Não gosto muito dessas frases genéricas de autoajuda, mas hoje decidi fazer um contraponto respeitoso sobre a ideia de que o amor romântico é o único válido e existente, só isso. Viver algo bonito e correspondido, quem não quer?
Não há nada de errado em querer encontrar um amorzinho para chamar de seu. É bom ter alguém para compartilhar momentos especiais, criar tantos outros e escolher essa pessoa todos os dias, mesmo nos mais tempestuosos. Entretanto, se esse for nosso único objetivo de vida e pautar o restante, além do óbvio desequilíbrio, prestaremos mais atenção à suposta falta do que pensamos não ter... é aí, nesse pontinho aparentemente inofensivo, que mora o perigo!
Reconheço que às vezes a solidão parece uma unha encravada e dói pra caramba, especialmente quando a maioria dos nossos amigos está namorando e nos sentimos meio perdidas nos rolês, mas eu acho importante a gente separar um sentimento do outro porque podemos nos alegrar pelos outros e, ao mesmo tempo, também ter vontade de também estar nas nuvens. Sim, o ciúme aparece... e é humano; todo mundo, em alguma altura da vida, se depara com uma experiência dessas.
Um psicólogo me explicou a diferença entre ciúmes e inveja, para não confundir nem demonizar ambos. Um exemplo: minha melhor amiga está namorando e eu fico feliz por ela, mas triste por não ter namorado. Eu não estou desejando que o namoro dela acabe só porque não suporto a felicidade dela; fico pensando em como seria legal encontrar alguém especial, isso é ciúme. Não estou maquinando pelas costas de ninguém, nem praguejando, nem tentando dar em cima do boy alheio, nem desmerecendo ou criando intriga; isso, sim, seria inveja e das brabas.
O objetivo aqui não é demonizar quem já sentiu inveja de alguém, tampouco julgar quem muitas vezes está precisando muito mais de acolhimento e de um insight para tentar enxergar — seja qual for a situação — por outro prisma e tirar o foco do que tanto dói, senão a ferida nunca vai se fechar de verdade.
Com muita frequência vejo pessoas que não conseguem enxergar o próprio valor, a crença de não merecimento circundando pensamentos e ações, tudo tão enraizado que a palma da mão fica machucada quando se tenta arrancar as ervas-daninhas que estão escondendo as flores. Esse não-saber confunde a percepção acerca de quais limites estamos dispostos a negociar e os que são inquestionáveis.
Talvez não seja tão saudável assim aceitar "tudo por amor". Porque, se essa entrega for desproporcional, nós nos perdemos de nós mesmas, para tentar agradar alguém que não faz nem metade. Estar por estar não faz o menor sentido se nosso coração não está vivendo o momento.
O medo da solidão é o farol dos corações inquietos, em busca de metades... mas não somos metades, nem tem um cronômetro invisível como no Super Mario World nos cobrando a terminar a fase o quanto antes. Se ouvimos a vida inteira que tudo tem o seu tempo e cada um de nós é único, por que essa ideia se transforma num monstro que rouba o nosso sono e a nossa paz quando se trata da nossa vida sentimental?
Podemos não ter hoje um amorzinho para chamar de nosso, porém, em um ano tantas coisas mudam, nunca se sabe. Estamos rodeadas de outras formas de amor: tudo bem, pode ser que não supram essa fome que vem da alma, todavia, não podemos desprezá-las.
Elas também nos nutrem, acolhem, inspiram e consolam, e a beleza está por toda parte porque não existe um padrão rígido a determinar o que é (ou não); a graça se encontra na habilidade de um olhar que já viu também o que não queria e prefere, mesmo com tantos ventos contrários, acreditar. Na vida. Nas pessoas. Em dias melhores. Que o nosso tempo é uma sentença que não falha e que o que é realmente nosso nunca se atrasa nem se antecipa, apenas segue o próprio caminho.
Além do mais, tenho uma lista de coisas piores do que passar o dia 12 sozinha:
- Estar ao lado de alguém que te faz pensar que seria melhor estar sozinha;
- Estar com alguém que você não ama, nem admira ou respeita;
- Aceitar grosserias e violências por puro medo de morrer sozinha;
- Depender da aprovação de alguém para reafirmar o próprio valor;
- Não ter sonhos nem objetivos que não estejam centrados em um relacionamento;
- Ferir os sentimentos de alguém por puro divertimento;
- Despertar o amor de alguém sem ter intenção de correspondê-lo;
- Forçar determinadas situações que só vão lhe causar dor...
Eu poderia passar a noite listando tudo, não por síndrome de Pollyanna — porque não vou fazer o jogo do contente e nem tenho paciência para isso — e sim porque estou sendo realista: temos uma vida para ser vivida, com os respectivos dramas, desafios e injustiças, com segredos que não contamos nem ao travesseiro, mas essa mesma vida também sabe ser bonita... com ou sem um amorzinho para chamar de nosso.
Pode não parecer hoje, mas tudo vai ficar bem... porque as pessoas falam da dor de não encontrar alguém, mas quase ninguém fala da dor de se abandonar para tentar encontrar.
Por favor, não se abandone.
Estar perdida é desolador, bem como também esconde uma esperança quase invisível de que chega num determinado ponto em que olhar para trás cansa, projetar o nebuloso não leva a nada e já não há mais nada a perder senão o apego pelo que não tem sentido. Sempre pensei que me reencontrar me devolveria para mim mesma de novo, porém, nunca mais serei quem já fui... Não sei o quanto pode ser bom ou ruim, só vivendo para descobrir.
Escrevo para abraçar a todos aqueles que também se sentem um pouco tristes no dia 12 de junho, mesmo que racionalmente saibamos ser "só mais um dia" e que o verdadeiro amor não é só o romântico, tem muitos outros...

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Muito obrigada pela visita ao OCDM, espero que você tenha gostado do conteúdo e ele tenha sido útil, agradável, edificante, inspirador. Obrigada por compartilhar comigo o que de mais precioso você poderia me oferecer: seu tempo. Um forte abraço. Volte sempre, pois as páginas deste caderno estão abertas para te receber. ♥