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| Presente de aniversário Milka (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
Esta história começou há dois séculos, em Neuchâtel, na Suíça ocidental, quando o confeiteiro Philippe Suchard abriu sua primeira confeitaria. Naquela época, o chocolate era algo rústico, granulado, difícil de mastigar e caríssimo.
Visionário, Suchard inventou o mélangeur, uma máquina que misturava o açúcar e o cacau por horas até transformá-lo em uma pasta lisa. O grande desafio consistia em conseguir misturar o leite ao chocolate sem que ele estragasse ou ficasse com textura.
A fórmula perfeita misturava o cacau ao leite alpino de alta qualidade. Foi assim que registraram o nome Milka.
MILch + KAkao = MILKA
Viva o mélangeur
A origem de Mélangeur vem do verbo francês mélanger, cujo significado é misturar. Numa tradução mais literal, podemos chamar de misturador.
Nos primórdios, ele era uma bacia enorme, geralmente de granito ou mármore — escolhido por manter a temperatura estável. Dentro dela, havia dois rolos de granito pesadíssimos que giravam em sentidos opostos. O cacau e o açúcar eram colocados ali para os rolos os esmagarem, triturarem e friccionarem a mistura por longas horas, podendo até chegar a dias. Esse atrito gerava um calor natural que derretia a manteiga de cacau, e a pressão dos rolos de pedra deixava as partículas tão minúsculas que nem o olho nem a língua conseguiam mais sentir os grãos.
Para a indústria, o mélangeur é o equipamento que faz a mistura e homogeneização dos ingredientes. No caso específico do chocolate de Philippe Suchard, era um misturador de alta potência e pressão, capaz de unir o açúcar e o cacau até eles se tornarem uma mistura só.
Suchard ganhou medalhas de ouro em feiras internacionais como a Grande Exposição de Londres (1851) e de Paris (1855). Era considerado o “rei do chocolate suíço". Apaixonado por navegação, também introduziu o primeiro barco a vapor no lago de Neuchâtel.
Faleceu em 1884, aos 86 anos, vendo a Suchard se tornar a maior fábrica de chocolate do mundo. Embora tenha morrido antes da marca Milka ser oficialmente registrada, lá em 1901, deixou o caminho pavimentado para o genro, Carl Russ-Suchard transformar a marca no que ela é hoje.
A embalagem roxa não foi uma escolha ao acaso, representava a intenção de destacar o produto como algo nobre e único. Já a vaquinha Lila só se tornou a estrela oficial das propagandas lá na década de 1970. Lila representa a pureza dos Alpes.
Nos primeiros comerciais, as vacas de verdade eram pintadas com um corante roxo atóxico — que saía no banho — para filmá-los.
Atualmente, a maior parte da produção mundial vem de uma fábrica enorme em Lörrach, na Alemanha.
O império Milka
A Milka vende desde as barras de chocolate clássicas quanto biscoitos, wafers, brownies, alfajores e pralinés. Foi este último que me chamou a atenção por causa da mensagem escrita na tampa da caixa: Danke Schön.
Se Danke significa obrigado(a) em alemão e Schön é bonito, pesquisei um pouco e compreendi que o Schön, nesse contexto, funciona como um intensificador que confere uma beleza extra ao agradecimento, como o nosso Muito obrigado (a) ou Muitíssimo obrigado.
Considerando que o alemão é o idioma oficial da maior parte da Suíça, o Danke Schön é comum, no entanto, é importante destacar que esse país recebe também uma forte influência do francês, eles têm um jeito muito específico de agradecer.
Merci vielmal = mistura Merci (francês) com Vielmal (alemão) e significa Muito obrigado (a).
Milka é um dos meus chocolates favoritos, porém o preço dele não me permite consumir com muita frequência. A fórmula do chocolate realmente conta com a manteiga de cacau, que confere aquela sensação gostosa dentro da boca. Uma das barras de chocolate que amo de paixão é uma de caramelo. Cada quadradinho vale muito a pena.
A história do Praliné também é muito interessante, mas ficará para uma próxima oportunidade. Tem um personagem muito especial e decisivo que também consagrou uma importante marca, referência em chocolates — nunca comi porque são caros —, embora digam que o preço compensa a experiência.

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