Mary Recomenda | Três - Valérie Perrin

 


Sabe aquele tipo de livro que você termina e sente que viveu uma vida inteira com os personagens? É exatamente o que acontece em Três, da Valérie Perrin. Não é apenas uma história sobre amizade; é um mergulho profundo no que o tempo faz conosco — com as promessas que fazemos aos dez anos e com as cicatrizes que acumulamos até os quarenta.

Destrinchando a Letra | Walking on the moon - The Police

Julho é o mês do Rock “n” Roll, bebê. E aqui no OCDM é julho o ano inteiro, então nem venha com sofrência e autotune que aqui amamos solos de guitarra, coturnos, letras atemporais e metáforas etéreas.
Neste mês, o Destrinchando a Letra será totalmente dedicado ao rock. Para iniciar com estilo e tradição, a escolha de hoje é Walking on the moon, do The Police.

PÔ PAI | O PRIMEIRO PEDAÇO É TEU/COM MEU MENINO NINGUÉM MEXE/DETONANDO NO PARQUINHO

 

Não dava pra dizer ao certo que dia era, tampouco o mês, mas uma coisa era certa: a data mais temida por Augusto havia chegado. Era aniversário de Beto. Como sempre, listinhas de presentes pregadas pela geladeira e indiretas espalhadas pela casa, disparadas na mesma velocidade com que Beto abria a boca.

— Como esse ano tá passando rápido, meu bem... — dizia Marcela, suspirando. — Daqui a pouco já é aniversário do Betinho de novo. Fico tão emocionada em pensar que meu bebezinho tá crescendo...

— Roberto já cresceu faz tempo. Só você não percebeu — retrucou Augusto, no seu tom irônico habitual.

— Lá vem você com isso de novo, Augusto. Sempre ranzinza e mal-humorado. Ainda bem que Beto não herdou esse seu gene rabugento.

— Se tivesse herdado, pelo menos seria útil à sociedade.

— Um dia você vai se arrepender de ser tão duro com nosso garoto...

Augusto bufou e lançou um olhar impaciente.

— Espero que ele não venha com exigência nenhuma. Não tenho um pingo de paciência pra comemorar aniversário de parasita. O que é que o Roberto faz pra merecer comida na mesa, hein, Marcela? E esse monte de listas? Até quando vou carregar essa cruz? Onde foi que eu errei?

— Quanta frieza, Augusto... Betinho é um vencedor... — Marcela tentou argumentar.

Augusto a encarou com um canto do olho.

— É tão difícil decidir o futuro na adolescência... Você acha mesmo justo depositar todas as esperanças num vestibular e, quando o nome não aparece no edital, aguentar piadinha de parente, a pressão do pai e tudo mais? Ele comemora porque sobreviveu a mais um ano turbulento...

— TURBULENTO? — Augusto explodiu. — Isso é uma pouca vergonha! Desde quando acordar ao meio-dia pra ver desenho e passar a tarde brisando no computador virou batalha?

📺 Pô, Pai | Episódio piloto não-oficial (2012)



É uma manhã qualquer na casa dos Prado Mendes.

O sol ainda nem esquentou direito e a cozinha já cheira a achocolatado. Não porque o leite ferveu, mas porque Marcela Prado Mendes, fiel ao hábito, despejou três colheres generosas de pó no copo e esqueceu do leite. Para ela, a mistura perfeita era mais chocolate do que qualquer outra coisa. Aliás, leite era só um detalhe.

Na mesa, entre o pote de margarina aberto e a bolacha recheada meio úmida, repousava o notebook dela. Um guerreiro cansado, que tremia só de ser ligado. Com o som das ventoinhas zunindo e o MSN há muito esquecido, era pelo Facebook que Marcela se expressava em grupos que se multiplicavam feito praga de primavera.

Arquivo Malacubaca | PÔ PAI - CASOS DE FAMÍLIA: EU SÓ POSSO TER FUNDADO A TERRA DO NUNCA (2012)

 (um oferecimento do Arquivo Malacubaca)

Beto colocava o despertador para tocar pouco antes de começar Bob Esponja na TV. Era sagrado. Mas mal pisava fora do quarto, dava de cara com o pai, Augusto, que não escondia a decepção ao vê-lo em casa em plena manhã de dia útil.

— O senhor não devia estar na aula, Roberto? — perguntou o médico, com a sobrancelha arqueada.

— Pô, pai... Que é isso? Hoje eu não tive as duas últimas aulas...

— Ontem você também não teve.

— Cheguei atrasado porque choveu forte.

— Se não fosse eu te cutucar, você nem saía daquela cama.

— Pô, pai. Eu não ia à aula com chuva.

— Hoje não está chovendo. Por que não está na aula?

— Porque eu já disse... O ‘fessor’ de Física faltou.

Augusto cruzou os braços, desconfiado.

— Que raio de cursinho é esse em que os professores vivem faltando? O que dirá dos alunos? Se não é professor que falta, é porque a matéria não cai no vestibular, ou é semana do saco cheio... Uma beleza. E assim nosso país vai pra frente.

A vida sem amor é uma canção desafinada

 

🕯️ Às vezes, o peito pesa sem que a gente saiba explicar.
Tem dias em que a alma só quer colo — e silêncio, não qualquer silêncio: aquele que acolhe, entende, aquece, não exige explicações, não consola com frases feitas ou desnuda a profunda indiferença ao desviar o olhar.
É o olhar úmido, que toma suas mãos trêmulas e as leva até os lábios, numa prece sincera, singela, carinhosa.
Não é qualquer olhar na multidão.

Terças com Tita | Quando eu era só semente, ninguém me regou

por Tita

Não é só tristeza, é mágoa.
Daquelas que se instalam devagar, como silêncio em corredor vazio.

Fico magoada.
Porque eu vejo — com os dois olhos bem abertos — que as pessoas preferem apoiar quem já tem tudo.
Quem já chegou.
Quem tem aplauso pronto, feed bonito, presença premiada.

Apoiar quem ainda está tentando exige sensibilidade.
Apoiar quem já “deu certo” exige só vaidade.

Quando eu era só semente,
ninguém se aproximava.
Ninguém perguntava como eu estava,
ninguém comentava no meu texto,
ninguém oferecia água.

E agora, que minhas palavras brotam de novo,
mesmo tímidas, mesmo feridas,
tem gente rondando como se dissesse:
“Olha, ainda tô aqui…”
Como se fosse favor estar.

Mas eu lembro.
Lembro de quem sumiu quando doeu.
De quem se calou quando eu gritei.
De quem fingiu que não me via pra não ter que apoiar.


 “Desculpa, mas eu não aguento mais gente que só aparece na hora da desgraça.
Gente que vem ver se eu caí —
mas nunca veio quando eu tentei levantar.”



Não estou dizendo que quero plateia.
Só queria uma presença verdadeira.
Alguém que dissesse: “Eu vi você escrevendo sozinha.
E mesmo assim, continuei aqui.”

Mas isso é raro.
E eu aprendi:
Quem não me regou na seca,
não tem direito de colher na florada.

E sigo.
Com menos,
mas com mais verdade.

🎥 LIVE DO TINO: DIREITO DE RESPOSTA

⚠️ AVISO IMPORTANTE Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das ob...