Os ventos de fevereiro lembram-me de você. O ar quente das noites de céu claro e límpido. O olhar aguçado pela esperança. O pensamento que me apontava o melhor caminho a seguir, apesar do medo, apesar do incerto, apesar de qualquer obstáculo.
Era a coragem que me dava a mão e tudo se encaminhava para ficar bem, eu sabia merecer enfim ter um descanso em toda a dor. O epílogo justo para quem perdeu o sono entre orações aflitas e resignadas em busca outra história começar, para a vida recomeçar.
No começo, havia amor e ternura, todavia, o medo de te perder fez-se realidade e não houve nada possível de reverter o veredicto. Apegada ao fantasma da ilusão, contar os dias de ausência tornou-se uma tortura, condenando-me ao inferno da autopiedade.
Fevereiro voltou com todas as cores do carnaval, mas agora não tenho medo de te perder, nem sequer cheguei a ter você; o pior que poderia acontecer não me matou. Hoje teria muito mais receio de me perder, essa, sim, seria uma tragédia anunciada.
Tragédia anunciada
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