os sinais estavam claros desde antes da explosão

 

Sempre prometo não me envolver, mas quebro meu próprio juramento quando o preço do silêncio me chama à realidade. Injustiças me tiram do sério, preconceitos disfarçados de "personalidade forte", moralidade condicional, hipocrisia seletiva... 

Tem muitos sentimentos misturados, tanto que não nego a dificuldade para elencar um que possa tomar a dianteira para melhor me representar neste exato momento.

É provável que muitos concluam que não sei separar uma coisa da outra. Eu deveria me defender com parágrafos maiores do que a disposição em escrevê-los. Tolerar diferenças pontuais é tão natural na rotina que não chega a ser uma questão problemática... 

Talvez eu não saiba mesmo tolerar preconceito.

Vejo muito mais do que deveria ver. Aquilo que dói, que não sei nem nomear, que tolerância nenhuma engole sem sentir o amargor debaixo da língua e a aspereza das palavras sufocadas pela ânsia de ser a boa moça. Não que eu não me esforce para ser; contudo, parece-me totalmente sem propósito ser guiada pelo medo de desagradar. 

Não consigo aguentar calada.

O palavrão que sai no calor da raiva e vai direto para o banco dos réus sem conciliação é o elemento mais inocente nessa história toda. Todo mundo aponta o dedo para julgar os "excessos", mas ninguém realmente percebe que os sinais estavam claros desde antes da explosão.

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