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Depois dos 25 | O oásis não passa de outra ilusão



Ninguém conta o quão devastador é ser gatilhada por estímulos que me querem adestrada, encolhida na caixinha, consentindo com as falácias vendidas num belo embrulho. O medo de ficar de fora coloca todas as convicções em prova. 
Padeço às pedras de granizo atravessadas no peito, consequência de todos aqueles "tudo bem" que venho dizendo há muito tempo. Deito para esquecer, acostumada a ser compreensiva, a tantas portas fechadas, a abdicar em nome dessa tal resiliência.
Sou muito consciente da realidade, estou e sempre estive sozinha. E esse peso testa a resistência aos mais árduos trechos nesse solo árido e pedregoso. Caminho devagarinho, prefiro assim. O oásis não passa de outra ilusão. 

Depois dos 25 | Ponto de não-retorno

 


Se já escrevi, não lembro quando, mas não é a primeira vez que me questiono o porquê de a nostalgia Y2K resgatar e reciclar o que tinha de mais abjeto naquela longa década. Permaneci alguns segundos dramáticos fitando a tela, tentada a apagar essas ideias ridículas e pelo menos tentar seguir o tal fluxo, abraçar a nostalgia e ignorar a podridão varrida para debaixo do tapete.

cada um por si e o tempo contra todos nós

somos as peças que ficam de fora 
no limiar da invisibilidade 
nós sempre damos conta do recado 
precisamos olhar para o lado
tanto egoísmo não leva a nada

corra uma maratona com a perna engessada
você pode ir mais depressa
desculpas não justificam derrotas
você nem sequer se esforça 
a vida é difícil para todo mundo 

cada um por si e o tempo contra todos nós 

eles vêem o sorriso resignado,
palavras trancadas no alto da garganta 
concessões feitas sem resistência 
o lobo rasga a pele do cordeiro 
quando o sim não vem de primeira 

o cansaço crônico parece ócio
de quem vive um não-lugar no mundo 
pensado para suprimir divergências

corporais 
mentais 
comportamentais 

lugar de fala, qual deles?

porque quem tenta falar por nós 
se esquece de nos consultar.




1000 cartas de amor | Dona do meu coração (março de 2017)

 


Era tão estranho pensar no primeiro parágrafo, ele era a base para os demais, mesmo porque não houve uma data estipulada para se desdobrar uma reflexão (conclusões me atordoam por demais), são pequenas constatações que me levam a falar de amor depois de tanto tempo. Desconfortável, por assim dizer. Não estava nos meus planos. As palavras não foram idealizadas, apenas se encaixam em prol da necessidade de dividir com mais alguém que já não sou mais a mesma e meu coração está cheio de desejo, alegria, paixão (no sentido de destemor, não de destempero).
A vontade crescente me arrebatou aos pouquinhos, sem escândalos, tencionava não passar de inspiração no meio da noite, a ânsia constante e inquieta por desaguar tantas ideias reprimidas num lugar onde elas não se voltassem contra mim. As teclas se moveram num gesto espontâneo, deixando tão claro que pela primeira vez na vida sinto-me em paz, feliz por estar onde estou; concentrada no presente e não mais olhando para trás a lamentar aquilo que não estava destinado a ser meu, ora por não me fazer bem, ora por não ser o “momento”. Cada época com o seu propósito.

Mary Recomenda | Nós, Mulheres - Rosa Montero

 


Hoje o post é diferente. Neste 8 de março, decidi trazer uma obra que não apenas se lê, mas se sente como um ato de justiça. Se você, assim como eu, acredita que a história é feita de muitas vozes (e que muitas delas foram caladas), a recomendação de hoje é obrigatória: Nós, Mulheres, da brilhante Rosa Montero.

11 de fevereiro | Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

 

Hoje, 11 de fevereiro, celebramos o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. À primeira vista, pode parecer um tema distante do universo literário onde costumo mergulhar, mas a verdade é que escrever e investigar são faces da mesma moeda: a curiosidade.

Confissões de Laly | Um minuto: por mim, por favor (2012)

 

Ontem foi aniversário da Laly. Não consegui postar esse texto para manter a memória dela viva, mas o faço hoje, pois esse texto pode abraçar muitas pessoas que se sentem como a nossa leoa. Espero que gostem! 

Manifesto de uma nefelibata

 


"Eu não sou uma fraude por não saber tudo porque tenho a humildade de buscar aprender o que não sei. Minha força não está na perfeição da regra, mas na precisão da minha observação, de rir dos meus erros."

Perto dos quarenta, longe da tomada

 


Envelheci 20 anos nas duas últimas semanas ou, sem os óculos de sol que as ondas arrastaram, a realidade ganhou contornos de uma nitidez inquestionável? Olha eu tentando falar bonito e me pagar de cronista extraordinária, quando não passo de uma reles escrevinhadora, a apelar sem muita firmeza para a falsa modéstia, quando o que não tenho mais é tempo para depreciações.

Toda essa comoção sobre “2006 já fazer 20 anos” não é só papo de rede social. A Copa na Alemanha, de tão decepcionante desfecho, completa duas décadas. Era o primeiro passo de uma longa e insegura travessia, ninguém de nós sairia ileso dessas porradas que a vida dá, às vezes na surdina, sem motivo, só porque estar na chuva significa se molhar e arriscar perder tudo, até mesmo aquilo que nem se tem.

Que venham os 40

 

Ilustração de Júlia Mirella Menezes Gutierrez Carrasco criada por Inteligência Artificial

Aquele era meu primeiro dia na escola nova. Tudo que eu queria era esquecer o que aconteceu antes, tudo que você soube depois e não soltou a minha mão. Você chegava ao lado da Deh, com os cabelos pretos, longos e esvoaçantes, a bolsa lateral de barbantes balançando junto, parecendo tão animada para começar tudo de novo. Seu sorriso foi a ponte que rompeu quaisquer silêncios que pudessem formar um muro entre nós. Esse é o nosso clichê de amizade, não posso reescrever diferente disso.

A cultura pop nos “ensina” que meninas bonitas com tendência à liderança geralmente são perversas, mas você quebrou todos esses paradigmas, bem como quebrou muitos outros. O mais importante deles inspira esta homenagem. Superamos os tempos de escola, os dramas de jovem adulta, crises políticas, pandemias (desinformação também conta) e rumamos para um jubileu de prata especialíssimo, que será devidamente celebrado em fevereiro próximo.

Terças com Tita (no domingo, sim) | 2006 já faz 20 anos



Sandy Leah cantou muito bem sobre ter grandes sonhos, as costas doerem, ser jovem demais para ser velha e velha demais para ser jovem. Há anos vivemos nesse limbo paradoxal, mesmo que cada geração vivencie uma época da vida em um contexto bem diferente do que o dos pais e avós.

Com a mesma idade, minha avó tinha uma casa própria. Mamãe tinha uma filha adolescente e um veículo velho na garagem. Eu mal tenho uma casa para chamar de própria. Quanto aos filhos, só os de quatro patas e, olhe lá; não está fácil mimar a cambada.

Parem de nos matar



Eu não sabia a melhor forma de começar, mas optei pela franqueza. O assunto hoje é muito sério e diz respeito a todas nós, pouco importam quais sejam as nossas diferenças. Somos todas mulheres e, portanto, corremos o mesmo risco de perder a vida por sermos quem somos.

Por trás das pausas


Sinto as pontas dos dedos entrando em contato com as teclas, a melodia escondida entre uma palavra e outra, nos espaços para o indizível, nos arranjos que permitem a iniciativa tantas vezes reprimida.

Do lado de dentro do silêncio 🔇

Joaninha no fim de tarde (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary)


Toda vez que abro o rascunho é a mesma história: a folha em branco me encara, exige respostas que não posso oferecer. 
Há tantas linhas vazias atordoando a visão, culpas somatizadas nas horas mais escuras... vejo o tempo passar e as palavras amordaçadas desaparecerem no horizonte das ideias.

Quando a caneta descansa

 


Chega a hora de crescer.
Ampliar o campo de visão.
Chega a hora de ser mulher, não me esconder mais da vida nem de ninguém.
Não tem motivo.
Estou aqui para fazer a diferença e não para observar.

Rebelde sem causa?

  

Escrito em março de 2017, este texto nasceu de reflexões profundas sobre autoconhecimento, resiliência e a luta por autenticidade em um mundo que frequentemente impõe padrões inalcançáveis. Hoje, ao revisitar essas palavras, vejo nelas não só um desabafo do passado, mas uma mensagem poderosa e atemporal para quem busca força e liberdade interior.  

A Insubmissa que cria mundos (essa sou eu, mesmo que não vejam)


Você escreve com o coração na ponta dos dedos,
cria mundos com o que os outros descartam,
não vive para agradar, mas para dizer o que precisa ser dito
e isso é tão raro que assusta mesmo quem vive no raso.

Você não nasceu para ser padrão, nasceu para ser lenda.

Não desista, não se disfarce para servir no encaixe.
Não deixe o mundo te convencer de que ser autêntica é um defeito.
O que você cria não é ostentação vazia para um story e nada mais…
é arte, resistência, poesia… legado.

Quem cria mundos, mesmo sendo invisível no seu tempo,
planta raízes para que outras como você floresçam depois.

Terças com Tita | Quando eu era só semente, ninguém me regou




Não é só tristeza, nem mágoa gratuita, nem vontade de arrumar treta ou fazer acusações. Tem ares daquele cansaço que se instala devagarinho, preenchendo o corredor vazio com um silêncio insuportável, onde consigo ouvir as batidas do meu coração agitado e inquieto.

Cinco anos sem você, vó

Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...