A escuridão é o papel em branco que segue o instinto da pele. A luz do luar traceja delicadamente os contornos desse movimento gravitacional, invisível aos olhos distraídos, que harmoniza a comunhão de dois mares na eternidade.
Tal sintonia acende as estrelas numa madrugada chuvosa, doma o tempo e cabe num arrepio, num beijo mais profundo, nas pausas propostas pelas respirações entrecortadas e sedentas por explorar os encantos do abstrato.
Ama-se. Entre uma declaração e outra. Quando o deixo me ver de um jeito que não me mostro para ninguém e a emoção transborda nas lágrimas quentes que as pontas dos seus dedos enxugam mansamente.
É o olhar que beija sem se regrar pelo passar das horas, lábios que se reconhecem de versos jamais escritos, as mãos que aprendem a fazer poesia sem precisar de uma caneta. Para quem não tem sensibilidade de perceber a poesia além de um formato rígido e imutável, todos os versos não passam de pegadas na areia.
Para nós, palavras não dizem nada quando a alma diz tudo, insiste que sim. Em nós. Sem rodeios nem filtros. Sem rebuscar demais a estrutura para mostrar erudição. A partir de agora somos nós… estão desfeitos os desarranjos que tentaram apagar do peito o dom de amar.

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