Às vésperas de mais um aniversário


Quando o meu aniversário se aproxima, vem essa necessidade de me isolar um pouco, ponderar todos os acontecimentos bons e ruins e o que eles fizeram comigo, pesar todas as promessas não cumpridas, aquelas que adequei para concretizar, nem sempre contente com o saldo, mas consciente de que ninguém tem culpa se o impulso recontou minha história e eu não gostei das linhas, da minha própria atuação.
Pode ter faltado emoção ou tido de sobra. Pode ser que eu tenha sido rude e presunçosa, precipitada. Pode ser que tenha cometido aqueles mesmos erros que outrora condenei. Pode ser que eu nunca mais coloque aquela música para tocar porque ela me faz pensar em quem preciso esquecer. Ou para dele lembrar, porque, quando penso nele, meu coração goza de um alívio que eu não sentia... deixe-me ver... desde que eu tinha 12 anos.
Atrapalhada em alguns dias, concentrada por demais em outros. Desacreditada, nostálgica, peçonhenta, aventureira, romântica. Todas as faces da loucura em um sorriso calmo. Todas as melhores palavras em um voto de silêncio. Apenas divagação, caros amigos. 
Quais ainda são realmente por mim? E quem nunca foi?
É um ano a mais. Ou a menos. Sou eu acreditando numa tradição tola, no trânsito planetário que pode impulsionar naquela guinada extraordinária que traria de volta o brilho da infância, mas me esqueci de que viver se faz sem replay, embora a saudade tenha delegado essa função de reviver sem de volta trazer. O nó na garganta está de prova.

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