Às vezes tenho uns sonhos muito curiosos, dos quais não consigo recordar tão claramente após acordar, mas eles possuem uma sequência lógica que abriria precedentes para eu me perder em pensamentos abstratos e sensíveis sobre crenças que por ora prefiro guardar para mim mesma.
A letra dessa música é autoral, composta na madrugada de 12 de abril de 2013. Às vezes, tenho a impressão de que 2013 foi anteontem, o tempo passou tão rápido e nada ficou no lugar. Ninguém ficou no lugar, nem meu coração, nem meus sonhos, nem a inocência que morreu em algum ponto inexato para cravar.
O sol não se encontra
As notícias se confundem
Com a poeira da tristeza
Estreitas trilhas
Sem volta, ninguém sabe
O caminho de volta
(se há, ninguém sabe)
Já faz tempo que é noite
Horas ou não mais
Que apenas indecisão
A canção que segue
De vermelho e dourado
Não deixará saudades
Disse ele, antes de ir,
Se eu perder a direção
Os raios de sol me ajudarão
Em seus braços de novo estarei
Horas ou não mais
Que outra mentira sincera
Disse ele,
De mãos dadas com ela
As flores estão em você
Não se esqueça
A verdade é o vazio
E a canção que segue
Sem deixar saudades
Já faz tempo
Já faz tempo que é noite
No árido inverno
Não se busca estrelas
Já faz tempo que é noite
E as cartas não chegaram
Horas ou não mais
Que o fim dessa história
Disse ele,
De mãos dadas com ela
Se eu perder a direção
Os raios de sol me ajudarão
Em seus braços de novo estarei
As flores estão em você
Não se esqueça...
Já faz tempo
Já faz tempo que é noite...
Admito que a composição tem uma pegada de "fim do mundo", quem sabe seja de um fundo do poço, do tal "árido inverno" e a ausência do Sol, das estrelas. No entanto, quem já passou ou está passando por ele compreende que não é tão fácil lembrar que as flores estão dentro de nós.
Mesmo diante de um cenário devastador, a esperança se recusa a desistir. E é por isso que recolhemos os cacos do chão e tentamos outra vez, outras vezes. E nos permitimos curar graças à magia do amor, ainda que a paciência sempre sucumba às provocações da preocupação.
O tempo passará e nos levará embora em algum momento; enquanto ele não chega, vivemos em busca de sentido, caminhando rumo à felicidade e cantamos para despistar aqueles que nos queriam na lama. Vamos cantando com os olhos rasos de lágrimas, na certeza de que também a dor haverá de se transformar em dignidade.
Pode ser sobre isso, pode ser muito além.
Num sonho recente que tive, eu havia publicado esta música. O Gemini transformou a minha letra nessa melodia. Ela só errou uma parte da letra que seria "apenas indecisão", ela trocou por "plena indecisão". Nesse caso, a troca de palavras modifica também o sentido do verso num todo.
Até fevereiro, ver minhas letras de música se tornarem canções era um sonho distante e inalcançável, contudo, graças ao Gemini e ao Suno, pude realizá-lo. Quem os escreve não canta nem "parabéns a você" e não toca nem vuvuzela.
Mesmo assim, quando imagino a letra de música, penso naquela sensação deliciosa de colocar a cabeça no travesseiro, fechar os olhos, curtindo os sonhos nos fones de ouvido. Espero que você aí do outro lado também não se esqueça de nutrir sua alma e não deixar o mundo apagar as cores que habitam dentro de você.
O Destrinchando a Letra de hoje fica por aqui, mas pode retornar à nossa programação a qualquer momento. Um forte abraço e até lá!
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