O perfeccionismo faz sombra às minhas tentativas. Mesmo repleta de vontade de produzir, tenho dúvidas sobre o merecimento. Antes, eu falava só para mim mesma, quase incrédula de ter escrito mais um capítulo. Hoje, entretanto, escrevo para um número significativo de pessoas e o peso da responsabilidade me assola.
Superar outros autores me parece insensato, se a força que move a todos nós é o desejo de compartilhar histórias. Há leitores para todas, há espaço para cada escritor se manifestar da melhor forma possível. Os sites não são arenas nem ringues, mas um ponto de encontro entre todos que gostam de ler e escrever fanfics ou originais, fazer amizades, experimentar possibilidades, viver as mais profundas emoções através das palavras.
Não sou uma boa competidora porque perco sempre, contudo, se algo que escrevi tiver um lugarzinho especial no coração de alguém, todos os esforços terão sido mais do que válidos, terão sido minha recompensa pela dedicação.
Alcançar a tão almejada maturidade literária exige disciplina, constância e um pouco de desprendimento. Talvez hoje eu até goste do que escrevi, pode ser que amanhã me envergonhe, porém as vozes da razão me dizem que o único caminho para escrever melhor é continuar insistindo, todo dia um pouquinho mais. Lá no futuro, algo poderá fazer sentido.
Parece tão inalcançável me sacrificar tanto e sentir que o resultado está aquém do que os respeitáveis leitores merecem. A frustração se abate sobre a alma abatida, me indago se estou seguindo um sonho ou desejando algo que pode nunca ter sido “para mim".
Os comentários são muito importantes porque pavimentam a conexão entre a autora e os leitores; nossa troca de ideias é muito rica porque cada pessoa traz consigo seu próprio entendimento sobre o que leu e mostra o alcance das palavras, com certeza elas já estiveram em lugares onde jamais sonhei em estar.
Essa odisseia interminável em busca do texto perfeito não termina agora, nem no próximo parágrafo, nem depois de amanhã. É possível que em alguns momentos eu torne a duvidar da minha capacidade, mas se mesmo nos trechos mais escuros da estrada eu puder contar com o carinho daqueles que gostam de mim, não restam dúvidas de que sairá algo muito bonito desse casulo.
Inicialmente, o título seria Em busca do texto perfeito, mas já há um post com esse nome aqui no OCDM. A premissa de hoje foi resgatar um texto de 2014 e recriar, a partir dele, um manifesto em que compartilho com as pessoas a insegurança, o medo de não ser boa o bastante, de não ser um bom exemplo e, ao mesmo tempo, conectar com certas reflexões aprendidas ao longo desses 12 anos e de tanto quebrar a cara.
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