O sol batia fraco pela fresta da cortina do quarto dela no findar daquela manhã. A casa mergulhada em silêncio, só não tanto para ela se esquecer de onde estava. Podia sentir o coração bater bem mais alto do que os passos imaginários do lado de fora.
Ele encostou a porta com cuidado e viu-a deitada, encolhida entre os lençóis, os cabelos emoldurando o travesseiro e olhar dividido entre o medo e o querer.
— Você tem certeza? — ele perguntou, baixinho, ajoelhado ao lado da cama.
Ela assentiu com os olhos, mas a voz saiu um pouco trêmula:
— A gente só não vai poder fazer muito barulho, se é que você me entende. Se alguém escutar, eu morro de vergonha.
Ele sorriu de leve e trouxe os dedos aos lábios dela:
— Então a gente só vai se ouvir por dentro.
O beijo foi sussurrado. Lento, quente, determinado, cheio de cuidado. Os lençóis abafavam os movimentos, o colchão cedia com delicadeza. Cada toque era uma promessa: vou devagar, vou te ouvir, vou te sentir.
Ela mordeu o lábio para não soltar um suspiro alto. Os olhos permaneciam fechados, como se assim pudesse se esquecer que o mundo ainda existia do lado de fora.
Os corpos se encaixaram com timidez, calor e desejo misturados. Foi como se o tempo parasse só para eles dois, em meio ao receio, soubessem que aquele momento ia além de uma simples busca pelo prazer, sagrava, na verdade, um encontro de almas.
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