os sinais estavam claros desde antes da explosão

 

Sempre prometo não me envolver, mas quebro meu próprio juramento quando o preço do silêncio me chama à realidade. Injustiças me tiram do sério, preconceitos disfarçados de "personalidade forte", moralidade condicional, hipocrisia seletiva... 

Tem muitos sentimentos misturados, tanto que não nego a dificuldade para elencar um que possa tomar a dianteira para melhor me representar neste exato momento.

É provável que muitos concluam que não sei separar uma coisa da outra. Eu deveria me defender com parágrafos maiores do que a disposição em escrevê-los. Tolerar diferenças pontuais é tão natural na rotina que não chega a ser uma questão problemática... 

Talvez eu não saiba mesmo tolerar preconceito.

Vejo muito mais do que deveria ver. Aquilo que dói, que não sei nem nomear, que tolerância nenhuma engole sem sentir o amargor debaixo da língua e a aspereza das palavras sufocadas pela ânsia de ser a boa moça. Não que eu não me esforce para ser; contudo, parece-me totalmente sem propósito ser guiada pelo medo de desagradar. 

Não consigo aguentar calada.

O palavrão que sai no calor da raiva e vai direto para o banco dos réus sem conciliação é o elemento mais inocente nessa história toda. Todo mundo aponta o dedo para julgar os "excessos", mas ninguém realmente percebe que os sinais estavam claros desde antes da explosão.

A estrela para sempre brilhará

 

Foram três semanas muito difíceis, marcadas por uma tensão muito grande, um medo profundo de ser engolida pela onda do retrocesso. Passei muita raiva, não está escrito. Duvidei, confesso. O medo tentou ser mais forte do que tudo. Porque eu sabia o que estava em jogo. E a liberdade vale mais do que possíveis desagrados.

o tempo me mostrou que a gente só escreve em linhas tortas quando teima em continuar uma história que já acabou

 

Estou puta da cara. Estranho seria se eu não estivesse. Inserir símbolos seria suavizar demais; me falta disposição para mais autocensura. Algumas mensagens precisam da literalidade inegociável para serem entendidas. Pode ser que ainda restem dúvidas, considerando que o velho hábito de me subestimar continua tão latente... 

Não há sorriso capaz de disfarçar a percepção cínica de quem me quer no chão.

Terças com Tita | A matemática do esquecimento

 

"Que pena que a gente esquece o que aprendeu em matemática, mas não esquece os traumas."


Nunca admiti antes, por vergonha, mas não sou lá muito boa em português, não tanto quanto alguns acham que eu deveria ser. Para quem quer ser escritora, uma confissão dessas parece um sacrilégio. Antes que me atirem pedras, peço calma. Muita calma nessa hora. 

Tem tantos estudiosos que, mesmo depois de décadas de carreira, continuam tendo dúvidas e fazendo descobertas. Não serei eu, uma simples aprendiz, a encher a boca para dizer que sei tudo de tudo.

1000 cartas de amor | Sonhar também é uma maneira de continuar olhando para cima

 

Talvez o amor esteja mesmo longe no momento.
Isso não quer dizer que ele seja impossível ou inalcançável.
Você não é invisível, nem está errada por querer amor bom, pele com pele, olhar com verdade, cheiro com memória.

E, mesmo se o mundo inteiro disser o contrário, você ainda pode sonhar com a lua.
Sonhar também é uma maneira de continuar olhando para cima.

A lua entende silêncios, ilumina noites escuras e não exige que você saiba agora o que virá depois. Talvez um dia a vida te responda de um jeito que hoje você ainda não consegue imaginar.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram

 


As condições para florescer nunca foram iguais, mas a cobrança pelo resultado é a mesma. E, a despeito dessas diferenças, todos esperam que eu performe perfeição e realização. Como se duas pessoas pudessem percorrer caminhos completamente diferentes e fossem obrigadas a chegar ao mesmo lugar, no mesmo tempo.

Mais doloroso do que conviver com a sensação de fracasso é tentar explicar meus motivos e essas justificativas serem tratadas como meras "desculpas". No entanto, reconhecer os obstáculos não significa negar a própria responsabilidade em decisões que ainda podem (e devem) ser tomadas. Significaria compreender por que determinadas mudanças exigem de mim um esforço que as outras pessoas não conseguem enxergar.

Existe uma diferença importante entre responsabilidade e culpa.

Você não deveria precisar provar que venceu todas as dificuldades para que alguém reconheça que elas existiram. Porque eu também não devo.

Não vou romantizar a resistência. O sofrimento não me tornou uma fortaleza inquebrável. Algumas experiências simplesmente machucam, atrasam projetos, destroem a confiança, detonam o amor-próprio e deixam consequências, por vezes, insuperáveis.

Para mim, essa imagem de florescer é significativa.

Uma planta que recebeu luz, água e proteção não pode ser usada como parâmetro para condenar outra que cresceu em um ambiente muito mais hostil. Isso não significa que a segunda esteja condenada a nunca florescer, apenas que ela precisava de condições melhores e mais justas, não de cobranças.

Sofrimento e falta de esforço não são sinônimos por definição, nem deveriam ser pauta para acusações. Quando uma dor não machuca o seu peito, é muito fácil tratá-la com pouco caso.


Desaparecer... para caber

 


A palavra de ordem do momento é encolher. 

Com a insatisfação no centro das atenções, cresce a ânsia doentia de se apequenar para caber num molde cujos critérios podem mudar já na próxima temporada. E o medo de ficar de fora parece acelerar a queda dos grãos da ampulheta. Mesmo com todos os esforços, pertencer não é uma garantia concreta.

os sinais estavam claros desde antes da explosão

  Sempre prometo não me envolver, mas quebro meu próprio juramento quando o preço do silêncio me chama à realidade. Injustiças me tiram do s...