Confissões de Laly 15 anos

 

Aquela capa feita no PhotoScape 

Bem, bem antes de o primeiro capítulo de Confissões de Laly ser publicado em um site fundamental para estar aqui hoje, eu já fui uma menina de 13 anos sonhando acordada, ouvindo música, pintando os cabelos loiros das Barbies com o tubo da canetinha, acompanhada de sonhos, curtindo as férias de julho e com saudades da Copa que rendeu o pentacampeonato ao Brasil.

Selecionar fotos para publicar e honrar este dia como ele merece só parece uma tarefa simples. Sendo Laly uma figura solar, destemida, intensa e carismática, ela detestaria uma estética monocromática, polida, forjada para ser correta e agradar ao algoritmo. Porque quem desde muito cedo lutou pelo direito de existir não desiste ao encontrar uma pedra no caminho.

20 de julho de 2002 foi o dia em que eu tive certeza de que queria escrever e viver Confissões de Laly, mas o universo da história já ia ganhando forma havia semanas. Talvez eu não tivesse a menor ideia do final, porém essa cena em que a Laly está dirigindo um conversível vermelho com as melhores amigas sempre foi o ponto de partida. 

Precisaria verificar os arquivos da trilha sonora da versão de 2011 para saber se coloquei na playlist Pacific coast party, do Smash Mouth. Esse seria o tema de abertura e das aventuras da Laly. A canção é bem animada, dançante, me faz imaginar uma linda e ensolarada tarde de verão, uma festa na areia, as pessoas rindo, se divertindo, guarda-sóis coloridos, sorvetes de todos os tipos e sabores, os raios de sol beijando as ondas do mar, um coração desenhado, uma pose para a foto. 

Tudo começou naquelas férias de verão, mas somente nove meses depois saíram os primeiros esboços, o que uma menina de 14 anos conseguia fazer. Nada clássico nem grandioso, capaz de revolucionar a literatura ou a dramaturgia. Tudo bem, nunca tive e continuo sem ter tamanha pretensão. 

Bem, bem lá no fundo, tudo que eu quero é me divertir...

O jabá básico 🩷💜

Ordinary World, Head over heels, Olhos certos e Uma carta sempre fizeram parte daquela playlist que tocava nas minhas fitas, muito antes de sonhar que pessoas de outros cantos do Brasil me conheceriam por intermédio da Lalinha. Sem dúvida, quando a novela começou a crescer no site e pessoas passaram a se envolver, senti o peso da responsabilidade... já não era mais uma menininha escrevendo nas férias ou entre uma aula e outra, era alguém que publicava diariamente um capítulo para milhares de leitores acompanharem, como se realmente fosse aquele folhetim da TV. 

Naturalmente, reconheço os pontos fracos da narrativa, a necessidade de reescrever, reeditar, repensar em algumas narrativas, mas não vejo como soberba o fato de me orgulhar da trajetória construída; eu me dediquei de corpo e alma por muitos meses e descobri ser mais forte e corajosa do que jamais pensava poder.

Os obstáculos no meio do caminho são inevitáveis para todos nós, pena que ninguém nasça sabendo como enfrentá-los sem adoecer. Há alguns anos, acreditei não ter nenhuma vocação para escrever e enterrei meus sonhos para não incomodar "pessoas" e encerrar perseguições e baixarias que fariam Eleonora e Milene se sentir duas amadoras. Acreditei que das minhas mãos vinha a grande maldição e tentei não ser mais eu, mas uma versão que pudesse existir sem carregar tantos pesos e sofrer com o assédio dos monstros. 


Sabem o que aconteceu?

Eu me esqueci de quem era e fui me apequenando, me escondendo para não incomodar, reprimindo a raiva, a vontade de criar, só vendo o tempo passar, o peso aumentar, a comida conforto secar as lágrimas que eu nunca mais consegui chorar até ouvir Pacific coast party e me lembrar de que, quando eu era apenas uma menina, preenchia as bordas das páginas brancas com cores vibrantes, as linhas com sonhos e alguns adesivos, porque eu precisava encontrar um lugar no mundo para pertencer. 

E esse lugar, hoje sei, é no meu mundinho, onde quero viver em paz, criar, aprender, reaprender a sonhar, a acreditar, a enxergar essas cores presentes em tudo que sempre fiz, porque o fiz com carinho, para me divertir, não foi pensando em ser adorada num pedestal e atacar ninguém. E eu não sou obrigada a perdoar quem desejou minha morte, só espero que cada um receba 3 x 3 aquilo que me deseja, daí se a consciência pesar, não posso fazer nada... 

Estou chorando porque quando recomecei o OCDM, lá em maio de 2024, já nem tinha certeza se conseguiria levar adiante, só queria me esconder dos velhos monstros e resgatar as motivações que me fizeram dar o primeiro passo. Ainda sinto muito medo de ousar, de me mostrar ao mundo outra vez, mesmo sabendo que não preciso da licença e da aprovação de ninguém para lutar pelos meus sonhos. 


Em algum momento da história (sem muitos spoilers), a Laly também cai, se machuca, deixa de acreditar, mas justamente nesses tempos escuros, ela redescobre coisas sobre si que pareciam esquecidas, o poder das verdadeiras amizades e o quão bonito pode ser voltar a sorrir para a vida, mesmo com o coração partido, sem a inocência de antes, carregando também um tipo de sabedoria profunda, que somente uma estadia no deserto poderia proporcionar. 

É lá no deserto, no frio da madrugada, no eco do próprio silêncio, numa solidão quase impenetrável, que o coração fala. E não dá para ignorar. 

Ainda não é o fim da história, não hei de permitir que terceiros escrevam a minha perspectiva, nem permita que ninguém tente falar por vocês. Se a gente não sabe quando será a vez de desembarcar desse trem-bala amalucado, nada mais justo do que aproveitar cada parada, cada entardecer, cada sorriso, cada sonho, cada beijo. 

Dedico a mais profunda gratidão a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram nesse processo, em qualquer etapa ao longo destes 15 anos, bem como agradeço aquela menina que tinha tão pouca idade, mas sabia exatamente o que queria para si... tudo bem que ainda falta muito para chegar lá... e eu vou chegar... por você. Porque são esses sonhos que você sonhou acordada que me mantêm viva. 

Nesses tempos tão difíceis, tudo que eu quero de verdade é saber com quem a Laly vai ficar, imaginar com detalhes o figurino dos personagens, a locação das cenas, a ambientação da época, preparar as playlists, esperar pelos barracos, sem necessidade de ser "profunda", fazer militância agressiva e travar embates com inimigos imaginários... pura e simplesmente porque não existe nenhuma competição, nem luta sangrenta por ranking, nada disso faz meu coração vibrar. 

Escrevi um textão, devo ter fugido do tema, porém não quero a polidez da IA, que tira um pouco daquela espontaneidade, quero escrever para quem sente falta de calor humano, tanto quanto eu sinto das cores, da ousadia e da esperança. 

Viva Confissões de Laly!

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