A estrela para sempre brilhará

 

Foram três semanas muito difíceis, marcadas por uma tensão muito grande, um medo profundo de ser engolida pela onda do retrocesso. Passei muita raiva, não está escrito. Duvidei, confesso. O medo tentou ser mais forte do que tudo. Porque eu sabia o que estava em jogo. E a liberdade vale mais do que possíveis desagrados.

Ainda lembro de quando eles eram a maioria e soltavam fogos. Do medo de não suportar aqueles quatro longos anos que viriam. Das lágrimas de incerteza, desgosto e dor. Acreditar num futuro melhor parecia uma conversa vazia. Era cansativo tentar explicar com todas as letras o que já era óbvio pra mim há muito tempo.

Mostrar a verdade para quem não quer enxergá-la me desgastou bastante. O amor é o pavimento da vida, porém,em algumas circunstâncias, a raiva precisa ser o combustível para não esmorecer.

Um pouco da fé na humanidade se perdeu naquele período tão sombrio. Era inacreditável ser minoria e precisar explicar o óbvio, revirar os olhos com a enxurrada de mentiras lavradas pela moralidade esfarelada.

Um dia após o outro e algumas noites intermináveis no meio. Dias que pareciam anos inteiros. Quem viveu sabe desse desespero. Do desalento pelas notícias ruins que não paravam de chegar, enquanto a indiferença de quem se sentia invencível custou milhares de vidas e sempre carregará sangue nas mãos. 

Foram mais de três horas na fila para tomar a primeira dose. Um momento histórico, impossível de não me emocionar, de não registrar nem as folhas amareladas que enfeitavam as calçadas de paralelepípedos. Muitos não viveram para receber a agulhinha no bracinho. Ainda era preciso tirar forças de onde nem tinha para resistir pelo menos até 2022, quando os primeiros raios de esperança voltaram a iluminar meus olhos e me fazer acreditar em dias melhores. 

Nem tudo foram flores porque os espinhos eram muitos e as armadilhas também. E eles ainda são muitos. E estão dispostos a tudo. O discurso demagogo já entra em conflito com as próprias incoerências envernizadas em moralismos de fachada e outras imbecilidades mais.

O déjà-vu daqueles difíceis anos tomou a dianteira há três semanas e no menor sinal de que poderíamos viver algo muito assustador do que aquela amostra nefasta. 

Eu não teria medo de assumir um lado e a bronca toda. A indiferença me encheria de vergonha e desonra. Meus inimigos não são pessoas, são os extremismos, o flerte com o retrocesso, a hipocrisia, a desinformação e a desumanidade. Se bem que quero distância de quem despeja ódio e preconceito por diversão, por pura preguiça de buscar as próprias respostas 

Nem toda mudança é pra melhor e 2018 mostrou isso. Só não viu quem não quis... e quem ainda não estava pronto. Alguns precisam de tempo ou de um estalo que os devolva (ou traga) a razão. 

Para quem acha que eu preciso ser dócil e calar a boca, tenho uma péssima notícia pra dar... 

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A estrela para sempre brilhará

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