Se você é um adolescente 30+ que viveu os anos 2000 como se não houvesse amanhã, mas naquela época não tinha dinheiro nem idade para ir a um show do Simple Plan, como está esse coraçãozinho?
Na semana passada, as redes sociais entraram em polvorosa quando o Simple Plan divulgou que sua turnê passará aqui pelo Brasil. Até o momento, as apresentações estão confirmadas no Rio de Janeiro, em Curitiba e em São Paulo, marcadas respectivamente para acontecer nos dias 13, 15 e 16 de maio.
No entanto, só a expectativa do retorno da banda já foi suficiente para evocar as lembranças de (quase) vinte anos atrás. A única ocasião em que eu quis estar no BBB foi num momento da sétima edição, quando o SP se apresentou para os brothers e caiu na piscina também. Nossa, tirei essa do fundo do baú.
Brincadeiras à parte, a faixa escolhida para o Destrinchando a Letra de hoje é Opinion Overload, do álbum Taking One for the Team, lançado em 19 de fevereiro de 2016. Esse disco mistura o pop-punk característico da banda com influências de pop, reggae, rock e outras sonoridades.
Buscando o caminho do meio
Os integrantes estavam mais velhos, o mercado musical havia mudado e o pop-punk dos anos 2000 já não ocupava o mesmo espaço na cultura popular. A questão era como continuar sendo o Simple Plan sem simplesmente repetir os primeiros discos.
Em outubro de 2013, Pierre Bouvier e Chuck Comeau começaram um longo período de criação. De acordo com o guitarrista Sébastien Lefebvre, a banda escreveu aproximadamente 70 a 80 músicas antes de selecionar as faixas que entrariam no álbum.
Ao longo de 2014, os músicos trabalharam com outros compositores e experimentaram diferentes direções, com o objetivo de explorar novos estilos sem perder a identidade. No entanto, as gravações e os ajustes ficaram para 2015, sob a direção musical do produtor Howard Benson. Em novembro daquele mesmo ano, houve sessões adicionais para reforçar o lado pop-punk do disco.
Taking One for the Team chegou às lojas e plataformas com 14 faixas na edição padrão em 19 de fevereiro de 2016. Um detalhe especialmente interessante apareceu numa entrevista do guitarrista Jeff Stinco, em março do mesmo ano, quando admitiu que os músicos valorizavam trabalhar presencialmente, em vez de apenas trocar arquivos pela internet porque a proximidade favorecia a espontaneidade e a dinâmica da banda.
Ainda nessa mesma entrevista, Jeff revelou que uma das maiores dificuldades era descobrir qual deveria ser a identidade do Simple Plan em 2016, conciliando a nostalgia dos primeiros álbuns e, ao mesmo tempo, incorporando influências contemporâneas.
Recepção da crítica e do público
A recepção crítica foi moderadamente positiva, mas dividida. Para uns, a banda foi exitosa em preservar a identidade que conquistou fãs ao redor do mundo. Para outros, entretanto, preservar as características presentes nos discos anteriores pareceu uma alternativa "pouco evoluída".
Para os fãs, a resposta ao lançamento do quinto álbum de estúdio foi complexa demais para determinar "sucesso" ou "fracasso". O Simple Plan ainda possuía — na verdade, continua possuindo — uma comunidade internacional bastante fiel, considerando a capacidade da banda de atrair público para seus shows, mesmo estando mais distante dos holofotes do que nos anos 2000.
Jeff Stinco chegou a comentar, em março de 2016, semanas após o lançamento do novo álbum, que alguns fãs estavam apontando o novo trabalho como seu favorito, surpreendendo-o, pois estava acostumado a ouvir comparações favoráveis aos primeiros discos.
Nem toda opinião é construtiva
Opinion Overload nasceu nas sessões adicionais de novembro de 2015, quando a banda voltou ao estúdio para reforçar as guitarras e a identidade pop-punk do trabalho. O título, aliás, é bastante sugestivo e pode ser entendido como "sobrecarga de opiniões".
Você tem ou já teve aquela sensação de estar cercada de gente que se acha no direito de julgar suas escolhas, dizer como você deveria viver e apontar tudo o que considera errado em você?
Se sim, você não está só. É exatamente esse sentimento que o eu lírico expressa, já não mais querendo compreensão, justificando-se... porque tudo isso cansa. Chega uma hora em que o balde transborda. Esse transbordar se tornou o manifesto de quem não pretende mais viver em função dessa "sobrecarga de opiniões".
Muitos querem dar palpite na nossa vida, mas sempre impondo o ponto de vista deles como central. Lembrei disso porque nos versos finais de Teto de Vidro, da Pitty, o eu lírico também fala de sugerir soluções e discutir relações... porque quando queremos palpitar a vida do outro, sempre achamos saber o que é melhor para ele, o que fazer (ou não), julgando situações que não conhecemos na totalidade.
Essa música pode ser interpretada como uma resposta aos haters da banda, bem como pode dialogar com experiências bastante comuns: cobranças familiares, julgamentos sobre aparência, escolhas profissionais, relacionamentos e aquela mania de algumas pessoas de oferecer conselhos que ninguém solicitou. Quem nunca...
Críticas construtivas e bem embasadas sempre são bem-vindas; o próprio nome já diz tudo. Outra coisa é aguentar pessoas que transformam suas preferências pessoais em regras para a vida dos outros, aturar insultos e perseguições de quem não quer que sua estrela brilhe. Inclusive, dedico aos meus haters.
No entanto, existe uma ironia deliciosa na escolha de Opinion Overload para abrir o quinto álbum da banda: enquanto buscava conciliar espontaneidade e maturidade, a escolha da primeira faixa diz respeito a não se deixar definir pelas opiniões alheias, uma declaração de independência em relação aos achismos.
Dez anos depois, revisitando essa música, além da nostalgia, da identificação e da emoção com o retorno do Simple Plan ao Brasil, essa edição precisaria sair. Inclusive, esse card de Opinion Overload é de 2016 e também uma das minhas primeiras experiências no Canva, outro amorzinho do meu coração.
O Destrinchando a Letra de hoje fica por aqui. Muito obrigada pela leitura, um forte abraço e até uma próxima!

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