Chuvitiba não é para amadores. Não à toa, desde muito cedo saímos de casa que nem uma cebola, porque o frio está de lascar o rabo da gralha, para no meio da manhã fazer um calorão, chover no meio da tarde com ventania e tudo, para de noite vestir a boa e sempre segura japona. Essa piada é mais velha do que andar para frente, mas, mais tradicional que o penal, o piá e o leite quente, está a chuva.
Brincadeiras à parte, todos esperamos que as chuvas na nossa região mantenham a regularidade para evitar medidas hídricas drásticas, até porque dá um frio na espinha lembrar daqueles meses em que ficávamos 36 horas com água e 36 sem fornecimento. E o nível dos reservatórios caindo, caindo...
Assistir a eclipses aqui é quase proporcional a ganhar na loteria, já que a chance de a Lua não estar no horizonte ou as condições climáticas estragarem os festejos é bem grande. Dos dois, um. Em março foi uma frustração só, porque praticamente eu passei a madrugada acordada, com o celular carregado, a postos para registrar tudo, mas o fenômeno propriamente dito teve início depois que a Lua sumiu no nosso horizonte, sendo visível em outras partes do mundo.
E o emoji de palhaça vai para quem? 🤡
Felizmente, para quem conseguiu enganar o sono e teve um bocadinho de paciência, a espera recompensou os olhos. A Lua estava alta no céu, dando aquele espetáculo ao qual esta autora não se cansa de reverenciar, mas nada se compara àqueles minutos em que até as corujas se calam e acompanham, admiradas, instantes que não se repetem, e os impossíveis se desarmam as carapuças, abraçando confissões guardadas pelas doces e pequenas estrelas, espelhos de tantos anos-luz de sonhos.
O sono queria me vencer, mas o céu límpido era um convite irrecusável. Já perdi tantas noites em claro pensando em amores, dores e problemas insolúveis; por que não aguentar mais um pouquinho para assistir ao eclipse e poder ter minha própria perspectiva sobre ele?
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| Registro do eclipse lunar de 27/28 de agosto de 2026 (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary). |
Peço desculpas pela qualidade técnica do registro, pois a lente do celular não faz justiça ao que os olhos humanos puderam ver no início da madrugada. Sei que já falei isso em outras ocasiões e não deixa de ser verdade. Vocês podem encontrar registros muito mais nítidos e profissionais em outros lugares na internet, com as especificações técnicas feitas por profissionais credenciados. Aqui, porém, são apenas os registros de uma reles mortal brincando de escrever.
Não teve anúncio interrompendo a transmissão para tentar me empurrar algum produto de que nem preciso, nem ninguém me dizendo para fazer isso e não aquilo. Só o silêncio e eu. Eu e essa percepção do infinito que me faz sentir tão pequena e, ao mesmo tempo, parte dele. Não preciso pagar plano plus ou premium para olhar para o céu, nem para perceber os movimentos dos objetos celestes ao longo do ano, nem para desmerecer meu interesse por astronomia como sendo algo bobo e frívolo.
Este foi o último eclipse de 2026, mas segundo os calendários astronômicos, 2027 terá cinco eclipses no mundo. Em Curitiba, três deles aparecem na lista de eventos visíveis: um eclipse solar parcial em fevereiro e dois lunares penumbrais, em fevereiro e agosto. Naturalmente, Chuvitiba ainda terá direito a voto: basta uma nuvem no lugar errado para estragar a festa. Por isso, recomendo a quem gosta de eclipses aproveitar essas oportunidades, porque elas não se repetem.
Eu era muito pequenininha no eclipse solar de 3 de novembro de 1994; meu aniversário de seis anos foi duas semanas depois. Lembro muito vagamente, pois eu não devia mensurar o significado daquele momento. Só sei que queria muito viver algo parecido e estar com atenção plena nele, porém, as notícias não são nada animadoras, a menos que um dia eu esteja em outro lugar e a oportunidade apareça.
Vamos ficar de olho no calendário de 2027 e torcer para receber boas notícias. Enquanto isso, um forte abraço e até uma próxima.

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