Joaninhas e piscinas 🐞

 

Não era uma tarde comum de outono, nem tão quente, mas a piscina da estância estava cheia de gente. Mergulhar de cabeça é parte da aventura para quem escolhe dar as mãos ao medo e descer o tobogã azul em espiral. Passar vergonha encabeça a lista de coisas que deixo de fazer para não ser assunto pelos motivos "errados".

espelho quebrado | o manifesto da dismorfia (2020)

 

Publicado originalmente em 7 de março de 2020, no blog Perguntas, prerrogativas e provocações.

ele nunca foi o algoz

refletiu a representação
sobre a minha pessoa
sem omitir os detalhes
sem filtros de disfarces
por inteiro a me ver

Terças com Tita | A farsa dos 500 anos

 



Isso vai entregar a minha idade, mas não estou nem aí. Parece que foi ontem que eu passava pelo centro da cidade e via aquele relógio de rua que fazia a contagem regressiva para os 500 anos do descobrimento do Brasil. Para quem nasceu depois disso, essas narrativas parecem meio estranhas, pertencentes a outro mundo.

O otimismo quase ingênuo que aquela vibe do ano 2000 trazia era palpável no ar, nos gestos, no sentimento comunitário. Algo muito grandioso estava para acontecer, muito além do nosso modesto entendimento. Essa expectativa só precisava existir para hoje ser palavra — ou muito mais do que palavras.

Coração de leão e sábados preguiçosos



"A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser" — Homer Simpson 

Tudo começou num dia qualquer, de frente para a televisão de tubo, sem nenhum prenúncio especialmente memorável. Primeiros parágrafos me intimidam, preciso sacudir a cartola de cabeça para baixo na esperança de encontrar algumas ideias razoáveis para não abandonar o texto. Porque é o que acontece quando o medo se torna uma estufa de acrílico e desencoraja riscos, mesmo os calculados. 
Eu teria de reencarnar dezenas de vezes para ser tão inteligente e articulada como a Lisa Simpson é no alto dos seus oito anos, mas a sede de conhecimento é uma constante. Só é sufocante tentar caber em definições tão obtusas; a caixinha não é um lugar legal para se morar. 

Feliz aniversário, Ezi! ✨🎂

 


Que alegria imensa poder comemorar mais um aniversário seu, querida amiga! É sério, parece que foi ontem o seu aniversário passado, que caiu num domingo de Páscoa, e até o retrasado, aquele em que você, a Carolzinha e eu fomos àquela exposição do Monet lá no Mueller, mas cá estamos, um ano de muitos mais que esperamos vê-la celebrar.

A vida adulta pesa consigo. São tantos compromissos, afazeres e prazos que o cansaço responde antes do corpo, porém as verdadeiras amizades não são taças de material frágil, a fortaleza delas é comparável aos troncos dos carvalhos e resistem àquelas fases em que a rotina parece sufocar a criatividade, desbotar as cores e ser cumprida de forma mecânica.

Nossos amigos são esses faróis que nos lembram de quem somos quando a tristeza tenta confundir os sentidos, mesmo quando pensamos estar sós. Cada reunião serve de bálsamo para acalmar o coração a respeito daquilo que não depende somente de nós, recarregar as energias e agradecer pelos momentos em que simplesmente deixamos a seriedade de lado e rir, brincar, sem ouvir as groselhas que a pressa se antecipa em dizer para pesar o clima.

Nunca terminamos um ano do mesmo jeito que começamos. Suas mudanças de visual delimitaram as várias fases de 2025. O resultado fica em segundo plano quando você para e reflete que ao menos você se permitiu mudar, arriscar, não deixou tudo só na promessa, esperando um dia perfeito que pode nunca vir.

Talvez você não sinta isso agora, mas se você olhar para trás, não deixe de sentir orgulho de si pelas inúmeras conquistas. Não abra mão da sua independência por nada, nem por ninguém. Você merece ser feliz e guardar espaço na alma para carregar os seus sonhos, não as críticas alheias, nem os pré-conceitos de ninguém.

Você não é um “tanto faz”, você merece ser amada por alguém que deseje estar ao seu lado, sem desculpas, sem joguinhos. Você merece um brinde no alto de uma cobertura, com alguém que segure na sua mão e veja o fulgor das estrelas no seu olhar, alguém que, ao te abraçar, sinta a responsabilidade de cuidar do seu mundo inteiro. Não aceite menos, nem quando a carência vier com conversinha mole.

Mas hoje o choro só está liberado se for de alegria e emoção. Lute com unhas e dentes pelos seus sonhos, seja uma leoa determinada, seja por você antes de qualquer outra pessoa. Sofrer na vida faz parte, porém, não se torture pelo que não depende de você e tenha a certeza de que o mesmo vento que arrasa tudo que vê pela frente também é aquele abraço gostoso num dia abafado.

Perdoa o textão e se eu viajei muito na maionese tentando “falar bonito”. Não sei me limitar às frases feitas, gosto de não colocar amor em tudo que faço, em cada palavra escolhida e pensada para fazer sentido daqui a muitos anos ou diversas outras versões suas — e não somente neles.

Saúde, alegria, paz, realizações, prosperidade, amor, coragem, determinação… ah, são tantos os pedidos. Que a luz do seu sobrenome te guie a cada escolha e essa mensagem te abrace caso eu não esteja por perto. Obrigada por existir.

Com carinho,

Mary =)

A vida continua injusta, mas o riso é livre



Tenho um pé atrás com continuações ou reencontros porque quase sempre eles não correspondem às expectativas. Se seu desejo é ler uma resenha acadêmica, técnica, detalhada e repleta de palavras difíceis, esse post não é para você. Quero conversar com aquela jovem que um dia eu fui, sem "higienizar" minha história porque fulana pode ficar chocada com as anedotas de alguns anos atrás, sem me envergonhar das páginas zoadas, dos tombos e até das referências que solidificaram a personalidade.

Depois dos 25 | O oásis não passa de outra ilusão



Ninguém conta o quão devastador é ser gatilhada por estímulos que me querem adestrada, encolhida na caixinha, consentindo com as falácias vendidas num belo embrulho. O medo de ficar de fora coloca todas as convicções em prova. 
Padeço às pedras de granizo atravessadas no peito, consequência de todos aqueles "tudo bem" que venho dizendo há muito tempo. Deito para esquecer, acostumada a ser compreensiva, a tantas portas fechadas, a abdicar em nome dessa tal resiliência.
Sou muito consciente da realidade, estou e sempre estive sozinha. E esse peso testa a resistência aos mais árduos trechos nesse solo árido e pedregoso. Caminho devagarinho, prefiro assim. O oásis não passa de outra ilusão. 

Cinco anos sem você, vó

Não parecia um autêntico sábado de verão. Mal começou e ficou suspenso num tempo indefinido entre tudo que acabou e tudo que jamais voltará ...