Malacubaca na Copa 2026 | O retorno dos que nunca foram

 

Uma partida foi suspensa devido às fortes chuvas na Filadélfia. Com isso, a Malacubaca trabalha dobrado para responder às indagações dos espectadores sobre a carreira de Vivaldo, o tetracampeão. 

Figurinha carimbada nos jogos da Seleção, imortalizou o bordão "Pra ganhar tem que fazer gol. Sem gol não tem vitória. Sem vitória não tem taça. Sem taça não tem festa." Ninguém sabe muito bem como ele foi parar na Malacubaca, mas esse agregado — diga-se de passagem — foi ficando, ficando... Parece que sempre esteve ali.

Conhecido por ter sido um dos maridos da atriz e influenciadora Lulu no século passado e pela histórica briga na cabine na Copa de 2018, Vivaldo garante não ter recebido o merecido reconhecimento pelo extenso legado prestado ao futebol brasileiro.

Após a participação no documentário "Os segredos de um quase craque", a procura pelo nome de Vivaldo cresceu 200% nos últimos dias. Incumbida de desvendar os segredos desse tetracampeão, a equipe da Malacubaca orgulhosamente apresenta... Vivaldo, o tetracampeão.

Tá, essa parte eu já entendi.

Imagens de arquivo da Malacubaca relembram o erro do jogador italiano Baggio, que entregou o tetracampeonato ao Brasil. Os gritos esganiçados e chorosos de Rubão demonstram quão apreensiva foi aquela cobrança de pênaltis e o significado daquele título após um jejum de 24 anos e a recente perda do piloto Ayrton Senna.

— Eu estou por ali... — explica Vivaldo, na cabine de transmissão da emissora. — A imagem está meio borrada, mas eu estou por ali comemorando.

Vivaldo tecnicamente não chegou a entrar em campo em nenhuma das partidas válidas pelo torneio, mas o dito-cujo insiste numa versão alternativa que faz as proezas futebolísticas de Edu Meirelles parecerem meras brincadeiras de criança.

— Naquele momento, minha vida passou como um filme na minha cabeça — narra Vivaldo, com a voz embargada. — Só eu sei o que eu passei para estar lá.

Uma melodia de arranjos tristes toca ao fundo da cena.

— Eu nasci pobre, muito pobre... Eu jogava futebol com uma bola de vôlei porque era tudo que a gente tinha na época. Eu lembro quando falaram que eu parecia uma jeringonça em campo, mas eu sabia que o meu dia iria chegar, que eu seria campeão do mundo... — Vivaldo enxuga as lágrimas com um lenço de pano.

Depois de três meses de investigação, estamos prestes a conhecer a história de Vivaldo.

— Tudo começou em...

A vinheta do BE Copa interrompe o dramalhão de Vivaldo para anunciar que a partida interrompida devido à tempestade com raios será retomada em breve.

Enquanto isso, Vivaldo tenta explicar ao público por que mesmo os adversários aplaudem o futebol jogado por Lionel Messi.

— Pra ganhar, tem que fazer gol. Sem gol não tem vitória. E o Messi sabe fazer muitos gols, por isso a Argentina levou a última copa e, se continuar assim, é capaz de levar essa também.
— Você acredita que a Argentina está no embalo para chegar com tudo no mata-mata?
— Tudo indica que sim, mas vai depender de quem ela vai pegar na próxima fase. A Copa também tem umas surpresas...
— O Brasil era favorito em 2006, mas ficou pelo caminho — pondera Rubão.
— Você mesmo diz que só peru morre de véspera — retruca Meirelles.
— Mas o mata-mata, na minha percepção, é um torneio à parte. Zera tudo, todo mundo fica igual... Aí, rapá, a história se escreve dentro de campo. E aqui na Malacubaca você acompanha cada lance.
— O negócio pra qualquer time vencer é fazer gol... — Vivaldo tenta retomar a palavra.
— Sim, claro, mas 2030 promete! — Edu Meirelles o interrompe, soberbo.
— Promete o penta da Argentina?
— Promete o retorno de uma lenda.
— Você acha que o Messi aguentaria mais uma Copa?
— Eu estou falando de mim, pô!
— Você está tirando com a minha cara? — indaga Rubão, sério.
— Não estou tirando com a cara de ninguém, só analisando friamente os fatos.

O comunicador honra o lema de perder o amigo, mas jamais a piada:

— Alô, videntes L & L! Se vocês estiverem acompanhando essa transmissão, sinto muito ter que dizer que já tem um certo alguém aqui querendo puxar o tapete de vocês.
— Não é verdade! — protesta o bonitão.
— Porque o camarada está prevendo o retorno dos que nunca foram...
— Até agora os videntes não acertaram uma dentro... — caçoa Vivaldo.
— Aqueles dois não acertam nem papel amassado no cesto de lixo. Não acredito mais em uma previsão deles... — resmunga o jornalista.

Alguém da edição coloca o bordão dos videntes L & L: "vidente também é gente".

— Videntes L & L, o espaço está aberto para vocês se defenderem... — brinca Rubão, sobretudo por saber que a repercussão nas redes não passa despercebida. — Vocês podem e devem se pronunciar a respeito dessas acusações que o nosso camarada Meirelles está fazendo.
— Veja bem, se o Ronaldinho Gaúcho recolocou as chuteiras, é porque foi-se o tempo em que o jogador se aposentava cedo. A medicina esportiva avançou; a idade é só um mero detalhe quando o cara tem bola no pé. Longe de fazer previsões fajutas como certos videntes charlatões que deram chá de sumiço — ele pigarreia, cínico —, mas pode ser uma tendência crescente a gente ver craques do passado voltando com tudo para os gramados. Se juntar o Ronaldo, o Romário, o Ronaldinho Gaúcho e eu, não tem pra ninguém, cara! A Argentina não aguenta, Portugal pede para sair, a Croácia nem entra, até a França vai tremer! 2030 será absolute cinema!
— Meirelles, você entende que acabou de se colocar no mesmo time de Ronaldo, Romário e Ronaldinho? — pergunta Rubão, incrédulo.
— Sim, por que não?
— Com isso, você está declarando ao vivo, em cores e multiplataforma, que vai disputar a Copa de 2030?

Vivaldo cobre a boca para rir.

— E olha que eu estou sendo humilde.
— Imagina se não estivesse... — suspira o comunicador.
— Hoje todo mundo me trata como se eu fosse uma piada ambulante, debocha da possibilidade, pensa que é uma quimera mais frágil que uma nuvem, mas daqui a quatro anos, quando o Brasil estiver sendo a sensação da próxima Copa, não digam que eu não avisei... A propósito, estarei muito ocupado atendendo meus fãs na porta do hotel.
— Tá, eu entendi essa parte, mas como é que você se esquece de me incluir nessa lista? — pressiona Vivaldo. — Citou um monte de astro aí e se esqueceu do maior deles, do tetracampeão?
— Você estaria disposto a voltar aos gramados?
— E quem disse que eu parei?

A expressão de Rubão é a de quem mal sabe o que está fazendo ali, que não acharia tão ruim assim se fosse raptado por uma gangue de alienígenas zombeteiros.

— Se tiver gol, eu apoio — Vivaldo opina.
— Você apoia qualquer coisa.
— Claro. Sem apoio não tem união. Sem união, não tem time. Sem time não tem gol. Sem gol...
— Tá, tá... a gente já sabe dessa parte — interrompe Edu. — Se você não voltou a treinar, é melhor começar desde já, meu caro. O ciclo de 2030 não começa em 2030, começa agora.
— Se o hexa não vier agora e esses dois aí fizerem parte do elenco de 2030, que pelo menos venham os memes! — suspira Rubão, em pensamento.

Ao que depender da Malacubaca, diversão não irá faltar... E, enquanto 2030 não chega, a gente se diverte com a emissora mais atrapalhada do universo. Retornaremos logo, mas não no mesmo dia em que Edu e Vivaldo ganharem uma Bola de Ouro honorária, voltaremos antes...

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