Mary Recomenda | Rede Manchete: aconteceu, virou história - Elmo Francfort 📺


Se você cresceu entre os anos 80 e 90, a logomarca da Rede Manchete não é apenas um desenho; é um gatilho de memória. Para mim, essa lembrança é um pouco embaçada. Eu tinha quase sete anos quando o sinal da emissora sumiu da minha cidade. 
O Sistema Sul de Comunicação (SSC), hoje RIC, deixou de transmitir o sinal da Manchete, exibindo, no lugar, a programação da Record. No entanto, a curiosidade sobre aquele “M” prateado e imponente nunca me deixou e desde quando as redes sociais ainda eram “mato”, venho descobrindo relíquias e curiosidades. 
Dia desses, conversando com um amigo dez anos mais velho, que conheceu e se tornou fã de vários animes pela Rede Manchete, esse livro veio de sugestão e “atropelou” a minha lista de leitura ou tbr (to be read, em inglês).

O livro é um inventário minucioso e apaixonado. Através dele, conhecemos o homem por trás do sonho: Adolpho Bloch. É fascinante descobrir como um imigrante ucraniano, que começou na indústria gráfica, conseguiu transferir o requinte das suas revistas para a tela da TV em 1983. A Manchete não nasceu para ser apenas mais uma; ela nasceu para ser um evento.

Lendo a pesquisa do Elmo, a gente entende por que a emissora era sinônimo de prestígio. Desde a trilha sonora icônica do Jornal da Manchete, composta pelo Roupa Nova, até a cobertura de momentos que definiram o Brasil, como a redemocratização e a morte de Ayrton Senna, tudo ali tinha uma assinatura de qualidade. O livro nos faz reviver a era de ouro de nomes como Márcia Peltier, Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, profissionais que traziam uma elegância que hoje parece rara.

A obra não foge da parte dolorosa. É impossível ler sobre o auge de Pantanal e Xica da Silva e não sentir o peso do que veio depois. O autor detalha como a morte do “Seu Adolpho”, em 1995, feriu o coração da empresa. O fracasso de Brida, as crises financeiras e as greves de funcionários formam um relato triste de um império se desfazendo. É angustiante perceber que a RedeTV! herdou a concessão, mas nunca conseguiu (ou quis) manter o DNA inovador da sua antecessora.

O que mais me tocou na leitura foi constatar o descaso com o acervo. Ver tanta história mofando por questões judiciais é uma perda cultural imensa.

Para quem, como eu, sente saudades de uma TV que ousava ser diferente, o livro do Elmo Francfort é um abraço nostálgico e necessário. É uma leitura obrigatória para quem quer entender como a Manchete conseguiu, em apenas 16 anos, marcar a história do Brasil de forma tão profunda. 

Se a máquina do tempo ainda não existe, esse livro é o bilhete de entrada para reviver o brilho do canal de Adolpho Bloch.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Muito obrigada pela visita ao OCDM, espero que você tenha gostado do conteúdo e ele tenha sido útil, agradável, edificante, inspirador. Obrigada por compartilhar comigo o que de mais precioso você poderia me oferecer: seu tempo. Um forte abraço. Volte sempre, pois as páginas deste caderno estão abertas para te receber. ♥

🎥 LIVE DO TINO: DIREITO DE RESPOSTA

⚠️ AVISO IMPORTANTE Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das ob...