Este é um livro que conduz o leitor pelas dores e afetos transmitidos entre gerações. A narrativa é marcada por uma escrita intimista, carregada de silêncios e não-ditos que, muitas vezes, gritam mais alto que as cenas mais intensas. Conhecemos Catarina, uma menina criada pela avó, Amélia, e que descobre que sua identidade foi construída apenas com as peças que a avó permitiu que ela visse.
A Ruptura da Matriarca: Quando a Sustentação se Vai
A morte de Vó Amélia não é apenas uma perda familiar; é uma ruptura dolorosa que expõe a vulnerabilidade de todas as outras mulheres da linhagem. Amélia era o eixo. Sem ela, as memórias e os ensinamentos herdados começam a se misturar com as marcas e dores que moldaram as escolhas de cada geração.
Neste ponto, a obra de Carla Guerson nos faz pensar: o que herdamos além do DNA? Herdamos também os medos e as resistências daquelas que vieram antes de nós.
O Processo como Protagonista: A Decisão de Catarina
O ponto mais ambíguo e, arrisco dizer, mais poderoso da narrativa está na jornada de Catarina em relação à sua gravidez. O livro não confirma explicitamente se o aborto aconteceu, deixando o desfecho em aberto.
Essa escolha narrativa é genial: ela desloca o nosso foco do "sim ou não" para o processo emocional. O que importa aqui é a coragem de reivindicar o direito de escolha sobre o próprio corpo. O peso recai na vivência da decisão, e não no resultado final. É a literatura respeitando o tempo e o mistério da personagem.
"O livro mostra como a literatura pode ser tão sobre o que não é dito quanto sobre o que é explicitado."
As Cartas de Suzana: O Coro Final
O encerramento com as cartas de Suzana, mãe de Catarina, é o que ressignifica toda a obra. Suzana simboliza o entrelaçar dessas histórias. As cartas funcionam como um coro que dá perspectiva às escolhas da filha e ao legado da avó. É o momento em que as peças do quebra-cabeça, embora ainda incompletas, começam a formar uma imagem de resistência feminina.
Reflexão da Mary: A Literatura da Entrega
Confesso que a obra me provocou sentimentos mistos. Houve uma ponta de frustração pela falta de respostas definitivas? Sim. Mas houve uma admiração muito maior pela coragem da autora em não ceder ao caminho fácil de um final fechado.
Ao terminar, fica a sensação de que a história é menos sobre eventos cronológicos e mais sobre a transmissão de afetos e cicatrizes entre mulheres. É um livro que exige entrega emocional e que permanece na mente muito tempo após fecharmos a última página.
Síntese Final
Todo mundo tem mãe, Catarina fala sobre escolhas, ausências e heranças invisíveis. Se você se interessou por essa viagem geracional, a obra está disponível para leitura no Kindle Unlimited. Vale cada página de reflexão.
Espero que essa recomendação tenha tocado vocês tanto quanto me tocou. Se você já leu ou se interessa por esse tema das gerações familiares, deixe seu comentário!
Por hoje é só, um abraço e nos vemos na próxima sexta, com mais uma janela aberta para o infinito literário. 🌸✨
Referências
GUERSON, Carla. Todo mundo tem mãe, Catarina. [S.l.]: Editora Planeta, 2023.

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