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| Publicado originalmente em 7 de março de 2020, no blog Perguntas, prerrogativas e provocações. |
ele nunca foi o algoz
refletiu a representação
sobre a minha pessoa
sem omitir os detalhes
sem filtros de disfarces
tão fundo esse contato
ele podia me ver
enquanto eu me via
raras vezes lhe dirigi um sorriso
apressada para me odiar
concluí a interpretação
de acordo com valores
incutidos e encalacrados
sobre certo e errado
ele estava apenas ali
pendurado sobre a parede
preso à porta do guarda-roupa
ou nas minhas mãos
culpado pela distorção
evitado como um vírus
para evitar me ver
para não “procurar problemas”
não odiar a realidade
me comparar com imagens tratadas
e atributos inalcançáveis
eis que sobreveio a epifania
ele era apenas ele
quem mais poderia ser
se terminou em cacos?
na fragilidade, a advertência...
na condição de ouvinte
um sábio observador
às voltas com as tentativas
de caber no sapato de cristal
de ser menos eu
e mergulhar na projeção
que nublou o entendimento
agora que já é tarde
como faço para me desculpar?
se ele nunca foi inimigo
para os demais
sempre palavras agradáveis
para mim mesma
apenas o desprezo indiscreto
o que são sete anos de azar
para quem perdeu tantos outros?
Curitiba, 7 de março de 2020.
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