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Malacubaca na Copa 2026 | Deu a louca no bolão


Nada como um dia após o outro e uma cobrança de pênaltis para dar aquela calibrada nas expectativas
Os videntes L & L quase não dão conta das mensagens que chegam pelas redes sociais, tudo porque Senegal realmente avançou para a segunda fase do torneio e o Brasil venceu o Japão no sufoco, mas sem levar para os pênaltis. 
Sem a maldição do alfabeto, o Brasil tem chances reais de levantar a taça e quebrar esse jejum de duas décadas sem um título mundial. Vencidos os Samurais Azuis, a depender de uma combinação de resultados, pode dar Brasil e Argentina numa semifinal com cara de final, prova de resistência para cardíacos, para enfrentar a pedreira do outro lado do chaveamento.
De acordo com os videntes, a final será a vez do Brasil comer esse prato frio, com a elegância de quem ri por último. Pois, sim, após enfrentar a Argentina de Messi, a Seleção chega em 19 de julho para fazer história.
Agora vamos comemorar mais uma eliminação da Alemanha. A Maldição do 7 a 1 está on e não é lorota dos videntes. A tabela abaixo está pronta para quem quiser voltar aqui em 2042 (se essa página ainda existir até lá) e confirmar.

2018 — eliminado na fase de grupos pela Coreia do Sul
2022 — eliminado na fase de grupos depois de perder pro Japão 
2026 — eliminado nos 16 avos de final pelo Paraguai (e nos pênaltis)
2030 — eliminado pela China na fase de grupos
2034 — eliminado pela Turquia nas oitavas de final
2038 — eliminado pelo Japão nas quartas de final
2042 — cai na fase de grupos e nem pontua 

Se por acaso eles errarem alguma previsão, vocês já sabem: foi culpa da IA. Algum sacana usou os videntes para fazer deepfakes e não se fala mais sobre isso. Caso acertem, melhor ainda.
Mary transcreveu no papel os palpites dos videntes, mas não se responsabiliza por eventuais crises de riso do outro lado da tela. 

Os videntes querem lembrar que em 2002 eles previram Brasil e México na final... ao menos o Brasil eles acertaram... hihihi 

Malacubaca na Copa 2026 | Muito suco de maracujá na causa


Um gole de suco de maracujá, Rubão. A noite mal começou. 
Se o Neymar entrará em campo, ninguém sabe ao certo, mas o rei da televisão correria para as colinas se pudesse. Nem preciso recapitular todas as pérolas da dupla Edu Meirelles e Vivaldo para o respeitável público, elas falam por si. 
— Em que posição o Brasil vai se classificar? 
— Campeão que é campeão não escolhe adversário, então, que venha a Holanda! — declara Edu Meirelles. 
— Desde que o Brasil faça gol, não importa quem venha pela frente... — concorda Vivaldo.
— E se os alienígenas aparecerem durante a partida? — pergunta Rubão, sem qualquer esperança na resposta.
— Se vierem em paz, podem assistir ao jogo conosco — responde Edu Meirelles.
— Desde que façam gol... — acrescenta Vivaldo.
— ALIENÍGENAS NÃO JOGAM FUTEBOL, VIVALDO!
— Vocês estão botando fé nessa previsão de invasão alienígena no campo? — pressiona Rubão, tudo para evitar o gatilho do "gol", senão Vivaldo não para mais de falar.
— Deixei de acreditar em previsões falaciosas no início deste mundial — dissimula Edu. 
— Pois a nossa produção conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa dos videntes L & L. Após semanas dedicadas a una peregrinação en local não divulgado, eles estão de volta.
A câmera mostra a cara de decepção de Eduardo Meirelles.
— Queiram entrar, videntes L & L! — convida Rubão. — A casa é de vocês!

Os videntes surgem lentamente pelo corredor do estúdio e, claro, sempre tem câmeras exclusivas da Malacubaca para mostrar a cena de todos os ângulos. Apesar dos trajes extravagantes de seus alter egos místicos, ambos usam a camisa jeans oficial da Malacubaca, com o cachorro mascote bordado à mão sobre o peito. Um deles carrega uma pasta repleta de anotações indecifráveis; o outro segura um cristal que parece ter sido comprado numa loja de R$ 1,99.
Rubão respira fundo. Eduardo Meirelles desvia o olhar para o teto. Vivaldo sorri como se estivesse reencontrando velhos amigos.
— Quem é vivo sempre aparece! — Rubão se dirige aos videntes para cumprimentá-los. — A gente já estava com saudades de vocês por aqui. Quantos anos de peregrinação? Quinze?
— Pensei que vocês tivessem se aposentado depois de tanta bola fora — debocha Edu.
— A gente vai se aposentar no mesmo dia em que você ganhar a Bola de Ouro honorária — reage Lilly (a vidente L), mordaz.
— Essa doeu até em mim, mana! — diz Luís Carlos, o vidente L. 
— Eu ri, mas com respeito. — Vivaldo se manifesta.
Respeito é algo que ninguém tem por um homem que poderia ter revolucionado o futebol... — desabafa Edu.
— Ah, Lilly, não acredito que interrompi minhas férias pra isso — reclama Luís Carlos. 
— Até que uma invasão alienígena não seria de todo uma tragédia — murmura Rubão, esvaziando o jarro de suco de maracujá e bebendo como se fosse energético.
— O Meirelles já é caso perdido, já começou a acreditar nas próprias fanfics — caçoa Lilly.
— Olha quem fala, a vidente que só dá bola fora e prevê o que já aconteceu.
— Sabe quando você vai ser titular da seleção? Eu digo quando: quando você for dormir. Sonha que é de graça, vacilão.
— Se vocês começarem de picuinha, corto os microfones de todo mundo e acabo com essa palhaçada! — Rubão bronqueia com todos os presentes. — Essa é uma transmissão de respeito! A família brasileira está reunida para acompanhar o futebol e não um bando de palhaços com delírios de grandeza querendo aparecer mais do que a bola no pé. Estou falando: se vocês começarem de picuinha, do próximo jogo ninguém participa! Vou dar cartão vermelho pra todo mundo!
— Tecnicamente eu nem falei tanto assim — Luis Carlos cochicha com Lilly.
A câmera fecha no Rubão enquanto ele aponta o dedo para todos:
— Estou falando sério! Fui bem claro ou vou precisar desenhar?
Silêncio. O suco de maracujá acabou e a paciência do patrão também. 
Não à toa o comunicador se sente o motorista de uma excursão repleta de crianças travessas batendo pratos, cantando alto, correndo, desafiando todas as leis do bom senso. É um fala-fala danado, um querendo falar por cima do outro...
— Sobre a possibilidade de invasão alienígena — Lilly pede a palavra —, nunca ouvi tanta abobrinha.
— Não tem previsão de invasão alienígena?
— Então não tem nave-mãe? Não tem estádio sobrevoado? Não tem Neymar sendo levado para outro planeta?
Lilly suspira.
— Rubão, isso é o equivalente esotérico de corrente de WhatsApp. Além disso, o vidente L e eu decidimos em comum acordo interromper nossas férias... nossa peregrinação porque estavam fazendo deepfakes com previsões fajutas e alarmistas utilizando nossos nomes, inclusive, palpites da Copa.
— Essas previsões aí usando nosso nome são todas falsas — confirma o vidente L, olhando compenetrado para a bola de cristal.
— Muitos videntes sem credenciamento aproveitam períodos de grande mobilização nacional para fazer profecias apocalípticas e implantarem a semente do terror coletivo, mas essa bola de cristal que já viu o passado e o futuro prevê vitória do Haiti contra o Marrocos.
— E hoje? Vai dar Brasil? — pergunta Rubão.
— Ah patrão, você acredita em Papai Noel? Porque acreditar nesses dois aí dá no mesmo que acreditar em Papai Noel.
— Você arrisca um palpite de quem será o adversário do Brasil na próxima fase? — Rubão ignora os protestos de Eduardo.
— Agora é fácil culpar as deepfakes — reclama o bonitão.
— Quer eu transforme esse aí em sapo? — propõe Lilly.
— Vou dar mais uma colher de chá — sentencia Rubão para Eduardo. — Na próxima é cartão vermelho!
— Mal acerta o placar de uma partida, vai me transformar em sapo... 
— 

 

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  Ela costumava gritar quando eu me mexia na cama. Acorda, mãe, eu estou faminta. Levanta logo e vem me dar de papar. Mas hoje não. Esse sil...