Eis que chegou o Dia da Chatice, aka Dia dos Namorados. Sou do time que odeia a data e cutuco a ferida da hipocrisia comercial. Temos outros 364 dias no ano para demonstrar amor, não somente em 12 de junho e fomentado pelo exibicionismo barato em troca de algumas curtidas.
Talvez você me diga que estou numa situação melhor do que a de muitos homenageados e pode ter um fundo de verdade nisso, principalmente se a gente lembrar dos tantos casos de feminicidio no nosso Brasil, as pílulas broxantes cagando regras tiradas do rabo e outras aberrações mais, mas também tem aquela parte da alma que acredita no amor...
E é por acreditar que a desesperança vem como um soco na boca do estômago...
Entre meus amigos, sou sempre aquela que escuta e acompanha a história dos outros. É perfeitamente possível viver sem cenas cinematográficas, mesmo que seja uma vida opaca e sem brilho, porém, tem um outro lado que poucas pessoas contam, sobre a carência ser um péssimo referencial nesse tempo que uns chamam de espera.
Alguém poderia aparecer, falar tudo que eu queria ouvir e, assim, me prender a uma teia de sedução e manipulação, mentiras, grosserias, as tais bandeiras vermelhas que a carência pinta como um simples traço de personalidade. O final da história não seria misterioso: eu terminaria muito machucada do que estaria se tivesse continuado sozinha. Eu não teria nem a mim mesma, no fim das contas.
No amor eu nunca deixei de acreditar. Ele existe. Nesse momento, estamos atravessando ruas distintas, distantes de nos cruzarmos nem que seja por um acaso. Essa data me faz sentir como a excluída do rolê, já que o amor parece chegar para todo mundo, exceto para mim... e de desamores eu já cansei, bem como não tenho paciência para gente grande que gosta de brincar fora de hora.
Enquanto isso, eu só tento sobreviver a esse dia meio estranho e sem sentido...
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