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o tempo me mostrou que a gente só escreve em linhas tortas quando teima em continuar uma história que já acabou

 

Estou puta da cara. Estranho seria se eu não estivesse. Inserir símbolos seria suavizar demais; me falta disposição para mais autocensura. Algumas mensagens precisam da literalidade inegociável para serem entendidas. Pode ser que ainda restem dúvidas, considerando que o velho hábito de me subestimar continua tão latente... 

Não há sorriso capaz de disfarçar a percepção cínica de quem me quer no chão.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram

 


As condições para florescer nunca foram iguais, mas a cobrança pelo resultado é a mesma. E, a despeito dessas diferenças, todos esperam que eu performe perfeição e realização. Como se duas pessoas pudessem percorrer caminhos completamente diferentes e fossem obrigadas a chegar ao mesmo lugar, no mesmo tempo.

Mais doloroso do que conviver com a sensação de fracasso é tentar explicar meus motivos e essas justificativas serem tratadas como meras "desculpas". No entanto, reconhecer os obstáculos não significa negar a própria responsabilidade em decisões que ainda podem (e devem) ser tomadas. Significaria compreender por que determinadas mudanças exigem de mim um esforço que as outras pessoas não conseguem enxergar.

Existe uma diferença importante entre responsabilidade e culpa.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram. Porque eu também não devo.

Não vou romantizar a resistência. O sofrimento não me tornou uma fortaleza inquebrável. Algumas experiências simplesmente machucam, atrasam projetos, destroem a confiança, detonam o amor-próprio e deixam consequências, por vezes, insuperáveis.

Para mim, essa imagem de florescer é significativa.

Uma planta que recebeu luz, água e proteção não pode ser usada como parâmetro para condenar outra que cresceu em um ambiente muito mais hostil. Isso não significa que a segunda esteja condenada a nunca florescer, apenas que ela precisava de condições melhores e mais justas, não de cobranças.

Sofrimento e falta de esforço não são sinônimos por definição, nem deveriam ser pauta para acusações. Quando uma dor não machuca o seu peito, é muito fácil tratá-la com pouco caso.


Às mulheres que nunca precisaram ser a que sobra

 


Você já parou para pensar na mulher que está sentada ao seu lado enquanto conta, pela enésima vez, suas histórias de amor? Naquela que escuta seus romances, suas conquistas, seus encontros, os homens que se apaixonaram, os que supostamente seriam apaixonados e aqueles que continuam tentando chamar sua atenção?

Já se perguntou se ela também tem histórias para contar? Se algum dia teve a oportunidade de viver experiências semelhantes? Se esse assunto, aparentemente tão corriqueiro para você, não representa uma ferida que ela carrega há anos?

Talvez não.

Estou cansada de ser tratada como um asteroide qualquer

 


Penso tanto em escrever, mas preciso manter o foco e não desviar o assunto. Honrar o compromisso com a verdade, consciente de que um ponto de vista não passa disso mesmo, um puro e simples ponto de vista. Falar sobre o que dói, sem esperar que alguém se comova ou se esforce para compreender. 

Terças com Tita | Manifesto de uma boa perdedora

não sou e não quero ser referência de nada.
zero vocação para encarnar a heroína sofredora. 
sem um pingo de paciência para lição de moral aplaudida.
 

Depois dos 25 | Ponto de não-retorno

 


Se já escrevi, não lembro quando, mas não é a primeira vez que me questiono o porquê de a nostalgia Y2K resgatar e reciclar o que tinha de mais abjeto naquela longa década. Permaneci alguns segundos dramáticos fitando a tela, tentada a apagar essas ideias ridículas e pelo menos tentar seguir o tal fluxo, abraçar a nostalgia e ignorar a podridão varrida para debaixo do tapete.

A ressaca da maturidade

 


Tenho pensado nesse assunto com uma frequência assustadora. Aprendi a fingir sem nenhum tutorial; nunca pareci estar tão bem. Eles elogiam a postura serena e resignada porque eu já não brigo mais com os fatos. Vivo cada dia na esperança de ser o último.

a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros


Ao longo da vida, aprendi que não devemos viver com o peso de provar quem somos a quem não está disposto a ouvir. Gostos, crenças e preferências são escolhas profundamente pessoais, que não precisam ser validadas ou justificadas. Seja gostar de Chaves, fofurices, usar allstar, preferir rock ao sertanejo, ou mesmo não gostar de algumas coisas. Seja acreditar em Deus sem seguir uma religião ou apreciar a literatura com a liberdade que ela propõe, tudo isso faz parte da autenticidade de cada um.

É curioso como, em tempos de tanta informação, ainda haja indivíduos incomodados com personagens fictícios, submetendo-os a rigorosos julgamentos como se fossem reais, condenando-os segundo os critérios do moralismo de fachada. Segundo Roland Barthes, a literatura nos atribui o privilégio da licença poética, aquele espaço onde os personagens existem além do moralismo da realidade, como espelhos de nossas complexidades. Criticar ou sentir inveja de uma personagem literária é um reflexo de quem observa, não de quem escreve.

Por que, então, continuamos presos à necessidade de agradar ou convencer? A resposta, talvez, esteja no valor que damos à opinião alheia, quando, na verdade, a maior liberdade é viver para superar nossos próprios medos, não as expectativas dos outros.

Aos que ainda gastam energia tentando colocar etiquetas na vida dos outros, um lembrete: viver com autenticidade é um ato revolucionário. E para aqueles que insistem em condenar o que nem existe, talvez seja hora de refletir — não sobre quem apontam o dedo, mas o incômodo projetado no reflexo da ficção.

A vida é curta demais para dar palco ao que não agrega. Que possamos seguir caminhando com nossos próprios sapatos, sem nos preocupar com os calçados dos outros.

O elefante no casulo



O vento me direcionou para esse caminho outrora familiar. Conheço cada buraco dessa estrada, cada pedra no acostamento, cada grão de poeira que faz os olhos arderem e o ar estar carregado daquele essência de desilusão. Quando me perco nesse afã de encontrar um lugar para de meu chamar, basta fazer o retorno. A escuridão nunca me bombardeia com demasiadas perguntas.

Editorial OCDM | O preconceito de não seguir a onda:

 

Quando Pedro Bial se referia aos participantes do BBB como “nossos heróis”, a pergunta que surgia sempre era: heróis de quê? Eles estavam confinados em uma casa, vivendo suas experiências privadas, enquanto o mundo lá fora precisava de heróis reais: médicos, voluntários, pessoas que enfrentam guerras e desastres naturais. O heroísmo verdadeiro não aparece em reality shows, mas no trabalho invisível de auxiliar o próximo.

Terças com Tita (no domingo, sim) | 2006 já faz 20 anos



Sandy Leah cantou muito bem sobre ter grandes sonhos, as costas doerem, ser jovem demais para ser velha e velha demais para ser jovem. Há anos vivemos nesse limbo paradoxal, mesmo que cada geração vivencie uma época da vida em um contexto bem diferente do que o dos pais e avós.

Com a mesma idade, minha avó tinha uma casa própria. Mamãe tinha uma filha adolescente e um veículo velho na garagem. Eu mal tenho uma casa para chamar de própria. Quanto aos filhos, só os de quatro patas e, olhe lá; não está fácil mimar a cambada.

Parem de nos matar



Eu não sabia a melhor forma de começar, mas optei pela franqueza. O assunto hoje é muito sério e diz respeito a todas nós, pouco importam quais sejam as nossas diferenças. Somos todas mulheres e, portanto, corremos o mesmo risco de perder a vida por sermos quem somos.

Rebelde sem causa?

  

Escrito em março de 2017, este texto nasceu de reflexões profundas sobre autoconhecimento, resiliência e a luta por autenticidade em um mundo que frequentemente impõe padrões inalcançáveis. Hoje, ao revisitar essas palavras, vejo nelas não só um desabafo do passado, mas uma mensagem poderosa e atemporal para quem busca força e liberdade interior.  

Quando a boba alegre dá com o pé na porta

 

Tenho receio de nunca mais sair desse labirinto escuro e espinhoso, onde cada passo tem o peso proporcional ao tamanho da queda do alçapão moral. Uma conquista que deveria ter aberto muitas portas atirou-me no limbo da cova dos leões, onde meus sonhos foram devorados antes do banquete principal. Escolhi não falar sobre isso por muito tempo, como quem esconde uma vergonha insustentável, mas há verdades que não podem ficar encobertas, sobretudo quando elas afetam diretamente a minha existência e colocam-na em risco.

Obstinada a tornar-me invisível aos perseguidores e odiadores de plantão, tentei fugir do meu destino, por isso abandonei a escrita por alguns anos, mesmo que não de todo. Decidi me redimir do passado, voltando ao curso que larguei, tudo para me contentar de que quebrei a cara por sonhar demais, por querer aquilo que poderia jamais estar ao meu alcance… entretanto, minha decisão não tornou a realidade mais fácil de engolir. 

Muito pelo contrário, eu diria.

O silêncio não calou os odiadores, nem tentar ser a versão palatável de mim mesma trouxe a paz e o conforto que eu buscava. Sim, ser a mocinha quietinha, excluída, que não se posiciona, não se respeita, não se prioriza, aceita qualquer migalha de atenção para estar num grupinho onde precisa se podar para caber. 

Não, obrigada. Ser a boba alegre que fala o que os outros querem ouvir não combina comigo, como também não é sair por aí vomitando amargura no colo de quem só está tentando se manter de pé. Existe um meio-termo, estou em busca dele, vocês sabem, ser fiel aos meus valores, aos desejos que ainda me fazem suspirar, dosar benevolência e respeito com a firmeza de caráter, sem ofender nem subjugar ninguém.

O maior crime que cometo, na visão de alguns, é continuar respirando. Ponto. 

Cirúrgica, sim. Direta. Sem mimimi porque não tenho paciência. Passar pano, só se for no chão, para deixar o ambiente mais agradável. Para quem merece, não mais. Porque na hora de me julgar e me ridicularizar, sou atirada ao banco de condenação sem sequer ter a chance de me defender. Não faltam pessoas virando as costas para falar mal, caçoar, arremedar, riscar o fósforo.

Não estou vivendo de passado, somente colocando os pingos nos is. Muita gente em seu devido lugar, bem longe da minha vida. Só me arrependo de não ter entendido muito antes que eu não preciso de quem sempre fez pouco-caso, me deixou chorando e esperando, me chutou quando eu já estava sangrando no chão.

 

O veneno também cura (manifesto de quem cansou de agradar) 🐍 🕷️ 🖋️

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
— Clarice Lispector 


Essa história não é sobre perdão e superação, tampouco terá frases genéricas para entulhar as redes sociais de falsas pílulas de autoajuda. É sobre uma pessoa disposta a abraçar as próprias sombras, recolher as cinzas das asas quebradas e lembrar de cada pessoa que me empurrou nesse abismo — porque quero ver a queda de um por um, no alto do meu camarote.

Não tenho vocação pra ser boba alegre. Gratiluz é o caralho. Tenho ódio, raiva e mágoa pulsando na mesma frequência do amor. São apenas as duas faces da moeda tomando as rédeas da minha vida, enfim.

O mundo não evoluiu com o silêncio autoimposto. Só ficou carente de uma voz sensata e lúcida, capaz de representar os que ficam à margem da hipocrisia — onde as luzes dos holofotes nunca chegam de verdade, na incômoda penumbra dos desvalidos de popularidade.

Terças com Tita | Quando eu era só semente, ninguém me regou




Não é só tristeza, nem mágoa gratuita, nem vontade de arrumar treta ou fazer acusações. Tem ares daquele cansaço que se instala devagarinho, preenchendo o corredor vazio com um silêncio insuportável, onde consigo ouvir as batidas do meu coração agitado e inquieto.

Terças com Tita | Escola: berço do saber ou palco de sofrimento?


Por Tita | Os Cadernos de Marisol 

Os momentos mais alegres da minha infância e pré-adolescência não aconteceram dentro dos portões da escola. Para muitos, a escola deveria ser o lugar de inclusão, tolerância e aprendizado — não somente acadêmico, mas também social. Um espaço onde crianças e adolescentes aprenderiam a conviver com as diferenças, a respeitá-las e a praticar a tão necessária empatia.

Nina Contra o Mundo | A mulher invisível: quando a inteligência é vista como desvantagem no amor

 


A mulher invisível: quando a inteligência é vista como desvantagem no amor
📌 Por Nina | Os Cadernos de Marisol

Você já se sentiu invisível?

Não por ser tímida. Nem por falta de charme. Mas por ser… inteligente.

Quando a vida nos presenteia com sensibilidade, pensamento crítico, olhar analítico e uma certa acidez bem-humorada, parece que também nos pune com a solidão. Não faltam elogios à nossa “inteligência”, “maturidade”, “brilho próprio”. 

Por que esses elogios vêm sempre de pessoas que nos descartam como opção amorosa?

Não escrevo para agradar, escrevo para existir 📣

 


Por Mary Luz

“Eis o lado ruim de ser escritora: estar vulnerável a todo tipo de leitor, alguns olhares completamente alheios ao que realmente foi dito.”

A estrela para sempre brilhará

  Foram três semanas muito difíceis, marcadas por uma tensão muito grande, um medo profundo de ser engolida pela onda do retrocesso. Passei ...