Mesmo que eu já não saiba mais sonhar

 


Sonhadora era um adjetivo bem comum para as pessoas se referirem a mim no passado. Eu era aquela pessoa que sabia o que queria e conhecia os caminhos para “chegar lá”. Tudo parecia estar escrito. No entanto, essa “certeza” me acomodou e eu não soube encarar as intempéries com a serenidade exigida para padecer, para não me tornar a personificação ambulante da amargura.

Os desenhos coloridos se tornaram mural de um tempo que já passou. As músicas perderam espaço para o silêncio. O final feliz foi uma promessa que não virou a página. E a vida foi passando o trator em cima da inocência, da confiança, das certezas e da própria vontade de continuar presa a esse limbo sem sentido.

Tudo que o piloto automático se esforça para enterrar, o subconsciente floresce nos sonhos. O tempo passou, mas neles a alegria não cedeu, nem os sonhos. Vejo nas telas do computador histórias sobre épocas distantes e as músicas que preenchem os fones de ouvido me contam histórias que nunca acabaram, vejo álbuns que mostram lugares tão bonitos e a boca sente o gosto de um beijo que jamais provou.

Mas eu sempre acordo. E o sonho costuma voltar outras vezes, mostrando uma lógica na sequência, uma lógica que bem reconheço em um contraste tão grande com o meu mundo abandonado, largado às traças, imerso na contagem regressiva para o nada. Para tudo que ficou suspenso e um dia haverá de florescer… mesmo que eu já não saiba mais sonhar.

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