Às mulheres que nunca precisaram ser a que sobra

 


Você já parou para pensar na mulher que está sentada ao seu lado enquanto conta, pela enésima vez, suas histórias de amor? Naquela que escuta seus romances, suas conquistas, seus encontros, os homens que se apaixonaram, os que supostamente seriam apaixonados e aqueles que continuam tentando chamar sua atenção?

Já se perguntou se ela também tem histórias para contar? Se algum dia teve a oportunidade de viver experiências semelhantes? Se esse assunto, aparentemente tão corriqueiro para você, não representa uma ferida que ela carrega há anos?

Talvez não.

É muito fácil esquecer a solidão alheia quando nunca nos faltou companhia. Quando sempre houve alguém interessado, alguém disposto a nos conhecer, alguém que nos fez sentir bonitas, desejadas e importantes.

Infelizmente, nem todas as mulheres conhecem essa realidade.

Algumas passaram a adolescência assistindo às outras serem escolhidas, beijadas, cortejadas e amadas. Cresceram esperando que a vida adulta finalmente lhes oferecesse as mesmas oportunidades. E descobriram, com o passar dos anos, que a espera também envelhece.

Eu sou uma dessas mulheres.

Não quero que você esconda sua felicidade, termine seu relacionamento ou peça desculpas por ser amada. Não estou dizendo que sua vida seja perfeita ou que você nunca tenha sofrido.

Quero apenas que entenda que a sua experiência não é universal.

Nem toda mulher tem uma coleção de histórias românticas para compartilhar. Nem toda experiência íntima foi desejada, prazerosa ou consentida. Algumas de nós carregam lembranças tão dolorosas que até uma conversa aparentemente inocente pode despertar uma tristeza difícil de explicar.

E, sobretudo, nem toda mulher silenciosa está desinteressada. Às vezes, ela apenas não encontra espaço para participar.

Experimente perguntar sobre alguma coisa que não envolva homens. Um livro, um projeto, uma viagem, uma opinião, um sonho. Demonstre curiosidade pela pessoa que está à sua frente. Não é preciso adivinhar os traumas de ninguém. Basta lembrar que as outras pessoas também têm uma vida interior.

Estou cansada de ser a ouvinte das histórias alheias. De ser tratada como alguém cuja presença não altera em nada o rumo de uma conversa. Ouvir que minha tristeza é inveja, minha indignação é drama e que preciso "parar de reclamar" porque peso o clima.

Talvez exista inveja, sim. Talvez exista ressentimento. Não tenho interesse em fingir sentimentos mais bonitos do que aqueles que realmente experimento. Existe, acima de tudo, uma solidão imensa.

Não quero roubar o protagonismo de ninguém. Quero deixar de ser figurante.

E se você nunca precisou sentir isso, não lhe peço que compreenda perfeitamente, apenas que olhe para além do próprio umbigo... porque a mulher que está ouvindo suas histórias também tem uma história. E talvez esteja esperando há muitos anos que alguém finalmente queira escutá-la.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Muito obrigada pela visita ao OCDM, espero que você tenha gostado do conteúdo e ele tenha sido útil, agradável, edificante, inspirador. Obrigada por compartilhar comigo o que de mais precioso você poderia me oferecer: seu tempo. Um forte abraço. Volte sempre, pois as páginas deste caderno estão abertas para te receber. ♥

Quando o desamor vem antes do amor

Como reconhecer carinho, respeito e interesse genuíno depois de uma experiência que nos ensinou a ter medo? Quando a gente experimenta um de...