É possível viver sem AMIGOS? (nova versão)

Dizem ser impossível viver sem amigos. Numa fase de profunda descrença, escrevi um desabafo até um pouco amargurado para defender meu ponto de vista. Hoje, entretanto, o revisito para constatar que mudei de ideia. Mesmo assim, não posso mentir que não me sinto abandonada pelas pessoas que disseram que eu sempre poderia contar com elas, mas pode ser que eu não esteja enxergando algo na situação, nada além do meu desamparo, então, não me coloco como "dona da razão"; muito pelo contrário, me disponho inteiramente a escrever quantas versões forem necessárias se em cada uma delas eu puder me redimir.

Amigo é uma palavra muito forte, não se pode chamar qualquer um dessa forma.
Às vezes, o tempo e os afazeres separam os amigos.
A distância aumenta e o afeto é colocado em prova, mas os verdadeiros amigos sabem que a alma desconhece fronteiras.
Amigos vivem fases diferentes da vida.
Amigos têm preferências e opiniões diferentes; são peças que, quando unidas, formam um ponto de equilíbrio saudável e inspirador.
Amigos de verdade sabem a diferença entre apoiar e iludir.
Amigos também erram... nem tudo é um mar de rosas... não tem nada mais humano do que escolher amar a tão bela imperfeição de ser único.
Nem todo mundo sabe amar com palavras, mas toda forma de demonstração tem seu valor e diz muito ao coração.
Mudar de ideia é um marco importante na alvorada da vida, significa que estamos prontos para nos tornarmos amigos melhores em vez de esperar sem nada oferecer.
Amigos ouvem mais do que palavras, têm ouvidos treinados para escutar os mais íntimos sussurros de nossa alma, por isso a insistência naquele "tudo bem mesmo?" porque eles sabem que todo mundo precisa descansar das próprias dores por alguns instantes.
Viver sem amigos desbota a beleza dos dias, apequena a alegria, nos isola num arquipélago de medo, solidão, desconfiança e insegurança. Esse esforço hercúleo para compensar o abraço que falta esgota as energias de qualquer um porque a amizade não promete perfeição, só exige coragem para entregar o coração...
Nesses tempos de amizades líquidas, onde encontrar meu oásis?
O coração sempre sabe onde os verdadeiros amigos estão. 
Talvez eles não tenham o mesmo posicionamento político ou religioso, nem tampouco tenham um gosto musical meio parecido, mas são aqueles que demonstram interesse na sua vida, nem que seja com um simples aceno para dizer "eu estou aqui", mesmo quando vem um monte de reels no direct e você não sabe como responder...
Talvez um dos lados precise engolir o próprio choro e dar o primeiro passo. 
O sorriso das fotos esconde o cansaço da alma, a angústia com relação ao futuro, o luto por uma versão de si que já não existe mais, a iminência de uma perda, o fastio de uma rotina implacável.
Talvez seja preciso escutar um pouco mais do que falar.
Falar, sim.
Falar depois de ouvir.
Não de ouvir para entender tudo conforme o seu próprio filtro de critérios, mas uma escuta mais profunda, que pelo menos se presta a imaginar o que significa aquele sofrimento para o outro.
Ou abraçar.
Se as palavras não estão encontrando fluência nestes caminhos, o melhor atalho é um abraço sincero, a presença de quem chega com o coração aberto.
Muitas vezes, precisamos extrair de nosso íntimo uma força absurda para oferecer aos outros muito daquilo que nunca tivemos nem recebemos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Muito obrigada pela visita ao OCDM, espero que você tenha gostado do conteúdo e ele tenha sido útil, agradável, edificante, inspirador. Obrigada por compartilhar comigo o que de mais precioso você poderia me oferecer: seu tempo. Um forte abraço. Volte sempre, pois as páginas deste caderno estão abertas para te receber. ♥

Ausente por motivo de virose

Peço desculpas pela ausência, mas ela deu-se contra minha vontade. A virose derrubou a família inteira e eu não pude escapar desses dias de ...