Sexta-feira 13: mitos e curiosidades

 

Hoje é 13 de fevereiro, sexta-feira de Carnaval e também sexta-feira 13. Sendo você do time dos supersticiosos ou não, tenho mais uma notícia para dar: só em 2026 teremos mais duas sextas-feiras 13, em março e em novembro.

Enquanto uns estão preocupados com o glitter e a fantasia, outros já estão cruzando os dedos e evitando passar debaixo da escada. Afinal, não é todo dia que o Rei Momo divide o palco com o azar! Mas você já parou para pensar de onde vem esse calafrio que sobe a espinha quando olhamos o calendário? 

Para entender como essa data se tornou o “dia oficial do azar”, a equipe do OCDM te propõe fazer uma viagem no tempo. Pode vir, mesmo com máscara de Carnaval.

A (má) fama da sexta-feira

A “fama” dessa data não nasceu de um único evento isolado, mas da fusão de dois medos distintos que acabaram se encontrando no calendário.

Antes mesmo de o número 13 entrar na jogada, a sexta-feira já não gozava de boa reputação em diversas culturas. Na tradição cristã, o dia é marcado por um luto profundo: foi em uma sexta-feira que Jesus foi crucificado. Esse evento transformou o dia em um período de penitência e introspecção, o que, com o passar dos séculos, acabou sendo reinterpretado pelo folclore popular como um dia de “má sorte”.

Não é só na Bíblia que a sexta-feira carrega mistérios. Na mitologia nórdica, o dia era dedicado a Frigga (a deusa do amor e da fertilidade que deu origem ao nome Friday em inglês). Quando as tribos nórdicas foram convertidas ao cristianismo, as lendas locais foram transformadas: Frigga foi rotulada como bruxa e dizia-se que, toda sexta-feira, ela se reunia com outras 11 bruxas e o próprio demônio (totalizando 13 presentes!) para rogar pragas sobre a humanidade.

Onde o número 13 entra na história

Se a sexta-feira já tinha seus problemas, o número 13 chegou para selar o destino da data. Ele é historicamente visto como o número da imperfeição.

Pense bem: o 12 é considerado um número “completo”. Temos 12 meses no ano, 12 signos do zodíaco, 12 horas no relógio e 12 deuses no Olimpo. O 13, por ser o sucessor do que é perfeito, tornou-se o símbolo do caos e da desordem.

  • O 13º convidado: diz a lenda que houve um banquete para 12 deuses. Loki, o deus da trapaça, não foi convidado e apareceu como o 13º convidado. A confusão terminou na morte de Balder, o deus da luz e da alegria. Desde então, o número 13 ficou marcado pelo caos.

  • A Última Ceia: à mesa com Jesus, estavam os 12 apóstolos. O 13º a se sentar era Judas Iscariotes, o traidor.

O encontro fatal: 13 de outubro de 1307

A teoria histórica mais famosa que une o dia e o número aconteceu na França medieval. Na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, o Rei Filipe IV, sentindo-se ameaçado pelo poder da Ordem dos Cavaleiros Templários, ordenou a prisão e a perseguição de todos os seus membros.

Muitos foram torturados e queimados na fogueira. Diz a lenda que o Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Molay, amaldiçoou o rei e o Papa enquanto ardia nas chamas, solidificando para sempre a sexta-feira 13 como um dia de traição e infortúnio.

Curiosidade: o medo específico da sexta-feira 13 tem nome: Parascavedecatriafobia. Tente dizer isso três vezes rápido na frente do espelho! Ou não!

O Guia de Sobrevivência (ou quase isso)

Para quem não quer dar chance ao azar, seja no bloco de rua ou em casa, aqui estão as superstições mais famosas que assombram a sexta-feira 13:

  • Passar debaixo de escadas: dizem que a escada encostada na parede forma um triângulo (símbolo da Santíssima Trindade ou da vida), e atravessá-la seria profanar esse espaço. Melhor dar a volta!

  • Gatos pretos: coitadinhos dos bichanos! Na Idade Média, eles eram injustamente associados às bruxas. Hoje, a gente sabe que eles só trazem sorte e fofura, mas a superstição ainda faz muita gente mudar de calçada.

  • Quebrar espelhos: sete anos de azar! Antigamente, acreditava-se que o espelho refletia não apenas o corpo, mas a alma. Quebrá-lo seria “partir” a própria sorte.

  • Abrir guarda-chuva em lugares fechados: essa vem do Egito Antigo! Abrir o acessório longe do sol era considerado um insulto ao deus Rá. No Carnaval, com tanta sombrinha de frevo, é bom ficar atento!

  • Levantar com o pé esquerdo: A palavra “esquerda” em latim (sinister) deu origem ao termo “sinistro”. Por via das dúvidas, bote o pé direito no chão primeiro.

  • Cruzar com alguém na escada: algumas culturas acreditam que cruzar com outra pessoa em uma escadaria atrai infortúnio.

  • Bater na madeira: essa é a favorita de todos! Três batidinhas na madeira servem para afastar os maus espíritos que, segundo os celtas, viviam dentro das árvores.

O empurrão da Cultura Pop

Se as lendas antigas plantaram a semente do medo, foi o século XX que regou essa superstição até ela virar um fenômeno global.

  • O livro que parou Wall Street: Em 1907, Thomas Lawson publicou o romance Friday, the Thirteenth. A história não era sobre fantasmas, mas sobre um corretor sem escrúpulos que escolheu a data para gerar um pânico financeiro e quebrar o mercado de ações. O livro foi um sucesso tão grande que, na época, o mercado de ações sentia realmente o impacto da superstição.

  • O ícone da máscara de hóquei: nos anos 80, a franquia de terror sexta-feira 13 apresentou ao mundo Jason Voorhees. A partir dali, a data deixou de ser apenas “azar” para virar sinônimo de suspense e adrenalina. O sucesso foi tanto que hoje é impossível pensar na data sem visualizar a icônica máscara de hóquei.

Ironicamente, em 2026, a máscara do Jason tem concorrência pesada: ela divide as ruas com as fantasias de pirata, sereia e super-herói. No fim das contas, a sexta-feira 13 se tornou tão pop que a gente até se diverte com o medo.

Se você quebrar um espelho enquanto passa debaixo de uma escada segurando um guarda-chuva aberto… bom, aí talvez seja melhor procurar algum tampo de madeira para bater três vezes antes de sair para curtir o Carnaval!

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