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| Félix e Tita (Arquivo pessoal da Mary) |
Existem barreiras invisíveis que ninguém vê, mas todos sentem.
“Eu só queria que ele me explicasse. Mas ela falava tantas coisas contra ele, e eu... eu ficava perdida. Eu não sabia mais o que acreditar.”
— Tita, aos 8 anos
Com tão pouca idade, era realmente difícil de entender. Meu pai, antes tão amigo e protetor, aquele que me buscava toda sexta-feira de tardinha para passar os fins de semana com ele e fazer de mim a princesa da mochilinha azul, levando-me ao parque, ao cinema, ao teatro de bonecos, deixando-me ouvir as músicas de que gostava no rádio, livre para... ser criança...
Para a minha mãe, tudo era "subversão": brincar, perguntar, sorrir, cantar, imaginar, sonhar, escrever, desenhar. A sentença dolorosa de que na minha historinha a princesa não teria um final feliz foi o golpe de misericórdia. Papai encontrou uma namorada. E a história precisava de uma vilã. Tudo se encaixou na minha cabecinha de criança.
Meire tinha plena consciência disso e vingou o próprio orgulho ferido ao incutir a ideia de abandono. Simples, meu pai não se importava comigo, a prova disso era me trocar pela Helena e pelos (supostos) futuros filhos que eles viriam a ter.
Mesmo assim, eu sentia algo de errado. Meu pai me ligava, me mandava presentes, dizia ter "muita saudade", mas também não queria criar climão me forçando a nada. Não tinha resposta. Nenhuma explicação. Somente saudade misturada com raiva.
Eu não sabia em quem confiar. Nem em mim mesma.

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