Uma partida foi suspensa devido às fortes chuvas na Filadélfia. Com isso, a Malacubaca trabalha dobrado para responder às indagações dos espectadores sobre a carreira de Vivaldo, o tetracampeão.
Figurinha carimbada nos jogos da Seleção, imortalizou o bordão "Pra ganhar tem que fazer gol. Sem gol não tem vitória. Sem vitória não tem taça. Sem taça não tem festa." Ninguém sabe muito bem como ele foi parar na Malacubaca, mas esse agregado — diga-se de passagem — foi ficando, ficando... Parece que sempre esteve ali.
Conhecido por ter sido um dos maridos da atriz e influenciadora Lulu no século passado e pela histórica briga na cabine na Copa de 2018, Vivaldo garante não ter recebido o merecido reconhecimento pelo extenso legado prestado ao futebol brasileiro.
Após a participação no documentário "Os segredos de um quase craque", a procura pelo nome de Vivaldo cresceu 200% nos últimos dias. Incumbida de desvendar os segredos desse tetracampeão, a equipe da Malacubaca orgulhosamente apresenta... Vivaldo, o tetracampeão.
Tá, essa parte eu já entendi.
Imagens de arquivo da Malacubaca relembram o erro do jogador italiano Baggio, que entregou o tetracampeonato ao Brasil. Os gritos esganiçados e chorosos de Rubão demonstram quão apreensiva foi aquela cobrança de pênaltis e o significado daquele título após um jejum de 24 anos e a recente perda do piloto Ayrton Senna.
— Eu estou por ali... — explica Vivaldo, na cabine de transmissão da emissora. — A imagem está meio borrada, mas eu estou por ali comemorando.
Vivaldo tecnicamente não chegou a entrar em campo em nenhuma das partidas válidas pelo torneio, mas o dito-cujo insiste numa versão alternativa que faz as proezas futebolísticas de Edu Meirelles parecerem meras brincadeiras de criança.
— Naquele momento, minha vida passou como um filme na minha cabeça — narra Vivaldo, com a voz embargada. — Só eu sei o que eu passei para estar lá.
Uma melodia de arranjos tristes toca ao fundo da cena.
— Eu nasci pobre, muito pobre... Eu jogava futebol com uma bola de vôlei porque era tudo que a gente tinha na época. Eu lembro quando falaram que eu parecia uma jeringonça em campo, mas eu sabia que o meu dia iria chegar, que eu seria campeão do mundo... — Vivaldo enxuga as lágrimas com um lenço de pano.
Depois de três meses de investigação, estamos prestes a conhecer a história de Vivaldo.
— Tudo começou em...
A vinheta do BE Copa interrompe o dramalhão de Vivaldo para anunciar que a partida interrompida devido à tempestade com raios será retomada em breve.
Enquanto isso, Vivaldo tenta explicar ao público por que mesmo os adversários aplaudem o futebol jogado por Lionel Messi.
— Você acredita que a Argentina está no embalo para chegar com tudo no mata-mata?
— Tudo indica que sim, mas vai depender de quem ela vai pegar na próxima fase. A Copa também tem umas surpresas...
— O Brasil era favorito em 2006, mas ficou pelo caminho — pondera Rubão.
— Não estou tirando com a cara de ninguém, só analisando friamente os fatos.
— Até agora os videntes não acertaram uma dentro... — caçoa Vivaldo.
— Sim, por que não?
— Com isso, você está declarando ao vivo, em cores e multiplataforma, que vai disputar a Copa de 2030?
— Imagina se não estivesse... — suspira o comunicador.
— Hoje todo mundo me trata como se eu fosse uma piada ambulante, debocha da possibilidade, pensa que é uma quimera mais frágil que uma nuvem, mas daqui a quatro anos, quando o Brasil estiver sendo a sensação da próxima Copa, não digam que eu não avisei... A propósito, estarei muito ocupado atendendo meus fãs na porta do hotel.
— Tá, eu entendi essa parte, mas como é que você se esquece de me incluir nessa lista? — pressiona Vivaldo. — Citou um monte de astro aí e se esqueceu do maior deles, do tetracampeão?
— Você estaria disposto a voltar aos gramados?
— E quem disse que eu parei?
A expressão de Rubão é a de quem mal sabe o que está fazendo ali, que não acharia tão ruim assim se fosse raptado por uma gangue de alienígenas zombeteiros.
— Se o hexa não vier agora e esses dois aí fizerem parte do elenco de 2030, que pelo menos venham os memes! — suspira Rubão, em pensamento.
Ao que depender da Malacubaca, diversão não irá faltar... E, enquanto 2030 não chega, a gente se diverte com a emissora mais atrapalhada do universo. Retornaremos logo, mas não no mesmo dia em que Edu e Vivaldo ganharem uma Bola de Ouro honorária, voltaremos antes...
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Muito obrigada pela visita ao OCDM, espero que você tenha gostado do conteúdo e ele tenha sido útil, agradável, edificante, inspirador. Obrigada por compartilhar comigo o que de mais precioso você poderia me oferecer: seu tempo. Um forte abraço. Volte sempre, pois as páginas deste caderno estão abertas para te receber. ♥