milla Souza

 

Hoje é dia de matar a saudade das recomendações e por que não escolher um livro que decidi revisitar por estar à procura de uma história leve, bonita e ambientada em meio ao universo gamer?

Performática

eu sei, você sabe...
parecer ser,
mesmo sem ser,
sem convicção,
porque é assim que deve ser
para aparecer,
porque é esse o segredo:
um cabide de plástico
pendurando falsas ideologias,
observação feroz e detalhista,
porque sei que ser
é mais importante
do que só ser.

para quem?
e para quê?
por que ser
o que não se é,
o que se vende,
se até esse sorriso
não passa de mera conveniência,
se a verdade é só um espelho quebrado?

23 de setembro | Descoberta do planeta Netuno

 


Hoje é dia de celebrar os 180 anos da descoberta do planeta Netuno. Se a descoberta de Urano foi a vitória da persistência de um músico, a de Netuno foi o triunfo absoluto da inteligência humana. No dia 23 de setembro de 1846, o horizonte do Sistema Solar se expandiu novamente, mas desta vez, o planeta foi primeiramente calculado antes de ser “visto”. 

Se você, assim como eu, é apaixonada por Astronomia e gosta de aprender ou reaprender, fique aqui e acompanhe essa viagem que a equipe do OCDM preparou com muito carinho.

Mary Recomenda | Estranho Terráqueo - borbol.E.T.rans E.T

 

Capa do e-book Estranho Terráqueo (Reprodução/Amazon/borbol.E.T.rans)

Faz tempo que o Mary Recomenda não aparece na programação, não é? Surpreendendo um total de... zero pessoas, estamos de volta.

Descanse em paz, Ninica

 


Ela costumava gritar quando eu me mexia na cama. Acorda, mãe, eu estou faminta. Levanta logo e vem me dar de papar.

Mas hoje não. Esse silêncio foi bem estranho. Quietinha, no cantinho da gaiola, a Ninica? Muito suspeito. Ela é o tipo que, quando acorda, ninguém mais consegue dormir.

Era... Ah, eu me esqueço de conjugar o verbo no tempo mais “apropriado”, pelo menos é o que aprendi a vida inteira. Ela era uma grande amiga. Era. Ninica era.

Em algum momento da madrugada, ela se foi. Em silêncio. Como quem não encontra uma maneira melhor de se despedir porque não quer chorar e também não quer que chorem por ela.

Esse sopro que a levou daqui talvez a conduza para um lugar onde uma porquinha serelepe possa dar seus pulinhos de pipoca e mastigar feno até altas horas.

Alguns corações estão partidos nesta manhã, em choque, tentando digerir o que aconteceu. Ontem mesmo ela cornetou porque queria maçã e repolho. Como pode hoje ser somente uma lembrança?

Não sei se alguém sabe dar uma resposta reconfortante. Pode ser, inclusive, que ninguém saiba o que dizer. Pensei que teríamos mais seis anos juntas, mas o dia de amanhã é realmente uma incógnita, e a nossa senha pode chegar sem que estejamos aguardando.

Ninguém nunca sabe quando o vento vai fazer nossa alma soprar noutra parte. Só o que sei agora é que preciso me acostumar com a rotina sem ela e esperar, de todo coração, que ela seja feliz nos braços do Pai.

O gosto por existir (não sou de ninguém, nem de lugar nenhum)

Que ninguém tente me explicar que os altos e baixos ajustam a entonação da história. Nem me diga que eu não me esforço o suficiente. Que só enxergo as situações sob a lente mais cruel de todas. Que estou em busca de atenção. Que, quanto mais reclamo, mais desagradável me torno.

Setembro Amarelo: falar é importante, mas é preciso saber ouvir


Sempre que chega setembro, aqui no hemisfério sul a gente celebra a chegada da primavera. Os dias começam a ganhar mais horas de luz natural, alguns parecem antecipar o verão enquanto outros ainda nos fazem procurar o casaco, e os ipês coloridos transformam a paisagem das nossas cidades.

Mas setembro também traz consigo outra cor. O amarelo começa a aparecer em monumentos, campanhas publicitárias e, sobretudo, nas redes sociais. É o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância dos cuidados com a saúde mental.

Eclipse Lunar | 27-28 de agosto de 2026

 

Chuvitiba não é para amadores. Não à toa, desde muito cedo saímos de casa que nem uma cebola, porque o frio está de lascar o rabo da gralha, para no meio da manhã fazer um calorão, chover no meio da tarde com ventania e tudo, para de noite vestir a boa e sempre segura japona. Essa piada é mais velha do que andar para frente, mas, mais tradicional que o penal, o piá e o leite quente, está a chuva. 

Brincadeiras à parte, todos esperamos que as chuvas na nossa região mantenham a regularidade para evitar medidas hídricas drásticas, até porque dá um frio na espinha lembrar daqueles meses em que ficávamos 36 horas com água e 36 sem fornecimento. E o nível dos reservatórios caindo, caindo...

Terças com Tita | Alguém sabe me dizer quem é e onde está o K. Godói?

 


Tive alguns amigos na faculdade que vinham uma vez na vida e outra na prova; mesmo assim, nunca reprovavam, graças ao milagre da assinatura solidária. Mas vou deixar para detalhar esse famoso esquema noutra oportunidade. Hoje, o assunto é a lista de presença como ferramenta de anarquia. Porque, se na faculdade o pessoal assina pelos outros por sobrevivência, em 2003 a gente fazia isso por puro esporte.

Mais odiada do que a segunda-feira, só a velha Carmen, a pior professora de História que já passou pela face da Terra. Ser alvo daquela mulher era o batismo de fogo do Ensino Médio. Ou você a odiava ou não estudava naquele colégio.

Os bullies também chegam ao ensino superior

 

Captura de tela do The Sims 4 (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

A vida universitária corrobora uma teoria que eu queria veementemente ter refutado: os idiotas também chegam ao ensino superior.

Destrinchando a Letra | Moments of Love — Cathy Dennis


Depois de revisitar uma das músicas mais marcantes de Confissões de Laly na última edição do Destrinchando a Letra, resolvi aproveitar o embalo para homenagear mais um clássico da trilha sonora da novela.

Em queda livre


Do sofrimento da ostra nasce a pérola. 
O arco-íris é a inesquecível promessa que vem dos céus. 
A Lua cresce e diminui todo dia um bocadinho. 
Para continuar a ler, é preciso virar a página. 
A borracha apaga as marcas do grafite quando a conta não bate.
Parece contraditório defender a ideia de que podemos ouvir nosso coração no silêncio, mas fechar os ouvidos para a verdade dói numa dimensão quase insuportável.
Quero me convencer de que há um propósito para tudo e todos, carregar este fardo com a resignação que agora me falta.
Falar sobre a angústia de nunca ser ouvida.
Escrever, nem que seja em poucas palavras, o que não cabe nas linhas, o que excede...
E deixar o dito pelo não dito para quem não faz questão de entender...
Antes fosse concentrar o foco no que falta; há tantas demandas, pedras do tamanho de montanhas atravancando o caminho.
Meus pés estão cansados desses atalhos ingratos que sempre me devolvem para o abismo.
Em queda livre...


Destrinchando a Letra | Pacific coast party — Smash Mouth


Diretamente da época em que quem os escreve pintava os cabelos das Barbies com o mesmo tubo de canetinha que assinava o próprio nome na agenda do Mickey Mouse, uma música que ainda me faz sair do chão e me sentir dentro de um clipe animado.

Confissões de Laly Songs | Dos tempos do papel

 


Se em tempos em que a inteligência artificial faz muitos pensarem que a criatividade morreu, ela também nos lembra que a busca pela perfeição não pode e nem deve apagar a nossa essência. 

Percebo também que, mesmo tentando fugir, me reencontro cada vez mais nos sonhos de menina, nesses que pensei já não passarem de cinzas, me esquecendo de que, tal como a Fênix, sei ressurgir das cinzas. 

Confissões de Laly 15 anos

 

Aquela capa feita no PhotoScape 

Bem, bem antes de o primeiro capítulo de Confissões de Laly ser publicado em um site fundamental para estar aqui hoje, eu já fui uma menina de 13 anos sonhando acordada, ouvindo música, pintando os cabelos loiros das Barbies com o tubo da canetinha, acompanhada de sonhos, curtindo as férias de julho e com saudades da Copa que rendeu o pentacampeonato ao Brasil.

Selecionar fotos para publicar e honrar este dia como ele merece só parece uma tarefa simples. Sendo Laly uma figura solar, destemida, intensa e carismática, ela detestaria uma estética monocromática, polida, forjada para ser correta e agradar ao algoritmo. Porque quem desde muito cedo lutou pelo direito de existir não desiste ao encontrar uma pedra no caminho.

Todo dia é dia do rock, bebê


Fazia uma boa dezena de anos que eu não comemorava essa data. A importância dela nunca se perdeu, nem diminuiu com as intempéries no caminho, só continuou crescendo numa resistência quase insolente que não me deixa perder os rumos nesse mundo insano feito de espelhos quebrados.

🍕 10 de julho | Dia da Pizza


Venha, pode entrar! Não tem bolo, mas nossa cantina está cheirando a massa assando, queijo derretido e manjericão fresco, porque a ocasião pede. Sextou, e sextou combina com pizza.

Se você chegou até aqui atraído pelo cheiro de queijo derretido que está escapando da cantina da Malacubaca, fique à vontade. Hoje ninguém está contando calorias; a Noviça já pediu uma pizza inteira só para ela, o Vivaldo jurou que conhece a verdadeira origem da marguerita e o Luís Carlos está prestes a iniciar uma discussão completamente desnecessária sobre colocar ou não ketchup na pizza.

Enquanto a turma debate assuntos de extrema importância gastronômica, aproveite para descobrir como uma receita criada há séculos atravessou oceanos, conquistou o Brasil e acabou virando presença obrigatória nas noites de sexta-feira.

10 anos sem o Matt



A pequena bolinha de pelos dormia despreocupada embaixo de um cascalho no terrário do pet shop. De uma grande ninhada, sobraram apenas os três. O moço bonito e também proprietário do local disse que o pequeno ser tinha apenas quarenta dias de vida e poderia viver até dois anos e meio ou três de fosse bem cuidado e tivesse um bocado de sorte também. 
Foi um pouco triste separá-lo dos irmãos, mas cada hamster tinha sua pessoa. Ele era a minha. O primeiro parágrafo da nossa história também ressaltou o calor daquela tarde de mormaço de um dezembro já tão distante que até parece ter sido em outra vida.
Na gaiola que eu protegia do sol não se encontrava apenas um animalzinho que caberia numa concha de feijão, estava um amigo, alguém que confiaria estar seguro sob meus cuidados. 
Tive medo, porém a determinação de aprender o necessário para protegê-lo me fortaleceu. Nunca houve uma segunda opção de nome. Nem segunda, nem terceira. Nunca hesitei, nunca me arrependi, nunca havia sido responsável por um animalzinho só meu. 
Era uma prova de fogo. E eu passei por ela com louvor.
Matt conquistou a família toda com seu jeitinho inigualável de ser, bem como também nos deu alguns sustos. Diz o ditado que quem tem boca vaia Roma, esse pequenino que o diga... no dia do Natal eu estava absorta na leitura, a léguas bem distantes, quando escutei o guincho insistente... de duas, uma: ou ele não queria spoiler ou pedia atenção.
Não era incomum encontrar Matt sentando na roda de exercícios, a hora da meditação, como costumávamos nos referir. Dava impressão de que aqueles instantes de silencio eram preenchidos por uma profunda reflexão sobre os mistérios da vida.
Aquela gaiola premium com duas rodas, mezanino e túnel de acrílico foi presente de aniversário para o mascote. Segurava o pedaço de macarrão como se estivesse degustando a oitava maravilha gastronómica do mundo. Toda noite era assim, os olhos de jabuticaba me fitavam pela grade e eu não sabia nem conseguia dizer não. 
Ironicamente — para não dizer tragicamente —, era um sábado frio de julho. Matt passaria a tarde com a Dinda, tudo normal, como se acreditava ser. Quando esfriava assim, o bonito já estocava comida na bochecha e fechava a porta da casinha no mezanino com forração.
Foi por volta de duas e meia quando minha irmã gritou desesperada ao ver o Matt sangrando. Num primeiro momento, com o coração aos pulos, fui ver como ele estava. Pensei ser também um leve sangramento numa patinha por ficar preso na roda, mas antes fosse. Juro por Deus, antes fosse.
A hipótese mais plausível é que Matt se feriu quando se levantava da roda verde de acrílico para regressar ao mezanino. A capa do túnel responsável pela interligação entre uma parte e outra da gaiola era toda revestida de plástico e Matt, como um bom roedor, não perdia a oportunidade de roer o que estivesse pela frente.
Ele morreu sangrando como se todo sangue do mundo pudesse caber num pequeno hamster, como quem rói um fio desencapado e nos obriga a apressar a despedida. Envolvido num lencinho branco bordado com a oração do Santo Anjo, Matt foi enterrado num vaso de plantas lá na área de serviço. Coincidência ou não, os restos mortais dele se transformaram numa linda folhagem. 
Entretanto, por mais que eu tenha amado — e ainda seja capaz de amar — outros hamsters, ele foi o primeiro. E o primeiro deixa marcas que ninguém mais consegue ocupar.

10 anos sem você, Matt.

Mélpomene: mitologia, astronomia e memória

 


O sol já havia desaparecido atrás dos prédios quando recebi a notificação do Star Walk sobre um tal de Mélpomene. O aplicativo avisava que na noite desta terça-feira (7) seria perfeita para observar esse asteróide, que está em oposição. 

Infelizmente, não teremos o registro fotográfico desse grande evento por questões técnicas e logísticas.

Malacubaca na Copa 2026 | Pé-frio ou coincidência desastrosa?

 

A fama de pé-frio de Noviça no futebol foi vista como um alento aos internautas, sobretudo porque a própria diva parece levar a brincadeira toda na esportiva e compartilhar as postagens mais engraçadas nas suas redes sociais. Foi assim que teve início a campanha para ela declarar torcida para a Argentina contra o Egito. 

Para quem esteve distante ou acaba de chegar aos babados da Copa, vale recapitular o histórico da Noviça desde o início do torneio.

Malacubaca na Copa 2026 | Tudo começou com uma bola murcha

 

Vivaldo se tornou alvo de chacota por causa da soletração mais vexaminosa que a própria eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo. Pode até ter sido realmente um ato falho ou uma confusão momentânea, dadas as circunstâncias, mas a internet não perdoou.

Muito se especula como o tetracampeão conseguiu autorização para lecionar, já que é docente da disciplina de Motivação no Esporte na UNIRUBÃO e percorre o país ministrando palestras.

A assessoria da UNIRUBÃO foi localizada, mas preferiu não comentar o caso.

Quando é hora de saber parar

 


Todo mundo conhece bem a sensação de admitir que todas as chances se esgotaram. Dói na boca do estômago, no peito, na alma, na garganta travada pela ausência de palavras. C'est fini. 

Malacubaca na Copa 2026 | Uma quase análise com quase craques (é o que nosso orçamento permite)


Com o adiamento de México e Inglaterra por uma hora devido às tempestades na Cidade do México, o pós-jogo da Malacubaca continuou repercutindo a vexatória eliminação do Brasil diante da Noruega.

Como seria a Terra sem a Lua?

 

Há uma sensação de perenidade quando olhamos para o céu noturno; o conforto de acreditar que a Lua sempre esteve e sempre estará lá, como uma testemunha silenciosa da nossa história. No entanto, a astronomia moderna nos revela um cenário menos estático. Em alguns bilhões de anos, o Sol esgotará seu combustível, expandindo-se antes de colapsar em uma densa anã branca — um evento que alterará irremediavelmente a arquitetura de todo o Sistema Solar e o destino dos mundos que o orbitam.

Malacubaca na Copa 2026 | Deu a louca no bolão


Nada como um dia após o outro e uma cobrança de pênaltis para dar aquela calibrada nas expectativas. 
Os videntes L & L quase não dão conta das mensagens que chegam pelas redes sociais, tudo porque Senegal realmente avançou para a segunda fase do torneio e o Brasil venceu o Japão no sufoco, mas sem levar para os pênaltis. 
Sem a maldição do alfabeto, o Brasil tem chances reais de levantar a taça e quebrar esse jejum de duas décadas sem um título mundial. Vencidos os Samurais Azuis, a depender de uma combinação de resultados, pode dar Brasil e Argentina numa semifinal com cara de final, prova de resistência para cardíacos, para enfrentar a pedreira do outro lado do chaveamento.
De acordo com os videntes, a final será a vez do Brasil comer esse prato frio, com a elegância de quem ri por último. Pois, sim, após enfrentar a Argentina de Messi, a Seleção chega em 19 de julho para fazer história.
Agora vamos comemorar mais uma eliminação da Alemanha. A Maldição do 7 a 1 está on e não é lorota dos videntes. A tabela abaixo está pronta para quem quiser voltar aqui em 2042 (se essa página ainda existir até lá) e confirmar.

2018 — eliminado na fase de grupos pela Coreia do Sul
2022 — eliminado na fase de grupos depois de perder pro Japão 
2026 — eliminado nos 16 avos de final pelo Paraguai (e nos pênaltis)
2030 — eliminado pela China na fase de grupos
2034 — eliminado pela Turquia nas oitavas de final
2038 — eliminado pelo Japão nas quartas de final
2042 — cai na fase de grupos e nem pontua 

Se por acaso eles errarem alguma previsão, vocês já sabem: foi culpa da IA. Algum sacana usou os videntes para fazer deepfakes e não se fala mais sobre isso. Caso acertem, melhor ainda.
Mary transcreveu no papel os palpites dos videntes, mas não se responsabiliza por eventuais crises de riso do outro lado da tela. 

Os videntes querem lembrar que em 2002 eles previram Brasil e México na final... ao menos o Brasil eles acertaram... hihihi 

⛪ Dia de São Pedro | 29 de junho

⛪ Dia de São Pedro | 29 de junho

Entre a fé, a pescaria e as fogueiras de junho

Hoje, 29 de junho, celebramos o Dia de São Pedro, uma data tradicional no calendário cristão e muito presente nas festas populares brasileiras. Por aqui, o OCDM acende a fogueira simbólica, pendura as bandeirinhas no varal da memória e te convida pra conhecer quem foi esse santo tão importante para o catolicismo — e por que ele é tão querido nos arraiais pelo Brasil afora.

Quem foi São Pedro?

São Pedro foi um dos doze apóstolos de Jesus e é considerado o primeiro papa da Igreja Católica. Seu nome original era Simão, mas Jesus o rebatizou como Pedro, que significa "pedra" ou "rocha", simbolizando que ele seria o alicerce da Igreja.

Homem simples, pescador de profissão, Pedro é descrito nos evangelhos como impulsivo, corajoso e de fé intensa — embora também tenha negado Jesus três vezes antes do canto do galo, o que o humaniza profundamente na narrativa cristã.

Segundo a tradição, Pedro foi martirizado em Roma no ano de 64 d.C., crucificado de cabeça para baixo por não se julgar digno de morrer como Cristo.

Protetor dos pescadores, porteiros e viúvas

No Brasil, São Pedro é amplamente cultuado como padroeiro dos pescadores e das viúvas, além de ser o "chaveiro do céu" — aquele que, segundo a crença, guarda as chaves do paraíso.

Sua imagem com as chaves nas mãos aparece em muitas igrejas, e seu nome batiza inúmeras cidades, portos, paróquias e festas tradicionais. No imaginário popular, é São Pedro quem “abre as torneiras do céu”, sendo também associado à chuva.

São Pedro nas festas juninas

Se Santo Antônio é o santo casamenteiro e São João é o mais animado das festas juninas, São Pedro costuma ser o santo do encerramento.

Em várias regiões do Brasil, o dia 29 de junho marca o fim do ciclo de festas de junho. É comum ver procissões marítimas, especialmente em cidades litorâneas, como homenagem dos pescadores ao seu padroeiro. Fogueiras, quadrilhas e comidas típicas continuam firmes — mas com um tom mais solene, de agradecimento e fé.

🪕 E claro: em algumas tradições, se você não casou com Santo Antônio nem com São João… ainda dá tempo de apelar pra São Pedro!

Crenças populares ligadas ao santo

🌧️ Dizem que se chover no dia de São Pedro, é sinal de que ele "deixou a torneira aberta lá no céu".

🔑 Também há quem diga que, se você pedir algo com fé a São Pedro, ele destranca até as portas mais difíceis.

⚓ Em cidades como Salvador, Belém e Paraty, a festa de São Pedro é celebrada com procissões marítimas que encantam moradores e turistas.


Tradição que resiste

Mesmo com o tempo passando e as festas juninas mudando de formato, as homenagens a São Pedro continuam vivas. Seja na fé do pescador que entra no mar, no portão decorado de bandeirinhas ou no milho verde assando no fogão, há um pedacinho de São Pedro nas memórias de muitos brasileiros.

Malacubaca na Copa 2026 | Muito suco de maracujá na causa


Um gole de suco de maracujá, Rubão. A noite mal começou. 
Se o Neymar entrará em campo, ninguém sabe ao certo, mas o rei da televisão correria para as colinas se pudesse. Nem preciso recapitular todas as pérolas da dupla Edu Meirelles e Vivaldo para o respeitável público, elas falam por si. 
— Em que posição o Brasil vai se classificar? 
— Campeão que é campeão não escolhe adversário, então, que venha a Holanda! — declara Edu Meirelles. 
— Desde que o Brasil faça gol, não importa quem venha pela frente... — concorda Vivaldo.
— E se os alienígenas aparecerem durante a partida? — pergunta Rubão, sem qualquer esperança na resposta.
— Se vierem em paz, podem assistir ao jogo conosco — responde Edu Meirelles.
— Desde que façam gol... — acrescenta Vivaldo.
— ALIENÍGENAS NÃO JOGAM FUTEBOL, VIVALDO!
— Vocês estão botando fé nessa previsão de invasão alienígena no campo? — pressiona Rubão, tudo para evitar o gatilho do "gol", senão Vivaldo não para mais de falar.
— Deixei de acreditar em previsões falaciosas no início deste mundial — dissimula Edu. 
— Pois a nossa produção conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa dos videntes L & L. Após semanas dedicadas a una peregrinação en local não divulgado, eles estão de volta.
A câmera mostra a cara de decepção de Eduardo Meirelles.
— Queiram entrar, videntes L & L! — convida Rubão. — A casa é de vocês!

Os videntes surgem lentamente pelo corredor do estúdio e, claro, sempre tem câmeras exclusivas da Malacubaca para mostrar a cena de todos os ângulos. Apesar dos trajes extravagantes de seus alter egos místicos, ambos usam a camisa jeans oficial da Malacubaca, com o cachorro mascote bordado à mão sobre o peito. Um deles carrega uma pasta repleta de anotações indecifráveis; o outro segura um cristal que parece ter sido comprado numa loja de R$ 1,99.
Rubão respira fundo. Eduardo Meirelles desvia o olhar para o teto. Vivaldo sorri como se estivesse reencontrando velhos amigos.
— Quem é vivo sempre aparece! — Rubão se dirige aos videntes para cumprimentá-los. — A gente já estava com saudades de vocês por aqui. Quantos anos de peregrinação? Quinze?
— Pensei que vocês tivessem se aposentado depois de tanta bola fora — debocha Edu.
— A gente vai se aposentar no mesmo dia em que você ganhar a Bola de Ouro honorária — reage Lilly (a vidente L), mordaz.
— Essa doeu até em mim, mana! — diz Luís Carlos, o vidente L. 
— Eu ri, mas com respeito. — Vivaldo se manifesta.
— Respeito é algo que ninguém tem por um homem que poderia ter revolucionado o futebol... — desabafa Edu.
— Ah, Lilly, não acredito que interrompi minhas férias pra isso — reclama Luís Carlos. 
— Até que uma invasão alienígena não seria de todo uma tragédia — murmura Rubão, esvaziando o jarro de suco de maracujá e bebendo como se fosse energético.
— O Meirelles já é caso perdido, já começou a acreditar nas próprias fanfics — caçoa Lilly.
— Olha quem fala, a vidente que só dá bola fora e prevê o que já aconteceu.
— Sabe quando você vai ser titular da seleção? Eu digo quando: quando você for dormir. Sonha que é de graça, vacilão.
— Se vocês começarem de picuinha, corto os microfones de todo mundo e acabo com essa palhaçada! — Rubão bronqueia com todos os presentes. — Essa é uma transmissão de respeito! A família brasileira está reunida para acompanhar o futebol e não um bando de palhaços com delírios de grandeza querendo aparecer mais do que a bola no pé. Estou falando: se vocês começarem de picuinha, do próximo jogo ninguém participa! Vou dar cartão vermelho pra todo mundo!
— Tecnicamente eu nem falei tanto assim — Luis Carlos cochicha com Lilly.
A câmera fecha no Rubão enquanto ele aponta o dedo para todos:
— Estou falando sério! Fui bem claro ou vou precisar desenhar?
Silêncio. O suco de maracujá acabou e a paciência do patrão também. 
Não à toa o comunicador se sente o motorista de uma excursão repleta de crianças travessas batendo pratos, cantando alto, correndo, desafiando todas as leis do bom senso. É um fala-fala danado, um querendo falar por cima do outro...
— Sobre a possibilidade de invasão alienígena — Lilly pede a palavra —, nunca ouvi tanta abobrinha.
— Não tem previsão de invasão alienígena?
— Então não tem nave-mãe? Não tem estádio sobrevoado? Não tem Neymar sendo levado para outro planeta?
Lilly suspira.
— Rubão, isso é o equivalente esotérico de corrente de WhatsApp. Além disso, o vidente L e eu decidimos em comum acordo interromper nossas férias... nossa peregrinação porque estavam fazendo deepfakes com previsões fajutas e alarmistas utilizando nossos nomes, inclusive, palpites da Copa.
— Essas previsões aí usando nosso nome são todas falsas — confirma o vidente L, olhando compenetrado para a bola de cristal.
— Muitos videntes sem credenciamento aproveitam períodos de grande mobilização nacional para fazer profecias apocalípticas e implantarem a semente do terror coletivo, mas essa bola de cristal que já viu o passado e o futuro prevê vitória do Haiti contra o Marrocos.
— E hoje? Vai dar Brasil? — pergunta Rubão.
— Ah patrão, você acredita em Papai Noel? Porque acreditar nesses dois aí dá no mesmo que acreditar em Papai Noel.
— Você arrisca um palpite de quem será o adversário do Brasil na próxima fase? — Rubão ignora os protestos de Eduardo.
— Agora é fácil culpar as deepfakes — reclama o bonitão.
— Quer eu transforme esse aí em sapo? — propõe Lilly.
— Vou dar mais uma colher de chá — sentencia Rubão para Eduardo. — Na próxima é cartão vermelho!
— Mal acerta o placar de uma partida, vai me transformar em sapo... 
— 

 

Malacubaca na Copa 2026 | Secador às avessas


— Por que você está ouvindo Mick Jagger? — pergunta Renata ao entrar na sala e encontrar Edu batucando animado no tampo da mesa dele.
— Estou aquecendo os tamborins para o Dia do Rock — responde Eduardo. — Acabando o São João, tem o Dia do Rock. Eu quero é rock, bebê!

Haumea: o elipsoide frenético além de Plutão

Captura de tela do planeta-anão Haumea (Reprodução/Stellarium)


No vasto e gelado Cinturão de Kuiper, muito além da órbita de Netuno, reside um dos objetos mais exóticos do nosso sistema: o planeta-anão Haumea. Se a maioria dos corpos celestes se assemelha a esferas perfeitas, Haumea desafia essa estética, apresentando-se como um elipsoide alongado — um formato que lembra mais um charuto ou uma massa de pizza esticada do que um planeta tradicional.

🌀 A Física da velocidade extrema

O formato bizarro não é um acidente geológico, mas uma consequência direta de sua dinâmica orbital. Haumea possui uma das rotações mais rápidas do Sistema Solar: um dia completo ali dura apenas quatro horas.

Essa velocidade é tão extrema que a força centrífuga impede que a gravidade molde o corpo em uma esfera. Haumea é, literalmente, uma lição de física sobre a resistência dos materiais; ele gira tão rápido que se alongou para aliviar a tensão de sua própria rotação. É o contraste perfeito entre a agitação frenética e o silêncio gélido das profundezas do espaço.

🔴 A mancha e o passado violento

Observações detalhadas revelaram uma característica intrigante na superfície cristalina de Haumea: uma mancha escura e avermelhada. Cientistas sugerem que essa marca pode ser o registro de uma colisão catastrófica ocorrida há bilhões de anos — o mesmo evento que provavelmente acelerou sua rotação e deu origem às suas duas luas, Hi'iaka e Namaka. O que vemos hoje é a cicatriz de um "esbarrão" intergaláctico que alterou permanentemente o destino deste mundo.

🔭 Perspectiva no Stellarium

Para localizar Haumea no simulador, é necessário um "zoom" agressivo e persistente. Localizado em uma região de luz escassa, ele aparece como uma "batata esticada" que gira em alta velocidade. No Stellarium, essa visualização ajuda a compreender como a distância e a escala transformam um planeta anão em um pequeno prodígio da mecânica celeste.

Malacubaca na Copa 2026 | O retorno dos que nunca foram

 

Uma partida foi suspensa devido às fortes chuvas na Filadélfia. Com isso, a Malacubaca trabalha dobrado para responder às indagações dos espectadores sobre a carreira de Vivaldo, o tetracampeão. 

Figurinha carimbada nos jogos da Seleção, imortalizou o bordão "Pra ganhar tem que fazer gol. Sem gol não tem vitória. Sem vitória não tem taça. Sem taça não tem festa." Ninguém sabe muito bem como ele foi parar na Malacubaca, mas esse agregado — diga-se de passagem — foi ficando, ficando... Parece que sempre esteve ali.

Malacubaca na Copa 2026 | Os segredos de um quase craque


Eduardo Meirelles pode até não ser o mascote da Copa, mas está sempre na boca do povo. Que ele é o artilheiro do time dos jornalistas da emissora, ninguém contesta. O ego, no entanto, ultrapassa o tamanho do Maracanã. Se duvidar, não está conformado até agora de não ter sido convocado para defender a Seleção.

Malacubaca na Copa 2026 | Teorias da conspiração na calada da noite


A televisão falava sozinha na sala escura. Na poltrona, Luís Carlos roncava, alheio aos comentários de Rubão na mesa-redonda pós-jogo. Lilly cochilava refestelada no sofá... até o celular vibrar ruidosamente.
Apavorados, os irmãos videntes charlatões tropeçaram na escuridão tentando identificar de onde vinha o som, se não estavam delirando ou dentro de um sonho daqueles bem esquisitos.
— Você ativou o despertador pra assistir ao jogo do Paraguai? — ralhou Lilly. — Quase me matou do coração, hein?

Malacubaca na Copa 2026 | Enquanto você lia essas desventuras, eles erraram mais uma previsão


Quando ela chega, não tem jeito. A gente se envolve. Uns mais, outros menos. Quem não gosta não entende que o significado vai além de 22 homens atrás de uma bola... 
É o frio na barriga, a tradição em campo, a televisão sintonizada na Malacubaca, o bolão da família, o animal vidente, as promessas, o ressoar das vuvuzelas, o cheirinho de pipoca com manteiga, do churrasco na brasa, o grito de gol que vem lá do fundo da garganta, do fundo da alma, que grita tudo que está engasgado, que até esquece um pouco dos problemas e das mágoas. 
Num abraço apertado, pula-se e festeja-se como se a torcida estivesse ali pertinho, vibrando a vitória, o entusiasmo e a bem-vinda injeção de ânimo que não vem em melhor hora.
Mas a festa não se faz sozinha...

Que alerta foi esse?



Tomei um susto daqueles agora há pouco. Receber alerta da Defesa Civil é assustador, mas a mensagem foi meio estranha, como indica a captura de tela. Minha irmã recebeu esse alerta e agora estamos querendo saber se mais gente recebeu e quem pode nos explicar o que aconteceu.

Mary Recomenda | Se deus me chamar eu não vou — Mariana Salomão Carrara


Esse título aparecia bastante nas recomendações de leitura, mas outros passavam na frente dele. Decidi saciar a curiosidade e foi assim que fiquei cara a cara com Se deus me chamar eu não vou, de Mariana Salomão Carrara, a indicada do Mary Recomenda de hoje. 

Observações astronômicas (16/6/2026)

 

No domingo (14) e na segunda-feira (15), as condições climáticas estiveram desfavoráveis para acompanhar o céu, mas hoje o Sol saiu e tive a alegria de registrar momentos do céu que mais pareciam uma pintura em movimento.

Precisava compartilhar 💕

Manifesto de uma nefelibata #2

Nem todas as boas histórias começam com "era uma vez", suspeito que as primeiras páginas contem sobre paredes rabiscadas e bichos de pelúcia brilhando sob os holofotes imaginários de novelas improvisadas pela imaginação quase infinita de uma criança solitária e incompreendida.
Ideias pedem morada e vão florescendo até que as pétalas preencham dezenas de folhas de papel, tudo muito poético e até certo ponto romântico... ninguém descreve a angústia de segurar a caneta e a página em branco encarar de volta, um pouco impaciente, adepta da praticidade acima de tudo. O perfeccionismo ajeita o capuz na cabeça e murmura trêmulo atrás das cortinas que seria melhor nem começar. Por outro lado, as primeiras palavras vão ganhando corpo e assumindo o compromisso de reproduzir esse desabrochar de sonhos grandes demais para serem guardados junto com os brinquedos, os velhos e fiéis companheiros de aventuras. 
Os grandes um dia foram pequenos, não há nada de vergonhoso em partir de algum lugar, com o que se tem e o que se sabe. As bruxas são inofensivas diante da punhalada vinda de quem diz amar, pelas costas, para não deixar dúvidas, para não haver chance de defesa. Os mentirosos bem-intencionados inventam uma narrativa convincente e as folhas desaparecem, sentimentos não passam de arremedos e uma criança amedrontada chora até adormecer, no peso da injúria e da desmedida reação de quem sequer ouve outra versão. 
Mesmo assim, ela insiste. Ainda não sabe bem no que vai dar, o quebra-cabeça ficou todo irregular, mas existe um lugarzinho onde o ódio e a maldade não podem invadir, pelo menos não enquanto a esperança for sua sentinela. A rotina é pequena, sufocante e limitadora, porém, as palavras constroem pontes e refúgios seguros, as primeiras estruturas de histórias que ainda haverão de ser escritas. 
Cada divisória colorida desse caderno argolado do Mickey Mouse conta uma perspectiva da mesma noite — e tantas outras —, sempre em busca do aprimoramento, da versão definitiva, por mais penoso que seja reconstruir uma edificação lembrada pelas ausências. É tudo que tem. Cabe dentro da mochila, viaja por toda parte, considerando que a privacidade tem o mesmo peso de uma moeda sem valor. 
O desejo de transcrever o florescer com a mesma riqueza de detalhes da imaginação segue nesse embate passional com todos os entraves. A inocência fenece, de estilhaços sobrevive a confiança. São muitos dizendo o que fazer, poucos para entender. Todos pensam saber o que é melhor para ela, são boas as intenções descritas num tom paternal ou maternal de quem no fundo fala consigo mesmo. 
O bater das teclas tenta acompanhar o ritmo voraz dos pensamentos, aquela sintonia meio fora da caixa que parece dar muito certo. Não adianta seguir uma "receita de bolo" se o seu paladar se afina mais com uma boa macarronada ou uma pizza com camadas de queijo derretido e tomates. Muito além da boa gastronomia, é questão de lealdade aos próprios valores, vender mentiras cobra juros impagáveis.
Quem cobra perfeição não é exemplo de nada. Quem julga com rigor religioso tem um teto de vidro disfarçado. Quem despreza só escancara o despeito escorrendo pelo canto da boca. Quem escolhe o caminho do ódio não pode reclamar das tempestades no trajeto de volta, as coisas são como são. 
Ela é bombardeada diariamente com milhares de cobranças em todas as áreas da vida. Faça isso, não aquilo. Pense assim e não assado. A arte precisa de culhão. Quem não viraliza não existe.
Será que não existe uma incoerência em todos esses lugares-comuns?
A menina que rabiscava parede não pensava em ranking nenhum, só gostava da sensação de segurar uma caneta e brincar com palavras soltas. Os bichinhos de pelúcia eram as grandes estrelas das novelas faladas, não tinham fãs nem milhares de visualizações, não colecionavam medalhas, nem tampouco tinham a necessidade de validação externa ou de agradar uma cartilha de costumes cujos critérios são muito ambíguos.
Foi essa menina de coração quebrado que saiu de cena e aprendeu a gostar de passar despercebida, de não ter que dar opinião sobre tudo, nem se cobrar a perseguir um ideal que mais contribuiu para aprisionar a criatividade e roubar o prazer de escrever por escrever.
Se ela não viraliza não existe para o senso comum iludido por mentiras bem editadas e ilusões filtradas. Ademais, enquanto o amor pela arte se sobrepõe aos interesses mundanos, as palavras se amontoam, ávidas por redigir não um final feliz repleto de efeitos especiais, mas o grande momento em que o perfeccionismo é deixado de lado e arriscar é o verbo de ação que liga dedicação, intenção e satisfação. 

Observações astronômicas (12/6/2026)

Na quarta-feira (10) e na quinta-feira (11), a chuva roubou a cena, mas nesta sexta-feira (12), contrariando as expectativas, o solzinho apareceu. Tudo bem, de manhã o céu estava carrancudo e meio choroso, ah, e as rajadas de vento cortaram o barato de quem está sentindo saudades do verão.

Júpiter e Vênus continuam visíveis no céu ao anoitecer, como mostra essa captura de tela do Stellarium, exatamente no momento em que fiz os primeiros registros da noite. 

Pode não parecer hoje, mas tudo vai ficar bem

 


Não gosto muito dessas frases genéricas de autoajuda, mas hoje decidi fazer um contraponto respeitoso sobre a ideia de que o amor romântico é o único válido e existente, só isso. Viver algo bonito e correspondido, quem não quer?

Amor romântico não é o único tipo de amor do mundo



Essa história de "o amor vem para os distraídos" me faz revirar os olhos. Mais distraída do que eu — e por natureza, a ponto de colecionar manchas roxas na perna e não saber por que — duvido que haja alguém.
A bem da verdade, hoje é uma sexta-feira comum, a exemplo de tantas outras sextas-feiras do ano. Passar o Dia dos Namorados sozinha é perfeitamente possível, bem como me divertir mesmo sem um namorado também é. 

Dia da Chatice aka Dia dos Namorados


Eis que chegou o Dia da Chatice, aka Dia dos Namorados. Sou do time que odeia a data e cutuco a ferida da hipocrisia comercial. Temos outros 364 dias no ano para demonstrar amor, não somente em 12 de junho e fomentado pelo exibicionismo barato em troca de algumas curtidas.

Mary Recomenda | Fechado por motivos de futebol — Eduardo Galeano


Para quem ama futebol e fortes emoções, a temporada promete. Hoje começa a Copa do Mundo na América do Norte, com 48 seleções, uma partida a mais e a expectativa para conhecer a próxima campeã. Se o hexa virá ou não, o desfecho dessa história será conhecido nos gramados. 
Teremos animais videntes? Um hit que supere o impacto emocional e cultural do Waka Waka (difícil)? Um favorito caindo cedo e um azarão surpreendendo por chegar a uma semifinal?
Estamos diante do prólogo de mais um mundial e nós poderemos testemunhar cada parágrafo em tempo real, por isso o Mary Recomenda Edição Extraordinária tinha de estar à altura.
Se você gosta de Eduardo Galeano, a indicação de hoje não será nenhuma surpresa, porém, para quem ainda não conhece o legado deste grande escritor uruguaio, Fechado por motivo de futebol pode te deixar ainda mais no clima da Copa. 

Feliz aniversário, irmã!



Seu aniversário coincide com a cerimônia de abertura da Copa do Mundo deste ano, igualzinho a 2010 e também 1998. Além disso, nós duas nascemos em quintas-feiras de anos bissextos, com a Lua na fase crescente, em dias ímpares. Só não falei sobre o frio que faz (quase) todo ano porque ainda não cheguei a essa parte. É questão de tempo.

Observações astronômicas (9/6/2026)

Retrato do céu de hoje à noite 

Ontem não foi possível compartilhar nenhuma observação astronômica porque o céu estava nublado no início da noite. No entanto, comparando os registros recentes com alguns mais antigos e apurações em fontes confiáveis, suspeito ter registrado Procyon e Sirius. Comecei a escrever sobre o Triângulo de Inverno e deixei no rascunho, caso me encoraje de publicar em breve.

Observações astronômicas (7/6/2026)

Faltam 4 dias para começar a Copa do Mundo e 14, se não me engano, para o início do inverno astronômico (e o ingresso do Sol no signo de Câncer/Caranguejo). Júpiter parece ser só um pontinho minúsculo do céu que até nos esquecemos de que caberiam umas 1300 Terras nele.

Júpiter e Vênus em conjunção (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)

Vênus e Júpiter em conjunção

Hoje é dia de registrar Vênus e Júpiter a olho nu. Se o céu estiver limpo na região onde você mora, vale a pena dar uma olhadinha.

5 de junho | Dia Mundial do Meio Ambiente

  

🌱 Uma viagem pelas raízes da consciência ambiental

Hoje, o blog Os Cadernos de Marisol convida você a fazer uma pausa — dessas que a alma precisa — para olhar com mais carinho o mundo ao redor. 🌍 Em 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data que vai além de slogans: é um chamado à responsabilidade, à memória e ao futuro.

Fobos e Deimos: o futuro anel do planeta vermelho



Na mitologia, Fobos (Medo) e Deimos (Terror) acompanhavam Marte, o deus da guerra, em suas batalhas. Na astronomia, essa relação é igualmente intensa e peculiar. Diferentemente da nossa Lua, que é um corpo esférico e solitário, as luas marcianas assemelham-se a asteroides capturados pela gravidade do planeta vermelho, mantendo formas irregulares e órbitas fascinantes.

Bem-vindo, junho


Junho é um dos meses mais legais do ano. 🩷
Tem uma pessoa muito especial na minha vida que faz aniversário em junho, logo vocês saberão quem é porque vai ter um espacinho pra ela aqui. Ah, e a Copa está quase aí também... 😎
Por ora, recebam meu abraço apertado e meus votos para que junho seja um mês muito abençoado para todos. 

Arquivo Malacubaca | Trolada pelos nutricionistas (2013)

 



Essa diva é boa de garfo, mas, quando quer entrar em forma, não mede esforços para fazer bonito. Vocês devem saber como é. Agenda lotada, muitos compromissos, a pressão para estar sempre enxuta. Uma diva acumula muitas responsabilidades; comigo não poderia ser diferente.

Eu tinha um casamento para ir e queria chamar mais atenção do que a noiva, se bem que eu já causo naturalmente graças aos meus atributos — valeu aí, mãe natureza! — que deixam as outras mordidas de inveja. No entanto, entre um sonho de goiaba e outro, perdi o controle e a balança reclamou. Não sendo lá muito fã de puxar peso, fazer caretas e nada que me faça suar, estava quebrando a cuca para fazer as pazes com o espelho (apesar de sermos best friends) sem sofrer muito.

Uma coisa bacana de ter uma amiga como a Lilly é que ela sempre conhece alguém que pode oferecer ótimos serviços cobrando uma pechincha.

— Se você precisa enxugar alguns quilinhos para fazer bonito com o vestido pink, recomendo que conheça os irmãos nutricionistas que só atendem divas — recomendou a Lilly, me ajudando a pintar as unhas.

— Eles só atendem divas?

— E com hora marcada — lembrou Lilly. — É bom se apressar porque a agenda deles é muito cheia.

— Eles são bons mesmo?

— Os melhores. Só trabalham com divas e ainda por cima fazem um preço camarada.

— Diva que é diva adora uma pechincha.

No final daquele mesmo dia, recebi um e-mail com um folder promocional dos NUTRICIONISTAS DAS DIVAS e entrei em contato imediatamente com a secretaria deles. Uma voz melíflua me atendeu, marcando uma consulta para dali a dois dias. Fiquei radiante! Pensei que seria o máximo e que logo estaria desfilando com o meu vestido pink, esbanjando elegância e deixando as falsianes da redação roxas de recalque.

Os profissionais atendiam num prédio comercial requintado no coração do Batel. Logo na recepção, percebi que o negócio era de alto nível. Poltronas de veludo, espelhos dourados e um perfume suave no ar que lembrava jasmim. Fui encaminhada para o consultório principal, onde dois homens elegantíssimos me esperavam, vestindo jalecos impecáveis com as iniciais gravadas em fio de ouro. Um deles tinha sotaque francês e o outro ostentava uma postura dinamarquesa irretocável. Senti que estava na elite da saúde!

— Bonjour, Carmen Angélica. Vimos que o seu brio necessita de um realinhamento metabólico celular — disse o irmão francês, analisando-me com um carão clínico de milhões.

Eles prescreveram um "elixir da perfeição das divas", uma fórmula secreta importada diretamente de Copenhagen que, segundo eles, faria a gordura derreter na velocidade máxima de um contra-ataque. O único problema era o cheiro do bendito xarope: um aroma tridimensional que lembrava bueiro entupido em tarde de chuva no Rebouças. Mas diva que é diva sustenta o laquê e engole o que for preciso pelo manequim 36!

Para complementar, eles me encaminharam para uma aula experimental de aeróbica com um personal trainer da academia VIP do prédio. E adivinhem quem era o instrutor? O legítimo SÓSIA do Edu Meirelles! A mesma gola polo, o mesmo topete indestrutível e o mesmíssimo cinismo de catálogo! Eu odeio suar, odeio fazer careta levantando peso, mas ver o clone do Meirelles gritando comandos de posicionamento geométrico na pista me deu um brio tão monumental que pulei corda até o laquê derreter por completo!

No dia seguinte, na redação da Malacubaca, eu já estava pleníssima espalhando a fofoca. Joguei na cara da Bilu Valdez e do Edu que tinha perdido 8 kg em apenas três dias com o tratamento escandinavo. O Edu ficou possesso, achando que era bruxaria corporativa, e a Bilu quase caiu dura de tanto invejar o meu foco tático! Como sou uma colega prestativa, levei o frasco do elixir e servi o chá fedorento em copinhos de plástico para as meninas da redação, jurando que era a salvação da paróquia. O resultado? Meia hora depois, havia uma fila extraordinária de repórteres e produtoras interditando o banheiro da emissora com uma pane gastrointestinal histórica! Tarja preta total!

O meu verdadeiro calvário, contudo, foi o drama do sonho de goiaba. Os nutricionistas cortaram impiedosamente as minhas cotas da iguaria do Seu Getúlio. Passar de um estoque livre para apenas UM mísero sonho de goiaba por dia foi de uma crueldade digna de vilão de novela das nove. Eu ficava ali na calçada, namorando a barraca à distância, chorando no closet com o estômago roncando e olhando para aquelas fatias de bolo com o âmago arranhado. Quase uma mártir!

Na manhã seguinte, quando fui me pesar no banheiro para celebrar mais um quilo perdido, a balança estava de brincadeira comigo: GANHEI 5 KG POR COMER UM PEDAÇO DE BOLO.

Jaqueline parou em frente à porta entreaberta do banheiro:

— Qual é o drama agora?

— Drama? — choraminguei. — DRAMA?

— Deve ser consciência pesada, não é não? — Ela não iria perdoar o pedaço de bolo surrupiado da geladeira na noite anterior, sem deixar nem uma migalha para os cachorros dragas.

— Ninguém engorda 5 kg comendo um mísero pedaço de bolo — justifiquei-me, estarrecida, magoada, com o âmago arranhado. — Puxa vida! Eu estou me dedicando tanto, me sacrificando absurdamente...

— Quase uma mártir dos sonhos de goiaba...

— Nem me fale em sonhos de goiaba — cobri as mãos no rosto para romper em lágrimas.

Ficar sem sonhos de goiaba estava acabando comigo tanto quanto da vez em que eu passei uma semana numa cidade que não vendia sonho nem de nata. Não sei como sobrevivi a tamanha negligência. — Não me torture!

— A consciência pesada faz o resto do trabalho — argumentou a pestinha, saindo correndo para a cozinha.

— Consciência pesada, é?

Foi aí que os meus disquetes processaram a informação e eu descobri a falcatrua: a Jaqueline tinha adulterado as engrenagens da balança só para me sacanear! Eu não tinha emagrecido nem engordado um único miligrama. Os nutricionistas das divas eram uma fraude e a minha filha era uma sabotadora de dietas!

De qualquer maneira, cansei-me desse negócio de dieta. Eu estava ficando deprimida de namorar os sonhos de goiaba à distância, não sirvo para puxar ferro em academia e muito menos para fazer esses regimes malucos que deixam o sistema em frangalhos. Nada como uma bela cesta de sonhos de goiaba do Seu Getúlio para comemorar o fim do carma e o retorno triunfal da diva ao topo da passarela!

Luz cinérea 🌙



A luz cinérea (ou Earthshine) é um fenômeno óptico que ocorre quando a porção obscurecida da Lua torna-se visível a olho nu, exibindo um brilho acinzentado e sutil. É o momento em que o disco lunar deixa de ser um recorte bidimensional no céu e revela sua volumetria completa, envolto em uma penumbra fantasmagórica.

Ou seja:

☀️ Sol → 🌍 Terra → 🌙 Lua → 👁️ nós

Terças com Tita | A epopeia da garota incompreendida (escrito em 2013)

 

Ela era a adolescente desengonçada que lhes falava. Ninguém a ouvia por não querer. Vaiada ao apresentar os trabalhos em classe. A última do time. A fileira isolada. O ruidoso silêncio.

Aquela que chorou a perda da única amiga. Ninguém nunca soube decifrar o quanto ela poderia ser uma boa companheira.

Era mais fácil atirar pedras no cachorro sarnento do que oferecer-lhe alguns miolos de pão e um pouquinho de água.

As palavras já estiveram em lugares onde jamais sonhei em estar


Há fases em que a ausência é necessidade de primeira ordem. A pausa vem da paralisia moral entranhada nas noites em claro, acompanhada pela insegurança e um medo quase infantil de não dizer nada que agregue.

Donkey Kong Country 3: Dixie's Double Trouble


Meu vô paterno estava internado na Santa Casa, a saúde já bastante frágil. Meu pai, religiosamente, ia ao hospital visitá-lo todos os dias. Por ter apenas 9 anos, eu não podia entrar na UTI, então aguardava quieta em um corredor, sem muita noção da gravidade do que ocorria.

O que isso tem a ver com Donkey Kong?

Bem, perto da Santa Casa tinha uma loja dessas que vendiam de tudo, inclusive fitas de videogame. Meu pai me levou até lá e perguntou o que eu queria. Minha meta era o Donkey Kong Country 2 — que eu estava louca para jogar desde que vi alguém jogando na locadora —, mas não tinha. A vendedora, então, disse que havia um "novo".

Mary Recomenda | Beleza oculta — Lucinda Riley

"Se olharmos para esse cenário desolador, a maior lição que fica é justamente o valor de proteger a dignidade humana. O maior bem-estar e a maior utilidade que podemos extrair ao entrar em contato com essas dores do passado é usar essa indignação como combustível para blindar o nosso presente contra qualquer intolerância. A memória dessas injustiças serve para que a gente nunca se esqueça de valorizar a vida, a liberdade e o respeito mútuo. Transformar esse ódio pelo que aconteceu em uma determinação firme de espalhar empatia e justiça no mundo de hoje é a melhor forma de gerar o máximo de bem coletivo."

Devo estar a alguns passos de me tornar rabugenta, mas... não me importo. Ou eu morri por dentro, ou estou exigente demais. Faço-me essas indagações sem nenhuma certeza de resposta, porque é bem provável que eu não a encontre.
Geralmente, o Mary Recomenda não indica livros os quais eu não tenha gostado ou pelo menos aproveitado algo de bom neles. Foi movida por esse interesse que iniciei a leitura de Beleza Oculta, da saudosa Lucinda Riley.

Às vezes, o problema não é o livro

Há uma grande probabilidade de você já ter vivido essa situação de encontrar um livro que te arrebata porque a capa é muito chamativa, a sinopse desperta curiosidade e a própria narrativa te prende de um jeito tão intenso que você hesita entre devorar as páginas de uma vez ou ir devagar para prolongar aquela companhia. 
A combinação harmônica desses elementos geralmente prenuncia uma ressaca literária das bravas, cinco estrelas (talvez), concordâncias, discordâncias, dúvidas sobre continuações ou a coerência do final. Entretanto, nem todo encontro deixa aquela saudade boa e a promessa de um reencontro. 

os sinais estavam claros desde antes da explosão

  Sempre prometo não me envolver, mas quebro meu próprio juramento quando o preço do silêncio me chama à realidade. Injustiças me tiram do s...