Malacubaca na Copa 2026 | Muito suco de maracujá na causa


Um gole de suco de maracujá, Rubão. A noite mal começou. 
Se o Neymar entrará em campo, ninguém sabe ao certo, mas o rei da televisão correria para as colinas se pudesse. Nem preciso recapitular todas as pérolas da dupla Edu Meirelles e Vivaldo para o respeitável público, elas falam por si. 
— Em que posição o Brasil vai se classificar? 
— Campeão que é campeão não escolhe adversário, então, que venha a Holanda! — declara Edu Meirelles. 
— Desde que o Brasil faça gol, não importa quem venha pela frente... — concorda Vivaldo.
— E se os alienígenas aparecerem durante a partida? — pergunta Rubão, sem qualquer esperança na resposta.
— Se vierem em paz, podem assistir ao jogo conosco — responde Edu Meirelles.
— Desde que façam gol... — acrescenta Vivaldo.
— ALIENÍGENAS NÃO JOGAM FUTEBOL, VIVALDO!
— Vocês estão botando fé nessa previsão de invasão alienígena no campo? — pressiona Rubão, tudo para evitar o gatilho do "gol", senão Vivaldo não para mais de falar.
— Deixei de acreditar em previsões falaciosas no início deste mundial — dissimula Edu. 
— Pois a nossa produção conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa dos videntes L & L. Após semanas dedicadas a una peregrinação en local não divulgado, eles estão de volta.
A câmera mostra a cara de decepção de Eduardo Meirelles.
— Queiram entrar, videntes L & L! — convida Rubão. — A casa é de vocês!

Os videntes surgem lentamente pelo corredor do estúdio e, claro, sempre tem câmeras exclusivas da Malacubaca para mostrar a cena de todos os ângulos. Apesar dos trajes extravagantes de seus alter egos místicos, ambos usam a camisa jeans oficial da Malacubaca, com o cachorro mascote bordado à mão sobre o peito. Um deles carrega uma pasta repleta de anotações indecifráveis; o outro segura um cristal que parece ter sido comprado numa loja de R$ 1,99.
Rubão respira fundo. Eduardo Meirelles desvia o olhar para o teto. Vivaldo sorri como se estivesse reencontrando velhos amigos.
— Quem é vivo sempre aparece! — Rubão se dirige aos videntes para cumprimentá-los. — A gente já estava com saudades de vocês por aqui. Quantos anos de peregrinação? Quinze?
— Pensei que vocês tivessem se aposentado depois de tanta bola fora — debocha Edu.
— A gente vai se aposentar no mesmo dia em que você ganhar a Bola de Ouro honorária — reage Lilly (a vidente L), mordaz.
— Essa doeu até em mim, mana! — diz Luís Carlos, o vidente L. 
— Eu ri, mas com respeito. — Vivaldo se manifesta.
Respeito é algo que ninguém tem por um homem que poderia ter revolucionado o futebol... — desabafa Edu.
— Ah, Lilly, não acredito que interrompi minhas férias pra isso — reclama Luís Carlos. 
— Até que uma invasão alienígena não seria de todo uma tragédia — murmura Rubão, esvaziando o jarro de suco de maracujá e bebendo como se fosse energético.
— O Meirelles já é caso perdido, já começou a acreditar nas próprias fanfics — caçoa Lilly.
— Olha quem fala, a vidente que só dá bola fora e prevê o que já aconteceu.
— Sabe quando você vai ser titular da seleção? Eu digo quando: quando você for dormir. Sonha que é de graça, vacilão.
— Se vocês começarem de picuinha, corto os microfones de todo mundo e acabo com essa palhaçada! — Rubão bronqueia com todos os presentes. — Essa é uma transmissão de respeito! A família brasileira está reunida para acompanhar o futebol e não um bando de palhaços com delírios de grandeza querendo aparecer mais do que a bola no pé. Estou falando: se vocês começarem de picuinha, do próximo jogo ninguém participa! Vou dar cartão vermelho pra todo mundo!
— Tecnicamente eu nem falei tanto assim — Luis Carlos cochicha com Lilly.
A câmera fecha no Rubão enquanto ele aponta o dedo para todos:
— Estou falando sério! Fui bem claro ou vou precisar desenhar?
Silêncio. O suco de maracujá acabou e a paciência do patrão também. 
Não à toa o comunicador se sente o motorista de uma excursão repleta de crianças travessas batendo pratos, cantando alto, correndo, desafiando todas as leis do bom senso. É um fala-fala danado, um querendo falar por cima do outro...
— Sobre a possibilidade de invasão alienígena — Lilly pede a palavra —, nunca ouvi tanta abobrinha.
— Não tem previsão de invasão alienígena?
— Então não tem nave-mãe? Não tem estádio sobrevoado? Não tem Neymar sendo levado para outro planeta?
Lilly suspira.
— Rubão, isso é o equivalente esotérico de corrente de WhatsApp. Além disso, o vidente L e eu decidimos em comum acordo interromper nossas férias... nossa peregrinação porque estavam fazendo deepfakes com previsões fajutas e alarmistas utilizando nossos nomes, inclusive, palpites da Copa.
— Essas previsões aí usando nosso nome são todas falsas — confirma o vidente L, olhando compenetrado para a bola de cristal.
— Muitos videntes sem credenciamento aproveitam períodos de grande mobilização nacional para fazer profecias apocalípticas e implantarem a semente do terror coletivo, mas essa bola de cristal que já viu o passado e o futuro prevê vitória do Haiti contra o Marrocos.
— E hoje? Vai dar Brasil? — pergunta Rubão.
— Ah patrão, você acredita em Papai Noel? Porque acreditar nesses dois aí dá no mesmo que acreditar em Papai Noel.
— Você arrisca um palpite de quem será o adversário do Brasil na próxima fase? — Rubão ignora os protestos de Eduardo.
— Agora é fácil culpar as deepfakes — reclama o bonitão.
— Quer eu transforme esse aí em sapo? — propõe Lilly.
— Vou dar mais uma colher de chá — sentencia Rubão para Eduardo. — Na próxima é cartão vermelho!
— Mal acerta o placar de uma partida, vai me transformar em sapo... 
— 

 

Malacubaca na Copa 2026 | Secador às avessas


— Por que você está ouvindo Mick Jagger? — pergunta Renata ao entrar na sala e encontrar Edu batucando animado no tampo da mesa dele.
— Estou aquecendo os tamborins para o Dia do Rock — responde Eduardo. — Acabando o São João, tem o Dia do Rock. Eu quero é rock, bebê!

Haumea: o elipsoide frenético além de Plutão

Captura de tela do planeta-anão Haumea (Reprodução/Stellarium)


No vasto e gelado Cinturão de Kuiper, muito além da órbita de Netuno, reside um dos objetos mais exóticos do nosso sistema: o planeta-anão Haumea. Se a maioria dos corpos celestes se assemelha a esferas perfeitas, Haumea desafia essa estética, apresentando-se como um elipsoide alongado — um formato que lembra mais um charuto ou uma massa de pizza esticada do que um planeta tradicional.

🌀 A Física da velocidade extrema

O formato bizarro não é um acidente geológico, mas uma consequência direta de sua dinâmica orbital. Haumea possui uma das rotações mais rápidas do Sistema Solar: um dia completo ali dura apenas quatro horas.

Essa velocidade é tão extrema que a força centrífuga impede que a gravidade molde o corpo em uma esfera. Haumea é, literalmente, uma lição de física sobre a resistência dos materiais; ele gira tão rápido que se alongou para aliviar a tensão de sua própria rotação. É o contraste perfeito entre a agitação frenética e o silêncio gélido das profundezas do espaço.

🔴 A mancha e o passado violento

Observações detalhadas revelaram uma característica intrigante na superfície cristalina de Haumea: uma mancha escura e avermelhada. Cientistas sugerem que essa marca pode ser o registro de uma colisão catastrófica ocorrida há bilhões de anos — o mesmo evento que provavelmente acelerou sua rotação e deu origem às suas duas luas, Hi'iaka e Namaka. O que vemos hoje é a cicatriz de um "esbarrão" intergaláctico que alterou permanentemente o destino deste mundo.

🔭 Perspectiva no Stellarium

Para localizar Haumea no simulador, é necessário um "zoom" agressivo e persistente. Localizado em uma região de luz escassa, ele aparece como uma "batata esticada" que gira em alta velocidade. No Stellarium, essa visualização ajuda a compreender como a distância e a escala transformam um planeta anão em um pequeno prodígio da mecânica celeste.

Malacubaca na Copa 2026 | O retorno dos que nunca foram

 

Uma partida foi suspensa devido às fortes chuvas na Filadélfia. Com isso, a Malacubaca trabalha dobrado para responder às indagações dos espectadores sobre a carreira de Vivaldo, o tetracampeão. 

Figurinha carimbada nos jogos da Seleção, imortalizou o bordão "Pra ganhar tem que fazer gol. Sem gol não tem vitória. Sem vitória não tem taça. Sem taça não tem festa." Ninguém sabe muito bem como ele foi parar na Malacubaca, mas esse agregado — diga-se de passagem — foi ficando, ficando... Parece que sempre esteve ali.

Malacubaca na Copa 2026 | Os segredos de um quase craque


Eduardo Meirelles pode até não ser o mascote da Copa, mas está sempre na boca do povo. Que ele é o artilheiro do time dos jornalistas da emissora, ninguém contesta. O ego, no entanto, ultrapassa o tamanho do Maracanã. Se duvidar, não está conformado até agora de não ter sido convocado para defender a Seleção.

Malacubaca na Copa 2026 | Teorias da conspiração na calada da noite


A televisão falava sozinha na sala escura. Na poltrona, Luís Carlos roncava, alheio aos comentários de Rubão na mesa-redonda pós-jogo. Lilly cochilava refestelada no sofá... até o celular vibrar ruidosamente.
Apavorados, os irmãos videntes charlatões tropeçaram na escuridão tentando identificar de onde vinha o som, se não estavam delirando ou dentro de um sonho daqueles bem esquisitos.
— Você ativou o despertador pra assistir ao jogo do Paraguai? — ralhou Lilly. — Quase me matou do coração, hein?

Malacubaca na Copa 2026 | Enquanto você lia essas desventuras, eles erraram mais uma previsão


Quando ela chega, não tem jeito. A gente se envolve. Uns mais, outros menos. Quem não gosta não entende que o significado vai além de 22 homens atrás de uma bola... 
É o frio na barriga, a tradição em campo, a televisão sintonizada na Malacubaca, o bolão da família, o animal vidente, as promessas, o ressoar das vuvuzelas, o cheirinho de pipoca com manteiga, do churrasco na brasa, o grito de gol que vem lá do fundo da garganta, do fundo da alma, que grita tudo que está engasgado, que até esquece um pouco dos problemas e das mágoas. 
Num abraço apertado, pula-se e festeja-se como se a torcida estivesse ali pertinho, vibrando a vitória, o entusiasmo e a bem-vinda injeção de ânimo que não vem em melhor hora.
Mas a festa não se faz sozinha...

Malacubaca na Copa 2026 | Pé-frio ou coincidência desastrosa?

  A fama de pé-frio de Noviça no futebol foi vista como um alento aos internautas, sobretudo porque a própria diva parece levar a brincadeir...