O livro é um inventário minucioso e apaixonado. Através dele, conhecemos o homem por trás do sonho: Adolpho Bloch. É fascinante descobrir como um imigrante ucraniano, que começou na indústria gráfica, conseguiu transferir o requinte das suas revistas para a tela da TV em 1983. A Manchete não nasceu para ser apenas mais uma; ela nasceu para ser um evento.
Lendo a pesquisa do Elmo, a gente entende por que a emissora era sinônimo de prestígio. Desde a trilha sonora icônica do Jornal da Manchete, composta pelo Roupa Nova, até a cobertura de momentos que definiram o Brasil, como a redemocratização e a morte de Ayrton Senna, tudo ali tinha uma assinatura de qualidade. O livro nos faz reviver a era de ouro de nomes como Márcia Peltier, Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, profissionais que traziam uma elegância que hoje parece rara.
A obra não foge da parte dolorosa. É impossível ler sobre o auge de Pantanal e Xica da Silva e não sentir o peso do que veio depois. O autor detalha como a morte do “Seu Adolpho”, em 1995, feriu o coração da empresa. O fracasso de Brida, as crises financeiras e as greves de funcionários formam um relato triste de um império se desfazendo. É angustiante perceber que a RedeTV! herdou a concessão, mas nunca conseguiu (ou quis) manter o DNA inovador da sua antecessora.
O que mais me tocou na leitura foi constatar o descaso com o acervo. Ver tanta história mofando por questões judiciais é uma perda cultural imensa.
Para quem, como eu, sente saudades de uma TV que ousava ser diferente, o livro do Elmo Francfort é um abraço nostálgico e necessário. É uma leitura obrigatória para quem quer entender como a Manchete conseguiu, em apenas 16 anos, marcar a história do Brasil de forma tão profunda.
Se a máquina do tempo ainda não existe, esse livro é o bilhete de entrada para reviver o brilho do canal de Adolpho Bloch.

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